quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

RAZÃO E SENSIBILIDADE!

Caco de Paula
Oito da noite, numa grande e movimentada capital. 
O casal está atrasado para jantar na casa de alguns amigos. 
O endereço é novo, assim como o caminho, que ela conferiu antes de sair.
Ele dirige o carro. 
Ela sugere que use o GPS ou o WAZE.
Ele diz que não precisa. 
Conhece a cidade, tem senso de direção. Tem certeza da rota a seguir.
Ela ainda insiste mas, percebendo que poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. 
Ele vira à direita aqui, à esquerda ali, faz um retorno e se dá conta: está perdido. 
Embora com certa dificuldade, admite que não conhece as ruas daquele bairro. 
E agora estão ainda mais atrasados. 
Ela sorri e diz que não há problema algum. Os amigos haverão de entender. 
Mas ele quer saber por que se ela tinha tanta certeza de que estava errado, não insistiu um pouco mais. 
E ela diz: 
-Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma briga. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite. 
* * * 
Certamente, uma sábia decisão. 
Muitas vezes, perdemos oportunidades de viver momentos felizes porque queremos provar que estamos com a razão. 
Ou, pensamos estar. 
Não defendemos a omissão ou o não uso da razão, mas tão somente o uso da razão com sensibilidade. 
Quantas amizades destruímos por causa de uma obstinação em defender um ponto de vista? 
Quanto tempo perdemos na elaboração de argumentos para convencer alguém de que temos razão? 
Será que vale a pena essa maneira de ser? 
É de nos perguntarmos se nos cabe perder a paz na tentativa de provar que estamos certos. 
Mais sábio seria se preferíssemos a harmonia, em vez de brigar por pequenas questões irrelevantes. 
É evidente que há momentos em que devemos defender nossa posição, e bom será se o fizermos, sem nos perturbarmos, no entanto. 
É importante considerar que para discordar não precisamos nos desentender. 
Podemos não concordar com alguém e, ainda assim, preservar a amizade e o respeito por ele. 
Dessa forma, antes de agir, pensemos: 
-Será que vale a pena perder a calma para defender esse ponto de vista?
-Será este o momento certo para expor nossa opinião? 
-Será este o momento de impor nossas razões? 
Prestemos mais atenção em nossas palavras e optemos por ser felizes, por ter paz, em vez de ter razão. 
Utilizemos os nossos esforços em prol da harmonia comum. 
A nossa paz íntima é um patrimônio que ninguém pode nos furtar, a menos que permitamos.
Jesus, o Mestre por excelência, tinha razão sempre, mas jamais tentou impô-la a quem quer que seja. 
Convidava: 
-Vinde a mim, vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
Um convite para quem quisesse. 
Quando quisesse. 
Também disse: 
-Quem quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz, renuncie a si mesmo e siga-me. 
Simplesmente assim: quem quiser. 
E ninguém mais do que Ele sabia que o que propunha era o melhor para toda a Humanidade. 
Também sabia que cada um de nós tem seu próprio tempo, seu momento de adesão. 
Aprendamos com Ele, nosso Modelo e Guia. 
Redação do Momento Espírita, com utilização de parte do artigo de Caco de Paula, publicado na revista Vida simples, de 17.6.2004, ed. ABRIL.
Em 12.1.2022

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

HEROIS ANÔNIMOS

Iniciava-se mais um dia em uma grande cidade. 
A agitação e o grande número de carros nas ruas refletia a época do ano: faltava uma semana para o Natal. Nas ruas, misturavam-se os carros daqueles que se dirigiam ao trabalho e dos que iam às compras. Era difícil deslocar-se com rapidez. Em um posto policial, localizado em uma praça da cidade, a rotina era tranquila até que um carro se aproximou em alta velocidade e estacionou. O motorista chamou o guarda quase com desespero. No carro, uma mulher dava à luz uma criança. O policial solicitou uma ambulância pelo rádio e dirigiu-se ao veículo. Não era possível esperar: a criança estava nascendo. Mesmo sem ter feito um parto sozinho anteriormente o policial não titubeou. O treinamento lhe veio à memória e o parto transcorreu sem problemas aparentes. No entanto, em meio à emoção e à dor, a mãe percebeu que o bebê não se movimentava e parecia estar arroxeado, e pediu ao guarda que o ajudasse. Um exame rápido e não foi difícil perceber que o cordão umbilical estava enrolado em torno do pescoço do recem-nato, e lhe provocava asfixia. Novamente o treinamento lhe veio à mente e, com uma rápida manobra, retirou a circular do cordão. Observou, então, que o bebê respirou profundamente. Em seguida, a ambulância chegou ao local, levando a mãe e o bebê para um hospital, onde chegaram ambos bem. Não demorou para que jornalistas se dirigissem ao posto policial para entrevistar aquele que se tornaria o herói do dia na cidade. Jornais on line, Rádio e TV noticiaram o fato inusitado e o policial era o centro das atenções. Mesmo com a agitação da cidade, a notícia chamou a atenção de muitos. No final da tarde, em uma padaria próxima ao posto de guarda, o policial não conseguia sequer lanchar. Era abordado por todos que queriam o seu relato. Emocionado, ele se dizia realizado por salvar a vida da criança. Muitos se sensibilizaram com a notícia. Na verdade, não foi apenas a vida daquela pequena criança que foi salva, mas a felicidade de toda uma família que aguardava seu nascimento. 
* * * 
Como esse policial, muitas são as pessoas que realizam atos de verdadeira bravura salvando vidas, auxiliando pessoas em momento de extrema necessidade, vencendo limites para ajudar o próximo. 
Sem dúvida, essas pessoas não agem sem proteção, pois muitas vezes realizam atos para os quais não estão aparentemente preparadas, e, por vezes, ultrapassam até mesmo suas resistências físicas. 
Quando alguém quer sinceramente agir no bem entra em sintonia com o mundo espiritual e recebe sua ajuda, sob forma de intuição, de coragem, de uma força que surpreende até mesmo aquele que a recebe. 
O verdadeiro herói age desinteressadamente. 
Não almeja a fama, não deseja recompensa que não seja a de ver o próximo feliz. 
Mas tais atos, quando noticiados, podem nos servir de exemplos.
Exemplos de abnegação, de dedicação, de doação ao próximo, de ausência de egoísmo. 
Enfim: exemplos de amor que transformam, diariamente, um incontável número de pessoas em verdadeiros heróis anônimos. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato. 
Em 30.04.2010.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

LIÇÕES DE AMOR E PERDÃO

Safiya de Raffaele Masto
O mundo conheceu o drama da mulher nigeriana que, por ter concebido fora do casamento, foi condenada a morrer apedrejada. 
Sua história comoveu o Mundo, mas poucos a sabem em detalhes.
Poucos sabem que ela, aos treze anos foi dada em casamento, pelos pais, a um homem de mais de cinquenta anos. Após ela ter quatro filhos, foi repudiada por esse marido, com a alegação de que não cuidara de forma eficiente das crianças, permitindo que duas viessem a morrer. Diga-se, de catapora, em uma região desolada, na savana nigeriana, com total falta de recursos. Quando o médico chegou, era tarde demais. Depois disso, ela se casou mais três vezes, tendo ao todo sete filhos. Conforme a Lei Islâmica, foi repudiada por mais duas vezes e, do último marido, ela mesma pediu o divórcio. Um primo distante, pertencente à família de seu pai a começou cortejar. Toda vez que ela saía, ele a encontrava. Falava-lhe coisas gentis, agradáveis, que a foram seduzindo. Prometeu-lhe casamento. Ela acreditou ter encontrado a felicidade. Quando engravidou, feliz, lhe deu a notícia. Ele a aconselhou a fazer um aborto clandestino, que ela não aceitou. Quando a gravidez não podia mais ser ocultada, ela foi denunciada à Corte Islâmica. 
Quem a denunciou? 
Não foram os vizinhos, amigos ou curiosos. 
Foi seu irmão. 
O irmão mais querido. 
Aquele que ela, ainda menina, auxiliara a cuidar, levando amarrado às costas muitas vezes. 
O drama vivido por essa mulher foi pungente. 
Humilhada, várias vezes, ao ter sua sentença de morte decretada, seu maior pesar foi que sua filhinha, Adama, ficaria sem mãe. 
Duas grandes lições essa mulher passou ao Mundo. 
A primeira, é que o fruto da sua ligação com o homem que a abandonou, o motivo da sua sentença de morte, é intensamente amado por ela. Em nenhum momento, ela deixou de olhar para a menina com olhos de muito amor. Mesmo condenada à pena capital, continuou a amamentá-la, acarinhá-la, considerando-a um presente de Deus. 
-Minha filha me dá forças, ela é o meu alento. – Dizia.
A outra grande lição é a do perdão incondicional. 
Quando foi decretada sua sentença, o irmão que a denunciara a foi visitar. Sem esperar que ele falasse, ela se aproximou dele e o abraçou. Ele estava arrependido do que fizera. Dera ouvidos a amigos, não pensara nas consequências finais. 
Misturaram as lágrimas. 
Ele se ofereceu para auxiliar a pagar o advogado que faria a apelação perante a Corte Islâmica. 
Safiya foi perdoada. 
Considerada inocente. 
Graças ao esforço de seu advogado e da grande pressão internacional. 
A sua história auxiliará, em seu país, a outras mulheres, com certeza. 
As suas lições de amor, de perdão, contudo, se fazem exemplo para o Mundo inteiro. 
* * * 
Safiya vive no mesmo lugarejo, ao norte da Nigéria. 
Ela tornou a se casar. 
Um jornalista italiano transformou em livro a sua história. 
Parte dos proventos advindos da venda do livro são doados a um projeto de apoio e assistência às mulheres e crianças nigerianas. 
Tudo realizado por uma ONG italiana, fundada em 1965. 
Ao todo, essa ONG trabalha em trinta e seis países da África, América Latina, Ásia e nos Bálcãs, envolvendo quase mil e oitocentos operadores.
A solidariedade não tem fronteiras. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Eu, Safiya de Raffaele Masto, ed. Verus. 
Em 10.1.2022.

domingo, 9 de janeiro de 2022

HEROI NUMA CADEIRA DE RODAS

AUGUSTO CURY
Havia um homem de 38 anos que tinha enormes cicatrizes no rosto. Suas marcas eram tão salientes que lhe deformavam a face. Em qualquer ambiente social que ele comparecia, as pessoas ficavam chocadas com a sua aparência. Além disso, era paraplégico, andava de cadeira de rodas. Seu filho Rodolfo tinha muita vergonha, e cresceu tentando escondê-lo. Não chamava os amigos para frequentar sua casa, nem o pai para participar de reuniões e festividades da escola. Certo dia Rodolfo contraiu uma gripe forte e faltou à aula. Por causa de um trabalho urgente, dado pela professora, os colegas foram até sua casa, sem avisar. Quando viram aquele homem ficaram atônitos. E Rodolfo mais ainda. 
-“Não se preocupem, sei que sou bonitão” – disse, bem humorado, o homem. 
E os garotos perceberam a doçura daquele homem mutilado pela vida. Enquanto faziam o trabalho tiveram algumas dúvidas e pediram ajuda ao homem feio, que os atendeu e lhes mostrou sua admirável cultura, pois lia mais de um livro por semana. Após o término do trabalho, uma pergunta fatal. Alguém perguntou por que ele estava naquela situação. Rodolfo ficou vermelho e preocupado, pois os pais nunca haviam lhe falado o porquê. Sempre evitaram a resposta. Então aquele homem dócil resolveu aproveitar a oportunidade para contar o que havia acontecido no passado. Quando Rodolfo ainda era um bebê, eles fizeram uma viagem e se hospedaram num hotel-fazenda. Ausentaram-se, ele e a mãe, por algum tempo, deixando Rodolfo com a babá. Quando retornavam perceberam que o hotel estava em chamas. Desesperado, o pai se embrenhou pelo meio do fogo e resgatou o filho. Mas no exato momento que entregou o bebê ao bombeiro, uma viga caiu sobre sua coluna jogando-o no chão, e as labaredas provocaram sérias queimaduras no seu rosto. Então, com profunda ternura, o pai de Rodolfo falou: 
-“A vida de meu filho era mais importante que a minha. Eu poderia morrer, mas lutaria para salvar a dele.” 
E acrescentou que as cicatrizes eram o sinal do amor intenso que sentia pelo filho. Disse a Rodolfo que não lhe contaram a história antes para que ele não se sentisse culpado, e pudesse crescer sem traumas. O garoto entendeu que não conhecia a intimidade de seu pai. Compreendeu que foi injusto e superficial todas as vezes que tentava esconder aquele herói dos seus amigos. Aprendeu que deveria conhecer, amar e curtir mais seus pais, enquanto ainda era tempo.
*** 
Bons filhos conhecem a história de seus pais, mas filhos brilhantes vão muito mais longe: conhecem os capítulos mais importantes de suas vidas.
Jovens com essa característica desenvolvem a arte de ouvir, dialogar, compreender. 
Adquirem a capacidade de se colocar no lugar dos outros, de superar conflitos e desenvolver relações saudáveis e felizes. 
Mesmo quando seus amores erram, eles agem como garimpeiros que procuram ouro no subsolo da história de quem amam.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 01, do livro Filhos brilhantes, alunos fascinantes, de Augusto Cury, Academia de Inteligência.

sábado, 8 de janeiro de 2022

HEROÍNAS

Heroína – substantivo. Feminino de herói. 
Quer dizer: pessoa extraordinária por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade. 
O Brasil tem suas heroínas. 
Algumas que se destacaram por sua coragem de perseguir seus próprios sonhos, vencendo num mundo de homens. 
Guerreiras outras, como a catarinense Anita Garibaldi, que viveu no século XIX. Durante a Revolução Farroupilha, no então Estado de São Pedro do Rio Grande do Sul, ela se uniu a Giuseppe Garibaldi, que a introduziu na revolução. Lutou no Brasil. Depois, lutou pela unificação e libertação da Itália, morrendo antes de completar trinta anos. 
Ou como Maria Quitéria Medeiros que, nas lutas pela Independência do nosso país, tomou o uniforme de soldado e se alistou com nome masculino. Quando, dias depois, foi encontrada pelo pai, o oficial não permitiu que ela fosse por ele levada de volta para casa. Ela era um soldado de valor e um exemplo de bravura. Chegou a ser promovida a alferes. Quando finalmente, foi dispensada, recebeu uma carta de recomendação do próprio Imperador, a fim de que não viesse a sofrer qualquer sanção por parte do pai. 
Mulheres. 
Heroínas. 
Como Zilda Arns, promotora da paz. Médica pediatra e sanitarista, fundadora da Pastoral da criança e da pessoa idosa. Uma ideia geradora movia sua ação, copiada da prática de Jesus: multiplicar. Não pães e peixes, como Ele fez, mas multiplicar o saber, a solidariedade e os esforços. Multiplicar o saber, repassando às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a alimentação adequada. Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve alcançar as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai. Tentar salvar a criança desnutrida, quase agonizante. Multiplicar esforços, envolvendo políticas públicas, ONGs, grupos de base, empresas. Enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem. Mas, antes de tudo, multiplicar a boa vontade generosa. E a grande promotora disso tudo foi Zilda Arns. Morreu longe do seu país, que tanto serviu. Morreu amando seus irmãos, no terremoto do Haiti, no dia 13 de janeiro de 2010, em Porto Príncipe. Fora ali para servir aos irmãos mais distantes. Jesus decidiu chamá-la para o Seu reino. 
Heroínas. 
Quantas mais poderíamos enumerar? 
Mas desejamos lembrar as mais anônimas e esquecidas. 
As que dão à luz a muitos filhos. 
E os sustentam. 
Mulheres que saem de casa quando a madrugada as cumprimenta, para enfrentar longa jornada de trabalho. 
Canavieiras, faxineiras, atendentes, executivas. 
Mulheres de mãos calejadas.
Mulheres muito alinhadas. 
Esposas e mães que, depois de enfrentarem horas de serviço remunerado, ainda têm tempo para amar. 
Têm tempo para serem mães, esposas, filhas, irmãs. 
Mulheres que alimentam bocas famintas, que trocam fraldas, que ensinam os reais valores da vida. Heroínas. 
Anônimas. Silenciosas, perseverantes. 
Promotoras da paz, da vida, do progresso. 
Heroínas. 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Anita Garibaldi, Maria Quitéria e Zilda Arns. Disponível no livro Momento Espírita, v. 10 e no CD Momento Espírita, v.30, ed. FEP. 
Em 6.9.2016.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

BANDA LARGA E MENTE ESTREITA

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
Toda banda larga é inútil, se a mente for estreita. 
Eis a ideia veiculada numa determinada campanha publicitária nacional, que toca numa temática bastante interessante. 
Nos tempos de desenvolvimento tecnológico incessante e revolucionário; nos tempos da velocidade da informação, e da conectividade, em tempo real, com o mundo todo, é necessário pensar. 
Pensar se tudo isso, realmente, está sendo utilizado em favor do desenvolvimento humano, ou é apenas mais uma distração criada pela alma imatura do homem terreno. 
Sim, pois, se pouco ou nada nos acrescenta como Espíritos, no que diz respeito ao nosso progresso moral, ao nosso melhor comportamento, de que nos adianta?
De que nos adianta ter a facilidade no acesso à informação, se não sabemos o que fazer com ela? 
De que adianta ficar sabendo de tantas e tantas coisas, se não sabemos selecionar o que eu quero e o que eu não quero para mim? 
Toda banda larga é inútil, se a mente for estreita. 
A mente estreita é esta que se perde em meio a tantas possibilidades, sem saber para onde ir. 
Naufragam ao invés de navegarem na Web. 
Gastam seu tempo querendo saber da vida dos outros, do que aconteceu aqui ou ali, inaugurando apenas uma nova forma de voyeurismo e fofoca – apenas isso. 
A mente estreita lê, mas não pensa sobre o que leu, não emite opinião, apenas aceita... 
A mente estreita prefere o contato virtual, dos perfis raramente sinceros, do que a conversa olho no olho, sem barreiras, sem máscaras. 
A tecnologia está à nossa disposição para nos ajudar. 
É o conhecimento intelectual engendrando o progresso moral, propiciando o adiantamento do ser humano, e não sua destruição. 
A chamada informação nunca foi tão fácil e farta, é certo, mas será ela, por si só, suficiente? 
O que mudou em nós, seres humanos, as agilidades tecnológicas da Nova Era? 
Tornamo-nos melhores? 
Mais caridosos? 
Mais dispostos a nos vermos todos na Terra como irmãos?
Talvez para alguns sim, os de mente larga e coração amplo. 
Tantas comunidades do bem na rede, tantas propostas nobres ligando pessoas em todo o mundo! 
Inúmeras mensagens de consolo, de esclarecimento, diariamente cruzam os ares virtuais da internet, e levam carinho e alegria a muitos lares infelizes. 
São muitos os exemplos de como os avanços intelectuais podem ser bem utilizados em favor do desenvolvimento humano. 
Sejamos nós estes de mente larga, que querem e trabalham pelo bem comum, das mais diferentes formas possíveis, e que se utilizam de mais este instrumento, para viver o amor. 
* * * 
O Universo é a condensação do amor de Deus, e somente através do amor poderá ser sentido, enquanto pela inteligência será compreendido.
Conhecimento e sentimento unindo-se, harmonizam-se na sabedoria que é a conquista superior que o ser humano deverá alcançar. 
Busquemos a plenitude intelecto-moral, conforme tão bem acentua o nobre Codificador do Espiritismo, Allan Kardec. 
Redação do Momento Espírita com citações do cap. Desenvolvimento científico, do livro Dias gloriosos, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia do médium Divaldo Franco, ed. LEAL. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. 
Em 7.1.2022.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

HEROÍNAS DO AMOR

Doutora Elisabeth Kübler-Ross
Muito se fala a respeito das mães e do poder de seu amor. Um dos casos mais significativos, com certeza, foi o que relatou a Doutora Elisabeth Kübler-Ross. 
No hospital onde trabalhava, encontrou uma senhora portadora de uma doença terrível e que já havia sido internada dez vezes. Cada vez passava um período no Centro de Terapia Intensiva e todos, médicos e enfermeiras, apostavam que ela iria morrer. Contudo, após as crises, melhorava e voltava para casa. O pessoal do hospital não entendia como aquela mulher continuava resistindo e não morria. Então, certo dia, a senhora Schwartz explicou que o seu marido era esquizofrênico e agredia o filho mais moço, então com dezessete anos, cada vez que tinha um dos seus ataques. Ela temia pela vida do filho, caso ela morresse antes que o menino alcançasse a maioridade. Se morresse, o marido seria o único tutor legal do filho. Ela ficava imaginando o que aconteceria com o rapaz nas mãos de um pai com tal problema. É por isso que ainda não posso morrer, concluiu. 
O que mantinha aquela mulher viva, o que lhe dava forças para lutar contra a morte, toda vez que ela se apresentava, era exatamente o amor ao filho. 
Como deixá-lo nessas circunstâncias? 
Por isso, ela lutava e lutava sempre.
A doutora, observando emocionada o sofrimento físico e moral daquela mulher, resolveu ajudá-la, providenciando um advogado para que aquela mãe, tão preocupada, transferisse a custódia do menino para um parente mais confiável. 
Aliviada, a paciente deixou o hospital infinitamente agradecida por poder viver em paz o tempo que ainda lhe restava. 
-Agora, afirmou, quando a morte chegar, estarei tranquila e poderei partir.
Ela ainda viveu pouco mais de um ano, entregando o Espírito em paz, quando o momento chegou. 
* * *
A história nos faz recordar de todas as heroínas anônimas que se transformam em mães, em nome do amor. 
Daquelas que trabalham de sol a sol, catando papel nas ruas, trabalhando em indústrias ou fábricas e retornam para o lar, no início da noite para servir o jantar aos filhos pequenos. 
E supervisionam as lições da escola, cantam uma canção enquanto eles adormecem em seus braços. 
E as mães de portadores de deficiências física e mental que dedicam horas e horas, todos os dias, exercitando os seus filhos, conforme a orientação dos profissionais, apenas para que eles consigam andar, mover-se um pouco, expressar-se. 
Mães anônimas, heroínas do amor. 
Todos nós, que estamos na Terra, devemos a nossa existência a uma criatura assim. 
E quantos de nós temos ainda que agradecer o desenvolvimento intelectual conquistado, o diploma, a carreira profissional de sucesso, a maturidade emocional, fruto de anos de dedicação incomparável. 
* * *
Quem desfruta da alegria de ter ao seu lado na Terra sua mãe, não se esqueça de lhe honrar os dias com as flores da gratidão. 
Se os dias da velhice já a alcançaram, encha-lhe os dias de alegria.
Acaricie os seus cabelos nevados com a ternura das suas mãos. 
Lembre a ela que a sua vida se enobrece graças aos seus exemplos dignos, os sacrifícios sem conta, as lágrimas vertidas dos seus olhos. E, colhendo o perfume leve da manhã, surpreenda-a dizendo: 
-Bendita sejas sempre, minha mãe. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 24, pt. 2, do livro A roda da vida, de Elisabeth Kübler-Ross, ed. Sextante. 
Em 19.05.2008.