quinta-feira, 7 de junho de 2018

O MALABARISTA

Conta-se que, em tempos idos, havia, na França, um malabarista chamado Barnabé. Ele viajava de aldeia em aldeia mostrando sua arte. Abria seu tapete no meio da praça e quando algumas pessoas se aglomeravam, começava suas piruetas balançando uma bandeja na ponta do nariz. Quando virava de cabeça para baixo, apoiado nas mãos e jogava para o alto seis bolas, voltando a pegá-las com os pés, ou quando se atirava para trás até tocar a nuca com os calcanhares, ouvia-se um murmúrio de admiração e choviam moedas no tapete. No inverno, no entanto, ele ficava como uma árvore sem folhas. A estação trazia-lhe frio e fome. De temperamento afável, Barnabé aguentava tudo pacientemente. Acreditava que dias melhores viriam. Confiava em Deus e, com sua mãe, aprendera a seguir os ensinamentos de Jesus. Numa tarde chuvosa, caminhava pela estrada, triste e desanimado, carregando seus objetos de trabalho enrolados num tapete velho, à procura de um lugar seco onde pudesse dormir. Seguia no mesmo rumo um frade que o cumprimentou e lhe perguntou:
-Por que você se veste desse jeito?
-Sou um malabarista. E esta seria a ocupação mais prazerosa se pudesse me garantir o pão de cada dia.
-Amigo, replicou o frade, não há nada mais prazeroso que a vida religiosa. Nós nos ocupamos com preces ao bom Deus e a Nossa Senhora.
Barnabé respondeu:
-Confesso que falei como um ignorante. Sua missão não pode ser comparada à minha. Apesar disso, acho que deve haver algum mérito em fazer as pessoas sorrirem, esquecendo-se, ainda que por minutos, dos sofrimentos. Contudo, para servir ao Senhor, abandonaria a arte pela qual sou conhecido.
O frade ficou tocado pela simplicidade do malabarista, e o convidou a ingressar no mosteiro. Um dia, os religiosos combinaram um ofício em louvor a Jesus. Cada um mostraria o que sabia fazer de melhor. Uns pintaram a imagem de Jesus, outros compuseram hinos em latim. Havia ainda esculturas e poesias. Barnabé via tudo aquilo e lamentava sua ignorância. Gostaria de ter habilidade como os demais. Ficou desanimado, até que uma manhã acordou cheio de alegria. Foi para a capela e recolheu-se, por horas. Passou a fazer isso todos os dias e sua nova disposição foi notada. Os irmãos se perguntavam a razão de tal mudança. Um dos frades passou a observá-lo. Um dia, vendo-o sem o hábito, resolveu, junto com dois outros frades, descobrir o que se passava. Olhando pela porta entreaberta viram Barnabé diante do altar, fazendo seus malabarismos. Entraram na capela, exclamando que aquilo era um sacrilégio. Estavam a ponto de tirá-lo dali, quando viram Jesus descer do altar e, com Sua túnica, enxugar o suor do rosto do malabarista. O silêncio encheu a capela... Uma lágrima rolou dos olhos de Barnabé e todos, de joelhos, contemplaram a figura do Nazareno.
 * * * 
Todos somos bons em alguma coisa, mas de nada adiantará se não usarmos esse talento para tornar melhor a vida do nosso próximo. Ofereçamos o melhor de nós, ainda que seja apenas um sorriso, um abraço, um olhar de carinho, um malabarismo qualquer, capaz de despertar um sorriso no rosto triste de alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria desconhecida. Em 7.6.2018.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

UM SILÊNCIO ELOQUENTE

CHICO XAVIER
E
HUMBERTO DE CAMPOS
IRMÃO X
O hábito de reclamar e discutir é bastante difundido. Ante a mínima contrariedade ou decepção, reclamações e discussões costumam surgir. A impressão que se tem é de que todos esperam uma vida perfeita. Como a perfeição não é deste mundo, explodem os destemperos e os atritos. A esposa se aborrece com a pouca atenção que diz receber do esposo. O empregado reclama das exigências do patrão. O chefe se irrita com as falhas dos subordinados. Irmãos se atacam, pelo menor motivo. Estudantes reclamam do professor exigente. Mestres discursam a respeito da pouca dedicação de seus discípulos. Quem tem alguma enfermidade se acha uma vítima da vida. Aquele que cuida de parente enfermo também se enfurece contra o destino. De um modo ou de outro, as criaturas em geral parecem contrariadas. À míngua de um mundo cor-de-rosa no qual possam viver, fazem com que todos saibam que estão descontentes. Não têm o cuidado de processar no próprio íntimo os seus aborrecimentos. Não perguntam a si mesmos a razão pela qual passam por dificuldades. Especialmente, esquecem do silêncio como forma de preservar a paz do próximo. Mas há um exemplo sobre o qual convém refletir. Trata-se do comportamento de Jesus logo após Sua prisão. O Mestre Divino jamais poderia ser acusado de omisso. Sempre se posicionou com firmeza, em defesa do bem e da verdade. Levantou com desassombro Sua voz contra as hipocrisias dos fariseus. Esclareceu de modo vigoroso os que faziam do templo um local de comércio. Contudo, na hora de Seu testemunho maior, calou a própria voz. A caminho do Calvário, passou em espetáculo para o povo, com a alma mergulhada em um maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve acusação, caminhou humilde, coroado de espinhos. Não se aborreceu com a ignorância que lhe colocou nas mãos uma cana imunda, como se fosse um bastão real. Não se incomodou com as cusparadas dos populares exaltados. No momento do Calvário, Jesus atravessou as ruas de Jerusalém em um silêncio pleno de significados. Como se desfilasse diante da Humanidade inteira, ensinou a virtude da tranquila submissão à vontade de Deus. 
* * * 
Antes de reclamar da vida, reflitamos sobre esse exemplo. Jesus era puro e não recusou o sacrifício. Entretanto, nós ainda carecemos de muitas experiências para completar nosso processo evolutivo. Se a vida nos faz exigências, aceitemos. Não esperemos a todo momento sermos auxiliados e compreendidos. Habituemo-nos a ser quem entende e ampara. Tendo em mente o maravilhoso silêncio de Jesus, aprendamos a também silenciar nossas queixas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII do livro Boa Nova, pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP. Em 6.6.2018.

terça-feira, 5 de junho de 2018

DIRECIONE SEU OLHAR

Dia desses, chegou-nos às mãos uma poesia belíssima, de autor desconhecido. A obra de arte dizia assim:
-Quando estiver em dificuldade, e pensar em desistir: lembre-se dos obstáculos que já superou – olhe para trás. Se tropeçar e cair, levante. Não fique prostrado: esqueça o passado – olhe para frente. Ao sentir-se orgulhoso, por alguma realização pessoal: sonde suas motivações – olhe para dentro. Antes que o egoísmo o domine, enquanto seu coração é sensível, socorra os que o cercam – olhe para os lados. Na escalada, rumo às altas posições, no afã de concretizar seus sonhos, observe se não está pisando em alguém – olhe para baixo. Em todos os momentos da vida, seja qual for sua atividade, busque a aprovação de Deus – olhe para cima! 
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A simplicidade e profundidade dessas poucas palavras nos ensinam muito. Se repararmos bem, em todos os momentos de nossas vidas, há sempre alguém, algo ou alguma situação que nos traz uma lição de vida, uma receita para passar melhor os dias, uma esperança para o futuro. A Humanidade passa por um momento importante, em que muitos já conseguem vislumbrar o verdadeiro significado da existência. Quando olharmos para os lados, veremos que o Universo quer nos ensinar e deseja nos fazer mais felizes. Lembramos da sábia expressão de Goethe, afirmando que o Universo conspira a nosso favor. É realmente o que acontece. As leis de Deus trabalham por nossa educação. A lei de causa e efeito, a reencarnação, a lei de sociedade, de igualdade, são provas disso – de que Deus e seu Universo visam nosso desenvolvimento íntimo, o aperfeiçoamento de nosso Espírito. Chances nos são dadas constantemente, convites nos são feitos a toda hora, missionários nos mostram caminhos seguros, e gestos de amor nos emocionam, provando que nosso coração, no fundo, busca o bem, a felicidade. Esta mensagem que você ouve agora é mais uma oportunidade que a vida lhe dá. São algumas verdades lançadas ao seu coração, suavemente, para que você consiga direcionar o olhar para os reais objetivos de sua existência na Terra. Este é o momento de lançar o olhar em todas as direções, e descobrir que precisamos caminhar para frente.
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Volte o seu olhar para aqueles que estão ao seu lado nesta existência: sua família. Direcione o olhar para quem necessita de seu auxílio: seu próximo. Busque olhar para dentro de si mesmo e conheça alguém muito especial: você. E, finalmente, direcione seu olhar para o Criador de tudo e de todos: Deus.     
Redação do Momento Espírita, com base em poesia de autoria ignorada. Em 30.1.2013.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

DINHEIRO E VALORES

CHICO XAVIER
O dinheiro é, sem contestação, um fator importante em nossas vidas. Resolve muitas situações, porém, nem sempre permite comprar aquilo que, em determinadas situações, constitui nosso mais profundo desejo. Podemos comprar uma casa confortável, por exemplo, mas não um lar ditoso. Podemos comprar livros excelentes, mas não o conhecimento. Adquirir os medicamentos mais eficientes, mas não podemos comprar a saúde. Compramos um lugar de destaque entre os homens, mas não o verdadeiro afeto. Com o dinheiro podemos pagar diversões sofisticadas, mas não compramos a felicidade real. Podemos contratar advogados de renome, mas se somos culpados, não compraremos a isenção de culpa. Com o dinheiro podemos subjugar pessoas, mas não compramos o respeito e a admiração. O dinheiro pode pagar os melhores colégios, mas não nos isenta da educação informal. Podemos comprar cama confortável e lençóis de luxo, mas não logramos comprar o sono. Compramos alimentação requintada, mas o apetite não está à venda. Enfim, podemos adquirir um lugar de destaque em cemitério luxuoso, mas não a paz de consciência no além-túmulo. Como podemos perceber, o dinheiro é necessário, mas tem valor relativo e transitório. Qual é o valor real do dinheiro? Não se sabe, porque em cada país ele tem um valor diferente. Pensando assim, o bom senso nos diz que não devemos investir o tempo somente para fazer dinheiro, sob risco de ficarmos de mãos vazias nas horas mais difíceis. Vale a pena investirmos um pouco do nosso tempo na conquista de valores imperecíveis que, no dizer de Jesus, nem a traça come, nem a ferrugem corrói. E diríamos mais: nenhuma medida econômica desvaloriza. Esses valores são a nossa cota de participação efetiva na construção de um lar harmonioso. A leitura nobre e instrutiva que nos garanta a liberdade intelectual. A aquisição de honestidade e fidelidade que nos propiciem a conquista de afetos verdadeiros. A conquista de uma moral adequada que nos garanta, ao mesmo tempo, saúde física e paz de consciência. Uma vivência digna que nos possibilite a entrada no outro plano da vida como homens de bem, e não como mendigos morais. 
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O homem vale pela sua expressão de sentimento e de consciência e é dentro desses valores profundos que precisamos viver, para a consecução das finalidades mais elevadas e mais puras. 
Redação do Momento Espírita com base em frases de autoria ignorada e no verbete Valor, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. Fep. Em 25.05.2009.

domingo, 3 de junho de 2018

A DINÂMICA DA VIDA

Você costuma aceitar sem dificuldade as novas ideias? Sempre que uma ideia nova nos chega, é fácil aceitá-la, desde que não tenhamos que nos desfazer de uma ideia antiga. A dinâmica da vida é evidente. Os progressos são alcançados em tempo recorde e quem não os acompanha mais de perto, fica bem aquém da realidade. Há alguns anos, quando os computadores começaram a entrar no mercado brasileiro com toda a força, tiveram que travar árdua batalha com as tradicionais máquinas mecânicas. Na realidade, não foi a maquinaria o pior empecilho mas as mentes daqueles que se recusavam a abandonar seus velhos hábitos. Uma amiga contou-nos que, no seu escritório de contabilidade, teve que enfrentar sérios problemas com alguns funcionários mais antigos, habituados com as velhas máquinas. Não se sabe ao certo se esses funcionários tinham dificuldades em aceitar os novos hábitos ou se não queriam abandonar os velhos. Há mais de dois milênios as coisas não eram diferentes. Quando Moisés, o grande legislador hebreu, trouxe ao mundo a ideia do Deus único, teve que enfrentar os reveses que as mentes empedernidas no politeísmo lhe impuseram. Com Jesus Cristo não foi diferente. Ele, que era o Mensageiro da Boa Nova, enfrentou dificuldades das quais só fazemos vaga ideia. Até os doutores da lei, à época, se faziam refratários às ideias do Sublime Galileu. Encontramos até mesmo dentre os Apóstolos os que não conseguiam se livrar das velhas ideias, a fim de aceitar as novas ideias do Mestre de Nazaré. Assim sempre foi, desde que o mundo é mundo. Assim continuará sendo até que os homens se decidam por observar as novas e boas ideias que surgem em todos os campos do conhecimento humano. Todavia, as ideias esdrúxulas e perniciosas não têm encontrado muita resistência nas mentes humanas. Seja porque vêm ao encontro das suas próprias ou porque podem se somar a elas, sem que haja necessidade de substituição. A verdade é que gostamos dos nossos guardados, seja em gavetas ou armários ou nos escaninhos da nossa mente. Mas, de vez em quando vale a pena fazer uma faxina, uma reciclagem e verificar se não estamos guardando ideias inúteis ou ultrapassadas e resistindo a uma mudança de hábitos que poderia nos fazer mais felizes. Para começar, que tal estudar com mais atenção a proposta de felicidade trazida por Jesus? Em Sua proposta, Ele diz que o Reino dos Céus está dentro de nós. Talvez valesse a pena começarmos por aí, através do autoconhecimento. 
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Jesus afirmou que conheceríamos a Verdade e a Verdade nos libertaria. Sabemos que a Verdade absoluta é Deus. Mas, buscando conhecer os mecanismos que regem a vida estaremos descobrindo, aos poucos, as verdades que nos libertam dos medos, das superstições e da falta de fé. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. Em 01.03.2010.

sábado, 2 de junho de 2018

A DIMENSÃO MAIS PROFUNDA DA BELEZA

ALISON LAMBERT
Aos quinze anos, costumamos ficar em frente ao espelho, pesquisando cada pedacinho de nosso rosto. Entramos em desespero quando achamos que nosso nariz é muito grande, ou porque mais uma espinha está surgindo. Em verdade, nunca estamos satisfeitos com nossa aparência, principalmente, quando aquela pessoa pela qual somos apaixonados, parece nem saber que existimos... Alison não conhecia esses problemas. Era bonita, simpática, popular e inteligente, campeã de natação da escola. Alta, corpo esbelto, olhos de um profundo azul-piscina e lindos cabelos louros, mais parecia uma modelo do que uma estudante comum. Mas, durante o verão, alguma coisa mudou. Um dia, ao enxugar o cabelo, ela notou uma falha no couro cabeludo. Aquilo a intrigou. Depois, esqueceu o incidente. Três meses depois, uma outra falha no couro cabeludo. E outra, e mais outra. Em pouco tempo, sua cabeça estava repleta de falhas de cabelo. Os diagnósticos e os tratamentos se multiplicaram até descobrir que sofria de uma doença chamada alopécia e nada poderia deter seu curso. Como era muito querida, os amigos a apoiaram. Certo dia, vendo os cabelos espessos e luminosos da sua irmã a lhe caírem sobre os ombros, chorou, dando vazão à tristeza que sentia. Naquele momento, teve uma percepção profunda: havia uma escolha a fazer. Ela não podia deixar que o problema com o cabelo a dominasse a ponto de lhe tirar o gosto de viver. Afinal, ela era muito mais do que o seu cabelo. Decidiu assumir sua condição e procurar soluções. Comprou várias perucas de cores e tamanhos diferentes, que usava de acordo com a ocasião e com seu estado de espírito. Voltou para a escola no outono – sem cabelo, sem sobrancelhas, sem cílios e deixando as perucas esquecidas no fundo do armário. Como sempre planejara, ela se candidatou a representante da escola e acrescentou ao seu discurso de campanha, slides de líderes carecas, como Gandhi. Os alunos riram muito da ideia. No primeiro discurso, após a vitória, ela se dirigiu à audiência, contando seus planos como representante. Ao final, acrescentou: 
- Gostaria de compartilhar algo muito particular. Todos presenciaram o problema que tive que enfrentar e agradeço do fundo do coração o apoio e a força que me deram. Eles foram fundamentais para que essa experiência promovesse uma descoberta da maior importância na minha vida: de que a beleza se encontra numa dimensão muito mais profunda do que o nosso aspecto exterior. Não vou negar que sinto falta do meu cabelo, e que, às vezes, sofro com a sua perda. Mas quero lhes afirmar com toda a sinceridade: sou grata por ter descoberto que o amor é o valor essencial e que depende exclusivamente de mim desenvolvê-lo. Obrigada, meus amigos. 
Todos vibraram e aplaudiram. E Alison, linda, popular e inteligente, com seus olhos azul-piscina, do alto da tribuna, sorriu e agradeceu. Ela havia descoberto a dimensão mais profunda da beleza... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A beleza verdadeira, de Alison Lambert e Jennifer Rosenfeld, do livro Histórias para aquecer o coração, v. 2, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante. Em 25.4.2014.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A LEI DO TRABALHO

RAUL TEIXEIRA
-Quem foi que teve a infeliz ideia de dizer, um dia, que o trabalho enobrece o homem? 
Este foi o desabafo de um jovem, retornando ao lar, verdadeiramente exausto, ao final do expediente. Pelo mundo afora, nas variadas culturas de cada época, o trabalho tem sido considerado como um verdadeiro castigo. Não são poucos os que ficam aguardando ganhar um bom dinheiro na loteria, em jogos de azar, ou, quem sabe, uma herança, para se verem liberados do trabalho. Há quem olhe para os que têm muito dinheiro e afirmem: 
-No lugar dele, eu não trabalharia. 
-Ah, se eu fosse filho de fulano, teria uma vida muito sossegada. 
Desde a infância, vimos tendo a mente enxertada pelas ideias de que o trabalho na Terra tem dois únicos objetivos: ganhar dinheiro e aborrecer as pessoas. Por causa disso, quantas vezes praguejamos por ter que nos deslocarmos, em dias frios, chuvosos, para ir ao trabalho? Quantas vezes, na segunda-feira, nos perguntamos: 
-Quem foi que inventou o trabalho? 
Ou: 
-Não daria para trabalharmos sábado e domingo, e festarmos os outros dias, invertendo a ordem existente? 
Num mundo cheio de reveses, de dores, de acidentes diversos, é de se supor que os seus habitantes não se sintam contentes com tudo o que os retira de sua comodidade. No entanto, se participamos do grupo dos amigos de Jesus Cristo, outra postura é esperada. Para o verdadeiro cristão, o trabalho representará sempre o necessário arrimo moral, a indispensável defesa do mal e do crime. Embora, por nos encontrarmos num mundo de provações, possa o trabalho profissional sofrer percalços e dificuldades, nunca terá como missão impor nenhum tipo de sofrimento. Valorizemos o nosso trabalho, esmerando-nos no desempenho da nossa profissão. Ofereçamos o nosso esforço para realizar o que seja mais importante na faixa da nossa ocupação. Sintamo-nos dedicados ao que fazemos, por mais simples seja a nossa atividade. Se nos sentirmos espoliados, perante as leis constituídas do mundo, temos o direito de questionar. No entanto, verifiquemos a importância de também dar boa conta dos nossos deveres. O bom trabalhador não é somente o que discute bem, o que faz maravilhosas propostas aos patrões ou aos seus associados. Ou o que alcança prodígios de liderança. É, sobretudo, aquele que se dedica em aperfeiçoar as próprias condições, fazendo-se melhor habilitado para o labor que lhe cabe realizar. Busquemos nos aprimorar como profissionais. Não paremos no tempo, em questão de conhecimentos e de práticas. Superemo-nos. Trabalhemos com alegria e com vontade de ser útil. Ainda que a nossa ocupação não seja das mais agradáveis, das mais apreciadas ou das mais procuradas. Não nos esqueçamos de que toda ocupação útil é trabalho, como ensinaram os guias da Humanidade, através do Espiritismo. Aprendamos a tornar valiosa a nossa ocupação, profissional ou não, e cantemos ao Senhor o nosso júbilo em poder trabalhar, por saber trabalhar, por trabalhar. Enfim, tenhamos em conta que Deus, o Senhor do Universo, o mais rico de todos, trabalha sempre, como ensinou nosso Mestre Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. FRÁTER. Em 1º.6.2018.