terça-feira, 17 de julho de 2018

DOCE COMPANHIA

 William e Thomas
Sheryl Blanksby
Quem tem crianças em casa está acostumado com barulho, com brinquedos espalhados, com sobe e desce pelas escadas. Com correrias, com gritos de alegria porque teve êxito no jogo, ou está se divertindo com o mais recente presente. Também sabe que, quase sempre, quando um grande silêncio acontece, a não ser que estejam dormindo, o sinal é de que elas estão aprontando alguma coisa. Por isso, aquela mãe de dois meninos, Sheryl Blanksby, desconfiou da ausência de barulho. O que estaria acontecendo? O que o menino maior estaria aprontando com o seu irmãozinho? Ela resolveu averiguar. Qual não foi sua surpresa ao encontrar William, deitado no colchão, ao lado do irmão Thomas, de apenas um ano. O mais extraordinário é que ele acariciava o bebê, com delicadeza e lhe dizia, sussurrando: 
-Kuya está aqui. Está tudo bem. 
A cena foi demais comovente porque o bebê sofre com um tipo raro e agressivo de câncer, descoberto na sexta semana de vida. Até então, Thomas parecia completamente saudável. Mas, ao examinar um caroço em sua barriga, os médicos descobriram um grande tumor no rim esquerdo. A doença acomete apenas vinte e cinco pessoas a cada ano, nos Estados Unidos. A taxa de sobrevivência mal ultrapassa os trinta por cento. Então, a família decidiu viver intensamente o tempo que resta com o bebê. A mãe registra cada momento de seu pequeno guerreiro, nas redes sociais.  
-Meu coração se parte a cada sorriso que ele me dá. Acordo querendo que seja um pesadelo, mas olho para ele e lembro que é real. Vou para a cama com medo e peço todos os dias para aquela não ser a nossa última noite, relatou ela. 
E ali estava William confortando o irmãozinho, como a lhe dizer que ficasse tranquilo porque ele estava ao seu lado. Talvez quisesse acalmá-lo, no sentido de que não tivesse medo da dor, da morte, da partida, que pode acontecer a qualquer momento. Talvez desejasse simplesmente afirmar: 
-Sou seu irmão, estou aqui. Você não está sozinho. 
Quando pensamos que as crianças não entendem certas situações, nos surpreendemos. Elas têm, normalmente, um entendimento muito maior do que possamos imaginar. E quando deixam que o afeto extravase, são capazes de atos comovedores. Olhando as fotos no Instagram, postadas pela mãe, cogitamos se esse menino não veio justamente para auxiliar o irmão, na sua dura provação. Por isso, a fala delicada: 
-Kuya está aqui. Tudo vai ficar bem. 
Que doce entendimento de que o amor consola, alivia dores, ampara quem chora. Pudéssemos sempre lembrar dessa verdade e menos vezes nos recolheríamos para dentro de nós mesmos, quando o sofrimento nos alcançasse. Menos vezes nos entregaríamos à tristeza, à depressão. Porque todos temos alguém que nos ama. Um pai, uma mãe, filhos, cônjuge, um amigo, um companheiro. Pode até ser a simples presença de um cão que nos recebe à porta, latindo, que salta e nos lambe. Ou um gato que se esfrega em nossas pernas, num repetido afago. Muito bem já nos foi ensinado: o amor é de essência divina. Usufruamos do amor que nos é ofertado. Ofertemo-nos em amor a quem caminha ao nosso lado, entre dificuldades. 
Redação do Momento Espírita, com base em nota colhida na internet. Em 24.5.2017.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ADEQUADO USO DA PALAVRA

Afirma um provérbio popular que o homem é senhor das palavras não ditas, mas escravo das que profere. Isso porque, após pronunciadas, são como penas ao vento. Impossíveis de serem recolhidas. Os homens públicos, não poucas vezes, têm se dado muito mal por falarem, de forma apressada, sem refletirem, expressando o que lhes vêm à mente, de rompante. Por mais que, posteriormente, busquem ajustar, acertar, dificilmente são sanados os efeitos, na totalidade. Mesmo porque muitos dos que ouviram, inicialmente, poderão não ser alcançados pelas explicações dadas posteriormente. No relacionamento entre patrões e empregados, a questão não se faz diferente. Funcionários podem ser dispensados por terem utilizado mal o verbo, desrespeitando colegas ou superiores. Ou por passarem informações inverídicas, comprometendo a imagem da empresa. Por sua vez, patrões que não têm a devida sensibilidade, podem sofrer ações punitivas, quando agridem verbalmente aos seus empregados. Entre amigos, a questão se faz ainda mais delicada. Confidências feitas nos momentos em que tudo vai bem são repassadas, sem critério, a muitos, quando o laço afetivo se rompe. Aquele que desvelou o mundo íntimo fica corroído de tristeza e inseguro, ante a possibilidade de não serem honradas as reservas que o assunto requer. O outro, por sua vez, seja por maldade ou por revanchismo, resolve tudo espalhar, denegrindo a imagem do que lhe era amigo até há pouco. Nos dias atuais, com as facilidades das redes sociais, esse procedimento tem tomado maior vulto. Sem refletir, pessoas informam a muitas outras, questões que deveriam ser confidenciais. Também inverdades, calúnias, maldades. Pela rapidez, logo alguém é alvo de suspeitas, queixas e olhares críticos. Assim se destroem reputações de indivíduos e de instituições. Por vezes, totalmente infundadas, as notas alcançam o alvo, amolentando as forças do agredido, provocando-lhe distúrbios físicos e psíquicos. Ou criando, no caso de instituições, entraves de variada ordem. Por tudo isso, os que nos dizemos ser os seguidores de Jesus, necessitamos repensar nossa forma de agir. Não utilizemos a palavra escrita ou falada para denegrir pessoas ou instituições. Reflitamos antes, ponderando se o que nos move não é simplesmente o egoísmo, ou a inveja ou qualquer outra paixão menos feliz. Nesse caso, refreemos o impulso. Se nosso intuito é de ajudar, o primeiro a ser procurado é o próprio interessado. Se, alertado, ele não se deseja modificar, deixemo-lo. Assim também age a Divindade para conosco, não nos violentando a vontade. Que bem nos fará divulgarmos o que de errado pratica alguém? A quem aproveitará? Se nos move o intuito de preservar trabalhos, instituições, ainda aí guardemos reserva. Busquemos os responsáveis, propondo mudanças, alterações, antes de destruir trabalhos de muitos anos. Jesus ensinou que se alguém tiver algo contra seu irmão, deve ir ter com ele. Pensemos nisso. 
* * *
Evita alardear o mal ou ser mensageiro das trevas. O mundo já é suficientemente infeliz, com a maldade que vige. Utiliza a tua palavra para estimular as criaturas ao bem. Busca a virtude, oculta embora, como violeta pequena entre as folhas no jardim, e demonstra-a. Acredita: o mal somente distende tentáculos sempre mais ameaçadores sobre as criaturas, porque lhe fornecemos energias. Sê tu aquele que projeta luz. Sê a tua palavra a da alegria, do bom ânimo, do fortalecimento moral. 
Redação do Momento Espírita. Em 16.7.2018.

domingo, 15 de julho de 2018

DOANDO PARA SER FELIZ

Ele era um homem bem sucedido naquela aldeia da Finlândia. Alfaiate, sustentava com seu trabalho a esposa e os filhos, até o dia em que uma grande epidemia matou todos os seus amores. Ficou só e, por essa razão, deixou de trabalhar. Dentro em breve ninguém mais o reconhecia. Andava pelas ruas, maltrapilho e triste. Era um homem amargurado. Embora os cânticos do Natal se fizessem ouvir em todas as esquinas, ele continuava mergulhado em sua tristeza. De repente, se viu defronte a uma grande vitrine, cheia de brinquedos. Um garoto pobre olhava com desesperança e desilusão as coisas bonitas e vistosas. O homem pareceu ouvir em sua intimidade o que pensava o garoto: 
-Eu nunca saberei o que é ter brinquedos tão bonitos assim. 
O antigo alfaiate começou a chorar, pela primeira vez em muito tempo, não por si mesmo, mas pelo menino. Pensou em quantas crianças como aquela existiriam em sua aldeia. Pobres que não teriam nenhum brinquedo naquele Natal. Sem pensar por onde andava, ele foi seguindo por caminhos desconhecidos. Então, se viu diante de um barracão onde as pessoas da aldeia jogavam bugigangas. Coisas que não queriam mais. Entrou, sem bem saber porquê. Mas parecia que alguém lhe comandava os gestos. E agora, lhe dizia, bem dentro do seu coração:
-Veja! Procure entre as bugigangas o que possa ser consertado. Leve para casa e conserte. Pinte. Presenteie. Faça uma criança feliz. 
Ele começou a remexer os entulhos. Havia bonecas, carrinhos e, maravilha! Encontrou até um caixote de ferramentas. Estavam enferrujadas mas ele as lixou, afiou e ficaram como novas. Numa das divisões do caixote encontrou um jogo de agulhas de costura e linhas de muitas cores. Ele se pôs a trabalhar. Nos dias seguintes, recolheu brinquedos quebrados por toda parte. Discretamente, perguntou e se informou onde morava cada criança carente da cidade. Trabalhou arduamente até altas horas da noite. Até os seus olhos doerem, sua visão ficar embaçada e ele adormecer na cadeira. Ao despontar o dia, acordava e continuava o seu trabalho de amor. Na noite de Natal ele saiu com vários embrulhos e foi andando, deixando em cada porta das casas das crianças da sua lista, um brinquedo. Uma boneca, um carrinho, um cavalo de pau. A noite estava fria e ventava muito. Várias vezes ele foi e voltou, até distribuir todos os sete grandes sacos que conseguira recolher e arrumar. Depois de uma longa noite de trabalho, o homem morreu bem cedinho no silêncio da madrugada de Natal, indo ao encontro dos seus amores. Quando o dia despertou, os sorrisos se multiplicaram nas casas pobres, ante a surpresa e o encanto com os brinquedos. 
 * * * 
Faça do Natal um Natal inesquecível. Conheça Aquele que deu origem ao Natal. Aquele que dá amor e alegria a milhões de pessoas. Abra o seu coração para Jesus. Encha-se do Seu amor, da Sua paz e alegria para sempre. Aprenda, como o alfaiate da nossa história, que dar é muito melhor que receber. Preencha sua vida com atos de amor, fazendo outras vidas felizes. Faça do Natal o início de um Natal permanente em seu coração. 
Redação do Momento Espírita, com base no conto O segredo do alfaiate, de autoria ignorada. Em 15.12.2010.

sábado, 14 de julho de 2018

O DOADOR

SÃO FRANCISCO DE ASSIS
O gesto de doar é um dos mais lindos aos olhos de Deus. O doador é alguém que esquece de si mesmo para pensar no outro. Certa vez, um senhor que estava voltando do laboratório onde costumava doar sangue, foi chamado ao telefone, no seu escritório. Era a esposa a lhe informar do acidente ocorrido com o filho, que já estava fora de perigo graças à transfusão de sangue, certamente de um doador anônimo. Naquele momento, o homem se comoveu ao pensar nas outras vidas que o seu sangue já poderia estar salvando. Esse caso é muito interessante, porque nos demonstra que o bem que promovemos sempre retorna para nós mesmos. Mas, juntamente com as transfusões sanguíneas, os transplantes de órgãos constituem um dos avanços mais significativos da medicina. Devido ao progresso tecnológico, hoje em dia, já é possível o transplante de córnea, ossos, pele, cartilagens, vasos e até mesmo de rins, fígado e coração. Algumas pessoas se mostram preocupadas com a situação do doador após a morte. Temos aprendido que o Espírito sobrevive à morte e mantém sua aparência, sua psicologia, sua individualidade. Isto faculta alguns questionamentos: 
- O Espírito sentirá dores na retirada de órgãos para a doação? O seu corpo espiritual, o perispírito, ficará mutilado? 
Normalmente o ato cirúrgico não implica em dor para o Espírito desencarnado. A agonia da morte impõe uma espécie de anestesia geral ao doente, com reflexos no Espírito, que tende a dormir nos momentos cruciais da grande transição. Além disso, o perispírito não sofre mutilação alguma com a doação de órgãos. Quem deseje doar córneas, por exemplo, não receie ficar cego no mundo espiritual, pois isso não acontece. O único cuidado que se deve tomar na questão do transplante, é o de não acelerar a morte clínica dos acidentados no ensejo de salvar outras vidas. Os Espíritos nos ensinam que cada segundo de vida no corpo físico é um instante precioso para o Espírito encarnado. Pense um pouco nas vidas que você poderia ajudar a salvar, ao doar sangue regularmente, ou ao permitir que, após a sua morte, partes do seu corpo venham a ser úteis para outras pessoas. 
 * * * 
Já nos dizia Francisco de Assis, em sua oração: 
Senhor, ajuda-me a perdoar mais do que ser perdoado; 
Compreender que ser compreendido; 
Amar que ser amado. 
Porque é dando que se recebe; 
É perdoando que se é perdoado; 
É amando que se é amado; 
E é morrendo que se nasce para a vida eterna. 
Pense nisso, mas pense agora. 
Redação do Momento Espírita. Em 27.08.2009.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

UMA DOAÇÃO INSIGNIFICANTE

Ela passa pelo conjunto residencial três vezes na semana. Quase todos a conhecem. Faça frio ou faça sol, ela anda pelas ruas empurrando seu pesado carrinho, recolhendo papéis, latas, vidros. Tudo que possa ser vendido para reciclagem. Nunca está zangada. Quando perguntamos se ela consegue sustentar a família, daquela forma, diz: 
-Sim, graças a Deus. 
Quando lhe indagamos a respeito dos filhos, ela nos informa que sua filha está casada, tem um bebê. Que eles têm dificuldades para suprir todas as necessidades da criança e, por isso, ela auxilia o casal. Também diz que tem um menino de oito anos, que está na escola. Já nos habituamos a guardar tudo separado, para lhe facilitar a tarefa: metal, vidro, papel. Ela chega e vai recolhendo tudo e agradece. Agradece por lhe darmos nosso lixo. Dia desses, resolvemos lhe oferecer algo mais. E lhe entregamos uma bandeja com quatro copos de iogurte. Nossas crianças já estão enjoadas de seu consumo. Mudamos de marca, compramos com polpa, depois com pedacinhos de fruta, para variar. O rosto da mulher se ilumina. 
-Meu filho vai adorar isto, diz ela. 
Dias depois nos conta da alegria do seu menino ao tomar um a cada dia. Como se fosse uma sobremesa, uma recompensa. Algo especial. E nossos filhos cansados de se servirem sempre das mesmas coisas, desejando algo diferente. Porque vivem fartos. Mais uns dias e, porque fosse feriado, o garoto acompanhou a mãe nas suas andanças. Ao nos ver, no portão, foi apontando: 
-Foi aquela dona que deu prá gente o iogurte, mãe? 
E, ao sinal afirmativo, correu em nossa direção, agradecendo e dizendo como ficara feliz. 
-Quatro dias de felicidade. Tomei devagarinho, disse ele. Para sentir bem o gosto e não esquecer por muito tempo. Agradeço demais. 
Um gesto tão simples. Algo tão pequeno. E fez tanta diferença. Quatro dias de felicidade para um menino que não passa fome, mas tem vontade de comer algo diferente. Como nossos filhos que se levantam, saciados, da mesa e perguntam: 
-O que tem mais para comer? 
Ou, em meio à tarde: 
-Estou com fome. O que tem para comer nesta casa? 
Mas eles não desejam pão com manteiga. Querem algo especial ao paladar. Será que, olhando essas crianças que vivem em casebres quase a desabar, ou que acompanham os pais nas longas jornadas, catando lixo pelas ruas, pensamos que elas têm desejos especiais? Vontade de comer chocolate, de tomar um sorvete, um hambúrguer, fritas, iogurte. Afinal, o que apreciam os nossos filhos? Eles também. É hora de pararmos de dar somente pão, sopa, para saciar a fome. É hora de dar algo mais. Um capricho, mas que ilumina os olhos da infância. Os filhos da pobreza têm sonhos, como os nossos filhos. Têm vontades, exatamente como os nossos. Pensemos nisso e nos tornemos mais sensíveis. Podemos começar tendo em nosso carro, ou na bolsa, um chocolate, uma guloseima extra para oferecer a um deles, que encontremos pelas calçadas, pelas ruas. E quando nos dispusermos atender as necessidades dos carentes sociais, quando pensarmos em cestas básicas, pensemos nas crianças. E coloquemos algo mais: uma barra de chocolate, do especial que gostamos ou nossos filhos apreciam. Um suco que acabou de ser lançado, bolachas recheadas, de boa marca, enfim, tudo aquilo que gostamos. Tudo aquilo que costumamos comprar para os nossos filhos. Porque afinal a diferença entre aquelas crianças e as nossas é somente que não estão em nosso lar. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Em 27.11.2007.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

DOAÇÃO DE FÉRIAS

Jonathan Dupré
As férias são um período de descanso de uma atividade constante, geralmente trabalho ou aulas, variando a duração, de acordo com a legislação de cada país. A palavra vem do latim "feria", singular de "feriae", que significava, entre os romanos, o dia em que não se trabalhava por prescrição religiosa. A palavra latina encontra-se também na denominação dos dias da semana do calendário elaborado pelo Imperador romano Constantino, no século III d.C.:"prima feria, secunda feria". A língua portuguesa foi a única a manter a palavra feira nos nomes dos dias da semana. Importante é que férias são sempre muito aguardadas, seja pelos profissionais, como pelos estudantes ou servidores de qualquer ordem. Aguardadas, programadas, por vezes, com meses de antecedência. Estudantes esperam férias para retornarem às suas cidades de origem, ao convívio com a família. Pais aguardam férias para viajarem com os filhos; profissionais as esperam para terem descanso físico e mental de atividades, por vezes, estafantes, desgastantes. Por isso é que surpreende a notícia de que funcionários de uma fábrica de cristais, na França, doaram suas férias para um colega de trabalho poder cuidar da filha, que foi diagnosticada com câncer. Jonathan Dupré estava tendo dificuldades em conciliar seus compromissos profissionais e as idas ao médico, para levar a filha de apenas cinco anos. Sensibilizados pela situação, seus colegas se reuniram com o dono da fábrica e com o gerente de recursos humanos, para negociar suas próprias férias em favor de Dupré. Dessa maneira, esse pai poderá folgar por trezentos e cinquenta dias ou seja, um ano. Será o suficiente para ele levar a menina para as sessões de quimioterapia, que acontecem desde dezembro de 2014, quando ela fez a cirurgia para a extração de um tumor de treze centímetros num dos rins. O gesto se tornou possível porque a França outorgou uma lei que permite que funcionários doem dias de férias a colegas, desde que isso seja aprovado pela diretoria da empresa. O câncer da menina está em remissão, mas o tratamento ainda tem algumas etapas a serem cumpridas. O pai se declarou muito emocionado com o gesto de solidariedade. O que se constituía uma grande dificuldade, teve solução, graças à generosidade e desprendimento de seus colegas. 
 * * * 
Exemplos dessa natureza nos levam a questionar: se a lei trabalhista brasileira permitisse, teríamos nós essa mesma disposição de abdicar do gozo de vinte ou trinta dias de férias, em favor de um colega com dificuldade? Teríamos a capacidade de renunciar a uma viagem de passeio, ao lazer esperado durante um ano inteiro? De toda forma, gestos como esses merecem ampla divulgação porque demonstram, ao contrário do que apregoam pessimistas de plantão, que o mundo está melhor, que pessoas se importam com o seu semelhante; que, de forma desprendida, o homem se doa em favor de outro coração sofrido e angustiado. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com fato extraído do link
Em 28.12.2015.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

A OUTRA JANELA

A menina debruçada na janela trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor causado pela morte do seu cão de estimação. Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também. O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: 
-Triste a cena, não é verdade? 
A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância. No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade. Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala. Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente: 
-Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente? Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos. Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas! 
A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso. Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra, e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim. O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto: 
-Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente. 
Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia a dia, que não vale a pena chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar. São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus. A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos os momentos de dor e sofrimento. Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar, após cada dificuldade superada. 
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Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias. Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição. O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste à força das horas que a tudo modifica. A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela. Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. Em 11.7.2018.