quarta-feira, 23 de agosto de 2017

DE PAI PARA FILHO

O pai entrou de mansinho no quarto do filho que dormia tranquilamente e falou como quem tinha muito a considerar: 
-Escute, meu filho. Digo isto, enquanto você dorme aí com a mão sob o rosto e os cabelos pregados na testa úmida. Há poucos minutos, lendo o meu jornal, fui tomado de intenso remorso. Inquieto, vim para perto do seu leito. Eis o que eu pensava, meu filho: fui implicante com você; repreendi-o quando se vestia para a escola e porque não lavara o rosto com cuidado. Falei com aspereza por causa dos sapatos sujos. Gritei, zangado, quando deixou suas coisas no chão. Ao café, de manhã, achei pretexto também para resmungar.
- “Você derrama leite na toalha; devora em vez de comer.” 
Tinha os cotovelos sobre a mesa; punha manteiga demais no pão. E, quando saímos, você para brincar e eu para tomar o ônibus, você voltou-se, deu adeus com a mão e gritou: 
-“Até logo, paizinho!” 
Fechei a cara e, como resposta, disse:
-“Endireite os ombros.” 
Depois, tudo começou à tarde. Quando vinha pela rua vi-o, de joelhos no chão, brincando; suas meias estavam furadas. Humilhei-o diante dos colegas, mandando que seguisse à minha frente, para dentro de casa. 
-“As meias são caras e se você tivesse que comprá-las teria mais cuidado.”
Imagine, filho, ouvir isso de um pai! Lembra-se de quando, mais tarde, eu lia na sala e você entrou timidamente, com um traço de mágoa no olhar? Levantei o jornal, impaciente pela interrupção, e você hesitou na porta. 
-“O que você quer?” Rosnei. 
Você não disse nada, mas correu pela sala e, num pulo rápido, atirou-se sobre mim, me abraçou, me beijou e seus bracinhos me apertaram com o amor que Deus fez florescer no seu coração e que nem a minha negligência conseguia reprimir. Bem, filho, foi pouco tempo depois disso que o jornal me escapou das mãos e o meu Espírito se sacudiu por uma preocupação terrível. Que será de mim, se me escravizo a este hábito de viver xingando, estar sempre repreendendo? É a única recompensa que lhe dou por ser um menino sadio? Não é que não o ame; é que exijo demais. Meço a sua juventude pelo gabarito da minha idade. E, há tanto de bom, de excelente e verdadeiro em seu caráter! O seu pequeno coração é tão amplo como a própria aurora a descer sobre os morros. A prova está naquele impulso espontâneo de vir correndo para me beijar e me dar boa noite. Nada mais vale esta noite, meu filho. Vim para o lado de sua cama, na escuridão, onde me ajoelhei, envergonhado, como uma pequena penitência. Sei que você não compreenderia estas coisas se eu as dissesse enquanto você estava acordado, mas amanhã serei um pai de verdade. Serei mais que um amigo; sofrerei quando você sofrer; rirei quando você sorrir; morderei a língua quando me brotarem palavras impacientes. Direi repetidas vezes, como uma oração: 
“Ele é apenas um menino, uma criança.” 
Receio e temo que o tenha tomado por homem. Entretanto, meu filho, contemplando-o agora, encolhido e cansado sobre a cama, convenço-me de que você é apenas uma criança. Ainda ontem você dormia nos braços de sua mãe com a cabeça apoiada no ombro dela. Pedi demais, pedi demais! 
 * * * 
Aquele pai teve oportunidade de pedir desculpas ao filho por ter sido tão rude, mas, infelizmente, há tantos pais que só se dão conta disso depois que os filhos crescem ou partem para o Mundo Espiritual. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita com base no artigo Pai esquecido, publicado na Revista Seleções Reader’s Digest, agosto/1945. Disponível no livro Momento Espírita, v. 4, ed. FEP. Em 18.11.2013. voltar voltar imprimir imprimir este texto indique indique este texto voltar ao topo topo © Copyright - Momento Espírita - 2017 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998

terça-feira, 22 de agosto de 2017

DE ONDE VÊM AS CANÇÕES?

Paul Simon
De onde vêm as canções? 
Da imaginação criadora do artista? 
Da inspiração superior? 
De onde vêm esses hinos que se tornam universais? 
É interessante ouvir histórias a respeito de algumas composições e nos darmos conta de como os Espíritos atuam sobre nós. Bem tinham razão ao responderem ao Codificador da Doutrina Espírita que, habitualmente, são eles que nos dirigem. A canção título do álbum de mesmo nome, Bridge over troubled water, ou seja, Ponte sobre águas revoltas, escrita por Paul Simon, se tornou um dos maiores sucessos da dupla Simon e Garfunkel, no ano 1970. Num documentário apresentado como Making of do álbum, o compositor assim se expressou: Eu não tenho ideia de como surgiu a canção. Veio de repente. Foi um dos momentos mais chocantes da minha carreira de letrista. Lembro-me de pensar: isso é consideravelmente melhor do que eu costumo escrever. Ele confessa que escreveu a canção com o intuito de proporcionar conforto a uma pessoa em dificuldade. Mas ele mesmo achou que as letras iniciais eram muito simples: Quando você estiver exausto, sentindo-se insignificante; quando as lágrimas estiverem em seus olhos, Eu enxugarei todas elas. Mais tarde, ele percebeu que era essa simplicidade que ajudou a dar à música um apelo universal. Para todos os que temos sensibilidade, bem podemos entender que ele fala a respeito do Pai de amor e bondade. A ponte que se estende sobre as águas turbulentas das nossas dificuldades, dos nossos problemas, a Providência Divina que nos alcança. Assim como dizem os versos: Quando você estiver exausto, sentindo-se insignificante; quando as lágrimas estiverem em seus olhos, Eu enxugarei todas elas. Eu estou ao seu lado, quando os tempos ficarem difíceis e os amigos não mais puderem ser encontrados. Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu me estenderei. Quando você estiver na pior, quando você estiver na rua, quando a noite descer pesadamente, Eu o confortarei. Eu o ajudarei quando a escuridão vier e a dor estiver por perto. Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu aliviarei as suas preocupações. Navegue no Garota de Prata. Continue navegando. Sua hora chegou para brilhar. Todos os seus sonhos estão a caminho. Veja como eles brilham. E se você precisar de um amigo, Eu estarei logo atrás. Como uma ponte sobre águas revoltas, Eu aliviarei as suas preocupações.
 * * * 
A canção se reporta à Providência Divina, ao cuidado de Deus para com cada um de nós. Ninguém que se encontre ao abandono. Ninguém que esteja esquecido. O amor de Deus vela sobre todos. E nos recorda que nascemos para brilhar, para concretizar nossos melhores sonhos, para alçarmos voos de liberdade, para conquistarmos o infinito. Sem peias, sem limites. Pensemos nisso e em como Deus é infinitamente sábio e estabelece que o bem, as coisas positivas, as verdades sejam ditas por muitas bocas e de muitas formas. Pelas crianças na sua inocência, pelos pintores com sua arte, pelos sábios com suas descobertas, pelos cantores com sua música. Pensemos a respeito. 
Redação do Momento Espírita. Em 27.09.2012.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

FILHO DE DEUS

ALLAN KARDEC
A expressão Filho de Deus é bastante empregada em nosso linguajar cotidiano. Tão utilizada que se desgastou.  
Temos ideia do que significa ser Filho de Deus? 
Sentimo-nos filhos de Deus? 
Primeiro, precisamos entender de Quem ou de Que estamos falando. A palavra Deus designa a Inteligência Suprema do Universo, a causa primária de todas as coisas. Dentro de todas essas coisas, estamos também nós, Espíritos, os seres inteligentes da Criação. Essa Inteligência, que chamamos Deus – e outros chamam por outros nomes – rege o Universo através de leis perfeitas de amor e justiça. Nada sai do Seu controle. Tudo é perfeitamente administrado por Ele. Ele também administra uma obra de beleza inimaginável. Conhecemos pouquíssimo de sua exuberância e quanto mais vamos descobrindo, mais vamos nos encantando. Como tudo se encaixa, como tudo funciona com perfeição, do micro ao macro. Tudo tem sua função na natureza, tudo se encadeia, se entrelaça, se interliga. É uma verdadeira obra de arte. Agora vem o mais interessante: fazemos parte desta obra de arte. Temos uma função importante na Criação. Quando o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, perguntou aos mestres da Espiritualidade qual o objetivo da encarnação dos Espíritos, isto é, por que necessitamos vestir um corpo material e nos vincularmos a uma vida física, recebeu a seguinte resposta: 
-Deus impõe a encarnação aos espíritos, com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é expiação, para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer as vicissitudes da existência corporal. Visa ainda um outro fim a encarnação: o de por o espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Aí está: a parte que nos toca na obra da Criação. Temos uma parte em tudo isso. Somos importantes, temos significado, precisamos existir. Para aqueles que, por vezes, nos sentimos insignificantes, pensemos: será que o sol se sente assim? Ele tem uma parte na grande obra universal. Mas o que é o sol diante das centenas de bilhões de sóis no Universo? Para os que gostam de contar números apenas, pode parecer insignificante. Em segundo lugar, precisamos entender que não somos partes do Criador e nem emanações dEle. Somos Sua obra, somos filhos, somos independentes dAquele que nos criou. Carregamos em nosso íntimo sua assinatura, a assinatura do grande Autor, que nos faz caminhar rumo à felicidade inevitavelmente. Um pai está sempre próximo e presente na vida de seus filhos. Não poderia ser diferente. O que acontece conosco é que não percebemos o Pai como poderíamos perceber. Alguns a ponto de dizer que Ele nem sequer existe. Essa aparente distância nós criamos pela falta de sensibilidade, que precisa ser desenvolvida. Essa sensibilidade faz parte de nossas conquistas morais, assim como a amorosidade – amor ao próximo. Juntas vão construir uma nova virtude: religiosidade. A religiosidade nos dará a capacidade de perceber o Criador, percebendo o nosso próximo e construindo um laço de amor entre nós, ele e o Pai Maior. 
Redação do Momento Espírita, com citação da questão 132, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. Em 21.8.2017.

domingo, 20 de agosto de 2017

DEMOCRACIA

Democracia é palavra de origem grega que significa do povo. Em essência, é o regime de governo que se caracteriza pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade. Quando se fala em democracia, de um modo geral, diz-se que o vocábulo está desgastado, que verdadeiramente não existe a democracia. Talvez tudo dependa de como entendamos a questão. Recordamo-nos de que, quando estourou a Guerra da Coréia, a negra americana Mary Jane Mac Leod Bethune era um vulto venerando no Mundo. Conselheira da Unesco e da Onu para assuntos raciais. Certa vez, ela estava atravessando o corredor, exclusivo para negros, no aeroporto de uma cidade do sul dos Estados Unidos. Um rapaz branco saltou a cerca, a abraçou fortemente e, entre lágrimas, a chamou de mãe. O colega que com ele estava o repreendeu, dizendo: Você está louco? Não percebe como agiu de forma ridícula? Saltar a cerca e ir abraçar uma negra! O jovem, ainda emocionado pelo próprio gesto, explicou: É por causa desta negra que eu vou dar a minha vida na Coréia. Quando fui convocado para a guerra, em um país que jamais eu havia ouvido mencionar o nome, fui até meu professor de geografia e perguntei: "Onde é mesmo que fica essa Coréia?" Ele me mostrou no mapa uma região miserável, perdida, que eu não sei quem está lá. E eu vou prá lá, porque me disseram que vou salvar a democracia, que aprendi com esta negra, que ama todos os homens, sem perguntar o nome, a cor, a raça ou a crença. Como se percebe, há muitas formas de entender a democracia. Para o jovem americano, a caminho da guerra, significava amor, igualdade, defesa dos direitos. Ele partia para lutar pelo que acreditava ser o melhor. A democracia, portanto, é construída por todos e cada um. Quando respeitamos o direito alheio, quando agimos com honestidade e nobreza, estamos exercendo o direito democrático. Estamos afirmando, através de gestos e atos, que cremos no regime do povo pelo povo, para o povo. E o povo somos todos nós. Pobres, ricos, intelectuais, iletrados, negros, brancos, amarelos. Quando começarmos a olhar para o que segue ao nosso lado no ônibus, na rua, no trabalho, na escola como nosso irmão, espírito em lutas como nós mesmos, estaremos iniciando a dedilhar a cartilha da verdadeira democracia. Então, o forte será escudo do mais fraco, o poderoso amparará o frágil e todos, irmanados, seguiremos pelas vias do progresso, de mãos dadas, a passo certo e seguro. 
 * * * 
Quem ama o seu irmão, toma-lhe a cruz em que ele se encontra de braços estendidos e transforma as traves em caminhos luminosos para a liberdade. O amor fraternal serve sempre, ama, perdoa. Onde se encontre, semeia clima de otimismo. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto recebido de Walmir Cardoso da Silva. Em 02.05.2008.

sábado, 19 de agosto de 2017

O SENTIMENTO DA GRATIDÃO

Nosso país tem muitas lendas. O índio, com seu contato direto com a natureza, suas crenças místicas, seus tantos deuses, contribuiu enormemente para isso. Nasceram então a lenda da Vitória-Régia, a estrela dos lagos; da Iara, a rainha das águas; da mandioca, o pão indígena; do Uirapuru, com sua plumagem colorida, numa combinação de preto com vermelho; do Caipora, do Curupira, com seus pés ao inverso e cabeleira vermelha... Também o negro trouxe, de seu longínquo rincão, as fantasiosas histórias como a do negrinho do pastoreio, que ganhou foro de cidadania pelos campos do Sul. Os reinos animal e vegetal oferecem personagens de toda sorte para explicar a origem de certas crenças e de certos costumes. Também para ensinar virtudes, exaltar sentimentos elevados. Conta-se, por exemplo, que, no início dos tempos, a arara era de cor vermelho vivo. Ela tinha um grande orgulho da sua longa cauda e seu belo topete. No entanto, apesar de sua beleza, era uma péssima construtora e não possuía uma casa. Observando a habilidade invejável do pica-pau, que era seu compadre, um espécime, diga-se, nada vistoso, foi a ele pedir ajuda. Pediu-lhe que lhe construísse uma bela morada. Em breve, escavando um tronco, o pica-pau ofereceu a ela um ninho quente e seguro. Por estar muito agradecida, a arara presenteou o compadre com seu topete vermelho. Segundo o folclore brasileiro, é possível se constatar a verdade dessa história, desde que as araras vivem em ninhos escavados em troncos mortos e os pica-paus apresentam seus topetes chamativos sobre a cabeça. 
 * * * 
A fábula enfatiza uma parceria, um ato de solidariedade e um profundo sentimento de gratidão, que se perpetua no tempo, geração após geração do pica-pau. Assim deveria ser o sentimento de gratidão, em nossos corações. Não desaparecer jamais. Alguns acreditamos que depois de termos agradecido pelo bem recebido, tudo está bem. No entanto, deveríamos trazer esse sentimento de tal forma arraigado que nos lembrasse de que gratidão é para sempre. Não nos devemos esquecer de quem nos beneficiou, quem nos doou suas horas, em momento difícil de nossa vida, quem nos socorreu na adversidade, quem nos ofertou um emprego, quem confiou em nós, abrindo-nos caminhos nas áreas do conhecimento ou da profissão. Não nos devemos esquecer do ombro amigo no qual choramos nossas mágoas; os braços que nos acolheram na hora da desesperança; os amigos que compartilharam a alegria do nosso casamento, do nascimento do nosso filho, de tantos aniversários. Gratidão, sentimento próprio de almas elevadas. De almas que não sofrem problemas de esquecimento das bênçãos recebidas. Almas que sabem que a amizade, o carinho, a ternura não têm preço. Por isso mesmo, todas as suas manifestações merecem a eterna gratidão. E se, enquanto ouvimos esta mensagem, nos acudir à mente a figura de alguém, a quem muito devemos, de imediato lembremos de telefonar, de enviar uma mensagem, de falar pessoalmente: Muito obrigado, por tudo que me deu… Obrigado por tudo que me fez. 
Redação do Momento Espírita, com base em fábula, colhida no site
museudaamazonia.org.br/pt/ em 2015/04/13/
A-gratidao-na-cultura-dessana-o-conto-da -arara-e-do-picapau/
Em 17.8.2017.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CAMPANHA DA GENTILEZA

Art Buchwald
O executivo estava na capital e entrou em um táxi com um amigo. Quando chegaram ao destino, o amigo disse ao taxista: 
-Agradeço pela corrida. O senhor dirige muito bem. 
E, ante o espanto do motorista, continuou: 
-Fiquei impressionado em observar como o senhor manteve a calma no meio do trânsito difícil. 
O profissional olhou, um tanto incrédulo, e foi embora. O executivo perguntou ao amigo por que ele dissera aquilo. 
- Muito simples. – Explicou ele. Estou tentando trazer o amor de volta a esta cidade e iniciei com uma campanha da gentileza. 
- Você sozinho? – Disse o outro. 
- Eu, sozinho, não. Conto que muitos se sintam motivados a participar da minha campanha. Tenho certeza de que o taxista ganhou o dia com o que eu disse. Imagine agora que ele faça vinte corridas hoje. Vai ser gentil com todas as vinte pessoas que conduzir, porque alguém foi gentil com ele. Por sua vez, cada uma daquelas pessoas será gentil com seus empregados, com os garçons, com os vendedores, com sua família. Sem muito esforço, posso calcular que a gentileza pode se espalhar pelo menos em mil pessoas, num dia. 
O executivo não conseguia entender muito bem a questão do contágio que o amigo lhe explicava.
-Mas, você vai depender de um taxista! 
-Não só de um taxista, respondeu o otimista. Como não tenho certeza de que o método seja infalível, tenho de fazer a mesma coisa com todas as pessoas que eu contatar hoje. Se eu conseguir que, ao menos, três delas fiquem felizes com o que eu lhes disser, indiretamente vou conseguir influenciar as atitudes de um sem número de outras. 
O executivo não estava acreditando naquele método. Afinal, podia ser que não funcionasse, que não desse certo, que a pessoa não se sensibilizasse com as palavras gentis. 
- Não tem importância, foi a resposta pronta do entusiasta. Para mim, não custou nada ser gentil.
 * * * 
Você já pensou como seria bom se agradecêssemos ao carteiro por nos trazer a correspondência em nossa residência? Ao médico que nos atenda, ao balconista, ao caixa do supermercado... E a um professor, então? Quantos se mostram desestimulados porque ninguém lhes reconhece o trabalho! Se receber um elogio, se alguém lhe disser como é bom o trabalho que está realizando com seu filho, como ele influenciará todos os alunos das várias classes em que leciona! E cada aluno levará a mensagem para suas casas, seus amigos, seus vizinhos. Pode não ser fácil, mas se pudermos recrutar alguém para a nossa campanha da gentileza... Diz um provérbio de autoria desconhecida que as pessoas que dizem que não podem fazer, não deviam interromper aquelas que estão fazendo alguma coisa. Pensemos nisso e procuremos nos engajar na campanha da gentileza. Pode não dar certo com uma pessoa muito mal-humorada. Mas também pode ser que ela se surpreenda por ser cumprimentada, e responda. Melhor do que isso: pode ser que ela decida cumprimentar alguém. E, em fazendo isso, se sinta bem. E passe a cumprimentar as pessoas todos os dias. Assim estaremos espalhando o gérmen da gentileza, que torna as pessoas mais próximas umas das outras. Uma campanha que espalha confiança, tranquilidade... Pensemos nisso e façamos nossa adesão à campanha da gentileza, transformando a nossa cidade num oásis de paz. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O amor e o taxista, de autoria de Art Buchwald, do livro Histórias para aquecer o coração, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante. Em 16.8.2017.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

NOTA BAIXA

O diretor de uma escola islâmica do Paquistão enviou uma carta aos pais dos alunos quando os exames estavam para começar. A imagem da carta circulou o mundo, após um dos pais dividi-la em uma rede social, elogiando a postura e as palavras da escola. 
"Queridos pais, a semana de provas está para começar. Eu sei que vocês estão esperando que seus filhos se saiam bem. No entanto, por favor: lembrem-se de que, dentre os estudantes que estão sentados ali para fazer a prova, há um artista que não precisa entender de matemática; há um empreendedor que não se importa com História ou literatura; há um músico cujas notas em química não importam; há um esportista cujo preparo físico é mais importante do que a física... Se seu filho obtiver as melhores notas, ótimo! Mas se não, por favor, não tire dele sua autoconfiança e sua dignidade. Digam-lhe que tudo bem! É só uma prova. Ele foi talhado para coisas muito mais importantes na vida. Digam-lhe que, independentemente de sua nota, vocês o amam e não o julgam. Façam isso, por favor. E quando fizerem: vejam-no conquistar o mundo. Uma prova ou uma nota baixa não vai lhe tirar os próprios sonhos ou seu talento. E, por favor, não pensem que médicos ou engenheiros são as únicas pessoas felizes no mundo. Com carinho, a diretoria."
  * * * 
Vivemos num mundo onde ainda valorizamos mais a formação intelectual das crianças do que sua construção moral. Para ser alguém na vida você precisa estudar! - Quantas vezes já ouvimos ou dissemos essas palavras... É natural que pais que vieram de uma geração que não teve acesso ao estudo, à escola, desejem isso mais do que tudo para seus filhos. Compreensível esse desejo de formação do intelecto, pois isso lhes abre muitas portas no mundo. O Espírito precisa se desenvolver nessa área, precisa conhecer, precisa trabalhar para seu sustento e ainda, ser peça útil na sociedade. No entanto, o Espírito não é apenas seu intelecto. Somos nossos valores, nossas virtudes, nossas crenças. Assim, o sucesso de alguém na vida não pode ser medido apenas por suas conquistas na área do conhecimento ou na esfera material. Ter sucesso, ou melhor, ser bem sucedido na existência, significa principalmente, ser um homem de bem. Se as conquistas intelectuais não foram as melhores; se os conseguimentos materiais, de padrão de vida e patrimônio não foram os desejados ou apontados pelo mundo como excelentes, não nos preocupemos em demasia. Os padrões do mundo são doentios, por vezes, e muito disso está no campo das ilusões materialistas. Os valores de uma alma não estão nos bolsos, mas no quanto de bem pode fazer ao seu redor. Estão nas relações que edifica; estão no exemplo de dignidade que propaga para os seus. Esse é sucesso verdadeiro após toda uma vida. É isso que nos trará paz após o término de cada fase de nossa evolução. Aos pais dizemos: Tenham calma. A mais importante instituição de ensino é o lar e suas relações. É o amor compartilhado e exemplificado diariamente. São as notas das provas morais que nos farão aptos, ou não, a seguir adiante na escola das vidas sucessivas. 
Redação do Momento Espírita, com base em matéria publicada pelo jornal Independent, em 4 de outubro de 2016. Em 15.8.2