terça-feira, 22 de maio de 2018

O HOSPITAL DO SENHOR

Uma pessoa que não estava se sentindo bem, há algum tempo, fez a seguinte declaração: 
-Todo ano faço um check-up para avaliação de minhas condições de saúde. Um dia desses, resolvi fazer um exame diferente e fui a um hospital muito especial. O hospital do Senhor. Queixei-me de cansaço da vida, de dores nas juntas envelhecidas. Falei do coração descompassado pelas muitas preocupações e da carga de obrigações que me competem. Logo que cheguei minha pressão foi medida e foi verificado que estava baixa de ternura. Recordei que há muito tempo não estou fazendo exercícios nessa área. Havia esquecido da necessidade de expressar carinho com gestos pequenos, mas muito importantes. Quando foi tomada minha temperatura, o registro foi de quarenta graus de egoísmo. Então me lembrei de como estou guardando coisas e mais coisas, sem dar nada a ninguém, mesmo quando campanhas fazem apelos pela televisão, rádio, jornais. Sempre achei que alguém daria o suficiente e que eu não precisava fazer nada. Fiz um eletrocardiograma e o diagnóstico registrou que estou precisando de uma ponte de amor. As veias estão bloqueadas por não ter sido abastecido o coração vazio. Ortopedicamente foi constatado que estou com dificuldade de andar ao lado de alguém. É que tenho preferido andar a sós. Caminho mais rápido, sem que ninguém me atrase. Também foi observado que não consigo abraçar os irmãos por ter fraturado o braço, ao tropeçar na minha vaidade. Nos olhos foi registrada miopia. Isto porque não consigo enxergar além das aparências. Examinada a audição, reclamei que não estava ouvindo a voz do Senhor e o diagnóstico foi de bloqueio em decorrência de uma enxurrada de palavras ocas do dia a dia. A consulta não custou nada. Fui medicado e recebi alta. A receita que recebi foi para usar somente remédios naturais que se encontram no receituário do Evangelho de Jesus Cristo. Ao levantar, deverei tomar um chá de "Obrigado, Senhor" para melhorar as questões referentes à gratidão. Ao entrar no trabalho, uma colher de "Bom dia, amigo". De hora em hora, não posso me esquecer de tomar um comprimido de paciência, com meio copo de humildade. Ao chegar em casa, será preciso tomar uma injeção de amor para melhorar a dificuldade de relacionamento familiar. Toda noite, antes de deitar, duas cápsulas de consciência tranquila para que eu tenha um sono reparador. Foi-me dada a certeza de que se seguir à risca toda a prescrição médica, não ficarei doente e todos os meus dias serão de felicidade. O tratamento tem também um caráter preventivo. Assim, somente deverei morrer, por morte natural e não antes do tempo determinado. 
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O Evangelho pode ser considerado como a própria voz do Cristo a falar aos corações, chamando, chamando e conduzindo. O Evangelho corporifica na Terra a palavra de Jesus. É Ele mesmo que se apresenta de retorno, tomando os filhos e filhas da dor em Seus amorosos braços a fim de os conduzir para a luz gloriosa da verdade. Como há mais de dois mil anos, Jesus prossegue, através do Evangelho, a estender a esperança e o amor sobre toda a Terra, para todos os corações. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada. Em 22.5.2018.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A DIGNIDADE NÃO SE CONTAMINA

Há algum tempo, uma emissora de televisão apresentou uma reportagem intitulada: A boca do lixo. As câmeras focalizaram a realidade das pessoas que vivem do produto que conseguem retirar daquele lugar infecto, chamado lixão. As cenas chocaram sobremaneira. Crianças e jovens, adultos e velhos disputavam, com as moscas e os urubus, os detritos jogados pelos caminhões de coleta. Eram pessoas que, em princípio, pareciam confundidas com o próprio lixo, que haviam perdido a identidade, a auto-estima, a dignidade. Revestidas de trapos imundos, reviravam com suas ferramentas os monturos fétidos e retiravam alguns objetos que colocavam num saco, igualmente imundo. No entanto, no decorrer da reportagem, os repórteres elegeram algumas daquelas pessoas e acompanharam um pouco da sua rotina diária. Eles as entrevistaram, perguntaram qual o motivo que as levou àquele tipo de trabalho, que se poderia chamar de sub-humano. E, na medida em que os entrevistados falavam das suas vidas, de seus anseios, de como encaravam a situação, fomos percebendo uma realidade diferente da que supomos no início. Aquelas pessoas não haviam perdido a identidade, tampouco se deixaram confundir com a sujeira. Após as lutas do dia, chegavam em seus casebres, tomavam banho, trocavam os trapos infectados por roupas limpas, embora simples, e continuavam seus afazeres domésticos, com dignidade e honradez. Percebemos que aquelas pessoas não permitiram que a situação deprimente e miserável lhes contaminasse a dignidade. Respondendo às perguntas feitas pelos repórteres, uma senhora que vivia com o marido, seis filhos e a mãezinha já idosa, deixou bem clara a sua posição diante da vida. Quando lhe perguntaram se não era muito difícil criar seis filhos, ela respondeu sorrindo:
- Eu os amo de igual forma. Se Deus os mandou, é porque devo criá-los. O que não podemos é matar. Eu nunca matei nenhum no ventre, como não mataria agora, depois de nascido. 
E quando o repórter perguntou à avó se ela ajudava a cuidar dos netos, esta respondeu com sabedoria:
- Eu já criei e eduquei meus 9 filhos. Agora, cabe à mãe deles criá-los. Se fosse para eu criar, Deus os teria enviado como meus filhos também. 
Uma outra senhora, bem idosa, que também trabalhava no lixão, demonstrava sinais evidentes de dignidade e fé em Deus. O corpo esquálido e a falta de dentes davam notícia dos maus tratos que o tempo imprimira àquela mulher. Todavia, ao responder ao entrevistador se não se envergonhava de trabalhar no monturo, disse que vergonha é roubar e matar, e que disso ela jamais seria capaz. Aquelas pessoas, unidas pela desdita, falavam de amizade, respeito mútuo, companheirismo, convidando-nos a mais profundas reflexões em torno das nossas próprias vidas. É tempo de pensarmos um pouco, antes de reclamar da própria situação, já que, por pior que seja, não se pode comparar a daqueles que vivem do lixo que nós atiramos fora. 
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Deus não cria as situações de miséria para Seus filhos. Todas as condições sub-humanas impostas a determinadas classes sociais, são geradas pelo próprio homem, que se enclausura na concha escura do seu egoísmo, quando poderia, com poucos esforços e uma pequena dose de solidariedade, dar a cada um o necessário para viver. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. Em 18.09.2008.

domingo, 20 de maio de 2018

A DIGNIDADE DA HONESTIDADE

Quando alguém nos pergunta se somos honestos, em princípio, ficamos indignados, só em pensar que alguém duvide de que o somos. No entanto, é importante que reflitamos um pouco a respeito da honestidade. Grande parte de nós nos dizemos honestos, mas será que verdadeiramente o somos? Quando limpamos o jardim, por exemplo, nunca jogamos a sujeira no quintal do vizinho? Saindo de um emprego, damos entrada no Seguro Desemprego. Logo, estamos empregados novamente. Comunicamos ao órgão competente que não necessitamos mais receber o seguro ou pedimos ao novo patrão que espere alguns meses para fazer o registro na carteira para que possamos receber em dobro? Se estamos dirigindo um veículo e raspamos noutro que está estacionado, cujo dono não está por perto - qual é a nossa atitude? Damos no pé ou deixamos um bilhete com o telefone para posterior contato? Enfrentamos com honestidade a longa fila dos bancos, teatros, repartições, etc. ou sempre ficamos procurando um conhecido ou um jeito qualquer de passar à frente dos que chegaram antes de nós? Se vamos a um espetáculo qualquer, costumamos marcar os lugares com bolsas, carteiras ou outros objetos, para que nossos amigos, que cheguem em cima da hora, possam ocupar os melhores lugares, em detrimento dos que se esforçam e chegam cedo? Se em épocas de eleições necessitamos pintar a casa, colocar vidros nas janelas, ou temos outra necessidade qualquer, procuramos um candidato para oferecer o nosso voto em troca de tais benefícios ou esperamos até que as possamos efetuar com nossos recursos? Tendo urgência no despacho de um processo em determinado órgão, esperamos o trâmite natural ou tentamos dar um jeitinho de ludibriar os que não têm condições de dar o conhecido jeitinho? Se trabalhamos no setor de compras de uma empresa, procuramos realmente os melhores preços e condições de pagamento, pensando exclusivamente no melhor para a nossa empresa, ou compramos onde nos ofereçam mais vantagens pessoais? Ouvimos, várias vezes, o jargão popular afirmar que todo homem tem um preço. No entanto, para a honestidade não há preço, não há barganha, não há corrupção, nem corruptores. A dignidade de um ser humano honesto não tem preço, pois seu valor é inestimável. Dessa forma, poderíamos alterar o jargão popular e dizer:
" todo homem desonesto tem um preço, porque a dignidade jamais se corrompe."
 Se ainda não conquistamos a virtude da honestidade como deve ser, lutemos por conquistá-la, a fim de podermos olhar no espelho e não nos envergonharmos da figura ali refletida. Olhar nos próprios olhos e nada ter que censurar. 
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Ser honesto é agir de conformidade com as Leis Divinas. É não tentar ludibriar a própria consciência porque, mais cedo ou mais tarde, ela nos apresentará a conta dos nossos equívocos. Se o honesto hoje ainda é uma raridade, podemos inverter esse quadro, engrossando as fileiras dos que são verdadeiramente honestos. Agindo assim, de nada teremos que nos arrepender. 
Redação do Momento Espírita. Em 11.11.2014.

sábado, 19 de maio de 2018

DIFICULDADES SÃO OPORTUNIDADES

Stephen Hawking
Era o dia 8 de janeiro de 1942, dia em que o mundo lembrava os 300 anos da morte de Galileu Galilei. Em uma maternidade da cidade de Oxford, Inglaterra, nascia um menino que seria chamado Stephen. Em plena Segunda Guerra Mundial, a cidade de Oxford era segura devido a um acordo mútuo de não agressão às cidades de grandes universidades, firmado entre a Inglaterra e a Alemanha. Criado em Londres, foi um garoto saudável e de desempenho escolar regular, nunca ficando entre os primeiros da classe. Aos 17 anos, contra a vontade do pai que o queria médico, Stephen Hawking inicia o curso de Física, seu grande sonho, em Oxford. Ainda durante a Universidade começou a mostrar sintomas de uma estranha doença: lentidão nos movimentos, quedas, dificuldades de fala. Aos 21 anos o diagnóstico sombrio: esclerose lateral amiotrófica. Até hoje sem cura, essa doença destrói os neurônios que controlam os movimentos, e os músculos vão paralisando lentamente. É como uma sentença de morte sem data para acontecer, como escreveria ele mais tarde. O jovem rapaz, aturdido pelo diagnóstico, encontrou apoio em sua namorada, Jane, que o incentivou a fazer o doutorado e a procurar emprego, pois os dois deveriam casar. Em sua tese iniciou os estudos que comprovaram a teoria do Universo em expansão, a partir de um ponto conhecido como Big Bang. Casou-se e teve três filhos, encontrando, na esposa, uma companheira incansável. A lentidão física, segundo ele, lhe dava tempo para pensar mais. Ganhou fama também com o estudo dos Buracos Negros, publicando trabalhos científicos e livros que o notabilizaram, enquanto seu corpo paralisava progressivamente. No início do livro Uma breve história do tempo, ele diz que, exceção feita à sua doença, ele é feliz em todos os aspectos de sua vida, tendo sorte de ter escolhido uma profissão que só precisa do intelecto. Chegou a escrever que sua deficiência não lhe causara maiores problemas, tendo contado com auxílio da família, de colegas e alunos. Hoje, aos 67 anos(falecido em 14 de março de 2018, aos 76 anos!), em uma cadeira de rodas, ele se comunica por um sintetizador de fala, ligado a um computador, possibilitando-o até de dar palestras. Nunca parou de estudar. Desafia a medicina com sua longa sobrevida. 
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Pensemos quantos de nós, frente ao mais leve sintoma de doença, cuidamos de nos afastar do trabalho ou dos estudos, com atestados médicos de longa duração. Quantos se aposentam por invalidez e não voltam mais a estudar, sequer desenvolvendo algum trabalho que esteja dentro das novas condições físicas. Contudo, a doença pode ser uma oportunidade de reflexão, uma oportunidade de superação, mas, nunca, uma desculpa para desistir. Que o exemplo desse notável homem, que hoje ocupa a cadeira de Professor Lucasiano de matemática, na Universidade de Cambridge, lugar já ocupado por Isaac Newton, nos sirva de reflexão e de exemplo de vida. Pensemos nesta frase por ele proferida: Quando temos de enfrentar a possibilidade de uma morte prematura, nos damos conta do quanto vale a pena viver!
Redação do Momento Espírita. Em 24.04.2009. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A DIFÍCIL ARTE DE DIZER "NÃO" AOS FILHOS

JOANA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Você costuma dizer não aos seus filhos? Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e de rostos angelicais que pedem com tanta doçura? Uma conhecida educadora do nosso país alerta que não é fácil dizer não aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los. Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um brinquedo novo, se temos dinheiro necessário para comprar o que querem? Por que não satisfazê-los? Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que provocar lágrimas? Se lhe dás tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que fazê-los pensar nos outros? E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos bonzinhos... O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser bonzinho com os filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os filhos e perante a sociedade em que vivemos. Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo comprar, ou sofrendo por lhe dizer não, porque ele já tem outros dez ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter. Estamos, indiretamente, valorizando o ser. Mas, quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo. Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele fatalmente terá que ser extremamente competitivo e, provavelmente, com muita flexibilidade ética, para não dizer desonesto. Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota, qualquer não, se nunca lhe fizeram crer que isso é possível e até normal? Não se defende a ideia de que se crie um ser acomodado, sem ambições e derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o reconhecimento realista de que, na vida, às vezes se ganha e, em outras vezes, se perde. Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é preciso que ele aprenda a lutar pelo que deseja, sim, mas com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que alguém lhe dará tudo, sempre, e de mão beijada. Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas consumismo caprichoso. Estabelecer limites para os filhos é necessário e saudável. Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer. Mas já se teve notícias de pequenos delinquentes que se tornaram agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa. Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na importância de aprender a difícil arte de dizer não. Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem. 
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O esforço pela educação não pode ser desconsiderado. Todos temos responsabilidades no contexto da vida, nas realizações humanas, nas atividades sociais, membros que somos da família universal.
Redação do Momento Espírita com pensamentos do verbete Educação, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 13.09.2010.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

OS SENTIMENTOS ALHEIOS

Em tempos em que a ordem é produzir, conquistar mercado, superar o concorrente, algumas atitudes verdadeiramente surpreendem. É comum entrarmos em lojas e observarmos a ansiedade do atendente, quando se pede para ver outro produto e outro mais. Se acompanharmos o seu olhar, possivelmente descobriremos que ele se dirige ao cliente em potencial, que adentra a loja. Cliente que tem seu perfil rapidamente identificado, na mente do funcionário, conforme esteja vestido, sua postura diante da vitrina olhando esse ou aquele artigo. É um mundo apressado, em que parece que todos desejam usufruir do que está para vir esquecendo-se do presente, do que está ocorrendo. Por isso mesmo, frisamos, algumas atitudes nos causam surpresa. Como o caso daquela mãe que levou o filho ao Walt Disney World Resort. Fã da animação Toy Story, depois de muito se divertir, o garoto ganhou o Slinky, o cachorro-mola. Como toda criança que tem nas mãos o objeto da sua idolatria, não o largou mais: enquanto dormia, enquanto passeava, enquanto se alimentava. Findo o período de férias, deixaram o hotel e se encaminharam para o aeroporto. No carro, foi dada a falta do Slinky. Onde estava? Em certo momento, ele fora esquecido dentro de uma loja, enquanto pai e filho se divertiam com os brinquedos. A mãe fez alguns telefonemas e, para consolar o filho disse que, como os personagens Buzz e Woody, no filme, o Slinky, possivelmente, haveria de encontrar o caminho de casa. Quando, afinal, chegaram em seu lar, receberam uma ligação da loja. O cachorro-mola fora encontrado. De imediato, a mãe perguntou quanto custaria para enviá-lo via postal. Os funcionários responderam que não custaria nada e que o Mickey estava tomando todas as providências. Somente haveria que ter paciência porque demoraria uns dez dias para Slinky chegar. Quando, finalmente, a encomenda foi entregue, nova surpresa. Uma carta esclarecia o sumiço de Slinky: Parece que ele não estava pronto para o fim da viagem! Nós o encontramos brincando com alguns amigos. Esperamos que você não se importe, mas eles queriam acompanhar o Slinky na viagem para casa. E quando o garoto abriu o pacote lá estava o cachorro com seus amigos: o boneco do Woody e mais alguns soldadinhos.

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Quando alguém, em meio aos seus tantos afazeres e interesses comerciais, faz um staccato para se preocupar com um brinquedo esquecido, em momento de distração, é algo que nos fala que este mundo está, sim, melhor a cada dia. O importante, em verdade, não era o brinquedo, que poderia, quem sabe, em outro momento, em outra viagem, vir a ser substituído. Eram os sentimentos da criança que envolviam aquela perda. E exatamente nisso é que pensaram os funcionários e gerente daquela loja. Por isso, se esmeraram em tudo providenciar e até alimentar um tanto mais a fantasia da criança, inventando uma historinha. Oxalá fôssemos todos nós assim. Preocuparmo-nos com os sentimentos do outro, criança ou adulto. Quantas vezes dizemos que certas atitudes são pura tolice. Perda de tempo. E, no entanto, se constituem em pequenos gestos que produzem felicidade, que alegram o coração de uma criança, felicitam um adulto, tornam um dia inigualável... Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, a partir de nota colhida na Internet. Em 17.5.2018. http://momento.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2018

DIFERENTES OLHARES

Nosso viver em sociedade nos traz a inevitável possibilidade de analisar e observar o comportamento do próximo. Sejam aqueles da intimidade familiar, os colegas do ambiente de trabalho ou da escola, o vizinho, um amigo, seja o desconhecido que cruzamos na rua, sempre estamos a observar atitudes e comportamentos. E nesse observar, não são poucas as vezes em que agregamos nossa opinião, nosso juízo de valor, nossa ponderação e julgamento a respeito dessa ou daquela atitude. Se vemos alguém agir de determinada maneira, rapidamente nos pomos a julgar, a ponderar, a dizer que está equivocado nesse ou naquele ponto. Em determinada situação que nos chega, na qual alguém nos conte, mesmo de forma superficial, algum fato, desconhecendo, embora, os detalhes e o todo do que ocorreu, rapidamente tomamos partido, elegemos o certo e o errado, julgamos. Quando convidado a decidir o futuro da mulher adúltera, se deveria ser apedrejada até a morte ou não, como prescrevia a lei, Jesus serviu-se da assertiva de que se ali houvesse alguém sem pecado, sem erro, sem problemas de ordem íntima, esse sim poderia apedrejá-la. Nessa passagem descrita pelos Evangelistas, vemos a lição do Mestre a respeito do julgamento. Quais as condições que temos para julgar a situação do outro? Quanto da verdade temos ciência para ajuizar dessa ou daquela situação? Não obstante, não raro agimos com acidez, violência e sem escrúpulos para comentar as faltas alheias, os tropeços cometidos, os deslizes de qualquer monta. Faz-se necessário que, antes do julgar, tenhamos outros olhares a respeito do nosso próximo. Olhar as falhas do outro com um pouco mais de doçura, de compreensão, de indulgência. Aquele que erra, o faz por limitações e dificuldades que ainda carrega em seu íntimo. Logo mais, haverá de se dar conta dos seus tropeços, arrependendo-se e refazendo os passos. Está na lei Divina, na lei do progresso. Assim, os erros do próximo podem servir para nossa análise e observação, visando nosso aprendizado e reflexão. Mas não precisam de nosso julgamento. Aquele que julga, coloca-se em um patamar mais elevado, nem sempre merecedor ou em condições de sustentá-lo. Aquele que compreende, coloca-se em igualdade, percebendo que em si também ainda moram paixões e dificuldades, que em algum momento poderão se manifestar. Dessa forma considerando, compete-nos olhar o erro do outro através da compreensão que substituirá o julgar; da afabilidade que tomará o lugar da acidez nas observações. Usar da compaixão no agir, o que será muito mais útil e proveitoso do que a indiferença. Afinal, como nos lembra o Mestre Nazareno, não devemos julgar para não sermos julgados. Por justiça e lógica da Providência Divina, a mesma medida de que nos tenhamos servido para com o outro, assim também será empregada para conosco. 
Redação do Momento Espírita. Em 28.2.2013.