sexta-feira, 7 de agosto de 2026

NÃO SEJA BONZINHO

Inúmeras passagens do Evangelho conclamam os homens a amar seus semelhantes. 
Ocorre que ao amor são atribuídos inúmeros significados.
Muitos afirmam cometer loucuras e crimes por força desse sentimento. 
Entretanto, sendo o amor a essência das leis divinas, a sua vivência deve pacificar e iluminar. 
É inconcebível imaginar que tão sublime energia possa desequilibrar e provocar tragédias. 
Na realidade, frequentemente se toma por amor o que é apenas paixão ou desejo. 
Outras vezes, mesmo amando, a criatura se equivoca na forma pela qual demonstra seu afeto. 
Um dos grandes erros que alguém pode cometer é pensar que amar o próximo significa realizar suas vontades e fantasias. 
Nessa linha, seria necessário agradar o ser amado, ser bonzinho com ele. 
Entretanto, o adjetivo bonzinho não é, necessariamente, elogioso. 
Jamais se diz de uma pessoa genuinamente boa que ela seja boazinha. 
Quando alguém se constitui em uma presença benfazeja no meio social, diz-se que é uma ótima pessoa, que tem um grande coração. 
Seria difícil ocorrer a alguém afirmar que Madre Tereza de Calcutá era boazinha. 
O termo bonzinho, habitualmente, indica alguém bem-intencionado, mas sem discernimento. 
Há uma diferença enorme entre ser bondoso e ser bonzinho. Tome-se o exemplo de um professor. 
Existe uma distância considerável entre um bom professor e um professor bonzinho. 
Um bom professor possui conhecimento e didática. 
Ele efetivamente ensina, mas também cobra o conteúdo de seus alunos. 
Caso eles não estudem e aprendam, serão reprovados. 
Um bom professor tem noção de seus deveres e responsabilidades. 
Já um professor bonzinho ensina pouco e cobra menos ainda.
Distribui notas altas, independentemente do real aprendizado obtido pelos alunos. 
Esse professor, a pretexto de agradar, causa um grande mal.
O conhecimento que ele não proporciona certamente fará falta aos seus pupilos no futuro. 
Outro exemplo de bondade sem discernimento é o da mãe que se torna escrava dos filhos. 
Dá-lhes tudo na mão e faz com que vivam em sua casa como se fosse um hotel. 
Assim agindo, habitua seus filhos a serem servidos.
Entretanto, a vida não é um hotel de luxo. 
O dia a dia é composto de lutas e esforços, que nos desafiam, constantemente. 
A mãe que assume o papel de boazinha prejudica seus filhos, ao lhes dar uma perspectiva equivocada do viver. 
É um perigo alguém tornar-se bonzinho. 
Esse gênero de bondade é piegas e equivocado, pois prejudica o ser amado. 
Devemos ser pessoas boas, na acepção da palavra.
Manifestar afeto pelos que nos rodeiam, mas incentivando-os a cumprirem seus deveres. 
Orientar nossos amores para que sejam honrados e trabalhadores e assumam as consequências de seus atos. 
A pretexto de amar, não podemos infantilizar ninguém, furtando-o das experiências necessárias ao seu progresso.
Afinal, o amor não se identifica com pieguices e ilusões. 
O amor é uma força atuante e transformadora.
Pressupõe discernimento de quem ama. 
Pois somente assim proporciona paz e felicidade ao ser amado. 
Redação do Momento Espírita.
Em 23.09.2022.

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