domingo, 14 de agosto de 2016

AO MEU QUERIDO PAI

Olá, pai! Eu, que já fui criança um dia e que agora sou jovem, quase adulto, gostaria de dizer o que vai aqui dentro do meu coração, neste dia especial. Eu sei que temos tido alguns desentendimentos, mas creia papai, você é e sempre será meu grande herói. Sabe, pai, quando observo suas mãos fortes, embora algumas marcas feitas pelo tempo, penso no quanto elas significam para mim, pois foram as primeiras a acariciar as minhas, inseguras na infância. Quando vejo seus passos firmes, não esqueço de que foram eles que orientaram meus primeiros passos... Quando você me pede para ler algumas palavras que seus olhos já não conseguem ver com precisão, faço isso com carinho, pois não esqueço das palavras que você repetiu inúmeras vezes para que eu aprendesse a falar. Percebo que hoje suas decisões são mais lentas, mas sei também que minhas primeiras decisões foram por elas balizadas. Talvez você não esteja tão atualizado, quanto às novas tecnologias, mas eu me lembro bem que você pensou muito pouco em si mesmo, para fazer de mim uma pessoa de bem. Se hoje sua saúde anda um pouco debilitada, sei que muito do seu desgaste foi para garantir a minha saúde. E se você não pronuncia corretamente alguma palavra, eu entendo, pois se esqueceu de si mesmo para que eu pudesse cursar uma universidade. Se hoje sua memória o trai, não esqueço das tantas vezes que advogou a meu favor, nas situações difíceis em que me envolvia. Hoje eu cresci, papai, já não sou mais aquela criança indefesa, graças a você. Hoje a juventude me empolga as horas... Mas eu não esqueci minha infância, meus primeiros passos, minhas primeiras palavras, meus primeiros sorrisos... Acredite que tudo isso está bem vivo em minha memória, e eu sei que nesse seu peito, já cansado, ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora... É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, pois você esteve sempre ao meu lado, disposto a me proteger e a me ensinar... Sabe velho, embora eu não tenha muito jeito para falar coisas bonitas, desejo lhe dizer o quanto você têm sido importante em minha vida. Hoje você pode não ser mais aquele moço forte, quanto ao corpo, mas tem um certo ar de sabedoria que na sua imagem de ontem não existia. Eu sei, pai, que apesar de o tempo ter passado, em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso... Que o afeto que você cultivou agora floresce em minha alma... Que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos... Hoje eu reconheço, meu pai, que apesar dos longos invernos suportados, você ainda mantêm acesa a chama de amor e ternura pelos seres que embalou na infância... Por isso tudo, e muito mais, eu quero lhe agradecer de todo meu coração: "Pela amizade que você me devota... Pelos meus defeitos que você nem nota... Por meus valores que você aumenta... Pela minha fé que você alimenta... Por esta paz que nós nos transmitimos... Por este pão de amor que repartimos... Pelo silêncio que diz quase tudo... Por esse olhar que me reprova mudo... Pela pureza dos seus sentimentos... Pela presença em todos os momentos... Por ser presente, mesmo quando ausente... Por ser feliz quando me vê contente... Por ficar triste, quando estou tristonho... Por rir comigo, quando estou risonho... Por repreender-me quando estou errado... Por meus segredos, sempre bem guardados... Por me apontar Deus a todo instante... Por esse amor fraterno sempre tão constante..." (Texto final, entre aspas, de uma mensagem recebida pela Internet, sem menção ao autor)

sábado, 13 de agosto de 2016

AO MEU PAI

Recordo-o ainda. Ele saiu, em um dia de sol, para viajar e nunca mais retornou para nossos olhos físicos. Quando o trouxeram, era somente um corpo dentro de um caixão. Lacrado, ao demais, tendo em vista os dias passados desde a sua morte. Meu pai era um homem alegre. Gostava de música, de dança, de estar com amigos, conversar, contar causos. E ele os tinha às centenas. Toda vez que retornava de viagem, os filhos, éramos três os menores, nos reuníamos em torno da mesa, na cozinha ampla, para ouvi-lo. Ele contava causos de forma pausada. Ia descrevendo as cenas, uma a uma, reproduzia os diálogos. Por vezes, meu irmão e eu, mais impacientes, o interrompíamos: E daí, o que aconteceu? Conta logo. Ele sorria mostrando seus dentes curtos, bem moldados. E continuava com a mesma calma, até o desfecho da história. Tê-lo em casa era muito bom e significava que um de nós iria dormir na cama dos pais. Por vezes, nossa mãe nos dizia que desejava ficar a sós com ele. Mas, mal despertava a madrugada, quem primeiro acordasse, corria para o quarto e se enfiava entre os dois. Ele acordava e brincava conosco, fazendo cócegas, jogando travesseiro. Era uma festa! Meu pai! Quantas saudades! Ele não era letrado. Desde bem jovem conhecera o trabalho duro. Constituíra família cedo e os cinco filhos lhe exigiam que desse o máximo de si. Insistia que precisávamos estudar. E estudar muito. A duras penas, pagou para cada um de nós o ensino fundamental, em escola particular. Escolheu a melhor escola da cidade. Pagou cursos de piano, acordeon, violino para minha irmã, que cedo entrou para o mundo da música. Meus irmãos e eu não chegamos a tanto, mas fomos brindados com o que ele tinha de mais precioso. Ensinou-nos a honestidade, ensinou-nos que melhor era ser enganado do que enganar. Viveu no tempo em que a palavra de um homem era documento mais válido do que nota promissória, duplicata ou qualquer título financeiro. Legou-nos um nome honrado e disse-nos que o dignificássemos, ao longo de nossa vida. Olhava para mim, com orgulho e dizia: Um dia você será uma pessoa muito importante! Hoje, quando viajo pelas estradas, muitas delas velhas conhecidas de meu pai, eu o recordo. Será que ele sabia que um dia eu seria alguém que viajaria, esclarecendo pessoas, ofertando cursos? Ele não conheceu todos os netos. Partiu para a Espiritualidade, em anos jovens, deixando-nos um grande silêncio n'alma. Em homenagem a ele, em nossos aniversários, nas festas de Natal e Ano Novo, nos encontramos. Rimos, ouvimos música, dançamos. Porque ele nos ensinou a sermos assim. A vida é dura, mas nós a podemos adoçar, se quisermos. - É o que dizia. Meu pai, meu mestre, onde estejas, Deus te guarde. Especialmente nesta época em que os pais são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes. Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão: Obrigado por nos terdes dado a vida. Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.
Redação do Momento Espírita. Em 08.08.2011.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

COM O QUE TENS

Wallace Leal Rodrigues
Narram os versículos primeiros do capítulo 3 de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, que Pedro e João subiram ao templo para orar. Perceberam, ao lado da porta, um coxo de nascimento, que era diariamente trazido, e ali deixado, a fim de esmolar. Ao ver os dois apóstolos por ele passarem, fez a sua rogativa. Pedro pôs nele os olhos e lhe disse: 
-"Olha para nós." 
O homem os olhou com atenção, ficando na expectativa de que eles lhe dessem alguma coisa. Mas o velho apóstolo, passando as mãos ao longo da túnica rústica, emocionado, falou: 
-"Não tenho prata nem ouro." 
Na seqüência, distendeu os braços na direção do mendigo e com os olhos marejados de sentidas lágrimas, usou a voz embargada para falar: 
-"Mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te, e anda." 
Tomou-lhe da mão direita, levantou-o e imediatamente as pernas se consolidaram, os pés se firmaram e o coxo pôs-se a andar, exultando de felicidade. Meditemos na profundidade da lição. Pensemos em como seria o Mundo se todos os homens estivessem resolvidos a dar o que possuem para a edificação do bem geral. Ainda hoje, muitos dizemos: 
-"Como poderei dar se não tenho?" e outros: 
-"Quando tiver, darei." 
Contudo, para o serviço real do bem, não necessitamos, em caráter absoluto, dos bens perecíveis da Terra. O homem generoso distribuirá dinheiro e utilidades com os necessitados que encontre pelo caminho. Entretanto, se não realizou em si mesmo o sentimento do amor, que é sua riqueza legítima, não fixará dentro de si a luz e a alegria que nascem das dádivas. Todos trazemos conosco as qualidades nobres já conquistadas. Não há ninguém tão pobre que não possa se dar. Dar de si mesmo. Pedro ofereceu seu amor ao pedinte e lhe devolveu o uso das pernas, o que o retirou, desde então, da condição de mendigo. Curado, a possibilidade do trabalho e o conseqüente ganho honrado se lhe abriram. Também nós podemos dar do que temos, agora, no momento que se faz precioso. Todos os que esperamos pelo dinheiro, pelas posses, para contribuir nas boas obras, em verdade ainda nos encontramos distantes da possibilidade de ajudar a nós próprios. Doar-se é servir com desinteresse. Dar das nossas horas, do nosso tempo, das nossas habilidades. Há tanto para dar, desde que cada criatura, na Terra, é depositária da enorme fortuna que angariou ao longo dos séculos, nas várias vidas. Fortuna que não se guarda em cofres ou casas bancárias, mas se aloja na intimidade do coração e na lucidez da mente. 
 * * * 
O discípulo de Jesus que, na relação dos apóstolos, é chamado Pedro chamava-se Simão. Ele nasceu em Betsaida, mas na época do seu encontro com Jesus morava em Cafarnaum. Pedro é a forma masculina que em grego significa rocha. Talvez por isto mesmo tenha recebido de Jesus, desde o primeiro encontro, o apelido aramaico de Cefas, que significa rocha. 
Redação do Momento Espírita, com base nos versículos 1 a 8, do cap. 3 de Atos dos apóstolos; no cap. XXVI do livro Esquina de pedra, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim e no verbete Pedro (I) do Dicionário enciclopédico da bíblia, de A. Van den Born, ed. Vozes. Em 21.01.2008 
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

COM O QUE TENHAS!

Della Reese
Na vida, é bastante comum as pessoas invejarem umas às outras. Algumas apreciariam ter facilidade de se expressarem em público porque, afinal, para tantos isto parece tão fácil. Outras gostariam de ser admiradas pela sua beleza, à semelhança de criaturas que o são, parecendo atraírem os olhares onde quer que estejam. Enfim, é um desfilar contínuo de desejos de ser como o outro, de ter o que o outro tem etc. Uma cantora e estrela da TV americana teve oportunidade de narrar uma de suas experiências de vida. Algo, diz ela, que lhe aconteceu em torno de seus treze anos de idade e que influenciou definitivamente sua carreira e seu modo de ser. Foi nessa época que ela recebeu a chance de realizar uma tournê por várias cidades americanas com uma famosa cantora. Apresentando-se em ambientes fechados de igrejas, elas atraíam público sempre entusiasta. Della Reese afirma que toda vez que se apresentava dava o máximo de si. Buscava entoar as notas mais altas, sustentava-as por tempo mais longo, enfim, era um show em que se exibia. Esquecia-se muitas vezes que estava cantando em templos religiosos e entoando hinos que deveriam ter o objetivo único de louvar ao Senhor e sensibilizar as criaturas para as coisas espirituais. Com o tempo ela foi observando que o seu modelo, a famosa Mahalia Jackson inspirava ao povo sentimentos diferentes dos que ela conseguia. As pessoas a ouviam com respeito e assombro. Afinal, o que será que ela tinha que Della Reese não tinha? Foram necessárias muitas apresentações para ela descobrir. Aconteceu, afinal que, em uma determinada localidade, encontraram uma garota, uma lavradora de tranças longas que cantava maravilhosamente. Foi o suficiente para a jovem sentir-se enciumada. Com certeza, ela seria preterida. No entanto, quando manifestou seu mau humor e sua raiva à famosa Mahalia, esta lhe deu em poucas palavras a lição: Não se trata de cantar melhor, de sustentar por mais tempo as notas ou de alcançar tonalidades mais agudas. Trata-se de sentir a presença de Deus. Não estamos numa competição. Estamos a serviço de Deus. E concluiu: Fique feliz por Ele ter chamado você. Mas, lembre-se de que você não é a única a quem Ele chamou. 
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Saibamos observar e descobrir como Deus coloca talentos nos lugares mais estranhos. Della Reese afirma que jamais conseguiu cantar como cantoras extraordinárias que a inspiraram, mas conseguiu ser ela mesma. Cantar como ela mesma, dar o que tinha de seu. E considerou que a presença daquela mulher em sua adolescência foi a dose exata da Providência Divina se manifestando para que ela aprendesse a ser grata e valorizasse o que possuía. 
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Todos somos filhos de Deus e todos possuímos dádivas que nos foram dadas por Ele. Todos trazemos a este mundo talentos que nos cabe aproveitar bem. Uns possuem a inteligência aguçada, a sabedoria, recursos materiais. Outros a facilidade para as artes, a comunicação etc. Cada um de nós está colocado estrategicamente em um lugar especial, para ali crescer e auxiliar os outros a crescerem, para progredir e ajudar o progresso dos que convivem conosco. 
Redação do Momento Espírita com base no artigo O toque de um anjo, de Seleções Reader´s Digest, de abril de 1998. Em 26.07.2010.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

COMO FAZER ACONTECER

Há algum tempo recebemos, com alegria, um pequeno folheto, produzido por uma empresa de material escolar, intitulado Como fazer acontecer. Nele encontramos uma lista de dicas, de orientações muito seguras para conseguir sucesso nas empreitadas de nossa vida. Sob o subtítulo de Caminhos para um efetivo fazer acontecer, lemos o seguinte: 
Primeiro: visualize, com detalhes, como se tudo já estivesse realizado – imagine com pormenores o estado desejado. Essa imagem cristalina é algo que irá naturalmente orientá-lo quanto ao que deve ser feito, como começar etc. 
Segundo: dê rapidamente o primeiro passo – confie nos “lampejos” que você tem. Se você sente confiança interior, aja sem hesitação e dê o primeiro passo. A natureza fará a sequência acontecer.
Terceiro: faça tudo de corpo e alma – não seja “morno”, “fazendo por fazer”. Até o impossível se torna possível quando nos envolvemos integralmente. 
Quarto: faça tudo com boa vontade e prazer – a probabilidade de dar certo aumenta tremendamente quando fazemos tudo com a mente alegre. 
Quinto: seja otimista – não se deixe influenciar pelos cínicos e pelos pessimistas. Ajude a construir o ideal, a cada dia dando o passo do dia. 
Sexto: concentre-se em seus pontos fortes – ao invés de se deixar bloquear por eventuais pontos fracos, ancore-se no que você tem de melhor. 
Sétimo: concentre energia – evite desperdiçá-la fazendo as coisas pela metade, ou começando muitos projetos sem nada concluir. 
Oitavo: seja natural – não se deixe derrotar pelo “excesso de esforço”. Faça o que tem que ser feito e mantenha a tranquilidade interior. Dê espaço e tempo para a natureza também fazer a sua parte.
Nono: seja transparente – nem sequer pense desonestamente, pois isso drena sua energia. Já imaginou quanto de energia gastamos para “proteger” a mentira contada ontem? Ser transparente faz multiplicar energia. 
Décimo: seja generoso – “a generosidade move montanhas.” As coisas fluem melhor à sua volta porque a generosidade faz agir. Picuinhas, ao contrário, imobilizam as pessoas. 
Décimo primeiro: aja sempre com justiça, isto é, evite a postura de tirar vantagem de tudo. Aja pensando em benefícios para todos. As coisas passam a acontecer com mais fluidez. 
Décimo segundo passo: confie 100% em sua força interior – fazer acontecer exige fé, principalmente em si mesmo. É essa convicção que o deixa solto para fazer o que é necessário. 
Finalmente, décimo terceiro: busque excelência, sempre – um fazer acontecer efetivo deve estar ancorado na busca do melhor, do perfeito, do ideal. O tempo que levaremos para chegar à perfeição é outra coisa. O alvo, porém, deve sempre ser a perfeição. 
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A acomodação pode tornar-se um vício perigoso em nossa vida. Utilizamos a palavra vício, pois, se permitirmos, ela vai nos dominando, nos dominando, até fazer parte de nosso estado natural de ser. O que começa hoje com uma pequena preguiça, com um pequeno desânimo, pode ganhar proporções maiores e nos lançar a processos de depressão e tristeza. Assim, permaneçamos atentos a qualquer indício desses sentimentos que não são nada bem-vindos, e logo os espantemos para longe de nós.
Redação do Momento Espírita, a partir do texto Como fazer acontecer, distribuído gratuitamente pela empresa Tilibra. Em 18.11.2013.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

COMO ESTRELAS NA TERRA

Os filhos são, sem dúvida, empréstimo Divino. Deus proporciona o ensejo da paternidade e maternidade para que nos dediquemos a transformar as nossas crianças em pessoas de bem e prepará-los para serem cidadãos do mundo. Porém, existem pais e mães muito especiais que, na sua caminhada, têm filhos igualmente especiais. Crianças que nascem com alguma limitação, física ou intelectual, e que necessitarão de cuidados por toda a vida. Com certeza, essa é uma grande e inadiável chance de crescimento espiritual para esses pais. Temos casos em que os genitores delegam para instituições especializadas o cuidado integral com filhos portadores de necessidades especiais. Por outro lado, temos exemplos em que pais e mães, muitas vezes, mesmo sem ter as condições físicas e financeiras adequadas, movem o mundo para oferecer o melhor em termos de tratamentos de saúde e conforto para seus filhos. Qualquer obstáculo se torna pequeno quando o objetivo é promover o desenvolvimento e o estímulo de suas crianças. Vibram com cada pequena conquista. Cada sorriso, cada novo movimento aprendido, por menor que seja, é motivo de grande alegria. Pais maravilhosos e sensíveis que percebem que cada indivíduo tem o seu talento e que enxergam que o potencial de cada um é infinito como o céu. E estão sempre, de alguma forma, preparando-os para o mundo. Olhemos para essa criança especial, com todo o amor que possamos ter em nossos corações, e tenhamos a certeza de que se ela está no seio da nossa família, em nosso lar, não é por acaso. Abramos as janelas do coração e olhemos lá dentro para ver como as pequeninas gotas de chuva encontram o sol, formando um arco-íris. Olhemos para essas crianças como gotas frescas de orvalho repousando nas folhas, presentes do céu, esticando e virando, escorregando e caindo, como pérolas delicadas. Não deixemos que se percam essas pequenas estrelas na Terra. Assim como o brilho do sol em um dia de inverno banha o jardim dourado, elas afugentam as trevas dos nossos corações e aquecem o nosso ser. São como um bom sono onde os sonhos flutuam, como fonte de cores ou borboletas sobre as flores, doces anjos, mostrando-nos que o amor se basta. Elas são ondas de esperança, são a aurora dos sonhos e eterna alegria. Elas são a chama que dispersa o temor, como a fragrância de um pomar que preenche os ares, como um caleidoscópio e suas miríades de cores, como flores crescendo em direção ao sol. Como notas de flauta em uma quieta floresta. Elas são o sopro de ar fresco, o ritmo e música da vida. São como a vida que pulsa, como botões destinados a florir. Sonham acordadas, com os olhos abertos. Perto das nuvens fica seu mundo. Deixe-as entrar, existem outras assim, sonhando acordadas, pisando, tropeçando, não estão sozinhas. Só querem ter mil asas para voar, para explorar os vastos ares e então flutuar como um pássaro. Não deixemos que se percam essas pequenas estrelas na Terra.
Redação do Momento Espírita, com base, na trilha sonora do filme Taare Zameen Par, do produtor indiano Aamir Khan. Em 02.02.2012.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

COMO EDUCAR OS FILHOS

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
Narra uma antiga lenda que, certa vez, um rei chamou o homem mais sábio que conhecia para pedir conselhos. O soberano se preparava para ser pai e desejava orientações a respeito da educação de seus filhos, uma vez que sabia da importância de seu papel como progenitor na vida dos rebentos. 
-Dize-me, sábio conselheiro, tu que sempre me ajudaste nas questões mais graves na regência deste reino: como deve agir um pai para criar bons filhos? Deve agir com extrema severidade, a fim de corrigir e dominar os maus instintos, ou com absoluta benevolência - a fim de manter uma boa relação e destacar as boas tendências deles? 
Ao ouvir essas palavras, o ilustre filósofo manteve-se em silêncio, pensando, pensando... Passados alguns instantes de profunda reflexão, chamou um servo e pediu-lhe que trouxesse dois vasos valiosos de porcelana que decoravam o salão real e que ele sabia estavam entre os preferidos do rei. Pediu também um balde com água fervente e outro com água gelada, praticamente congelada. O rei estava achando aquilo muito estranho. Inclusive, começou a ficar um pouco preocupado com a movimentação das peças que eram parte do seu tesouro pessoal. Com naturalidade, o sábio ordenou a um servo: 
-Quero que enchas esses dois vasos com a água que acabas de trazer, sendo um com água fervente e o outro com água gelada! 
Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervente num dos vasos e a gelada no outro, quando o rei, emergindo de sua estupefação, interveio no caso com energia: 
-Que loucura é essa, ó venerável sábio! Queres destruir estas obras maravilhosas? A água fervente fará, certamente, arrebentar o vaso em que for colocada. A água gelada fará partir-se o outro! 
O sábio, calmamente, então tomou de um dos baldes, misturou a água fervente com a gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum. O poderoso monarca e os venerandos mandarins presentes, observaram, atônitos, a atitude singular do filósofo. Ele, porém, indiferente ao assombro que causava, aproximou-se do soberano e assim falou: 
-Nossos filhos, ó rei, são como o vaso de porcelana. A postura do pai é como a água. A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a alma das crianças. Manda, pois, a sabedoria e ensina a prudência que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade - com que se pode tolher os maus pendores, corrigir as falhas - e a generosidade, a docilidade - com que se deve tratar e cultivar as qualidades. 
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Diante do teu filho, frágil de aparência, tem em mente que se trata de um Espírito comprometido com a retaguarda, que recomeça a experiência a penates, e que muito depende de ti. Nem o excesso de severidade para com ele, nem o acúmulo de receios injustificados, em relação a ele, ou a exagerada soma de aflição por ele. Fala-lhe de Deus sem cessar e ilumina-lhe a consciência com a flama da fé rutilante, que lhe deve lucilar no íntimo como farol de bênçãos para todas as circunstâncias. Ensina-lhe a humildade ante a grandeza da vida e o respeito a todos, como valorização preciosa das concessões Divinas. 
Redação do Momento Espírita com base em antiga lenda oriental e no cap. Deveres dos pais, do livro Leis morais da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 03.04.2012.