terça-feira, 18 de agosto de 2026

COM QUEM TU ANDAS

JAQUELINE PEREIRA
Desde cedo, ouvimos aquele ditado popular: 
"Diga-me com quem andas que te direi quem és."
Nossas avós sempre souberam disso antes mesmo de qualquer estudo profundo. 
Pelo interior, as expressões são ainda mais pitorescas, como aquela que afirma: 
"Passarinho que acompanha morcego aprende a dormir de cabeça para baixo."
Ou aquela que nos alerta que o que não falta no mundo é tatu pronto para te levar para o buraco. 
São frases simples, com um toque de humor, mas que carregam uma lição incontestável: conviver pressupõe influenciar e ser influenciado. 
É uma verdadeira contaminação invisível. 
Vejamos que, hoje, a própria ciência está comprovando essa intuição ancestral.
Um estudo robusto de uma das maiores Universidades do mundo, o M I T, revelou algo interessante. 
Os pesquisadores descobriram que até mesmo as nossas decisões financeiras são fortemente influenciadas pelas pessoas com quem convivemos diariamente. 
Segundo o estudo, a proximidade com perfis impulsivos nos torna igualmente impulsivos. 
Ambientes emocionalmente instáveis aumentam os nossos gastos e nos levam a escolhas pouco conscientes. 
Se isso acontece com a nossa vida material, imaginemos o impacto gigantesco das companhias nos nossos sentimentos e nas virtudes ainda vacilantes da nossa alma! 
A lei de sintonia e afinidade nos ensina exatamente isso: os semelhantes se atraem invariavelmente. 
Somos como rádios vivos, emitindo e captando ondas mentais o tempo todo. 
Quando escolhemos nossas amizades, não estamos apenas escolhendo pessoas para conversar. 
Estamos escolhendo as energias que vamos absorver e os Espíritos que vão caminhar ao nosso lado. 
Se nos cercamos de pessoas que vivem a reclamar da sorte e a falar mal dos outros, lentamente a nossa lente interna vai ficando obscurecida por essa mesma sombra. 
Por outro lado, se buscamos a convivência com almas nobres, otimistas e voltadas para o bem, sentimos as nossas próprias asas crescerem, impulsionadas pelo exemplo irresistível da caridade. 
É claro que o Cristo nos convida a amar a todos. 
Deve haver benevolência em nosso coração para com todas as criaturas. 
No entanto, amar e auxiliar quem está no lodo não significa mergulhar e morar no ambiente deles. 
Jesus amou profundamente a todos, mas, ao constituir o Seu círculo íntimo para construir as bases do Evangelho, buscou corações dispostos a trabalhar pela luz. 
Façamos uma reflexão sincera no dia de hoje: 
-Quem são as pessoas que têm moldado as nossas escolhas? De quem temos nos aproximado mental e fisicamente? Será que as nossas companhias estão nos puxando para cima ou estão ancorando os nossos pés na ilusão? 
Além disso, perguntemos a nós mesmos: 
-Que tipo de companhia temos sido para os outros? Somos aquele que eleva o ambiente ou aquele que o contamina?
Vigiemos as nossas sintonias e escolhas. 
Somos donos de nossos destinos, mas são os nossos passos de hoje, incluindo os daqueles com quem temos andado, que desenham a paz do nosso amanhã. 
Redação do Momento Espírita com base No artigo Diga-me com quem tu andas…, de Jacqueline Pereira, da revista Vida Simples, ano 24, nº 290. 
Em 18.08.2026

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