domingo, 4 de setembro de 2016

COMPREENSÃO

As freqüentes guerras que ocorrem em certas partes do mundo costumam causar estupefação. Será que os habitantes desses países não percebem o quanto seu comportamento é desarrazoado? Para viver em paz, não compensaria um esforço com vistas ao entendimento? Por que não ceder em algumas coisas, em nome de uma vida mais digna? Tais reflexões freqüentemente povoam nosso pensamento. Assumindo a postura de virtuosa indignação com os desatinos desses irmãos de longe, não percebemos que cometemos o mesmo equívoco que eles, em nosso dia-a-dia. Felizmente, não jogamos bombas nos vizinhos e nem metralhamos os parentes. Mas muito pouco nos esforçamos para compreender os valores e as dificuldades do próximo. A falta de compreensão é a origem de toda discórdia, grande ou pequena. Se nos colocássemos no lugar do outro, antes de condená-lo, certamente seríamos menos rigorosos em nosso julgamento. Há em nossa sociedade o lamentável hábito da maledicência. Quando alguém comete um equívoco, não tardam os comentários maldosos sobre sua pessoa. Isso ocorre com quem demonstra desequilíbrios na área da sexualidade, não possui bom desempenho profissional ou enfrenta dificuldades financeiras, dentre inúmeras outras situações. A falha de alguém parece ser a senha que autoriza a sociedade a comentar sua vida, denegrindo-o. As virtudes e os esforços do faltoso são desconsiderados, realçando-se os seus pretensos defeitos. O espantoso é que esse hábito nefasto grassa em uma sociedade cuja maioria absoluta afirma-se cristã. Ocorre que ser cristão não significa apenas afirmar-se como tal, mas se revela no esforço para seguir as lições e os exemplos do cristo. E Jesus, quando confrontado com a multidão que desejava apedrejar a pecadora, foi muito claro. Ante a surpresa geral, o amigo divino sentenciou: “aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Malgrado a clareza da lição, quase dois milênios mais tarde, a apressada condenação do semelhante ainda é uma constante. Entretanto, para fazer juízo sobre determinada situação, é necessário conhecer todos os seus aspectos. Em relação a alguém que nos parece leviano, o que sabemos de sua vida? Temos conhecimento da educação e dos exemplos que recebeu em casa, durante a infância? Cogitamos sobre as inúmeras tentações a que resistiu, antes de sucumbir? Conhecemos a solidão que lhe caracteriza os dias? Temos noção das dificuldades com que diariamente convive? Podemos vislumbrar a enormidade de seu desconforto ou de seu remorso? Tais reflexões bem evidenciam o quanto somos rasos e apressados em julgar o semelhante, que talvez possua uma fibra moral bem maior do que a nossa. Na verdade, para julgar alguém seria necessário ter vivido a sua tragédia, partilhado a sua dor, em toda a extensão. Somente assim saberíamos o real motivo de suas ações. Na falta desse conhecimento, é medida salutar abstivermo-nos de comentar a vida alheia. Façamos um esforço para compreender quem nos parece em falta. Reflitamos sobre a condição humana de nossos semelhantes, falhos como nós mesmos, colocando-nos na posição de irmãos, não de juízes. Afinal, como afirmou Jesus, apenas aquele que está sem pecado pode atirar a primeira pedra. Portanto, antes de atirar pedras em alguém, faça uma analise da sua própria conduta. E, por fim, lembre-se: Jesus não tinha pecados, e ainda assim não atirou pedras na mulher equivocada.
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

sábado, 3 de setembro de 2016

COMPREENDENDO O PRÓXIMO

Um compositor de música popular brasileira escreveu, certa vez, que só as mães são felizes. Certamente, ao assim se expressar, não estava afirmando serem as mães privilegiadas por Deus com felicidade exclusiva. Tampouco pretendia que se considerasse as mães como figuras alienadas, alheias às dores do mundo, não se infelicitando, portanto, com as desditas da vida, o que as tornaria pessoas felizes. Mas, então, que felicidade é essa, de que só as mães são portadoras? De onde nasce essa capacidade de ser feliz que toda mãe carrega em sua intimidade? Ao analisarmos as relações das mães do mundo com seus filhos, veremos sempre o amor, a alegria e a felicidade permeando essa convivência. As mães são capazes de amar seus filhos, independente de qualquer situação. A mãe de um filho envolvido na drogadição, de um filho déspota, de um criminoso ou de um alienado, amam-no mesmo assim. Conseguem amar, não pelo que seus filhos são, mas apesar do que enxergam naquilo que seus filhos apresentam. Amam, não porque idealizam a figura do filho. Mas porque compreendem as suas dificuldades e limitações. Dessa compreensão nasce o entendimento e a alegria da convivência. Temos grandes lições para aprender com as mães. Se a felicidade delas nasce da compreensão que têm de seus filhos, comecemos hoje a ensaiar nossos passos para compreender o próximo, a fim de também sermos felizes. A compreensão é a melhor substituta do julgamento, que tantas vezes fazemos em relação ao próximo. Se alguém se comporta de uma maneira que não era a esperada, já estamos prontos a julgar e a condenar. Poucas vezes nos perguntamos por que agiu dessa maneira. Se alguém nos trata de maneira ríspida e grosseira, de pronto o classificamos com os adjetivos que achamos próprios para tal situação, sem buscar compreender porque estaria agindo dessa forma. Por vezes, atrás da atitude que nos desagrada, está escondida a sua dor, a sua dificuldade ou o seu medo. E sem querer compreender, sem nos esforçarmos para entender ao nosso próximo, apenas julgamos. A compreensão nasce do entendimento de que nenhum de nós está isento dos erros e dos tropeços no relacionamento humano. Erramos muitas vezes por fragilidade emocional e moral. Não por maldade. O exercício da compreensão nos fará mais felizes, ao aprendermos a olhar o próximo com a benevolência e o entendimento de quem sabe que todos estamos sujeitos a erros. Evitemos atitudes precipitadas, palavras mal colocadas e arrependimentos futuros. Compreendendo as limitações alheias, entendendo que todos passamos por dificuldades vez por outra, fará com que nossos relacionamentos fiquem mais leves. Lembrar que só conseguimos oferecer ao outro aquilo que já dispomos como conquistas na nossa intimidade emocional, nos ajudará a compreender porque existem os que exigem tanto e oferecem tão pouco nos relacionamentos humanos. Exercitemos compreensão. Não criemos expectativas falsas em relação ao próximo, desde que nos encontramos todos em aprendizado, imperfeitos ainda.
Redação do Momento Espírita. Em 20.08.2010.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

COMPORTAMENTO ÉTICO

Amanda fazia compras no supermercado movimentado. Viu que na padaria havia um grande cesto rodeado de pessoas. Notou que elas olhavam o conteúdo, sorriam e apanhavam pacotes, dirigindo-se aos caixas. Ao se aproximar, observou uma plaquinha que anunciava pães especiais, com ingredientes pouco comuns e raros. Ao olhar o preço, percebeu que a etiqueta estava trocada, pois mostrava o nome de um pão comum, de preço bem menor. Alguém havia trocado as etiquetas dos pacotes e aqueles pães especiais estavam sendo vendidos muito abaixo de seu valor. Amanda chamou um funcionário da padaria. Alertou para a troca, sugerindo que ele recolhesse os pacotes restantes e corrigisse a etiqueta. Ele arregalou os olhos quando se deu conta do erro e agradeceu. Pegou a cesta, imediatamente, retirando-a do acesso ao público. Outra cliente, que assistiu a cena, ficou zangada por não ter tido a chance de se beneficiar com o equívoco do funcionário. Olhando fixamente Amanda, sussurrou: otária. O que recebeu em troca foi um sorriso amável. A moça, talvez incomodada pela superioridade moral que aquela senhora emanava, se virou e sumiu por um corredor. Outra funcionária, atrás do balcão da padaria, estranhou a atitude de Amanda e ficou se perguntando por que ela simplesmente não havia pego um pacote de pão e ido embora, como tantos clientes haviam feito. Amanda circulou pelos corredores, terminou suas compras com calma e foi para casa. No caminho, foi pensando como as pessoas se equivocam acreditando ser válido tirar vantagem do erro de alguém. Com certeza, elas não pensam no quanto podem prejudicar o outro quando acreditam estar se dando bem. Lembrou-se de quando era jovem e trabalhava num pequeno comércio, em cidade do interior. Cada erro cometido por um funcionário era cobrado dele ou, às vezes, rateado entre todos. Era um alento quando algum cliente devolvia o troco dado a mais, num momento de descuido, ou alertava para um preço equivocado, que fatalmente oneraria os que ali trabalhavam. Aquilo fazia Amanda acreditar na justiça, na ética e na bondade humana. Cresceu acreditando que a ética e a justiça deveriam nortear os comportamentos. Estudou direito, tornou-se advogada, depois juíza. A cada causa analisada, em cada processo e julgamento, buscava ser o mais justa e ética possível. Fora dos tribunais, aplicava os mesmos parâmetros. E foi por isso que ela, uma senhora de ar distinto e nobreza de caráter, deixou uma marca profunda em funcionários e clientes daquele supermercado. Para os que acreditam na justiça, na ética e na bondade humana, ela foi um incentivo, um alento, um modelo a ser seguido. 
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Quando os seres humanos se libertarem do egoísmo, da ganância e do orgulho, que arrastam para a corrupção e para comportamentos desonestos, atitudes como a de Amanda serão corriqueiras, normais. Quando alcançarmos esse patamar, estaremos a um passo de viver no paraíso construído por nós mesmos. 
Redação do Momento Espírita. Em 24.5.2016.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

COMPETÊNCIA E HUMILDADE

No dia 14 de março de 2004, um fato ocorrido em Recife, capital pernambucana, no Hospital da Restauração, o maior Pronto-Socorro público do Nordeste, se tornou notícia nacional. A reportagem dizia o seguinte: 
Uma mulher que levou um tiro no coração sai andando do quarto do hospital! 
Quem viu a cena ficou imaginando: 
-Como é possível alguém escapar vivo de uma situação dessas?
Naquela segunda-feira de carnaval, o cirurgião João Veiga só deveria dar plantão às quatro horas da madrugada. Mas ele teve insônia e resolveu ir mais cedo para o trabalho. Era para chegar na Unidade de Trauma às quatro horas da manhã. 
-Voltei à meia-noite, contou João. Uma hora depois, a turista israelense Moran Bomflek deu entrada na emergência baleada no coração, em estado gravíssimo. Ela não respirava, o coração não batia, a pupila estava dilatada, quer dizer, o cérebro estava sofrendo. Então é morte aparente. Não tinha nenhum reflexo, lembrou o cirurgião. 
Um plantonista menos experiente poderia ter dado o caso como perdido. Mas João Veiga, dezessete anos de profissão, agiu rápido: abriu o peito de Moran e tentou um procedimento arriscado. Massageou o coração da paciente com as próprias mãos. Eu só fiz puxar um pouquinho o coração para expor melhor a lesão e fiz dois pontos. Costurei a parte atingida e o coração ficou sem bater. Foi aí que eu comecei o procedimento de massagem cardíaca, ou seja, segurar o coração e ficar fazendo um movimento em torno de dois a quatro minutos, relatou o médico. A vida da paciente dependia de uma transfusão de sangue, urgente. O tipo de sangue necessário já estava disponível. Eu tinha pedido, há vinte minutos, sangue para outra paciente que estava estável, mas precisava de sangue e, quando esse sangue chegou para a outra paciente eu usei para ela. O sangue "O" negativo, que foi fundamental, contou Dr. João. 
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Importante lembrar que o médico, que deveria chegar ao hospital somente às quatro horas da madrugada, teve insônia e resolveu ir logo para o trabalho. Somente um profissional que ama o que faz é capaz de tomar uma decisão dessas. Ele poderia ter ficado em casa descansando, assistindo televisão, ouvindo música, fazendo algo para passar o tempo... Mas ele preferiu ir para o hospital. Diga-se, um hospital público. Não é de admirar que um homem com tamanha competência e humildade, tenha tanto amparo do Alto em suas tarefas. Por causa da sua extremada dedicação, ele havia solicitado sangue para outra paciente e isso o ajudou a salvar uma vida. Sem dúvida, podemos afirmar que não houve sorte nem coincidências. Houve competência e dedicação, aliadas à Providência Divina. Acostumado a lidar com casos graves, João Veiga não quer ser tratado como herói. Mais uma prova de que ele é realmente um grande homem, um profissional competente e um coração generoso. Ao final da reportagem, João Veiga diz, com simplicidade e sincera humildade: 
-Eu gosto de fazer exatamente isso, foi para isso que eu treinei.
Somente pessoas verdadeiramente abnegadas conseguem fazer coisas grandiosas com a naturalidade de quem resolve pequenas questões. Um fato que nos leva a crer que este mundo tem jeito. Que existem profissionais que desempenham suas tarefas com competência e dedicação. E, acima de tudo, que Deus atende Seus filhos através dos Seus filhos, sejam eles médicos, cientistas, agricultores ou simplesmente um homem bom. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em reportagem exibida na Rede Globo, no Programa Fantástico, do dia 14/03/2004. Em 01.08.2011.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

COMPARANDO-NOS COM OS OUTROS

Em um mundo onde a competição toma conta das relações, os modelos são sempre superlativos. Precisamos ser os mais rápidos, desejamos ser os mais belos, lutamos para ser os mais fortes. Comparamo-nos o tempo inteiro, e parece que a perfeição está sempre no outro. No corpo da apresentadora de TV, na grande demonstração de afeto da esposa do vizinho, no grande emprego conseguido pelo ex-colega da faculdade, etc. O escritor e educador Rubem Alves vê na comparação um exercício dos olhos: Vejo-me - estou feliz. Vejo o outro. Vejo-me nos olhos do outro – ele tem mais do que eu. Vendo-me nos olhos dos outros eu me sinto humilhado. Tenho menos. Sou menos. O autor narra que ele mesmo só descobriu que era pobre quando deixou o interior de Minas para morar no Rio, e foi parar num colégio de cariocas ricos. Então, começou a se sentir diferente, falava com sotaque caipira, não pertencia ao mundo elegante dos colegas, e sentiu vergonha de sua pobreza. Até então, Rubem morava com uma família numa casa velha de pau-a-pique, numa fazenda emprestada. Diz ele: Eu sou muito ligado a esse passado, foi um período de grande pobreza, mas eu não sabia que era pobre. O sentimento da infelicidade nasce da comparação. Foi um momento de grande felicidade, um período sem dor. Só dor de dente, dor de espinho no pé. 
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Baseados nisso tudo podemos questionar: Como não se comparar? Como viver sem referência alguma? Não seria possível, obviamente. A não ser que nos ilhássemos definitivamente – uma solução que traria uma centena de outras conseqüências negativas. Como lidar equilibradamente com tudo isso, então? Uma primeira idéia seria a de cuidar para que a competição não tome conta das relações, sejam elas afetivas, familiares ou profissionais. Se isso acontecer – e normalmente acontece - que tal transformar a competição em cooperação? Como? Percebendo que não estamos nas relações apenas para dar e receber, e sim para cooperar, construir um bem comum. Ver os outros como companheiros e não como adversários faz uma grande diferença. Uma segunda resolução seria buscar ver a vida do outro como ela realmente é, e não como julgamos que ela seja. Estamos num mundo de provas e expiações, onde os embates contra nossas imperfeições, ainda insistentes, são constantes. E essas pelejas não poupam ninguém. Todos temos conflitos, inseguranças, cometemos equívocos e sofremos as conseqüências do que plantamos. As leis maiores do Universo regem a vida de todos igualmente. Não há favorecidos nem desajudados por Deus. Ver a perfeição, a felicidade, apenas naquilo que não se tem ou no que os outros têm, é um tipo de comportamento que só gera insatisfação. 
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ALLAN KARDEC
Allan Kardec em seu O evangelho segundo o Espiritismo trouxe um esclarecimento especial a respeito do homem de bem. Diz ele que o homem de bem é aquele que estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. 
Redação do Momento Espírita com base no artigo Você não é perfeito, de autoria de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, de julho de 2008 e no cap. XVII, item 3 do livro O evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 21.08.2008.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

COMPANHIA PERTURBADORA

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Nem sempre estamos bem acompanhados, e uma dessas companhias perturbadoras é a que nos faz infelizes ao perceber a felicidade do outro. A inveja não está na simples constatação do triunfo alheio. Ela se apresenta quando essa constatação nos faz mal, produz em nós sentimentos negativos de revolta, de indignação. Essa filha do orgulho instala-se em nossa alma e nos leva aos precipícios morais do ódio sem razão. Muito mais fácil do que buscar nossa felicidade, nossas próprias conquistas é criticar, questionar, destruir a dos outros. A inveja é preguiça moral, é acomodação do Espírito que ainda não está desperto e disposto a empreender a necessária luta pelo crescimento. Ao invés de se empenhar na autovalorização, o paciente da inveja lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu. Apela, muitas vezes, para a intriga e a maledicência, fica no aguardo do insucesso do suposto adversário, perseguindo-o, buscando satisfazer seu prazer mórbido. Egocêntrico, não saiu da infância psicológica e pretende ser o único centro da atenção, credor de todos os cultos e referências. Insidiosa, a inveja é resultado da indisciplina mental e moral, que não considera a vida como patrimônio divino para todos. Trabalha, por inveja, para competir, sobressair, destacar-se. Não tem ideal, nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas. Esse sentir doentio descarrega correntes mentais prejudiciais dirigidas às suas vítimas, que somente as alcançam se estiverem em sintonia. Porém, os danos ocorrem em quem gera esse sentir, perturbando-lhe a atividade, o comportamento. Assim, o invejoso sempre sairá perdendo. Não apenas não resolverá seu problema - se é que ele existe - como sempre aumentará sua frustração, sua infelicidade. 
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A terapia para a inveja consiste, inicialmente, na cuidadosa reflexão do eu profundo em torno da sua destinação grandiosa, no futuro. Consiste em avaliar os recursos de que dispõe e considerar que a sua realidade é única, individual, não podendo ser medida nem comparada com outras em razão do processo da evolução de cada um. O cultivo da alegria, pelo que é e dos recursos para alcançar novos patamares, enseja o despertar do amor a si mesmo, ao próximo e a Deus. Esse despertar facultará à criatura a perfeita compreensão dos mecanismos da vida e as diferenças entre as pessoas, formando um todo holístico na grande unidade.
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Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro sobre a Terra em obras de caridade e de submissão, as únicas que devem contribuir para serdes admitidos no seio de Deus. Essas obras do bem farão vossa alegria e vossa felicidade eternas. A inveja é uma das mais feias e das mais tristes misérias do vosso globo. A caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos esses males, à medida que os homens de boa vontade se multiplicarem. 
Redação do Momento Espírita com base em texto da Revista Espírita, de Allan Kardec, de julho de 1858 e no cap. 5 da obra O ser consciente, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 02.03.2011.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

COMPANHEIROS DE JORNADA

Ao longo da história evolutiva, o cavalo tem sido um animal que muito tem servido ao homem. Além de ser útil em várias tarefas no campo, montar cavalos e estar em contato com a natureza é bom para a saúde e bem-estar de muitos de nós. As pessoas que apreciam essa prática sabem o quanto é envolvente. Cavalgar é sentir o chão sob os pés e o destino nas próprias mãos, o que traz uma sensação de liberdade, como se nada nos impedisse de seguir em frente. Mas, hoje, o contato com esse animal também tem ajudado muitas crianças e adultos a superarem dificuldades cognitivas e de mobilidade. É a equoterapia. Esse é um método terapêutico e educacional, no qual o cavalo é o inter­mediador entre o praticante e o terapeuta. Apesar do grande porte físico, ele é dócil, se deixa conduzir e desenvolve um importante laço afetivo com as pessoas que com ele mantêm contato. Cada passo completo do cavalo apresenta padrões semelhantes aos do caminhar humano e, na medida em que o praticante anda sobre ele, há um ajuste natural do seu corpo ao ritmo da marcha do animal. A adaptação a esse ritmo é um dos pontos mais importantes da equoterapia. Além disso, a troca de apoio das patas, os movimentos da cabeça e do pescoço impõem ao cavaleiro um ajuste de todo o seu corpo, em resposta aos desequilíbrios provocados por esses movimentos. 
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Esse é o exemplo de apenas um animal que nos serve em diversas circunstâncias e nos traz a certeza da benevolência Divina, que colocou esses companheiros para caminhar ao nosso lado na existência terrestre. Outras espécies também nos auxiliam de formas diversas, no trabalho, no lazer, em tratamentos de saúde, além daquelas que nos servem de alimento necessário ao corpo físico e ao próprio vestuário. Infelizmente, vemos ainda situações em que eles são vítimas da indiferença e crueldade. Uns abandonados, outros levados ao extremo da força física em trabalhos pesados, por vezes à custa de açoites. Alguns presos e outros perseguidos sem piedade. Busquemos olhar para esses seres com compaixão, dedicando-lhes a consideração que merecem, pois são também criaturas de Deus. Sejamo-lhes gratos pelo tanto que nos oferecem sem nada pedir em troca e, como cristãos, ofertemo-lhes a nossa proteção. Para Francisco de Assis, a natureza e todos os seres eram dignos de apreço e admiração porque significavam a expressão da Divindade. Ele amava profundamente os animais.Externando a humildade e grandeza de sua alma, frequentemente se referia a eles como irmãos da Humanidade. Demonstrou um imenso amor pela natureza e nos ensinou que todas as criaturas merecem o nosso respeito. Façamos a nossa parte no mundo de hoje. Defendamos e protejamos esses seres que Deus colocou sob nossa tutela. Lembremos que, à semelhança de outros tantos, esses também se constituem talentos da Divindade às nossas vidas. E, como todos os demais, teremos que dar conta do que fizermos com eles. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Em 14.8.2013.