domingo, 14 de dezembro de 2025

MORTE SUAVE

DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
JOANNA DE ÂNGELIS(espìrito)
A eutanásia continua gerando polêmicas em todo o mundo e mantém divididas as opiniões. 
Existem os que defendem a sua legalização, primando pelo que dizem ser o direito de morrer com dignidade. 
Mas o que será morrer com dignidade? 
Será fugir ao sofrimento, abandonando prematuramente o corpo? 
Será furtar-se à espera angustiante de uma morte que, conforme o diagnóstico médico, logo atingirá o ser? 
A dignidade de morrer se situa na resignação, na conduta mediante a qual a criatura enfrenta a morte. 
Para quem sabe que a dor somente atinge a quem necessita, que não se é dono do próprio corpo, pois que nos foi dado por Deus, por empréstimo, a fim de vivermos no planeta que nos acolhe, fica claro que não se tem o direito de programar a maneira mais agradável de morrer. 
O dever é sempre de preservar o corpo para que ele cumpra a finalidade para a qual foi elaborado. 
Os últimos instantes, na enfermidade, podem significar a glória ou a infelicidade no além-túmulo. 
Cada um sofrerá apenas o de que necessite. 
Depois se libertará. 
O padecimento está na razão direta dos débitos assumidos nesta ou em outras vidas. 
Numa época em que habitualmente se morre nos centros de terapia intensiva, ligados a aparelhos múltiplos, ou nas camas de hospitais, longe dos familiares, morrer com dignidade pode significar simplesmente estar com a família, permitir-se alguns desejos simples, despedir-se, partir em paz. 
Recordamos de uma jovem estudante de enfermagem que, ao ter o diagnóstico de morte breve, por enfermidade grave que lhe comprometeu a saúde em poucas semanas, manifestou o desejo de retornar ao lar, deixando o hospital. 
Desde que não havia nada mais a ser feito, ela teve a possibilidade de ser levada para casa. 
Seus desejos se resumiam em assistir, com detalhes, o nascer do sol em plena madrugada. 
Vê-lo surgir radioso, plenificando de luz a manhã. 
Depois, enquanto ainda a relva se encontrasse umedecida pelo orvalho, andar descalça a fim de sentir o frescor do dia na sola dos pés. 
Finalmente, ansiava ver sua sobrinha lambuzar-se com um bombom de chocolate, ao deliciar-se com ele. 
Nas horas que lhe sobraram, ela fez o inventário de seus pertences e os foi destinando a parentes, amigos, colegas. 
Na calma da noite, ela se entregou ao sono e não mais despertou na carne. 
Morreu serena, lembrando que o Mestre Jesus, na cruz, antevendo a morte, ergueu os olhos aos céus e orou: 
-Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. 
* * * 
Os que, em plena saúde defendem a eutanásia, podem alterar a sua forma de encarar os fatos quando se apresentem enfermos física ou mentalmente. 
Isto porque, a cada instante, muda-se de emoção e de outra forma pode-se passar a se considerar os acontecimentos. 
A aplicação da eutanásia se constitui em homicídio, pois que a vida é patrimônio de Deus. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 12.11.2009.

sábado, 13 de dezembro de 2025

MORTES PREMATURAS

Por que arrebata a morte, em nossos lares, de forma sorrateira, os mais jovens antes dos mais velhos? 
Por que leva a morte os que se encontram saudáveis e relega para muito mais tarde os que se encontram enfermos, desalentados, sem objetivos na vida? 
Por que se observa partirem para a Espiritualidade tantas crianças, jovens cheios de vida, de sonhos e ideais, enquanto ficam ao nosso lado pessoas sem valor, improdutivas e más?
Costuma-se ouvir, amiúde, que Deus aprecia os bons e por isso mesmo os leva. 
Tal fosse verdade e diríamos o que pretende a Divindade arrebanhando os bons, e permitindo que os maus prossigam em sua sanha destruidora e maldosa? 
Não podemos supor que o Senhor dos Mundos se aplique, por mero capricho, a impor penas cruéis aos homens, qual a de retirar dos braços maternos a inocente criatura que era toda a sua alegria. 
Nesse ponto, como em muitos outros, é preciso que nos elevemos acima do terra-a-terra da vida para compreendermos que o bem, muitas vezes, está onde julgamos ver o mal. 
O que catalogamos como cega fatalidade do destino nada mais é que a Sábia Providência agindo. 
Os que partem prematuramente, no verdor dos anos, deixando lacunas impreenchíveis em nossas vidas, são Espíritos que já cumpriram o tempo para o qual renasceram.
Crianças que morrem em tenra idade, de um modo geral, são Espíritos que vieram para completar períodos anteriormente não cumpridos na íntegra, isto é, seres que em vida ou vidas anteriores aceleraram a sua morte, por desregramentos ou de forma voluntária e consciente. 
Também as há, crianças ternas e doces, verdadeiros anjos travestidos de carne que vêm para a Terra para dulcificarem outras vidas, para exemplificarem a serenidade, a paz, a calma. 
Espíritos que vêm, por vezes, para atender necessidades especiais de determinadas famílias ou criaturas. 
Flores mal entreabertas, retornam para a Pátria Espiritual, deixando na retaguarda rastros de estrelas e poeira de saudades. 
Cumprida a missão, regressam ao antigo ninho, preparando-se para novas e produtivas etapas. 
Não é vitima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos.
É que Deus julga das necessidades do Espírito e assim estabelece sempre o melhor a cada um. 
* * * 
Você sabia? ... que a Síndrome da Morte Súbita Infantil, mal que mata bebês com menos de um ano, aparentemente saudáveis, ainda não tem sua causa conhecida? 
A Síndrome é definida como a morte sem causa aparente e somente encontra explicação na Justiça Divina. 
E você sabia que a morte de crianças em tenra idade se constitui também em prova para os pais? 
Redação do Momento Espirita, com base no artigo Mortes prematuras, do Boletim SEI, edição nº 1479 e no cap. V, item 21, de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 19.12.2013.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

O AMOR NÃO SE APOSENTA

Era um dia semelhante a outros tantos que chegava ao fim naquele verão.
O vento soprava suave, a água corria serena no rio, e o sol, generoso, aquecia aquelas horas. 
Era um passeio igual a muitos outros, feitos ao longo dos anos. 
Algo, no entanto, dizia à intimidade de Pedro que esse teria um diferencial. 
E ficaria gravado na memória.
Desde os sete anos de idade, quando gradativamente começou a perder a visão, ele aprendeu a viver em um mundo de sombras. 
Durante muito tempo, cada passo exigia a ajuda de alguém.
Até que um dia, aos seus dezessete anos, chegou Tommy, um labrador claro de olhar doce e coração imenso. 
Com ele, Pedro descobriu a liberdade de caminhar sem depender de outra pessoa. 
Descobriu que podia atravessar ruas, entrar em ônibus, visitar amigos, sentir-se novamente dono de sua própria história. Tommy não era apenas um cão-guia. 
Era a possibilidade de ver sem os olhos. 
Era a ponte entre o escuro da sua deficiência visual e a claridade da vida que continuava acontecendo. 
Era a liberdade. 
Durante quase dez anos, foram inseparáveis. 
Juntos, enfrentaram trilhas, viagens, mudanças de casa, de cidade, dias de chuva e de sol. 
Tommy foi segurança, companhia, amigo fiel. 
Pedro aprendeu a confiar, a erguer a cabeça, a sorrir para a vida apesar da ausência da visão. 
Naquele dia de final de verão, reuniu amigos e levou Tommy para a trilha. 
Deixou que ele corresse, sentisse o vento no rosto, se refrescasse nas águas do rio, que ele tanto apreciava. 
Tommy nadou até cansar. 
Depois, foi deitar-se no colo de Pedro, exausto e feliz. 
Um gesto simples, mas que anunciava o encerramento de uma etapa. 
De volta para casa, o gesto mais doloroso aconteceu em silêncio. 
Ao pendurar a guia no lugar de sempre, Pedro compreendeu: era a última vez.
O fiel companheiro não seria mais seu guia. 
Chegara para ele o momento da justa aposentadoria. 
Tommy foi morar com um casal de amigos de Pedro, em uma casa junto ao mar, onde passeia livre todos os dias. 
Pedro, por sua vez, inaugurou nova etapa em sua vida.
Mudou-se para outro país. 
A vida segue, mas seu coração guarda a lembrança daquele amigo que lhe devolveu a autonomia e a coragem.
* * * 
Todos os seres da Criação têm seu valor, sua beleza e sua missão. 
No convívio com os animais, aprendemos lições de simplicidade, entrega e confiança. 
O cão labrador Tommy cumpriu sua missão. 
Ofereceu segurança, ensinou o amor silencioso. Se as despedidas machucam, também ensinam. 
Mostram que cada ciclo tem seu tempo, e que amar é saber agradecer e deixar seguir. 
Assim como Pedro, um dia também penduraremos a guia da vida material. 
E perceberemos que a caminhada na terra chegou ao fim.
Porém, não será término. 
Será apenas o começo de uma nova jornada, conduzida por mãos invisíveis, em outra dimensão. 
Afinal, o amor não se aposenta. 
Ele floresce na saudade, brilha além da distância e permanece, em cada reencontro que a vida nos reserva.
Permanece indelével na memória da alma. 
Redação do Momento Espírita, baseado em fatos! 
Em 12/12/2025

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

EVOCAÇÕES DO NATAL

Rachel Naomi Remen
É comum os hospitais, na semana que antecede o Natal, tentar mandar para casa o maior número possível de pacientes. 
No entanto, alguns sempre necessitam permanecer. 
Esses são atendidos pelos médicos que se oferecem como voluntários para trabalhar na véspera e dia de Natal ou que obedecem à escala pré-fixada pela instituição hospitalar.
Naquele Natal, Rachel estava um tanto chateada. 
Por ser solteira, fora escalada para trabalhar naqueles dias, permitindo assim que seus colegas ficassem com seus cônjuges, filhos ou pais. 
No dia de Natal, vários grupos de pessoas apareceram nas enfermarias e distribuíram lembranças aos pacientes.
Contudo, ao cair da noite, eles se encontravam em suas casas. 
O imenso hospital ficou em silêncio. 
Muitos leitos vazios. 
As poucas lâmpadas acesas nas mesas de cabeceira pareciam ilhas de luz na escuridão. 
Rachel ia de um paciente a outro verificando o soro, indagando sobre sintomas, oferecendo medicamentos para a dor ou para dormir. 
O Natal é uma época de muitas lembranças e vários dos pacientes desejavam falar sobre elas. 
Ela ouviu, naquela noite, muitas histórias. 
Tristes umas, emocionantes outras. 
Até que chegou ao leito de Petey. 
Era um homem velho, a respeito do qual ninguém tinha bem certeza da idade. 
Um andarilho, um desamparado. 
Nada mais trazia, quando chegara ao hospital, que a muda de roupa que o vestia. 
Portador de enfisema crônico, os médicos o mantinham hospitalizado, evitando que ele retornasse ao frio intenso das ruas. 
Era tímido e gentil. 
Alegrava-se por qualquer coisa e se mostrava agradecido pelos cuidados que recebia. 
Ele sorriu, ao vê-la. 
Estendeu a mão, abrindo a gaveta da velha mesa de cabeceira, onde estavam guardados seus tesouros: um canivete, uma escova de dentes, uma lâmina de barbear, um pente, algumas moedas e duas belas laranjas, que ganhara naquela tarde. 
Ele tomou de uma delas, estendeu para Rachel: 
-Dona doutora, feliz Natal. 
Seus olhos demonstravam o enorme prazer que ele estava sentindo em ofertar-lhe a fruta. 
E, de repente, muitas lembranças acudiram à memória da médica. 
Recordou de sua infância, dos natais em que sentia essa mesma alegria em dar presentes. 
Algo seu. Especialmente preparado para a data, para alguém.
Tudo parecia tão distante. E tão perto. 
Lembrava-se de que tinha aprendido muitas coisas desde então, mas que também esquecera outras tantas. 
Há muitos anos, seu avô lhe ensinara aquela mesma maneira de viver que Petey mostrava agora. 
Entretanto, ao longo dos seus anos de formação acadêmica, a voz de seu avô acabara sendo sufocada pelas vozes de seus familiares, de seus colegas, de seus professores. 
Ela estendeu os braços e recolheu o presente, extremamente agradecida. 
-Feliz Natal, Petey. – Disse comovida, os olhos cheios de lágrimas. 
* * * 
É preciso muito tempo até que nos conscientizemos de que os bens preciosos que temos para dar não foram aprendidos nos livros. 
Também que a sabedoria de viver bem não é conferida aos alunos mais destacados nos estudos avançados. 
Os verdadeiros professores andam por toda parte. 
Basta saber colher as lições que sua sabedoria nos transmite, nos gestos desprendidos, simples, despojados. 
Um gesto simples como estender a mão, sorrir, desejar Feliz Natal. 
Repartir o presente recebido, num gesto espontâneo de profunda gratidão. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O sábio, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante. 
Em 11.12.2025

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

MORTE SILENCIOSA

Todos os dias, enquanto nos hospitais e clínicas particulares, inúmeros médicos e enfermeiros lutam pela vida dos seus pacientes, muitas outras vidas são destroçadas. 
E suas mortes não constam das manchetes retumbantes, nem nos noticiários da televisão. 
Passam anônimas. 
Na verdade, poucos são os que se dão conta de que elas ocorrem. 
Falamos dos seres que não chegaram a nascer. 
Suas vidas são ceifadas como se arranca dos canteiros a erva daninha. 
Bocas são silenciadas antes de se abrirem para o primeiro gemido. 
Mãos que poderiam acariciar, braços que se preparavam para as trocas dos carinhos foram simplesmente destruídos.
Pernas e pés que ainda não se firmaram para andar, correr, saltar, não o farão jamais. 
São embriões e fetos, seres vivos, todos os dias jogados à vala da indiferença. 
Sim. São muitos os motivos que levam alguém a abortar o fruto das suas entranhas. 
Desespero, aflição, ignorância, comodismo, problemas financeiros e familiares, entre outros. 
Nada que o justifique, prosseguindo a ser crime perante a Lei Divina que, desde os dias do Decálogo, prescreve Não Matar.
Percebemos que, enquanto crescem os movimentos ecológicos, de alerta ao respeito pela natureza, à Terra em que vivemos; enquanto os grupos de apoio à fauna e à flora se multiplicam, poucos são os que se erguem para falar em nome desses pequenos seres que têm seus corpos destruídos, antes de virem à luz. 
E são seres humanos, com a única diferença de não possuírem ainda um documento de cidadania. 
Quando deixaremos de ser tão insensíveis aos problemas alheios e nos envolveremos, batalhando pela vida? 
Quantos de nós sabemos das intenções de abortamento de uma amiga, uma colega de trabalho, parente ou familiar e nada fazemos, com a desculpa de que cada qual é dono de sua própria vida? 
Para quem sabe e não esclarece, nada faz por evitar o crime, há também culpa por omissão. 
Quanta vez a criatura que se decide pelo abortamento, o faz porque não encontrou em seu caminho uma mão que lhe detivesse a tentativa, uma voz que lhe falasse acerca da vida em geração em seu ventre, como um filho de Deus! 
Sempre se constituirá em infanticídio o aborto delituoso. 
Um covarde processo de que se utilizam uns tantos para fugir à responsabilidade, incorrendo em grave falta. 
Se puderes, luta pela vida desses pequeninos! 
Se, eventualmente, já cometeste o abortamento alguma vez, volta-te para esses outros pequenos que vivem na Terra, ao abandono e ampara a um deles. 
Doa do teu amor, porque bem poderá acontecer que Deus, em Sua infinita misericórdia, dessa forma te permitirá reencontrar o Espírito que te estava destinado para filho do coração. 
* * * 
Mesmo quando aceito e tornado legal nos estatutos humanos, o abortamento fere violentamente as Leis Divinas, continuando a ser crime para quem o pratica ou para quem a ele se submete. 
O único tipo de abortamento permitido pela Lei Divina é o terapêutico. 
Isto quer dizer, sacrificar-se o bebê para salvar a vida da mãe.
Redação do Momento Espírita. Disponível nos livros Momento Espírita, v. 6 e v. 7, ed. FEP. 
Em 14.01.2014.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

GRANDEZA DA RENÚNCIA

Alberto Dürer
Alberto Dürer, o excelente pintor alemão, antes de notabilizar-se, necessitando estudar, combinou com um jovem amigo, igualmente artista, sobre a necessidade de procurarem um núcleo de maior cultura.
Mudariam de cidade para que ambos pudessem aprimorar seu estilo. 
Porque não dispusessem de um mecenas, ou seja, um financiador ou padrinho que os ajudasse, estabeleceram um plano: um trabalharia como lavador de pratos, enquanto o outro iria estudar pintura. 
Assim, com a venda dos primeiros quadros, o que trabalhava passaria também a estudar. 
Chegando ao local pretendido, Alberto afirmou: 
-Eu me dedicarei ao trabalho de lavar pratos. 
Contudo, o companheiro respondeu: 
-Não. Eu sou mais velho e já tenho emprego no restaurante.
Dessa forma, graças à disposição do amigo, Dürer começou a estudar e a pintar. 
Depois de um tempo, Alberto reunira uma soma que permitiria que o companheiro estudasse. 
Ele deixou o trabalho no restaurante e se dirigiu à escola.
Percebeu, porém, que a atividade rude lhe destruíra a sensibilidade táctil, desequilibrara o ritmo motor. 
Deu-se conta de que nunca atingiria a genialidade, ainda mais, descobrindo a qualidade superior de Dürer. 
Dotado de sentimentos nobres, renunciou à carreira e retornou ao trabalho de lavador de pratos. 
Numa noite em que Dürer voltou ao estúdio, ao abrir silenciosamente a porta, estacou na sombra, vendo pela claraboia do teto o reflexo do luar que adentrava pelo cômodo.
A luz alumiava duas mãos postas em atitude de prece. 
Era o amigo, ajoelhado, que rogava bênçãos para o companheiro triunfar na pintura. 
O artista, comovido ante a cena, imortalizou-a numa pequena tela, que passou à posteridade como Estudo para as mãos de um Apóstolo, para o altar de Heller, hoje na galeria Albertina, em Viena. 
* * * 
Será que somos capazes de viver tal grau de renúncia? 
Em dias em que a competição nos desespera e afoga, exigindo que sejamos sempre melhores do que os outros, senão não somos ninguém - será que já descobrimos o caminho seguro da renúncia? 
A renúncia é a emoção dos Espíritos superiores transformada em bênçãos pelo caminho dos homens. 
Quem renuncia estabelece, para o próximo, a diretriz do futuro em clima de paz. 
A renúncia é melhor para quem a oferta. 
Poder ceder, quando é fácil disputar; reconhecer o valor de outrem, quando se lhe está ao lado, ensejando-lhe oportunidade de crescimento; ajudar sem competir, são expressões elevadas da renúncia que dá à vida um sentido de significativa grandeza. 
Felizes aqueles que hoje cedem para amanhã receber; os que agora doam para mais tarde enriquecer-se; os que compreendem que a verdadeira felicidade consiste em ajudar e passar, sem impor nem tomar. 
Quem renuncia, enfloresce a alma de paz, granjeando a gratidão da vida pelo que recebe. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Receitas de paz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 09.12.2025

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A CORAGEM DA DECISÃO

 Stanislav Petrov
Existem heróis anônimos, aos quais devemos condições melhores de vida ou mesmo nossa própria existência. 
São criaturas que tomam decisões pensando essencialmente no todo e não em si mesmas. 
Por vezes, até em detrimento delas próprias. Lembramos do tenente-coronel da Força Aérea soviética, Stanislav Petrov.
Possivelmente, a maioria de nós jamais tenha ouvido falar a respeito dele. 
No entanto, bilhões lhe devemos a vida. 
Vivia-se a tensão da guerra fria. 
O mundo se encontrava à beira do apocalipse. 
Estados Unidos e União Soviética estavam prontos para destruir um ao outro com ogivas nucleares. 
Bastava um único erro. 
Um alarme falso. 
Uma decisão apressada. 
Um clique. 
E seria o fim da civilização como conhecemos.
Na noite de 26 de setembro de 1983, Stanislav Petrov estava de plantão num bunker secreto, próximo a Moscou. 
Sua função era monitorar os satélites de alerta precoce de mísseis balísticos nucleares. 
De repente, o sistema acusou que um míssil nuclear havia sido lançado contra a União Soviética. 
Segundos depois, outros quatro foram detectados. 
A sala entrou em alerta máximo.
A lógica era clara: responder de imediato, lançando um contra-ataque nuclear. 
Assim estabelecia o protocolo. 
Petrov tinha minutos para confirmar o alerta, o que, de imediato, desencadearia uma retaliação automática russa.
Milhões de americanos, europeus e soviéticos morreriam em questão de minutos. 
A guerra nuclear estaria implantada. 
O homem de bom senso raciocinou antes de agir de forma impensada. 
Algo, no todo, não fazia sentido. 
Se aquilo fosse um ataque real, os Estados Unidos teriam lançado dezenas de mísseis, não apenas cinco. 
Além disso, os radares terrestres não confirmavam nenhum impacto. 
Ele desobedeceu ao protocolo, assumiu o risco e relatou ao alto comando: Alarme falso. 
E o planeta foi salvo. 
Depois, seria verificado que se tratava de um erro do sistema.
Os satélites haviam confundido o reflexo do sol nas nuvens com lançamentos de mísseis. 
Ele teve nas mãos o destino de bilhões de vidas, ponderou e decidiu não apertar um botão. 
Deveria ter sido condecorado, no entanto, foi repreendido por não preencher os relatórios corretamente. 
Ele viveu em um modesto apartamento russo até sua morte em 2017. 
Para todos nós, ele foi o homem que nos deu uma segunda chance. 
O importante disso é lembrarmos que foi um homem, um ser humano que fez a grande diferença, naquela noite. 
Não foi uma máquina, nem foi alguém no comando da nação.
Foi um homem que, diante da responsabilidade de destruir o mundo, optou por questionar, pensar, analisar o todo. 
Um homem que demonstrou o quanto a decisão acertada pode influenciar o destino de bilhões de pessoas. 
Um exemplo que nos leva a lembrarmos da importância do ser humano sensato, ponderado, responsável. 
Aquele que, tendo em suas mãos muitas vidas, usa do talento precioso que se chama inteligência. 
Também da valiosa intuição. 
Ficamos a imaginar que Espírito amigo da Humanidade deva ter estado ao lado daquele homem sensato. 
E ele o ouviu. 
Graças a Deus. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Stanislav Petrov, colhidos em vários sites. 
Em 08.12.2025