-Um dia, que ignoro, meus olhos hão de se fechar para esta existência.
Mais cedo ou mais tarde, meu corpo, ainda jovem, ou quem sabe, cansado e enfermo, há de se entregar irremediavelmente e deixará de vibrar.
Minhas mãos hão de repousar inertes e meus pés já não poderão me levar a parte alguma.
Terei deixado esta vida, feliz ou não, partindo para o outro plano da existência, como tantas vezes já o fiz, quando me servi de outros veículos carnais.
Pois bem, eis aí o meu destino.
Idêntico ao de todos os demais seres viventes: nascer, viver, morrer, renascer...
Hei de morrer, mas não temo a morte, porque sei que, como Espírito, sobreviverei a ela.
Respeito-a, porque sei que representa o final de um ciclo e o início de outro.
É uma passagem, uma transformação. É um fato natural e inevitável.
Sabendo disso, muitos são os que tecem seus testamentos, pensando naqueles que ficam.
-Também quero que algumas recomendações sejam registradas. Aos meus filhos quero deixar meus exemplos corretos.
Que eles possam fazer uso de meus acertos, das palavras bem colocadas e das atitudes dignas de nota.
Quero que eles cantem alegres, repetindo refrões das músicas que cantamos juntos.
Deixo a eles a certeza de que muito os amei, os amo e os amarei para sempre, porque nem o tempo, nem a distância são capazes de diminuir a intensidade de um verdadeiro amor.
Deixo-lhes, ainda, as lembranças dos momentos alegres que passamos, e que ainda passaremos juntos.
Espero que essas recordações possam lhes fazer companhia nos momentos em que a saudade vier lhes roubar a paz e os sorrisos.
Aos meus amigos deixo minhas melhores conversas e toda a alegria que a presença deles tenha causado em minha vida.
Deixo-lhes a minha gratidão por todas as vezes que me ouviram, me toleraram e me animaram a continuar na luta.
Aos meus amores deixo o meu afeto mais puro e a esperança de um reencontro mais sereno e equilibrado, em um futuro não muito distante.
Que não se sintam cobrados, nem pressionados, se, por acaso, não me dedicarem o mesmo amor que lhes ofereço.
Àqueles que feri, que magoei, que prejudiquei, deixo meu sincero pedido de perdão e meu desejo de reparar todo o mal que lhes causei e todo bem que deixei de lhes proporcionar.
Espero que possam aceitar minhas desculpas e que me permitam ressarcir-lhes, um dia, os danos que meu desleixo e meu egoísmo lhes causaram.
Deixo a todos aqueles que cruzaram meu caminho e que, de alguma maneira, influenciaram minha existência, meu humilde agradecimento.
Desejo que, um dia, possa eu também lhes ser útil, auxiliando-os na dura jornada do progresso individual.
À natureza deixo minha mais intensa e profunda gratidão, pela sua exuberância e por tudo que dela me vali nesta existência.
Desejo que ela seja respeitada e conservada para que não se deteriore pelo descaso humano.
Aos meus pais e a Deus, Pai de bondade, deixo o meu reconhecimento pela oportunidade da vida e pela dedicação constante e incondicional que me foi oferecida.
Assim, partirei com a mente e com o coração mais pacificados, porque terei legado o que de melhor há em mim, em benefício de todos aqueles que me são caros.
Redação do Momento Espírita.
Em 6.12.2017.
Nenhum comentário:
Postar um comentário