domingo, 7 de setembro de 2014

PERFIL DO OTIMISMO


Quando as andorinhas, bailarinas ligeiras, dançam no ar, coloridas pelos últimos raios do sol poente, o suave calor da primavera anuncia a chegada alegre das flores e da renovação da vida.

Arrebentam-se as fendas dos velhos muros e morros cansados, deixando que os vegetais surjam em variado verdor e os campos largos se exibam com matizados em festa inigualável.
As mãos mágicas do Celeste Pintor saem derramando tintas e perfumes embriagadores em todo lugar, confirmando seu inefável amor por Suas criaturas.
Os córregos cantam com as águas apressadas e as cachoeiras arrebentam cristais nas pedras resignadas, que os recebem felizes.
Há uma revolução geral, e os dias frios partem, deixando as lembranças tristes sepultadas sem saudades.
Revoadas de aves alegres, incessantemente, bordam os céus com imagens sucessivas de beleza incomum.
A primavera é o otimismo da natureza cantando o poema da estesia de Deus. Enquanto se repita, a aliança de amor permanece entre o homem descuidado e seu Pai zeloso, sustentando a esperança.
Apesar disso, muitas criaturas desanimadas deixam de fitar a claridade do dia primaveril, mergulhadas na noite das suas paixões.
Preferem olhar o chão onde permanece o lodo, a contemplar o alto onde fulguram as estrelas. Por isso, tornam-se torpes, amarguradas, perturbadoras.
A vida humana, qual ocorre com a da natureza, passa por quadras variadas que se sucedem em ordem de grandeza, servindo uma de base à outra, indispensáveis à harmonia de conjunto.
A noite, que convida ao repouso, enseja a reflexão para o dia, que propicia a ação.
O inverno, que parece destruidor, também enseja a preservação da energia, que estrugirá em vida na primavera.
A criatura humana é o mais grandioso investimento de Deus na Terra, e ser otimista quanto ao futuro, mesmo que haja dificuldades no presente, é o mínimo que lhe cabe, como afirmação da sua realidade e gratidão ao seu Criador.
Quem pretende conservar tristeza no coração, encontrará sempre motivos falsos para sustentá-la, acalentando a queixa, cultivando a desdita e nutrindo-se da insatisfação.
O otimismo é gerador de adrenalina emocional, que estimula o sangue, impulsionando ao avanço, à alegria fomentadora da ação.
Cultivando-o nos sentimentos, adquire-se visão para penetrar o lado oculto ou sombrio das ocorrências e entusiasmo para não desfalecer ante os primeiros insucessos da marcha, prelúdios das vitórias futuras.
Quem não possui capacidade para sustentar com valor os embates fracassados, não tem condições para viver as grandes e decisórias batalhas.
Nos céus dos que amam e confiam em Deus com otimismo, sempre haverá andorinhas bailando em prenúncio de gloriosas primaveras.
* * *
O homem deve impor-se a tarefa de abrir janelas de otimismo nas salas onde dominam tristezas e arejar espaços escuros de pessimismo mediante o aroma da esperança.
Redação do Momento Espírita

sábado, 6 de setembro de 2014

OBSTÁCULOS


CHICO XAVIER - ANDRÉ LUIZ
Diante dos obstáculos, fazer o melhor e seguir para a frente.
Sempre desapontamos alguém e sempre alguém nos desaponta.
Assim como nem todos podem habitar o mesmo sítio, nem todos conseguem partilhar as mesmas ideias.
Nunca explodir, gritar, irar-se ou desanimar e sim trabalhar.
Depois de um problema, aguardar outros.
O erro ensina o caminho do acerto e o fracasso mostra o caminho da segurança.
Toda realização é feita pouco a pouco.
Nos dias de catástrofe, nada de cólera ou de acusação contra alguém, e sim a obrigação clara de repormos o comboio do serviço nos trilhos adequados e seguir adiante.
Quem procura o bem, decerto que há de sofrer as arremetidas do mal.
Plantar o bem, através de tudo e de todos, por todos os meios lícitos ao nosso alcance, compreendendo que, se em matéria de colheita Deus pede tempo ao homem, o homem deve entregar o tempo a Deus.

Do cap. 20 do livro Sinal Verde, de André Luiz, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

LIBERTANDO OS AFETOS


Certo dia, num final de inverno, quando as flores da primavera começavam o seu sublime trabalho de recobrir os campos ressecados pelo rigor do inverno, aquela alma generosa deixou o corpo físico.
A despedida foi dolorosa. As mãos quentes dos que ficaram desejavam reter aquele corpo hirto, sem vida, sem movimento.
Inconformados perguntavam: Por que justo ele, que era tão gentil e carinhoso com todos?
Por que justamente ele, que sabia falar e calar, consolar e distribuir entusiasmo à sua volta?
Por que ele, que era um bom filho, bom irmão, bom esposo e bom pai?
Por que Deus o levou?
Por que não levou os criminosos renitentes, os corruptos inveterados, os estelionatários, os infiéis, enfim, porque não levou os homens que degradam a sociedade?
A resposta para todos esses questionamentos é muito simples.
Consideremos que a vida na Terra é uma oportunidade de crescimento para o Espírito imortal.
A existência, no corpo físico, é uma experiência necessária para que o Espírito progrida na conquista de sua felicidade.
Seria, por assim dizer, um tipo de prisão, onde ele pode quitar suas dívidas para com as Leis Divinas e conquistar novas virtudes.
Assim sendo, quem tem poucos débitos liberta-se antes. Quem tem menos compromissos libera-se deles em menor tempo.
Dessa forma, por que queremos que o nosso ente caro permaneça no cárcere se já recebeu alvará de soltura?
Não seria justo, nem do ponto de vista ético nem do racional.
Não queremos dizer com isto que todos os que se libertam antes são menos devedores, pois essa não é a realidade.
Como sabemos, muitos partem antes do tempo por imprevidência ou pelos abusos de toda ordem.
O que gostaríamos de enfatizar é que aqueles que partem naturalmente, pelos meios estabelecidos pela Divindade, sem a intervenção egoísta do homem, podem estar recebendo sua carta de alforria e, por essa razão, alçam voo antes de nós.
Morrer, para o justo, é libertar-se. É matar a saudade dos afetos que o antecederam na viagem de volta. É receber as glórias da vitória por ter vencido mais uma etapa no mundo físico.
E morrer, para o injusto, é deparar-se com o tribunal da própria consciência a acusá-lo por não ter sido corajoso o bastante para vencer-se a si mesmo e por não ter logrado conquistar mais virtudes.
É por essa razão que não devemos lamentar a morte dos justos, mas sim a daqueles que desperdiçam a existência buscando o gozo exclusivo para o corpo, sem pensar no Espírito, único que sobrevive além da aduana do túmulo.
* * *
Certo dia, num final de inverno, quando as flores da primavera começavam o seu sublime trabalho de recobrir os campos ressecados pelo rigor do inverno, aquela alma generosa deixou o corpo físico.
Seria o fim?
Não. Era apenas o crepúsculo de uma existência que se encerrava e a aurora de uma nova etapa que se iniciava, na vida que nunca acaba.
Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SÁBIO DOS SÁBIOS

Numa noite, que se perde na poeira do tempo, uma Estrela de primeira grandeza brilhou no firmamento...


Possuidor de um conhecimento jamais igualado até os dias atuais, esse Sábio dos sábios ficou conhecido por todos os povos como Jesus Cristo.



Ninguém, até hoje, sabe o que Ele sabia nem faz o que Ele fez.



Enquanto os astrônomos sondam os espaços procurando provas da existência de vida em outros planetas, Ele, profundo conhecedor do Universo, há mais de dois mil anos afirmou: Na casa de meu pai há muitas moradas.



Enquanto os meteorologistas procuram as causas dos fenômenos climáticos, Ele, como quem conhecia as Leis que regem a natureza ordenou à tempestade que se aquietasse, e assim se fez.



Enquanto os modernos fisiologistas sondam as moléculas do corpo humano para lhes conhecer as peculiaridades, Ele, utilizando-se da vontade, reconstituiu tecidos carcomidos pela lepra, dizendo simplesmente: Quero. Sê limpo.



Excelente físico, desafiou a Lei da gravidade, andando sobre as águas. Proeza que até agora nenhum cientista ousou imitar.



Geneticista hábil, esclareceu que o que nasce da carne é carne, e o que nasce do Espírito é Espírito. Falou com sabedoria dessa dualidade humana, esclarecendo que o Espírito sopra onde quer, e ninguém sabe donde ele vem, nem para onde vai.



Psicopedagogo jamais igualado, usou os mais excelentes métodos de educação, ensinando com maestria incomparável.



Psicoterapeuta incomum, atendeu com eficiência a intimidade das criaturas, balsamizando com ternura os corações dilacerados pela dor.



Falou em Sua língua pátria e todos, vindos das mais variadas procedências, O entendiam. Mais importante: falou ao ar livre para centenas de expectadores e todos O ouviam, sem utilizar-se dos aparelhos de amplificação da voz, hoje conhecidos.



Poeta Divino, fez vibrar as cordas mais sutis da harpa viva do coração humano, cantando as bem-aventuranças eternas.



Médico incomum, restituiu a visão a cegos, curou paralíticos do corpo e da alma, restabeleceu a esperança aos desalentados.



Magnetizador excelente, com um simples gesto reanimou pessoas dadas como mortas.



Orador incomparável, impressionou os doutores da Lei com Suas palavras lúcidas e coerentes, despertando temor e admiração ao mesmo tempo.



Anunciado pelos antigos profetas, Ele foi o Messias que veio trazer luz às trevas da ignorância, e alento aos sofredores sinceros.



Hoje, como ontem, continua ressuscitando corações tomados pela morte da indiferença e do amolentamento, enviando Seus prepostos aos círculos de dor e incompreensão.



Jesus é e continuará sendo o maior de todos os sábios...



Incansável, Ele continua repetindo o sublime convite: Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-me. 



* * *



Jesus é o modelo da perfeição moral a que o homem pode aspirar na Terra.



Criado muito antes que a Humanidade terrestre, veio ensinar o caminho que conduz à felicidade, por já tê-lo trilhado.



Nesse sentido é que o Apóstolo João anotou, no capítulo 8, versículo 58 as seguintes palavras do Mestre: Antes que Abraão existisse, eu sou.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PEQUENAS DOAÇÕES

Não subestime as chamadas "pequenas doações".

— o —
O prato frugal que você oferece ao necessitado será provavelmente o recurso de que precisa a fim de liberar-se dos últimos riscos da inanição.
— o —
A peça de vestuário que você entregou fio companheiro em penúria terá representado o apoio providencial com que se livrou de moléstia grave.
— o —
A reduzida poção de remédio que conseguiu você doar em favor de um doente foi talvez o socorro que o auxiliou a desviar-se do derradeiro corredor em que resvalaria para a morte.
— o —
A visita rápida que você levou ao enfermo pode ter sido o estímulo inesperado que o arrancou do desânimo para os primeiros passos, em demanda ao levantamento das próprias forças.
— o —
O bilhete ligeiro que você endereçou ao irmão em dificuldade, ofertando-lhe reconforto, possivelmente se transformou na âncora em que haverá retomado o acesso à esperança.
O minuto de tolerância com que você suportou a exigência de uma pessoa, em difícil conversação, haverá sido aquele que a ajudou a descompromissar-se com um encontro desagradável ou com determinado acidente.
— o —
Algumas poucas frases num diálogo construtivo serão o veículo pelo qual o seu interlocutor evitará render-se a idéias de suicídio ou delinqüência.
— o —
Os seus instantes de silêncio caridoso, à frente desse ou daquele agressor, significarão o amparo de que não prescinde, a fim de aceitar a necessidade da própria renovação.
— o —
Não menospreze o valor das minidoações.
O seu concurso supostamente insignificante pode ser o ingrediente complementar que esteja faltando em valiosa peça de salvação.
ANDRÉ LUIZ E CHICO XAVIER

terça-feira, 2 de setembro de 2014

EMOCIONANTE HISTÓRIA DE JOÃO VITOR E TATIANA


Tatiana, 33 anos, dona de casa. João Vitor, 4 anos, um menino sorridente criado pela avó.

Ela estava muito acima do peso, com 103 quilos.

Ele foi diagnosticado com câncer de fígado, poderia morrer a qualquer momento.

Os dois não se conheciam, mas o destino fez com que construíssem uma bela história. Uma lição de vida emocionante, que o Fantástico acompanhou desde o início, há cinco meses.

João tem 4 anos e tudo que aprendeu até hoje foi em casa, com a avó.

Fantástico: Onde você quer ir?
João: Para escola.

Dona Maria sempre fez o papel de mãe. Para ela, o menino é mais que um filho. “Ah, minha vida. Minha vida é este aqui, ó”, diz ela ao mostrar o neto.

Uma das primeiras palavras que João aprendeu a pronunciar foi: “Forte”, ele conta.

Forte, o menino precisou ser forte muito cedo. “É um guerreiro, por tudo que passou e ainda está vivo até agora.”, define a avó.

João tinha 2 anos quando a família descobriu a doença: um tumor no fígado.

“Eu caí dura na cadeira, eu acordei com um senhor me dando um copo d’água. Eu penso que se acontecer alguma coisa com ele eu não vou aguentar”, lembra Dona Maria.

A mãe do menino, Juliana Aparecida dos Santos, que vivia longe, voltou para ajudar a cuidar do filho. “Ele veio, eu acho que, na minha vida para me ensinar as coisas”, ela diz.

Fantástico acompanha luta desde abril

Começava ali uma rotina de hospitais, exames e quimioterapia. Uma luta que o Fantástico acompanha desde abril.

“Ele pesava 14 quilos quando descobriram a doença dele. Ele foi para 7 quilos. Perdeu metade”, conta a avó.

“A localização, o local do fígado, o cirurgião não consegue tirar completamente.”, explica Juliana Dacorégio, oncologista.

A única chance de salvar a vida de João era um transplante de fígado.

“Ele pode morrer de uma hora para outra. Ele pode estar brincando ali e morrer. É urgente”, diz a avó.

Em busca de uma doadora

A primeira alternativa foi procurar um doador entre os parentes. A única pessoa da família compatível para doar o fígado era uma tia de João, mas ela descobriu que estava grávida e não pôde fazer a cirurgia. A esperança de encontrar um doador estava quase perdida. Desesperada, a avó do menino foi a uma igreja pedir oração para o neto. Foi lá que Tatiana e João se encontraram pela primeira vez.

Tatiana sentiu compaixão: “Vontade de pegar no colo, de dizer para ele que tudo iria ficar bem. Aquele sentimento de misericórdia, de se colocar no lugar do outro. De imaginar esta correria de hospital, de agulhas, dores, períodos longos fora de casa. E pensei: ‘se eu puder fazer alguma coisa, eu vou fazer. Se eu puder de alguma forma tentar mudar o curso da história da vida dele eu vou tentar fazer’”, conta ela.

Naquele momento, ela tomou uma decisão que também mudaria a sua vida: doar parte do próprio fígado. “Foi amor”, ela define.

Amor por alguém que ela não conhecia, que estava encontrando pela primeira vez.

Doadora teria que perder um terço do próprio peso

O destino colaborou: Tatiana fez os exames e, por uma incrível coincidência, descobriu que era compatível. Só tinha um problema: “Na minha condição de obesidade que eu estava, eu não posso doar nem sangue, porque não é saudável”, diz. 

Na época, ela pesava 103 quilos. Os médicos disseram que Tatiana teria que perder um terço do próprio peso. E mais: ela teria que emagrecer com saúde.

“Eu sempre lutei contra o peso. Até na minha adolescência, juventude, eu e minha irmã a gente sempre fazia umas dietas meio malucas, meio doidas. Uma semana tinha sucesso, depois já não tinha mais. Dessa vez tem algo diferente, um propósito que me move. Nesta situação do João e ainda mais com o tempo muito menor, eu não posso abrir mão. Não posso me dar ao direito de comer um bombonzinho hoje, porque eu vou ter que recuperar isso amanhã e amanhã talvez não vá dar mais tempo”, explica Tatiana.

Com uma força de vontade fantástica, Tatiana conseguiu perder 17 quilos em 4 meses.

O marido e o filho também entraram na linha. “Mudando a alimentação, cortando refrigerantes, pão, já foram também cinco quilos.”, ele diz.

Pedro, o único filho de Tatiana, tem a mesma idade de João. Assim como a mãe, ele também quis ajudar. “Eu queria ficar igual ele, cortado”, conta sobre a época em que João Vitor teve que cortar o cabelo.

“No dia que a gente raspou, ele queria que eu varresse o cabelo, colocasse em uma caixinha, porque ele ia passar cola na cabeça do João para colar o cabelo”, conta Tatiana.

Vizinhos e amigos iniciam corrente de solidariedade

Quando a Tatiana decidiu doar o fígado, a notícia logo se espalhou pela cidade. Vizinhos, amigos, e até gente que nem conhecia a família dela resolveu ajudar. Começava aí uma grande corrente de solidariedade.

O professor Lene, por exemplo, abriu as portas de uma academia. “Eu fiquei bem comovido pela história também e não custa nada ajudar”,

Tatiana também ganhou uma orientação nutricional e ajustou a dieta. “Me tornei fã dela e acho que, se todo profissional doasse 5% do conhecimento que Deus permitiu a ele adquirir, a gente viveria em um mundo muito melhor”, avalia o profissional de educação física especializado em nutrição Carlos Santiago.

“Quando você tem um pequeno gesto para fazer o bem para alguém, isso é contagiante”, afirma Tatiana. 

A Katy, professora de dança, foi outra pessoa que quando conheceu a história da Tatiana resolveu ajudar. “Se eu sou mãe e não posso ajudar meu filho, imagine encontrar uma pessoa tão abençoada quanto ela que pode ajudar meu filho”, diz a professora de dança Kathy Nogueira.

Muita aeróbica, musculação. Tanta solidariedade acelerou o resultado na balança. “O esforço que eu tenho feito tem sido muito intenso: na academia, duas horas e, em casa, mais uma”, ela conta.

A motivação de Tatiana para tanto esforço é enorme: “Não posso desistir, não posso parar”, diz Tatiana.

“Ele depende do meu esforço, do meu cansaço, da minha superação, da minha força. Eu não posso desistir. Ele depende hoje de mim.”, revela.

Medicação para o tumor afeta imunidade de João

O tempo corre contra Tatiana e João Vitor. Enquanto espera pelo transplante, ele não pode parar a quimioterapia. O problema é que a medicação para o tumor afeta a imunidade, reduz as defesas naturais do corpo e, muitas vezes, ele fica frágil. O menino sofre com febre alta e infecções constantes.

“Gera a maior aflição para a gente, porque a gente está na corrida para ficar tudo bem. E a cada internação, nos deixa esse ponto de interrogação. A gente fica: será que está tudo bem? Será que a gente pode continuar?’”, diz Tatiana.

João piora e isso atinge Tatiana em cheio. “Às vezes, é um pouco difícil. Tem dia que ele está bem, de repente, de uma hora para outra, ele começa a amarelar os olhinhos, sentir dor na barriga. Aí é muito difícil”, ela diz.

Além do peso, ela precisa superar a ansiedade. O Fantástico acompanhou cinco meses desse esforço gigante.

João segue o tratamento em Florianópolis. Mas é acompanhado por outra equipe de médicos que quer reavaliar o menino.

João foi pela décima vez para São Paulo, fazer exames acompanhado pela avó. “A expectativa de chegar lá e ir para o transplante. Estou confiante de chegar lá agora e ir para o transplante”, diz a avó do menino.

Mas Tatiana está pronta para doar o fígado? Ela conseguiu perder peso de novo. E vai animada para mais uma avaliação médica.

“Perder peso significa ter menos riscos de complicações no pós-operatório.”, explica João Seda, cirurgião pediátrico.

23 quilos perdidos 

A Tatiana está fazendo exercício físico e cuidando da alimentação desde dezembro. Já perdeu 23 quilos. É o suficiente ou falta alguma coisa ainda? “Falta, mas falta bem menos do que a gente imaginou. Imaginei ainda mais uns 8 ou 10 quilos, mas agora faltam 3 ou 4 quilos”, ela conta

Justamente agora que Tatiana está a um passo de atingir o peso ideal chega a notícia: “Agravou a situação dele ontem. Eu nem sei dizer o que é. Ele está muito amarelo”, relata a avó.

O tumor cresceu e o fígado não consegue mais eliminar a bile. Por isso, João está tão amarelo. Depois de 23 dias em São Paulo, já não há mais o que fazer lá.

“Neste momento, a gente já está preparando a família para o pior”, diz a médica. “Eu não perco a esperança do milagre dele, de acontecer tudo. A minha fé ali continua. Não vou desistir”, avisa a avó.

Médicos não dão esperanças

Desde que voltou de São Paulo, João passou mais tempo no hospital do que na casa dele. Os médicos decidiram fazer um tipo de quimioterapia mais agressiva, mais forte, na tentativa de reduzir o tamanho do tumor. Pela primeira vez, o menino precisou usar morfina porque começou a sentir dores muito fortes.

“Ele chegou a ficar três dias na cama porque a gente achava que ele não levantava mais. Bem dizer morto”, conta a avó.

“Os médicos não deram mais esperança nenhuma para a gente. E, cada vez, desanimando mais. Ele já estava se entregando também”, lembra a mãe do menino.

Reação de João surpreende médicos

Mas, na quarta semana de tratamento intensivo, João finalmente reage e surpreende até os médicos. “Nem a médica acreditou, tanto que ela repetiu os exames no dia seguinte e mostra que o tumor do João diminuiu significativamente”, conta Tatiana.

“O tumor diminuiu mais ou menos em 30%. Então, agora, nós temos uma esperança de as coisas possam dar certo no final.”, conta a médica.

“Ele está sendo um guerreiro porque ele cai e levanta. Daí ele me dá força para levantar também”, diz a avó. 

27 quilos perdidos

João também dá força para Tatiana que enfrenta mais uma vez a balança: “76,1 quilos. Ela merece gente, chegou no peso, atingiu”, comemora a avó.

A Tatiana conheceu o João em janeiro deste ano, na época ela tinha 103 quilos. Ao longo destes oito meses, a Tatiana perdeu nada mais nada menos que 27 quilos.

Depois de um ano e sete meses de quimioterapia, João também está pronto, é agora ou nunca: “Meu coração de vó diz que ele vai vencer. Nós vamos chegar no final agora”, afirma a avó.

Tensão e dúvida antes da cirurgia

Minutos antes da cirurgia, a tensão era enorme. Os médicos ainda não sabiam se seria possível fazer o transplante.

“Existe uma complicação no caso do João. As veias do abdômen dele que nutrem o fígado, a veia aporta, estava entupida”, explica Paulo Chapchap, cirurgião de transplante de fígado.

A solução para irrigar o novo fígado foi puxar uma veia que sai do rim. Um procedimento arriscado e, segundo os médicos, inédito em crianças no Brasil.

Foram quase 11 horas de cirurgia. Três dias depois, chega o momento do reencontro tão esperado.

Recuperação de um novo filho

“Para minha surpresa, quando eu entrei no quarto, ele estava melhor do que eu. Eu não conseguia me abaixar para dar um beijinho nele, porque eu estava muito dolorida ali naquele momento. Mas a vontade era de pegar no colo. Eu dei um pedacinho do meu fígado. E ganhei um filho inteiro. Porque o João, para mim hoje, representa um filho. Porque filho é um pedacinho da gente do lado de fora”.

João está bem. O caminho da recuperação ainda vai ser longo. Mas, como diz a Dona Maria, ele é um grande guerreiro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PRECISO DE ALGUÉM!


CHARLES CHAPLIN
Você tem amigos?
Em caso positivo, então sabe o quanto é importante ter amigos verdadeiros.
Muito já se falou desses tesouros chamados amigos, mas nem todas as pessoas lhes dão o devido valor.
Quando não se é rico, nem importante, nem famoso, é fácil saber quem são os amigos, pois, em tese, não têm outro móvel para uma aproximação que não seja a amizade pura e simples.
O mesmo não acontece com pessoas ricas ou famosas, pois aí poderá haver aproximações movidas por interesses e conveniências, nem sempre baseados na amizade sincera.
É muito comum que pessoas famosas, muitas vezes, se sintam solitárias, fiquem depressivas e apáticas, por falta de alguém em quem possam confiar incondicionalmente.
Talvez seja por essa razão que uma poetisa escreveu o seguinte:
Preciso de alguém que me olhe nos olhos quando falo; que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém que venha brigar ao meu lado, sem precisar ser convocado.
Alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida. Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias e que, no meio da tempestade, grite em coro comigo: "Nós ainda vamos rir muito disso tudo."
E ria muito. E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma amizade verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela...
A verdadeira amizade está acima de quaisquer valores financeiros. Todo o dinheiro do mundo não seria suficiente para adquirir uma amizade leal, já que é um sentimento que não está à venda.
E por mais rico que seja um ser humano, ele não será completamente feliz se não contar com, pelo menos, um amigo fiel.
De nada valeria ser a pessoa mais famosa do mundo, se não puder contar suas alegrias a um amigo.
De nada adiantaria ter todas as riquezas materiais que o mundo pode oferecer, se não houver uma amizade para compartilhar.
Por outro lado, ainda que a pessoa seja a mais pobre da face da Terra, se tiver um amigo verdadeiro, nunca passará necessidade.

* * *
Quando outras emoções se enfraquecem no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada das pessoas que se estimam.
Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida.
A amizade pura é uma flor que nunca morre.

Redação do Momento Espírita.