sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

JESUS

Você já parou para pensar, algum dia, como era o homem Jesus? Se nos inspirarmos nos Evangelhos podemos esboçar Sua aparência física e espiritual. Verdadeiramente, Sua aparência física não está descrita nos Evangelhos, mas Ele sempre se mostra simpático e atraente. Causava profunda impressão na multidão, quando se apresentava em público. Tinha um corpo sadio, resistente ao calor e ao frio, à fome e à sede, aos cansaços das longas jornadas a pé, pelas trilhas das montanhas da Palestina. Também ao cansaço por Sua atividade ininterrupta junto ao povo, que não lhe deixava tempo nem para se alimentar. Embora nascido em uma estrebaria, oculto aos olhos dos grandes do mundo, teve Seu nascimento anunciado aos pequenos, que traziam os corações preparados para O receber. A orquestra dos céus se fez presente e a ópera dos mensageiros celestiais O anunciou a quem tivesse ouvidos de ouvir. Antes de iniciar o Seu messianato, preparou-lhe os caminhos um homem rude, vestido com uma pele de animal e que a muitos, com certeza, deve ter parecido esquisito ou perturbado. Principalmente porque, num momento em que o povo aguardava um libertador que fosse maior que o próprio Moisés, ele falava de Alguém que iria ungir as almas com fogo. Enquanto todos aguardavam um guerreiro, que surgisse com Seu exército numeroso para subjugar o dominador romano, João, o Batista, lhes falava do Cordeiro de Deus. E cordeiro sempre foi símbolo de mansuetude, de delicadeza. Quando Ele se fez presente, às margens do Jordão, a sensibilidade psíquica de João O percebeu e O apresentou ao mundo. Este Ser tão especial tomou de um grão de mostarda e o fez símbolo da fé que move montanhas. Utilizou-se da água pura, jorrada das fontes cristalinas, para falar da água que sacia a sede para todo o sempre. Tomou do pão e o multiplicou, simbolizando a doação da fraternidade que atende o irmão onde esteja e com ele reparte do pouco que tem. Falou de tesouros ocultos e de moedas perdidas. Recordou das profissões menos lembradas e as utilizou como exemplo, ele mesmo denominando-se o Bom Pastor, que conhece as Suas ovelhas. Ninguém jamais O superou na poesia, na profundidade do ensino, na doce entonação da voz, cantando o poema das bem-aventuranças, no palco sublime da natureza. Simples, mostrava Sua sabedoria em cada detalhe, exemplificando que os grandes não necessitam de ninguém que os adjetive, senão sua própria condição. Conviveu com os pobres, com os deserdados, com os considerados párias da sociedade, tanto quanto visitou e privou da amizade de senhores amoedados e de poder. Jesus, ontem, hoje e sempre prossegue exemplo para o ser humano que caminha no rumo da perfeição. Você sabia? Você sabia que, embora visando sempre as coisas do Espírito, Jesus jamais descurou das coisas pequenas e mínimas da Terra? É assim que Seu coração se alegra pelas flores do campo, as quais toma para exemplo em Sua fala, da mesma forma que as pequeninas aves do céu. Você sabia que o Seu amor se dirigia sobretudo aos pobres, aos humildes, aos oprimidos, aos desprezados e aos párias? E, justamente por conhecer a fraqueza e a malícia dos homens, sempre perdoa, enquanto Ele mesmo alimenta a Sua vida pelo cumprimento da vontade e do agrado de Deus, o Pai. 
Redação do Momento Espírita, com informações colhidas no verbete Jesus, do Dicionário enciclopédico da Bíblia, de A. Van Den Born, ed. Vozes. Disponível no CD Momento Espírita, v. 21, ed. FEP. Em 22.12.2017.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O MAIS SUBLIME AMOR

Na época do final de ano, a figura de Jesus costuma ser muito lembrada. Fala-se em Sua vida, em Seus exemplos e em Suas lições. Ele geralmente é apontado como o exemplo de amor mais consumado de que se tem notícia. Afinal, dispôs-se a morrer em holocausto de amor à Humanidade. Estar disposto a morrer por alguém ou por uma causa é sinal de grande dedicação e desprendimento. Entretanto, os mártires não são raros nos registros da História. Muitos são os que morreram inocentes, no contexto humano. Mas nenhum deles sequer se aproximou da excelsa magnitude do Messias Divino. Por grande que seja uma figura histórica, perante Jesus ela se apequena e desvanece. Bem se vê que a grandeza do Cristo não reside apenas em Sua morte, mas primordialmente em Sua vida, em um contexto muito amplo. A sublimidade do amor que Ele dedica à Humanidade transcende tudo o mais que já foi vivido na Terra. A fim de valorizá-lo devidamente, convém raciocinar sobre esse maravilhoso afeto que a todos ampara. Conforme ensina a Espiritualidade maior, a perfeição de Jesus se perde na noite dos tempos. Muito antes de o planeta Terra existir, Ele já havia completado todos os processos e se tornado perfeito. Na plenitude de todos os dons, recebeu do Criador a tarefa de presidir à criação do orbe terreno. Amorosamente se desincumbiu da tarefa, providenciando um lar para Espíritos necessitados de experiências materiais. Mas foi além disso e se tornou Pastor dos bilhões de almas internadas na nova escola sideral em que se converteu o planeta. Seres primitivos aqui ensaiaram seus primeiros passos em destinação à vida moral. Entidades antigas e rebeldes às leis divinas também aportaram no orbe terreno, em sua necessidade de ajuste e aprendizado. Jesus desde sempre preside os processos de aprendizado e redenção que se desenrolam no planeta. Periodicamente, envia professores, na figura de Espíritos mais avançados, que exemplificam virtudes e impulsionam as artes e as ciências. Além dessa dedicação incansável e milenar, também desejou partilhar das dores da Humanidade encarnada. Habituado a conviver com seres angélicos, em esferas sublimes, tomou um corpo de carne e habitou entre rústicos e ignorantes. Em Sua perfeição, era consciente de Sua natureza e da esfera de que provinha. Isso certamente lhe permitia diariamente medir a fraqueza e a ignorância existente nos que O rodeavam. Mas não se agastou, não condenou, a ninguém desprezou. Em Sua grandeza, demonstrou que o verdadeiro amor desconhece barreiras, por colossais que se afigurem. O exemplo desse Sublime Amor persiste até hoje como um convite a que lhe sigamos os passos. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita de Natal, v. 15 e no livro MOmento Espírita, v. 8, ed. FEP. Em 21.12.2017.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

DEUS DE TODOS NÓS

Entardecia... Na pequena cidade, a jovem desalentada passava em frente a uma igreja, quando resolveu entrar. Nem era da sua religião aquela instituição. No entanto, estava tão triste, com vontade de que o mundo acabasse para que ela própria fosse consumida, que se dirigiu para a porta. Nesse exato momento, o sacristão se preparava para fechar o local. Isabel recuou. Entretanto, ao perceber-lhe a intenção, ele convidou: 
-Deseja entrar? Seja bem-vinda.
-Mas, o senhor estava fechando.
-Sem problemas. Entre e fique quanto quiser. Posso fechar as portas mais tarde. 
Ela adentrou o templo. Com certeza, era diferente do local que costumava frequentar. Sentou-se em um dos bancos e principiou a orar. Uma torrente de lágrimas a tomou. Era como se toda sua dor extravasasse. Soluçou baixinho, enquanto pedia ajuda. Deus a ouviria? Porque tamanha tristeza nem ela mesma conseguia explicar. Tinha problemas, é verdade. Quem não os tem? Mas sua razão dizia que ela não deveria estar tão triste assim. Afinal, havia pessoas, no mundo, que sofriam muito mais do que ela. Orou de novo. Sentiu-se envolver por uma doce presença espiritual. O sacristão, discreto e atento, se aproximou.
-Senhora, eu fui buscar um pouco desta água que abençoamos aqui na igreja. Leve para sua casa. Tome. Vai se sentir melhor. 
Ela apanhou o pequeno frasco, agradeceu e saiu. Sentia-se melhor. Mais tarde, em casa, tendo em mãos o livro de sua predileção para a reflexão diurna, ficou a pensar: 
-Como Deus é bom! Deus não tem religião. Ele está em todo lugar. Atende a todos os seus filhos e se manifesta através de qualquer pessoa de boa vontade. 
 * * * 
Deus é amor. Infinitamente justo e bom, derrama das suas bênçãos por todo o Universo. Quando aprendemos que Deus é Onipresente, nem sempre nos damos conta de que, dentro e fora dos templos, Ele está presente. Jesus orava em pleno coração da natureza. Buscava o Pai no silêncio da noite, ou nas tardes mornas, à beira do lago. Foi Ele quem nos ensinou que Deus deve ser adorado, em Espírito e verdade, no altar do coração. Os homens erguemos templos, no intuito de melhor atender as pessoas, permitindo-lhes um local de acolhimento, uma escola de aprendizagem. Contudo, alguns de nós, exatamente nessa oportunidade, começamos a nos dividir e criar exclusões. Como se Deus protegesse a uns mais do que a outros. Todos Seus filhos. Bom que meditemos a respeito da Onipresença Divina e nos respeitemos mais, participantes de cultos e religiões diversas. Deus não tem religião. A religião serve aos homens para justamente nos aproximar dEle. Portanto, jamais deve ser motivo de separação ou de discórdia. Louvamos os servidores do Senhor que atendem a dor humana, sem indagar da pessoa se é ou não afeiçoada a esse ou aquele culto. Louvamos os que têm o dom da palavra e a oportunidade da liderança e as utilizam para semear a paz, a concórdia e o amor entre todos. Deus abençoe os que servem, de forma anônima e discreta, no silêncio dos templos, na dor dos hospitais, na convulsão dos corações. 
Redação do Momento Espírita. Em 27.4.2016.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

UM DEUS DENTRO DE NÓS

Sandra Maria Borba Pereira
Algumas vezes, nos referimos à pessoa entusiasmada como alguém eufórico, animado por demais, excitado, meio fora da realidade. No entanto, se formos buscar o sentido etimológico da palavra entusiasmo descobriremos que quer dizer: ter um Deus dentro de si. Que bela surpresa, não? Os gregos acreditavam que o sucesso de qualquer empreendimento poderia ser garantido se tivesse alguém entusiasmado, aquele que recebesse a intervenção positiva dos deuses. Ter um Deus dentro de si é uma expressão que pode significar muitas coisas, contemplando incontáveis ideias. Podemos, à guisa de reflexão, identificar aquele que tem um Deus dentro de si como alguém que encontrou alegria, satisfação no que faz, disposição, força de vontade, coragem para transpor obstáculos, otimismo, fé. Entusiasmados foram todos aqueles homens e mulheres que, ao longo da história, dedicaram e dedicam sua energia em empreendimentos a serviço do bem, das coletividades, da natureza, da vida, enfim. Entusiasmado foi Francisco de Assis que, no século doze/treze, revolucionou os conceitos de caridade e amor ao próximo, doando-se de forma integral pelo ideal abraçado. 
Entusiasmado foi Martin Luther King Jr, que lutou em defesa dos direitos sociais para os negros e as mulheres, combatendo o preconceito e o racismo. A sua era a luta pacífica, baseada no amor ao próximo, como forma de construir um mundo melhor, estruturado na igualdade de direitos sociais e econômicos. 
Entusiasmado foi Albert Sabin, graças a cujo trabalho foi erradicada a paralisia infantil de grande número de países. 
Entusiasmado foi Vicente de Paulo, com sua visão abrangente quando à necessidade e à pobreza. 
Entusiasmado foi o médium Francisco Cândido Xavier, que serviu ao próximo décadas e décadas.
Entusiasmada foi Zilda Arns, que morreu atendendo os seus irmãos no Haiti. 
Entusiasmados, embora desconhecidos do grande público, são aqueles homens e mulheres anônimos, capazes de tornar feliz uma criança, de transmitir coragem aos enfraquecidos, de levar alegria e consolo a doentes, de se calarem, serenamente, para evitar um conflito no lar ou no trabalho. 
Ter um Deus dentro de si é não perder a esperança no ser humano, apesar de tudo aquilo que vemos na vida e que acompanhamos pela mídia. É procurar erguer a cabeça para ver além, com olhos de ver, renovando a confiança em si, em Deus e no outro. Estar entusiasmado é ter clareza de vistas, quanto ao futuro, e confiança nas próprias capacidades íntimas. É lançar-se na construção de um projeto que retrata a necessidade, mas que antevê as possibilidades de êxito. É ter certeza de que o auxílio do Alto virá. Cultivar um Deus dentro de si, mais que necessário, é imprescindível e exige nosso esforço na oração, na meditação, no encontro com o outro, na perseverança na obra do bem, no exercício da compreensão. Estar entusiasmado representa, em primeira e última instância, estar vivo, consciente das lutas e da necessidade de seu enfrentamento. Que nestes dias de transição, pelos quais passamos, possamos cultivar o entusiasmo pela vida, na certeza de que não estamos sozinhos, pois existe um Deus dentro de nós. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.9, do livro Cotidiano em reflexões espíritas, de Sandra Maria Borba Pereira, ed. FEP. Em 8.9.2014.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A ESTRELA DO NATAL

CORA CAROLINA
Naquela manhã, avó e neta carregavam diversos enfeites e diminutas lâmpadas coloridas. Chegara o esperado dia de enfeitar a árvore de Natal. Aos poucos, o belo pinheiro foi se transformando: luzes cintilantes o iluminavam, bolas de cores variadas o adornavam e, no topo, uma estrela fulgurante arrematava a encantadora decoração. Algumas horas depois, a árvore de Natal estava completamente enfeitada. 
-Vovó, eu gosto muito de decorar o pinheirinho de Natal com você! - Revelou a menina, aconchegando-se no colo da gentil senhora. 
-E eu gosto muito que você me ajude a fazer isso, minha filha, redarguiu a avó, sorrindo. Mas você sabe, prosseguiu, é preciso também que enfeitemos o pinheirinho que todos temos dentro do coração. 
-Um pinheirinho dentro do coração? - Questionou a menina, sem compreender.
-Sim, respondeu a avó. O Criador plantou no coração de cada um de nós um pinheirinho. É nossa responsabilidade enfeitá-lo, assim como enfeitamos a árvore que agora ilumina a nossa casa. 
-Mas, vovó, como podemos enfeitar o pinheirinho do coração? 
-Ora, minha filha, nós o enfeitamos com laços, bolas coloridas, luzes e até mesmo com uma estrela como esta, explicou a senhora, indicando a estrela que fora colocada, no topo da árvore, que ambas haviam enfeitado. 
-Mas como fazemos isso? 
A avó abraçou a neta, correndo-lhe os dedos pelos cabelos, e respondeu: 
-Quando somos caridosos, quando perdoamos, quando amamos, criamos laços fraternos com aqueles que estão ao nosso redor. São esses laços que enfeitam o pinheirinho que Deus plantou em nós. Da mesma forma, a gentileza, o respeito, a humildade, a empatia, a generosidade, são as bolas coloridas com as quais enfeitamos a árvore do coração. As luzes, prosseguiu a avó, são nossas orações. Todas as vezes que falamos com Deus, uma cintilante luz brilha em nosso interior, iluminando nosso caminho. 
-E a estrela, vovó? - Questionou a menina, olhos brilhantes, atenta à explicação. 
-A estrela é a fé. Fé que, quando cultivada, brilha no céu de nossas almas e transforma o choro e a tristeza em esperança. E nos fortalece a vontade para continuar perseguindo nossos sonhos, até os vermos concretizados. 
Abraçando a neta, a avó finalizou: 
-Lembre que não há, minha filha, nenhuma estrela mais cintilante do que a fé e nenhuma luz mais brilhante que a oração. 
* * * 
A poetisa Cora Coralina escreveu certa vez: 
Enfeite a árvore de sua vida com guirlandas de gratidão. Em sua lista de presentes, em cada caixinha embrulhe um pedacinho de amor, ternura, reconciliação, perdão! No estoque do coração, a hora é agora! Enfeite seu interior! Seja diferente! Seja reluzente! 
* * * 
Neste Natal, ofertemos para o desafeto, o perdão; para o oponente, a tolerância; para o próximo, o amor; para a criança, o exemplo; para o passado, a lição; para o presente, a oportunidade; para o futuro, a confiança; para nós mesmos, o nascimento de Jesus em nossos corações. Feliz Natal para todos nós! 
Redação do Momento Espírita, com base no poema Poesia de Natal, do livro Meu livro de cordel, de Cora Coralina, ed. Global. Em 18.12.2017.

domingo, 17 de dezembro de 2017

DEUS CRIA AS FLORES, O HOMEM IDEALIZA O JARDIM

Kawachi Fuji
O espetáculo da primavera explodindo em flores e cores é deslumbrante. Quase inacreditável, não ocorresse todos os anos que, após os meses de inverno, com temperaturas extremamente baixas, haja tal profusão de botões e flores se abrindo aos beijos do sol. Árvores, até há pouco desnudas, se vestem de verdes variados e se engalanam com folhas. Mas o espetáculo que o homem monta com árvores, plantas, folhagens e flores é sempre indescritível. Em determinados locais, o encantamento extrapola tudo que se possa pensar em colorido. Assim é, por exemplo, no jardim de Kawachi Fuji, localizado a cerca de seis horas da capital japonesa, Tóquio. Nesse jardim, nada menos do que cento e cinquenta pés de glicínias chinesas atraem as vistas dos turistas, especialmente no túnel, que permite o caminhar sob um encantador céu, repleto de cor e perfume.
Mainau
Também em Mainau, a famosa ilha, no lago de Constança, na Alemanha, a diversidade de flores, árvores e plantas excede o comum. Carvalhos e cedros frondosos dão ao local uma silhueta elegante, além de uma legião de plantas de vasos e uma valiosa coleção de árvores cítricas. De junho a agosto, cerca de nove mil roseiras de quatrocentos tipos diferentes oferecem suas rosas. Além das cores, dos perfumes, da textura das pétalas de cada flor, encantam os visitantes as formas compostas pelos jardineiros.
Bruxelas
Em Bruxelas, na Bélgica, a cada dois anos, a cidade se transforma num palco de grande espetáculo: um enorme tapete de begônias é montado, formando uma composição belíssima, cuja vista é gratuita para todos os passantes. A Bélgica é a maior produtora de begônias do mundo. Todas as flores do tapete são verdadeiras e cultivadas no próprio país. Embora sem solo, elas são colocadas lado a lado, de forma tão apertada, que criam seu próprio microclima, permanecendo frescas e coloridas por dias. Enfim, em todas as cidades, praças e parques do mundo é possível encontrar a policromia das flores ajustada pela mão humana. O homem é genial na elaboração de figuras geométricas em canteiros, misturando cores, idealizando belezas. Em qualquer jardim, por menor que seja, até mesmo na pequena sacada de um apartamento, se poderá ver o que faz a mão humana com a produção Divina. É mesmo assim: Deus cria as flores e o homem compõe os jardins. Une-se a genialidade infinita de Deus à criatividade humana e o resultado é o que extasia os nossos olhos e o Espírito. Nesses momentos, a alma se sente mais próxima de seu Criador, Pai e Senhor. E o homem se sente feliz compondo esses poemas de cor e perfume, utilizando-se da essência Divina que em sua intimidade dormita. Nessa cumplicidade de arte, mais uma vez atesta-se da grandeza do Criador. Ele poderia ter feito tudo sozinho. No entanto, desejou que o homem se tornasse colaborador constante. Por isso é que o homem todos os dias se supera, engendrando mais e mais versos em cores e poesias de perfumes. Deus cria as flores, o homem idealiza os jardins. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 26, ed. FEP. Em 9.9.2014.

sábado, 16 de dezembro de 2017

DEUS CONHECE O MAPA

JOANA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Quando você olha no espelho e vê a sua imagem nele projetada, o que você observa? Talvez um fio de cabelo branco, que surgiu nos últimos dias, ou uma pequena marca de expressão que ainda não havia notado. Talvez perceba algumas olheiras e tente descobrir o que as fez aparecer, deixando seu olhar quase sem brilho. Enfim, é bem possível que você se detenha a observar apenas a sua aparência exterior, sem atentar para o mundo submerso por trás dessa imagem. Talvez você nem se lembre do espírito, verdadeiro responsável pela manutenção dos trilhões de células do corpo físico, que no momento lhe serve de roupagem. Sim, o espírito é a essência do ser. É o grande responsável pela saúde ou pela doença que se manifesta no corpo. Todas as virtudes ou vícios estão sob o seu comando. Carl Gustav Jung estabeleceu que o “inconsciente é um verdadeiro oceano, no qual a consciência se encontra quase totalmente mergulhada. E nesse oceano encontram-se guardadas todas as experiências do ser”. Por vezes passamos tanto tempo na superfície, ocupados com as aparências, que perdemos o mapa de nós mesmos, e ficamos a olhar a imagem refletida no espelho, como se observássemos um ilustre desconhecido. Pela falta do hábito de mergulhar fundo em nossa intimidade, em busca das verdades sobre nós mesmos, passamos a acreditar que somos apenas o que o espelho nos mostra. E porque essa imagem que vemos refletida não se conserva eternamente com a aparência que desejamos, surge o desespero ou o desencanto. Agora, com esses elementos de reflexão, olhe-se como um espírito eterno, numa breve experiência no corpo físico e se pergunte: 
- Quem sou eu? O que faço neste corpo que segue na direção do túmulo? O que o Criador espera de mim? O que me espera além da morte? 
Procure mergulhar nesse imenso oceano desconhecido e você encontrará respostas muito significativas para entender-se e entender o mundo a sua volta. Perceberá que você é, como todo mundo, uma mistura extremamente complexa de capacidades e limitações. Entenderá que as capacidades são lições já adquiridas e que os limites estão à espera da sua vontade para serem superados. Fazendo essa auto-análise sincera, perceberá que existe em você um lado que desconhecia e de onde emergem, vez ou outra, sentimentos dos quais não tem controle. Descobrirá, também, que muitas virtudes estavam escondidas sob a baixa auto-estima ou sob a falta de autoconfiança. Perceberá que as nuvens de ilusão muitas vezes não lhe permitiram ver o despenhadeiro logo à frente onde você se precipitou e se feriu profundamente. E que esses ferimentos lhe impediram a rápida retomada do caminho, retardando-lhe o passo. Tudo isso porque você não se conhece... Tudo isso porque você não sabe porque está na face da Terra e o que Deus espera de você... Tudo isso porque você perdeu o mapa de si mesmo e navega sem rumo nesse mar imenso e profundo que existe por trás dessa imagem, velha ou moça, refletida no espelho. Olhe-se novamente e contemple-se como espírito imortal, que tem sob o seu comando a manutenção dos trilhões de células do seu corpo físico. Mas se esse mergulho interior estiver difícil, rogue a Deus para que lhe ajude na busca dessa pérola preciosa que ele depositou em sua intimidade. Deus conhece o mapa. E o Mestre de Nazaré sabia disso. Por isso Ele nos ensinou que o reino dos céus está dentro de nós. Portanto, arme-se de vontade e descubra esse valioso tesouro que o Criador guardou na ânfora da sua alma. Com isso você também descobrirá que é a única pessoa capaz de dirigir seus passos na direção da felicidade tão sonhada, é essa mesma que você está observando, aí, refletida no espelho. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7, Análise do inconsciente, do livro “Vida: desafios e soluções”, pelo Espírito Joanna de Ângelis, através de Divaldo Franco.