quarta-feira, 14 de junho de 2017

O HÓSPEDE

Quando sabemos que receberemos um hóspede, em casa, alguém de quem gostamos muito, tomamos muitas providências. Organizamos tudo da melhor maneira possível. Afinal, desejamos oferecer tudo de bom, de mais especial. Por isso, limpamos e perfumamos nosso lar. E o enfeitamos com flores delicadas e coloridas. Providenciamos a quem chegará o melhor cômodo da casa. Aquele onde o sol, pela manhã o virá saudar. E se fizer frio, virá aquecê-lo, logo ao despertar. Quando o hóspede chega, fazemos silêncio para não perturbar o seu repouso. Providenciamos para que as crianças não o incomodem. Pensamos em todos os detalhes, nos desdobramos nas atenções quanto aos alimentos. Preparamos o que ele mais aprecia. Desejamos que se sinta bem em nossa casa. Para ele, o melhor. É nosso hóspede. Tudo se torna um envolvimento de carinho para que esteja à vontade em nossa casa. 
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Poucos de nós nos damos conta de que existe um hóspede ansioso para penetrar a nossa casa interna. Alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas e ruas da nossa vida emocional, todos os dias. Ele busca se insinuar para que tomemos a iniciativa de convidá-lO a entrar. Ele conhece nosso íntimo. Sabe dos nossos sentimentos feridos, da alegria que buscamos com ansiedade, da saúde que aguardamos se restabeleça. Das esperanças tão embaladas... Ele nos segue pelos corredores da solidão ou nos salões da alegria. Ele se chama Jesus. Quem sabe, ainda hoje, possamos convidá-lO para adentrar o nosso coração. E, como o desejamos bem recepcionar, comecemos por realizar a higiene das peças interiores de nossa alma. Espanemos para longe os pensamentos tristes. Coloquemos perfumes em nossa casa íntima. Envolvamos em silêncio cada compartimento interno para que Ele se faça o mais suave hóspede da nossa vida, dela jamais se apartando. Não esperemos mais. Vamos convidá-lO a se hospedar em nós, para sempre! Todos os que permitiram que Ele adentrasse a porta dos seus corações, nunca mais foram os mesmos. Ele penetrou o coração de Francesco Bernardone e o jovem se transformou em Francisco dos pobres, Francisco de Assis. Ele visitou uma jovem freira na Índia e ela, deixando-se sensibilizar por Sua mensagem, se transformou na irmã dos pobres mais pobres: Madre Teresa de Calcutá, para quem cada mendigo, doente ou necessitado era o próprio Cristo vivo e amado. Se O convidarmos a estar conosco e nos dispusermos a viver a Sua mensagem, Ele, estrela fulgurante, fará sol em nossas vidas, acima e além de todos os problemas que possam colocar nuvens em nossos dias. 
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Jesus, Mestre, Amigo e Irmão Maior. Ele prossegue de braços abertos, aguardando que nos permitamos o aconchego. E que atendamos ao Seu convite: Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração. E achareis descanso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e leve o meu fardo. Atendamos ao convite e abriguemos o Hóspede Celeste na intimidade de nossa alma. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 11, vers. 28 e 29. Em 14.6.2017.

terça-feira, 13 de junho de 2017

DAR A VOLTA POR CIMA

Gerson Brenner
É impressionante como algumas pessoas sabem agir com inteligência e bom senso diante das situações adversas que a vida lhes apresenta. Há algum tempo, um ator famoso sofreu um assalto e foi ferido gravemente, ficando em coma por muito tempo. Os dias se passaram, os meses se somaram e, apesar das limitações impostas ao corpo físico, continuou lutando com bravura. Gerson Brenner não se deixou vencer pela soma de acontecimentos amargos e começou a grande luta para dar a volta por cima e continuar vivendo, ainda que com graves limitações nos movimentos do corpo.
Osmar Santos
Um narrador de futebol, não menos famoso, sofreu um acidente de automóvel e ficou por longo tempo sem contato com o mundo exterior. Apesar das barreiras imensas que tentavam isolá-lo do mundo, Osmar Santos empreendeu uma batalha acirrada e, depois de longo tempo, conseguiu se comunicar com o mundo através da arte, pintando quadros. Ele conseguiu dar a volta por cima e reinventar sua vida. Um dia, um acidente de ultraleve matou a esposa de um cantor popular e o jogou num leito de hospital com graves ferimentos na medula e no cérebro. Poucos acreditavam que ele sairia dessa. 
Herbert Viana
Mas Herbert Viana deu a volta por cima, demonstrando rara coragem e uma disposição inabalável. Surpreendendo médicos e enfermeiros, ele aparece cantando e dedilhando sua guitarra para alegrar a enfermaria repleta de pacientes que, como ele, enfrentam horas seguidas de fisioterapia. Assim como essas pessoas famosas, há também muitos heróis anônimos que dão a volta por cima e vencem situações de extrema dificuldade. E, ao contrário do que muita gente pensa, essas são atitudes de pessoas que sabem usar a razão e o bom senso. 
Percebem que não há como vencer, senão aceitando o desafio que as Leis maiores lhes oferecem, com resignação e coragem. Esses são os verdadeiros vencedores, pois transformam uma situação aparentemente sem saída, numa nova maneira de encarar a vida. É como se admitissem a si mesmas: Se Deus me ofereceu esta situação difícil é porque preciso aprender alguma lição com ela. E é isso que vou fazer. Nesse caso, é a obediência consentida pela razão, e a resignação aceita pelo coração. Essa é a posição de um filho que confia no seu Pai e Dele sempre espera o melhor, ainda que esse melhor chegue com aparência de desgraça. Um filho que confia num Pai amoroso e justo e procura retirar de cada situação uma lição a mais, um aprendizado útil, mesmo que seja uma demonstração de coragem, de fé, de humildade, de confiança. E você? Já pensou nas lições que Deus espera que aprenda com as situações que lhe apresenta? Se ainda não havia pensado, pense agora, ainda há tempo. Considere que as provas sempre guardam relação com o tipo de aprendizagem que precisamos demonstrar e são proporcionais ao nosso grau de evolução. Assim, se é a nossa paciência que deve ser testada, teremos uma prova correspondente. Se é a humildade, uma prova em que possa ser demonstrada, e assim por diante. 
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Conforme nos recomendou o grande Apóstolo Paulo de Tarso, aprendamos a dar graças por tudo. A flor agradece, com o seu perfume, a terra escura que lhe permitiu nascer e florescer. A borboleta dá graças ao casulo desprovido de beleza que lhe permitiu efetuar a sensível metamorfose, bailando no ar e contribuindo com a polinização. Quando o enfermo recupera a saúde, bendiz a dor que lhe trouxe a lição do equilíbrio. Por todas essas razões, aprendamos a agradecer a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina. Lembrando sempre que a alvorada é dádiva do céu que surge após a noite escura na Terra. 
Redação do Momento Espírita Em 04.04.2011.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

REVIVENDO O AMOR

Na adolescência, ele surge, manifestando-se de muitas formas. Percebe-se que ele chegou ao coração da menina, com anseios de mulher, quando ela passa a se demorar nos cuidados pessoais. O cabelo nunca está bom. Hoje ela o quer liso, depois, encaracolado, mudando a cor, alterando o corte. Ela se olha no espelho de frente, de lado, pelas costas. E nunca está bem. Batom, perfume, maquiagem. Roupa mais justa, roupa mais larga, mais curta. Uma sessão interminável de gostos, segundo a moda. E, mais de uma vez, já no portão de casa, volta correndo, para tornar a se olhar no espelho. Passa pelo pai e pergunta: 
-Estou bonita, pai? 
Afinal, a opinião de um homem é importante. Quando o menino, que sente em si os ardores da masculinidade, o descobre, todos na família percebem. Porque o banho é demorado e frequente. A roupa é escolhida com detalhes. O cabelo – ah, o cabelo – é o item mais trabalhado. Raspar bem o rosto ou deixar crescer a barba? Que indecisão! A grande pergunta é: Como as meninas gostam mais? O motivo de tudo isso chama-se amor. Algo diferente que faz bater o coração no cérebro, tremer as pernas, gaguejar, suar nas mãos. É um sentimento diferente pelo sexo oposto. Há pouco se digladiavam, considerando-se verdadeiros inimigos. Os meninos eram chatos. As meninas, umas tolas. Agora, aquele olhar, um simples olhar de um para o outro é capaz de os fazer alçar às nuvens. É belo esse período da descoberta desse doce sentimento. Não é o mesmo amor que se tem para com os pais, para com os irmãos, os avós, os amigos. É um sentimento que fomenta o desejo de estar ao lado do outro; que tem a capacidade de fazer sonhar de olhos abertos; de acreditar que tudo se realizará, no futuro próximo; que a felicidade é plena, rósea, permanente. Amor, enamorados. Gestos de carinho, olhares perdidos no vazio que, em verdade, se plenificam com a imagem do objeto do amor. Caixas de chocolate, flores, pequenos mimos. Você, que já ultrapassou a linha da adolescência; que está namorando a mesma pessoa há anos; que está casado, já é pai, avô – você recorda como eram apaixonantes aqueles dias de sonho, esperanças, castelos no ar? Talvez você diga que passou da idade, que adolescência é adolescência. Acredite: a época de amar não acaba nunca. Não importa a estação do ano. Quando se ama, há sempre flores e perfumes no coração. Por isso, neste Dia dos Namorados, surpreenda seu amor, mesmo que você já esteja desabituado a gestos creditados aos extremamente apaixonados. Mostre que você ainda é o galã dos sonhos dela. Convide-a para passear, para dançar, para um jantar. Saiam sozinhos. Voltem a sonhar, olhando a lua e as estrelas, que deverão estar brilhando só para vocês dois. Redescubra o amor que um dia os uniu. Ofereça flores, diga palavras de carinho, lembre como ela ainda está bonita. A madureza dos anos lhe fez tão bem! Aprume-se como um garoto saindo pela primeira vez com a namorada. E descubra que o amor jamais envelhece. Porque o amor é o sentimento mais sublime que Deus nos permite alcançar. Pense nisso! Hoje, neste dia especial!
Redação do Momento Espírita. Em 12.6.2017.

domingo, 11 de junho de 2017

LIVRE-ARBÍTRIO E CARIDADE

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Nunca será demasiado entretecer-se considerações sobre a caridade. A caridade é sempre luz que abençoa aqueles que jornadeiam na aflição. Mesmo quando não é vista, à semelhança dos raios solares, quando o Astro Rei está ausente, beneficia, penetrando as vidas e renovando-as. Assim, a caridade, seja no seu aspecto material ou moral, reflete o amor de DEUS que alcança as almas, socorrendo-as. Quando a caridade material não se faz necessária, jamais será secundária aquela de natureza moral, porquanto vital o ar, penetra e sustenta a vida. 
São caridades morais: 
O Sorriso de afabilidade ao atormentado que perdeu a esperança; 
A palavra de estímulo quando todos os outros recursos ficaram baldos de resultados; 
O gesto de simpatia ante a circunstância aziaga e infeliz; 
A compreensão fraterna, face à ofensa e à maldade; 
A oração intercessória, em favor do adversário em sofrimento; 
O apoio emocional no momento áspero da desgraça. 
O perdão da ofensa e a dedicação ao tombado; 
A gentileza de um socorro espiritual... 
Quem pode, por acaso, no transe da dor, dispensar qualquer uma destas concessões? 
Qual a pessoa que se sinta tão completa que dispense um amigo ou uma palavra de reconforto? 
A caridade é luz que deve ser considerada como benção de DEUS nas estradas do mundo. Praticá-la ou não é opção de cada indivíduo. Aquele que a utiliza, favorece o crescimento da luz que se esparze; quem se nega a realizá-la, faculta a ampliação da sombra que predomina. O livre-arbítrio e a caridade constituem alavancas para o progresso do homem na direção da sua meta final, que é a felicidade. JESUS, todo amor por excelência, em instante algum deixou de esparzi-la, iluminando as vidas que, desde então, jamais perderam a diretriz. Caridade, portanto, hoje e sempre. 
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Obra: No Rumo da Felicidade - Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis)

sábado, 10 de junho de 2017

DAR AMOR

Elisabeth Kübler-Ross
O panorama do mundo, neste início do Terceiro Milênio, não é maravilhoso. Há milhões de pessoas que estão passando fome. As guerras continuam devastadoras. Os homens disputam pedaços de terra, que chamam de territórios, como se fossem viver para sempre em cima deles. E cada pedacinho fica manchado com o sangue de muitas vítimas. Há milhões de pessoas sem um teto. Milhões que sofrem de AIDS. Milhões de crianças, adultos e velhos que sofreram e sofrem violência. Milhões de pessoas que padecem de invalidez, seja por terem nascido com a deficiência ou por terem sido vítimas de enfermidades, acidentes ou combates. Todos os dias, em todo o mundo, mais alguém está clamando por compreensão e compaixão. Este é o mundo que recebemos do milênio passado. O mundo que construímos. Agora nos compete construir o mundo renovado do Terceiro Milênio. Escutemos o som das vozes de todos os que padecem. Escutemos como se fosse uma cantiga, um mantra que suplica auxílio. Abramos os nossos corações para todos os que estão precisando e aprendamos que as maiores bênçãos vêm sempre do ajudar aos outros. Acima de pontos de vista econômicos, de crença religiosa, de cor da pele, aprendamos que todos somos filhos do mesmo Pai e nos encontramos na mesma escola: a Terra. Por isso o auxílio mútuo é dever de todos. Podemos não resolver os problemas do mundo, mas resolveremos o problema de alguém. Não podemos resolver o problema da AIDS, mas podemos colaborar valorosamente nas campanhas de esclarecimento às novas gerações. Não podemos diminuir as dores de todos os pacientes, mas podemos colaborar conseguindo a medicação precisa para um deles, ao menos. Com certeza, não podemos devolver mobilidade a membros paralisados. Mas podemos nos tornar mãos e pernas, auxiliando aqueles que precisam. Podemos não resolver o problema da fome no mundo, mas podemos muito bem providenciar para que quem esteja mais próximo de nós, não morra à míngua, providenciando-lhe o alimento ou o salário justo. É muito importante aprender a gostar de tudo o que fazemos. Podemos ser pobres e nos sentir sozinhos. Podemos morar em um local não muito agradável, mesmo assim, ainda poderemos colocar flores nos corações e nos alegrar com a vida. Tudo é suportável quando há amor, único sentimento que viverá para sempre.
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O amor é a virtude por excelência, seja na Terra, seja em outras moradas do Senhor. O equilíbrio do amor desfaz toda discriminação, na marcha que realizamos para Deus. Exercitando o amor conjugal, filial, paternal ou fraternal busquemos refletir, mesmo que seja à distância, o amor do nosso Pai, que a todos busca pelos caminhos da evolução. Vivamos e amemos, de forma equilibrada, sentindo as excelsas vibrações que vertem de Deus sobre as necessidades do mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 40, do livro A roda da vida, de Elisabeth Kübler-Ross, ed. sextante e no cap. 2, do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Em 26.09.2012.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

DAR A MESMA EDUCAÇÃO

Diante de filhos rebeldes ou indiferentes, é comum ouvirmos pais se fazendo a seguinte pergunta:
-Onde foi que eu errei? 
Outros reclamam, desolados: 
-Eu dei a mesma educação e cada um se comporta de forma diversa. 
Um exame mais detido talvez aponte onde está a nossa falha. Sabendo que cada criança é um Espírito imortal, que traz consigo, ao nascer, a soma das experiências vividas em outras existências, entenderemos que não pode haver uma igual à outra, psicologicamente falando. Por essa razão, nosso primeiro erro está em dar a mesma educação a Espíritos diferentes. O que funciona para uns, pode não funcionar para outros. Para educar uma criança é preciso conhecê-la muito bem e para isso é preciso conviver. Somente a convivência nos permitirá observar cada tendência dos nossos educandos. No convívio diário, observando a criança a brincar com os amiguinhos, saberemos logo se ela é egoísta ou altruísta, violenta ou pacífica, pela sua forma de falar e de se comportar. 
Se é egoísta, fala sempre na primeira pessoa: o meu carrinho, a minha bola, o meu robô, enfim, tudo é só dela e ninguém pode tocar. 
Já o altruísta tende a falar os nossos brinquedos e permite que todos brinquem com o que lhe pertence. 
O violento está sempre armado contra os irmãos e os coleguinhas. É aquele que bate na babá, joga os brinquedos e espanca os animais que encontra pela frente. 
O pacifista busca defender os amigos, mesmo que esses estejam equivocados. Trata bem os irmãos e a babá e está sempre disposto a ajudar. 
Há os que nunca assumem um erro, jogando sempre a culpa sobre algo ou alguém. Há os inseguros que nunca decidem sobre coisa alguma. 
Há os que buscam chantagear pais, irmãos, colegas e professores, colocando-se sempre na posição de vítimas, para que ninguém lhes cobre nada. 
Há, ainda, os que querem mandar em tudo e em todos, como verdadeiros generais que voltam ao mundo em roupagem diferente. 
Enfim, há tantas diversidades de caráter quanto o número de pessoas que habita a face da Terra. Por essa razão, é importante conhecer bem os filhos para poder ajudá-los a crescer moral e intelectualmente. Amar a todos sem distinção, dando a cada um uma educação específica, de acordo com as suas necessidades. Evitar as comparações entre um e outro, que tendem sempre a gerar ciúmes e antipatias. Cuidar para não exigir demais do filho que não tem condições de oferecer mais do que o que já oferece, em detrimento do outro que se esforça pouco e que poderia fazer muito mais. A educação é uma arte e como tal exige esforço e dedicação por parte do educador. Mas, sem dúvida alguma, é muito gratificante poder ajudar as almas a caminhar para Deus. 
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Busque amar os filhos sem deixar de lhes oferecer o remédio necessário para a alma ansiosa por felicidade. Lembre-se sempre de que a escola forma o cidadão mas só o lar constrói o homem de bem. 
Redação do Momento Espírita. Em 31.01.2010.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

ESPETÁCULO DIVINO

A madrugada despede a noite e se instala. Mas, a escuridão ainda predomina. Os homens usam a luz artificial para espancar as trevas. São faróis de carros, para os que se deslocam a distâncias. Nas casas, são lâmpadas, velas, lampiões. Lâmpadas nos postes auxiliam a mostrar o caminho que a cara redonda da lua, com sua luz prateada, não se mostra suficiente. Faróis em pontos estratégicos apontam o rumo aos que navegam nas águas mansas ou agitadas dos mares. Logo mais, os braços da madrugada se espreguiçam e pequenos raios de luminosidade tocam a manhã, para que desperte. Finalmente, é manhã plena e, enquanto os homens correm, de um lado para outro, em função de seus estudos, de seus negócios, de suas vidas, Deus instala Seu extraordinário aparelho multimídia para a projeção do novo dia. Em trabalho sem igual, que a cada dia não se repete da mesma forma, o Arquiteto sem par projeta na tela do Universo, os Seus slides. Há luz, som, animação. Os braços do salgueiro balançam, agitados pelo vento que se veste de brisa ligeira. Jardins, montanhas, campinas. Áreas verdejantes, rios cantantes, fontes generosas se multiplicam. A projeção é tão magnífica que o espetáculo permite se sentir o perfume da terra, das flores, dos veios da madeira aberta em sulcos. Os raios do sol aqui lançam sombra, além se estendem, espancando nuvens. As pequenas elevações parecem ondular na paisagem. As folhas multicoloridas do outono se misturam em um quadro, enquanto noutro as delícias da primavera explodem em botões. Paisagens desérticas, quase intermináveis em um ponto. Dunas, oásis, palmeiras. Paredes altas, montanhosas, de outro. Gelo aqui, calor acolá. Pássaros cantam, ovos são chocados, a vida se multiplica em toda parte. E assim, durante as horas do dia, os slides irão se sucedendo um a um. O homem passa apressado, poucos se dando conta dos quadros que se alternam, sucedem, de contínuo. Quando morre a tarde e a noite retorna, como hábil artista, Deus estende um negro manto, a fim de que os astros, que percorrem o Infinito, possam melhor ser percebidos. Assim é, a cada dia, a cada noite. Se o homem contemplasse mais a natureza, estudasse melhor as suas leis, compreendesse a harmonia que ela leciona, viveria melhor. Quando o cansaço o tomasse, nas horas de trabalho, pararia um pouco e olharia o jardim. Se estivesse cercado por paredes de concreto de vários edifícios, poderia olhar o céu, acompanhar o passeio das nuvens e permitir-se despentear pelo vento. Bastaria colocar a cabeça para fora de uma das janelas em que esteja. Tudo isso o revigoraria. E o faria lembrar de Quem o criou por amor e por amor o sustenta. Dar-se-ia conta de que acima das leis humanas, uma maior, imutável e justa vigora. Lembraria que é filho de Deus, que a vida é um tesouro muito precioso para ser desperdiçado. E, então, aprenderia que o dia foi feito para o homem e não o homem para o dia. O que quer dizer que dosaria trabalho, lazer, meditação. Horário para alimentar o corpo. Horário para alimentar a alma. Sobretudo amaria intensamente aos que com ele convivem neste lar abençoado que se chama planeta Terra. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 14, ed. FEP. Em 8.6.2017.