domingo, 6 de novembro de 2016

CONSTRUTORES DA VIDA

Por mais que gostemos da vida no corpo físico, um dia, todos morreremos, isto é fato. Morrem os pobres e morrem também os ricos. Foi assim que um dia aquele homem, que detinha poder e muitas posses, foi habitar o além. Foi recebido pelo benfeitor, encarregado de conduzi-lo à sua nova residência. Caminhavam calmamente por um lugar pitoresco, com ruas calmas, um gramado extenso e grande variedade de árvores e jardins. Ao passarem por uma das casas, o benfeitor mostrou-a ao homem e lhe disse:
- “Observe! Aquela é a casa de sua cozinheira.” 
-“Mas ela ainda não morreu”, respondeu o homem. 
Sem dar nenhuma resposta, andaram por mais algum tempo e o orientador mostrou outra casinha graciosa e disse: 
-“Essa é a casa do seu jardineiro.” 
Ambas eram casas muito agradáveis. Simples, mas aconchegantes. Jardins com flores silvestres e pássaros voejando e cantando por entre as borboletas que pousavam de flor em flor. Discretos regatos com águas cantantes e cristalinas cortavam os gramados verdes. O homem estava muito animado, pois se seus empregados teriam moradias tão agradáveis, o que não estaria reservado a ele, um homem rico e poderoso? Caminharam por mais algum tempo, quando o benfeitor parou diante de um barraco, localizado numa área menos clara e quase sem nenhum encanto. Com um gesto gentil indicou ao homem sua nova residência. O homem teve um sobressalto. Indignado perguntou ao orientador: 
-“Como posso eu, um homem rico e possuidor de muitos bens, morar agora nesse barraco caindo aos pedaços? Sem dúvida deve ser uma brincadeira!” 
-“Infelizmente não é, meu filho”, falou amavelmente o benfeitor. E acrescentou: “todas as construções são feitas com os materiais que vocês nos enviam diariamente enquanto estão na Terra. São materiais invisíveis aos olhos físicos, mas firmes o bastante para construir um recanto sólido aqui, no mundo espiritual. Cada gesto nobre, cada boa ação, cada trabalho realizado com honestidade e desinteresse, são matérias primas importantes aplicadas nos tesouros verdadeiros deste lado da vida.” 
-“Mas como saber disso, se ninguém me avisou enquanto estava na Terra?”, objetou o infortunado. 
-“Ora, meu filho, talvez você tenha esquecido, mas há mais de dois milênios se ouve falar de um Homem chamado Jesus, que orientou muito bem sobre essa questão, recomendando que se construíssem tesouros no céu, onde nem a traça come nem os ladrões roubam.” 
Pensativo e sem argumentos, o homem adentrou seu mísero barraco, em busca de um mínimo de conforto para sua alma inquieta. 
Pense nisso! Nossos maiores tesouros são as virtudes. A compaixão, a fraternidade, a solidariedade, a ternura, o afeto, são elementos importantes na construção da beleza e da harmonia. A honestidade, a dignidade, a humildade, a indulgência e a justiça, são virtudes essenciais para construções sólidas e indestrutíveis. Assim sendo, vale a pena investir nesses tesouros desde hoje, pois a imortalidade não é uma proposta para ser pensada depois da morte, é uma realidade para ser vivida hoje. 
Pense nisso, mas pense agora! 
Texto da equipe de redação do momento espírita.

sábado, 5 de novembro de 2016

CONSTRUTOR DE GENTE

O economista participava de um debate, em que se discutia o desemprego e, após um engenheiro falar sobre a contribuição da construção civil na demanda por mão-de-obra, o mediador, entre irônico e sério, fez a seguinte afirmação-pergunta: 
-Os professores não constroem pontes; logo, o que eles podem fazer para ajudar a diminuir o desemprego? 
Sem tempo para pensar, o hábil polemista respondeu, também entre irônico e sério: 
-Realmente um professor não constrói pontes, não levanta edifícios, não pilota aviões, não cura doentes... Essas atividades tão visíveis e responsáveis por tantos empregos. O professor se contenta com algo mais simples: ele prefere construir o engenheiro que levanta as paredes, instruir o comandante que faz o avião voar, formar o médico que cura, e ensinar os jornalistas a fazerem perguntas embaraçosas. O professor não constrói coisas... Ele ‘constrói' as pessoas que fazem as coisas, ou pelo menos ajuda as pessoas a construírem a si próprias. 
Dizia Immanuel Kant que o homem é a única criatura que precisa ser educada e a educação é a arte de formar os homens; isto é, desenvolver neles simultaneamente as faculdades físicas, intelectuais e morais. Os animais são resultado de uma fatalidade biológica; mas o homem, conquanto tenha sua porção animal, por sua biologia, é um ser dotado de propósito consciente. Nesse sentido, o animal-homem é uma entidade ética, capaz de construir, mudar e aperfeiçoar seu pensamento, sua conduta e suas atitudes. Ortega Y Gasset dizia que a vida nos é dada, mas não nos é dada pronta. O homem carrega, para além da sua fatalidade biológica, a responsabilidade de desenvolver o seu projeto de vida de acordo com sua livre escolha, entre as várias opções que lhe são oferecidas para buscar a sua felicidade. Aí está o papel do professor, que não constrói pontes, mas que ajuda o homem a desenvolver a si mesmo, a moldar sua ação e erigir seu edifício intelecto-moral. O professor é um transmissor do seu saber, que deve deixar ao aprendiz o papel de escolher e construir a sua própria obra. É na modéstia do seu propósito que o professor tem a nobreza da sua missão. E vale a pena lembrar a poesia do biólogo chileno Humberto Maturana, feita para um professor do seu filho, que inibia o desabrochar da criatividade da criança querendo impor-lhe um modelo rígido. A poesia, denominada Prece do estudante, pode ser vertida para o português da seguinte forma: 
-Não me imponha o que você sabe; quero explorar o desconhecido, e ser a origem das minhas próprias descobertas.Que o seu saber seja minha liberdade, não minha escravidão. O mundo de sua verdade pode ser minha limitação; sua sabedoria, minha negação. Não me instrua; vamos caminhar juntos. Deixe que minha riqueza comece onde a sua termina. Mostre-se a mim, de maneira que eu possa subir nos seus ombros, e ver mais longe. Revele-se para que eu possa ser alguma coisa diferente. Você crê que todo ser humano pode amar e criar; compreendo, por isso, seu medo, quando lhe peço que me deixe viver de acordo com minha sabedoria. Você nunca saberá quem eu sou, se escutar apenas a si mesmo. Não me instrua; deixe-me ser; seu fracasso é que eu seja idêntico a você. 
 * * * 
A educação é uma arte particular, que exige vocações muito particulares; exige qualidades morais que não são dadas a todos os homens, tais como sabedoria, firmeza, paciência, vontade e força para dominar as próprias paixões. Exige profundo conhecimento do coração e da psicologia do ser humano, além do conhecimento dos meios mais apropriados para desenvolver no aluno as faculdades físicas, intelectuais e morais necessárias ao seu crescimento. A educação é uma arte que precisa ser estudada, do que resulta que o professor é, ele próprio, um eterno aprendiz. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo do economista José Pio Martins, publicado no jornal Gazeta do povo, no dia 28/03/2005. Em 14.10.2011.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Atendendo à fome

Há muita fome no mundo. A mais comentada, mostrada e para a qual se desencadeiam campanhas é a fome de pão. Para acabar com ela, as pessoas, as ONGs e os governos se mobilizam. Não há quem não se sensibilize ante a foto de uma criança com os ossos à mostra, os olhos de quem suplica por alimento. Por isso, essas campanhas alcançam êxito e muitas vidas são salvas. No entanto, existem outros tipos de fome: a fome de afeto, de atenção, de compreensão. A fome de coisas bonitas, agradáveis, que deem prazer. Foi exatamente enfocando esse tipo de fome, que um jovem mexicano e um francês, conhecidos por seus vídeos de comédia, pegadinhas e ações sociais, colocaram em prática uma excelente ideia. Enquanto se desenrolavam os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, eles procuraram uma instituição que desenvolve ações culturais e sociais com crianças carentes do Morro da Providência. Com o apoio dessa Instituição, em diversos dias, eles levaram, ao todo, cem crianças carentes para assistirem aos Jogos. A alegria da criançada foi total, flagrada pelas máquinas fotográficas, em vários momentos. O francês Jérôme, exteriorizando a própria felicidade, disse: 
-Levamos cem crianças da favela aos Jogos Olímpicos! Para ser sincero, a melhor parte não foram os Jogos, mas sim suas risadas, sorrisos e olhos brilhantes. E um grande sentimento de que nós éramos parte daquela grande família humana. 
Juanpa, o mexicano, por sua vez, postou, no Instagram, uma foto com uma das crianças e comentou: 
-Levar os pequenos para a Olimpíada foi incrível. Foi uma experiência inesquecível. 
A iniciativa foi brilhante. Quase sempre, em observando a carência do básico, atendemos de imediato a isso. Providenciamos o pão, o leite, o arroz, o feijão, o agasalho, o cobertor. Damos tudo... esquecemos do brinquedo, da flor, de um mimo. Nem nos damos conta de que os seres, por mais carentes que sejam, têm sonhos grandiosos. Eles desejam assistir a um espetáculo de beleza, ver seu artista preferido ao vivo, receber um autógrafo, ir a uma festa. Sonhos. Quem não os têm? Quem não os alimenta? Quem não os deseja ver se realizarem? Por isso, aqueles dias, para aquelas crianças, foram somente risos, alegrias, pura diversão. Algo que, com certeza, levarão para as suas vidas como uma grata e especial lembrança. 
 * * * 
Pessoas práticas possivelmente dirão que foram gastas grandes somas para algo de momento, que não mata a fome, nem melhora a situação daquelas crianças. Sim, são muitas as necessidades daqueles meninos e meninas. No entanto, o mundo muda cada vez que alguém dá pequenos passos pelos outros. Cada vez que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. Cada vez que propicia alegria ao seu irmão. Cada vez que sacia a fome de atenção, de carinho, que, não somente faz muito bem a quem recebe, quanto, pelo exemplo, cria uma aura diferente e estimula outros a seguirem o exemplo. Verdadeiramente, o mundo será muito melhor quando se multiplicarem gestos em prol do semelhante. Se cada um de nós fizer algo em favor de alguém, a carência fugirá de cena, o amor plenificará os corações. Importante que nos mantenhamos atentos para identificar qual a espécie de fome que têm os mais próximos de nós. E que nos disponhamos a saciá-la. Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com narração de fato ocorrido nas Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro, Brasil. Em 4.11.2016. www.livrariamundoespirita.com.br

CONSTRUINDO PONTES

Conta-se que, certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro. Durante anos eles percorreram uma estrada estreita e muito comprida, que seguia ao longo do rio para, ao final de cada dia, poderem atravessá-lo e desfrutar um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam a caminhada com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara como um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem na sua porta. Ao abri-la notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro na mão. Estou procurando trabalho. 
Disse ele:
-Talvez você tenha um pequeno serviço que possa executar. 
- Sim! - disse o fazendeiro. - claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É de meu vizinho, na realidade, meu irmão mais novo. Brigamos muito e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não precise mais vê-lo. 
- Acho que entendo a situação.- disse o carpinteiro.- Mostre-me onde estão a pá e os pregos que certamente farei um trabalho que o deixará satisfeito. 
Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu. O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra. O fazendeiro chegou da sua viagem e seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca! Em vez da cerca havia uma ponte que ligava um lado do riacho ao outro. Era realmente um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido e falou: 
- Você foi muito atrevido construindo essa ponte após tudo que lhe contei. 
No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao olhar novamente para a ponte, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com os braços abertos. Por um instante permaneceu imóvel de seu lado do rio. Mas, de repente, num só impulso, correu na direção do outro e abraçaram-se chorando, no meio da ponte. O carpinteiro estava partindo com sua caixa de ferramentas quando o irmão que o contratou pediu-lhe emocionado: 
-Espere! Fique conosco mais alguns dias. 
E o carpinteiro respondeu: 
-Eu adoraria ficar mas tenho muitas outras pontes para construir.
E você, está precisando de um carpinteiro, ou é capaz de construir sua própria ponte para se aproximar daqueles com os quais rompeu contato?
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As pessoas que estão ao seu lado, não estão aí por acaso. Há uma razão muito especial para elas fazerem parte do seu círculo de relação. Por isso, não busque isolar-se construindo cercas que separam e infelicitam os seres. Construa pontes e busque caminhar na direção daqueles que, porventura, estejam distanciados de você. E se a ponte da relação está um pouco frágil, ou balançando por causa dos ventos da discórdia, fortaleça-a com os laços do entendimento e da verdadeira amizade. Agindo assim, você suprirá suas carências afetivas e encontrará a paz íntima que tanto deseja. Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria ignorada. Em 16.11.2010.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

CONSTRUINDO O HOMEM DO FUTURO

Heloísa Pires
No Terceiro Milênio, que já estamos vivendo, muito se fala a respeito do homem desse mundo novo que todos aguardamos. Psicólogos, jornalistas, o povo em geral comenta a respeito de como será o homem do futuro. Uma coisa é certa, ele deverá ser muito melhor do que o homem atual. É de nos perguntarmos, na condição de pais, o que temos feito para isso. Porque os nossos filhos, pequenos hoje, serão os homens do futuro, os que viverão, em tese, mais tempo do que nós no Terceiro Milênio. Alguns pais anseiam que seus filhos se tornem superprofissionais. Então os matriculam em muitos cursos, de forma que a criança não tem tempo para pensar, criar, organizar o pensamento. É uma verdadeira maratona que criará seres cansados, desanimados e estressados. Que a criança estude, tenha atividades fora da escola normal, está bem. Mas todo excesso é prejudicial. É necessário respeitar a infância da criança como esta fase importante para a adaptação ao mundo e à sociedade. Tanto quanto permitir que ela participe intensamente das tarefas do dia-a-dia. Ao contrário do selvagem, que permitia que o filho realizasse muitas tarefas, de um modo geral damos as coisas mastigadas para os nossos pequenos. Importante permitir às crianças tarefas que desenvolvam a sua criatividade e o seu raciocínio. Um aniversário no lar é uma excelente oportunidade. Por que não permitir que as crianças pintem ou desenhem os convites? Poderão não sair maravilhosamente estéticos mas certamente com muito valor. As que já sabem escrever podem escrever uma pequena mensagem no convite. Também podem ajudar a pensar em como será o bolo, os doces, tanto quanto planejá-los e fazê-los. Tudo isso permitirá que eles tenham noção de tempo, espaço, quantidade, nutrição, economia, planejamento, com início, meio e fim das tarefas. E depois virá a lista dos convidados, as lembrancinhas a serem feitas, a arrumação da casa. Tudo demonstrará que o melhor é trabalhar em equipe. A união faz a força. E as férias? Outra oportunidade para crescer. Arrumar a mala para a viagem, escolher a roupa que irá levar. Ajudar a escolher o lugar para passar as férias. Compreender a possibilidade econômica da família. A realização das tarefas é produto da maturidade, enquanto a conversa dos pais com os filhos, conversas alegres, esclarecedoras ajudarão a solidificar os laços do amor. Criança amada, respeitada, criativa, provavelmente será um indivíduo que ama, que auxilia a sociedade, que produz, que cresce e que faz crescer. 
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Saiba que se pode limitar a capacidade de raciocínio do filho permitindo que ele tenha uma vida sedentária em frente ao computador ou à televisão. A repetição de exercícios físicos monótonos e inexpressivos não permitem a criatividade. As tarefas que podem desenvolver a criatividade são as dinâmicas e participativas. Por isso mesmo foi que o bom Deus nos criou para viver em sociedade. Em união. A dependermos uns dos outros para as nossas necessidades. Isso nos auxilia a expandir a nossa mente, a valorizar a família e os amigos, a amadurecermos como individualidades. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Tarefas construtivistas, de Heloísa Pires, publicado no jornal Correio Fraterno do ABC, de novembro de 1999. Em 04.03.2011.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

CONSTRUINDO CATEDRAIS

Nicole Johnson
As belas catedrais europeias são, sem dúvida, um grande legado arquitetônico para a Humanidade. Ganharam os céus, vencendo os desafios tecnológicos e as capacidades construtivas de uma época, sem os conhecimentos atuais da Engenharia Civil, sem o auxílio dos cálculos matemáticos apurados, sem recursos de computadores ou outro aparato tecnológico qualquer. Suas imensas torres a rasgar os céus, suas paredes bordadas em pedra, seus vitrais filtrando em cores os raios solares que os transpassam, fazem-nas belezas imensas nas paisagens de velhas cidades. Mas, em todas elas, se se tentar saber quem são seus construtores, encontram-se imensas dificuldades. Essas construções levavam séculos para serem concluídas. E o trabalho de muitos, que dedicavam toda sua vida para construí-las, perdia-se no tempo. Os sacrifícios para que essas imensas naves fossem erguidas, vencendo os séculos com altivez e beleza, perderam-se na História. Posto que a construção durava mais do que uma vida humana, eram as vidas de muitos que se somavam para que esses templos ganhassem forma, em um trabalho anônimo, desconhecido. Não é diferente do que ocorre conosco em nossa caminhada. Muitos de nossos sacrifícios, de nossos esforços passam despercebidos por todos. Poucos dão-se conta do trabalho anônimo da mãe no lar, preparando as refeições, consertando roupas, pregando um botão ou passando uma camisa, para que filhos e esposo se apresentem impecáveis. Ninguém percebe quantas vezes alguém se cala para que uma discussão não ganhe proporções indesejadas. Ou quando avança horas na noite, a velar o sono de um enfermo. Ficam perdidas no anonimato as boas ações como quando, mesmo sem tempo, nos dispomos a ouvir alguém, a ceder a vez para o outro em uma fila, a fazer um favor que nos foi solicitado. Poucos aquilatam as longas horas de trabalho do professor a corrigir textos, analisar trabalhos, varando madrugadas, a fim de que possa conhecer mais intimamente seus educandos, entendendo suas mentes e suas almas, para melhor colaborar com sua formação. No entanto, Deus está vendo. Ele percebe nossas intenções e compreende que todas essas ações contribuem para a construção de nossa catedral íntima. Assim, jamais desanimemos pelo não reconhecimento da sociedade ou da família, frente aquilo que fazemos. Trabalhemos e vivamos oferecendo o que temos de melhor, na nossa vida familiar, nas lides profissionais ou na convivência social. É verdade que, muitas vezes, criamos expectativas de que alguém reconheça e valorize o que fazemos. Porém, mesmo se isso não ocorrer, mesmo assim, nosso trabalho nunca será anônimo. Afinal, é Deus quem nos cuida e vê cada ação nossa, o esforço que fazemos para erigir a catedral de virtudes e valores nobres em nossa intimidade. Como os construtores de outrora, toda uma vida de sacrifício será válida se pensarmos que Deus estará sempre vendo o que realizamos.
Redação do Momento Espírita, com base em vídeo de Nicole Johnson. Em 02.03.2011.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

CONSTRUÇÃO

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Em assuntos alusivos à edificação do Reino de Deus em nós, não poderíamos esquecer de fazer um comparativo com relação aos requisitos necessários para qualquer construção terrestre. Qualquer obra, para que se levante, exige planejamento, serviço e ordem. Planejamento que inclui direção, orientação. Serviço que se define por atividade e por dever, e ordem que se expresse por cooperação e ajustamento. Em suma, a disciplina é a síntese de todos os programas e obrigações para que o menor edifício se concretize na esfera humana. Não poderia ser diferente na edificação de nossa vida espiritual. Não podemos construir os mínimos tópicos de elevação espiritual no próprio Espírito se não nos aplicarmos com alegria ao trabalho que nos compete. Precisamos pensar em como está a nossa vida espiritual, se temos dedicado uma cota, ainda que mínima, de tempo para os compromissos espirituais. Podemos ter a crença que tivermos, sempre teremos obrigações para com a nossa fé em Deus, obrigações essas que não se resumem somente a frequentar templos religiosos, mas que se estende desde a família até a sociedade em que vivemos. Devemos, desta forma, valorizar mais as boas idéias, os propósitos nobres que desejamos alcançar, no trabalho incessante da caridade, da boa vontade com todos aqueles que nos rodeiam, para que assim estejamos colaborando como ferramentas do amor na edificação de um mundo melhor em nós mesmos. Somos material inteligente nas mãos sábias do Criador. O Senhor, no entanto, não opera em nós através do constrangimento, porque o Reino de Deus deve realmente surgir em nós através de nossos próprios esforços. E podemos começar desde agora a estruturar esse reino em nosso coração. Basta que dediquemos minutos de nossas vidas à meditação, à prece, à reflexão em torno de como anda nossa vida íntima. Buscando o auxílio edificante da prece, encontraremos uma aproximação maior com o Pai. Daí o conselho de Jesus quando recomenda: Orai e vigiai. Na meditação vamos encontrando maior equilíbrio para as realizações, e na reflexão agimos quase sempre com mais acerto. É por isso que, para nos ensinar como se deve atuar, viver, crescer, e trabalhar, servir e morrer na edificação do reino eterno, esteve o próprio Mestre entre nós. Vivendo em regime de simplicidade nas bênçãos da natureza, crescendo sem ilusões, trabalhando em apagada carpintaria, servindo sem exigências e morrendo injustamente na cruz sem revolta e sem mágoa, para que aprendamos a buscar primeiramente os desígnios de Deus, cujo plano de ação, é luz e felicidade para todas as criaturas. 
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Viver é de todos, mas a convivência é o fator que nos ensina a compreensão e a solidariedade de uns para com os outros.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Construção, do livro Convivência, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Ceu. Em 18.05.2009.