terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A SABEDORIA DO BEM

Léon Tolstói
Quando, na Antiguidade, alguém queria matar um urso, pendurava uma pesada tora de madeira em cima de uma vasilha com mel. O urso empurrava a tora com força, a fim de afastá-la do mel. A tora voltava e o atingia. O urso ficava irritado, feroz, e empurrava a tora com mais força ainda, e esta o atingia por sua vez com muito mais força. Isso continuava até o urso ser morto. 
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Se nos fixarmos neste fato, numa reflexão rápida e despretensiosa, poderíamos afirmar que fazemos o mesmo quando pagamos o mal com o mal que recebemos dos outros. Pensamos então: Será que nós, seres humanos, não podemos ser mais sábios do que os ursos? Empurramos a tora cada vez com mais força, mesmo sabendo que ela irá retornar e nos ferir! As leis de Deus - em especial a lei de causa e efeito – é muito precisa ao nos revelar esta sua característica. Todas nossas ações são causas que irão gerar uma consequência no mundo. Quando retribuímos, com voz alterada e raivosa, uma palavra agressiva que nos fere o íntimo, estamos apenas empurrando a tora, e esquecendo o mel. Nesta analogia, o mel seria o entendimento com o outro, a felicidade, a paz que tanto desejamos. Só que, comumente, nos entretemos tanto com os empurrões da tora, que acabamos deixando o mel, a felicidade, esquecida num canto. O objetivo do urso nunca será empurrar a tora. Sua meta é o mel, o alimento. A tora é um obstáculo a contornar, um desafio apenas. Se o animal pudesse raciocinar como o ser humano, nessa situação em particular, certamente pensaria numa forma de cortar a corda que sustenta a tora, ou num jeito de retirar o pote de mel debaixo dela. Esta é a sabedoria do bem. Procurar outra alternativa que não a de retribuir o mal com o mal. A sabedoria do bem proporciona, ao recebermos palavras amargas, uma pequena reflexão antes da reação iminente. A sabedoria do bem busca compreender o momento do outro, a dor do outro, a angústia e infelicidades íntimas que o moveram a soltar pela boca o veneno que guarda na alma. A sabedoria do bem nunca é conivente com o mal, e nem mesmo tolerante com ele. É, sim, compreensiva com o outro ser. Tolerante, indulgente com seu irmão. A sabedoria do bem requisita criatividade, para que consigamos abrir a mente e pensar em outras soluções para resolver nossos problemas, que não a vingança. A vingança será sempre a ação mais reativa, menos pensada, e que trará, sem dúvida alguma, a tora de volta para nos machucar tantas e tantas vezes. A sabedoria do bem requisita amor. Amor pela vida, pelo Criador, sabendo que nenhum desastre, nenhum mal nos alcança sem razão. Só quem ama o Criador confia em seus desígnios, confia que tudo acontece para nosso bem e, dessa forma, não cultiva ódio por seus opositores na Terra, apenas compaixão. Só a sabedoria do bem consegue eliminar os círculos viciosos nos quais nos aprisionamos ao longo dos milênios. Só a sabedoria do bem em ação irá expulsar deste mundo a guerra, o ódio e a violência. 
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O verdadeiro ensinamento do amor é forte: ele mata o mal antes que o mal possa crescer e tornar-se poderoso. 
Redação do Momento Espírita, com base em trechos do livro Pensamentos para uma vida feliz, de Léon Tolstói, ed. Prestígio. Em 10.1.2017.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UM CORAÇÃO BRILHANTE

Jennifer Love-Hewitt é uma atriz de seriado de televisão e foi convidada para uma festa beneficente, organizada por uma instituição que ajuda crianças portadoras do vírus da AIDS. Havia muitas barraquinhas espalhadas pelo pátio da instituição promotora, mas as crianças tinham se aglomerado ao redor de uma em especial. Jennifer verificou que todas as crianças recebiam pequenos recortes de tecidos que deveriam ser pintados, para depois serem costurados, formando uma colcha. O objetivo era presentear um dos diretores, que tinha dedicado grande parte da sua vida à organização e estava se aposentando. Potes com as cores mais variadas foram distribuídos, além de pincéis. As crianças pintaram corações cor-de-rosa, nuvens azuis, flores verdes e roxas, um lindo pôr-de-sol alaranjado. Todos os desenhos eram positivos, animadores. Exceto um. Um menino pintava um coração escuro, vazio, sem vida. No primeiro momento, ela pensou que ele estava usando cor escura porque talvez tivesse sido a única tinta que sobrara. Mas, quando ela perguntou a razão, o menino disse que o coração era daquela cor porque o seu próprio coração estava se sentindo escuro. Tanto ele quanto sua mãe estavam muito doentes e nunca iriam melhorar. Ninguém pode fazer nada para ajudar, terminou dizendo. A artista se sentou ao seu lado e falou que sentia muito que ele estivesse doente e que podia entender porque ele estava tão triste. Até podia entender porque ele pintara o coração escuro. Mas, não era verdade que ninguém podia fazer nada. Talvez as pessoas não pudessem curar a ele, nem sua mãe. Entretanto, algumas coisas podiam ser feitas. Aprendi, continuou explicando, que dar abraços bem apertados ajuda de verdade quando se está triste. Se você quiser, eu posso lhe dar um abraço. O menino pulou nos braços dela e tanto deu quanto recebeu um apertado e longo abraço. Ele ficou ali, sentado no colo, um bom tempo. Depois desceu para terminar o desenho. Ele disse que se sentia melhor, mas continuava doente, ninguém iria mudar aquilo. E concluiu a sua pintura escura de um coração vazio e sem vida. Ela sentiu uma dor aguda por dentro e, triste, se afastou. No final do dia, Jennifer estava se aprontando para ir para casa quando sentiu que alguém lhe puxava pelo casaco. Quando se virou, o menininho estava ali de pé, com um sorriso no rosto. Moça, sabe, eu vim lhe dizer que meu coração está mudando de cor. Está ficando mais brilhante. Acho que aqueles abraços apertados funcionam mesmo. Ela se ajoelhou, para ficar do tamanho dele e trocaram um novo e demorado abraço. No caminho de casa, ela mesma sentiu que seu próprio coração também tinha mudado para uma cor mais brilhante. 
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DIVALDO PEREIRA FRANCO
O amor tem capacidade transformadora. O sorriso, o abraço, um momento de atenção traduzem valiosas manifestações do amor e onde quer que se apresentem, transformam a dor em esperança, a solidão em conforto. O amor acende luz na escuridão das vidas em desalento e transforma a terra árida dos corações em jardim ou pomar. Quando a criatura ama com profundidade real, esquece de si mesma e seu amor tem a capacidade de libertar as vidas, porque o amor é a força do bem inteiramente livre e saudavelmente direcionada. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Coração brilhante, de Jennifer Love-Hewitt, da obra Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante e cap. 21 da obra Perfis da vida, do Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 22.08.2011.

domingo, 8 de janeiro de 2017

UM COPO DE LEITE

Um dia, um rapaz pobre, que vendia mercadorias de porta em porta para pagar seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos. A fome o maltratava. Decidiu que pediria comida na próxima casa em que batesse. Porém, quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta, seus nervos o traíram. Em vez de comida, ele só teve coragem para pedir um copo de água. A jovem descobriu nele um rapaz faminto e, em vez de água, lhe deu um grande copo de leite. Ele bebeu devagar. Depois, receoso, perguntou: 
-Quanto lhe devo? 
-Não me deve nada, respondeu ela. Minha mãe sempre me ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa. 
Ele disse: 
-Pois eu te agradeço de todo coração. 
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte. Antes, ele estava resignado a se render e deixar tudo. Agora, estava disposto a prosseguir na luta até a conquista do que idealizara para a sua vida. Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos quanto ao correto diagnóstico e conseqüente tratamento. Finalmente, a enviaram para a cidade grande, onde chamaram um especialista para analisar sua rara enfermidade. O especialista não era outro senão o Dr. Howard Kelly. Quando lhe apresentaram a ficha da enferma e ele soube o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu os seus olhos. Imediatamente, vestido com a sua bata de doutor, foi ver a paciente. Reconheceu imediatamente aquela mulher. Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar especial atenção para aquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da doente, ele ganhou a batalha. Quando ela se preparava para ter alta, o Dr. Kelly pediu para a administração do hospital que lhe deixasse ver a fatura total dos gastos, a fim de que a pudesse aprovar. Ele a conferiu, item por item, depois escreveu alguma coisa e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abrir a fatura, porque sabia que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos. No entanto, quando se decidiu a abrir o envelope, algo lhe chamou a atenção. Em letras caprichadas, mas firmes, havia uma anotação: 
-Pago totalmente, faz muitos anos, com um copo de leite. Assinado: Dr. Howard Kelly. 
E lágrimas de intensa alegria correram dos olhos daquela mulher, que se lembrou de orar nos seguintes termos: 
-Graças, meu Deus, porque Teu amor se manifestou nas mãos e nos corações humanos. 
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Imensa é a generosidade dos corações que se manifesta das mais variadas formas. Basta um pequeno toque, um pequeno pedido, e eis a generosidade se transformando em alimento, agasalho, abrigo, acolhida, companhia. E porque a generosidade espanca a miséria, transformando patrimônio em lares, pedras em pães, horas preciosas em alfabetização, a esperança prossegue luzindo nas almas, conduzindo-nos a um mundo de paz, onde todos nos daremos as mãos, na qualidade de irmãos. 
Redação do Momento Espírita, a partir de texto intitulado Um copo de leite, de autoria desconhecida. Em 30.08.2010.

sábado, 7 de janeiro de 2017

COOPERADOR

Imagine-se em frente a um violino. Instrumento que lhe espera sensibilidade e inteligência, atenção e carinho para vibrar com você na execução de uma melodia. Se você o toma de arranco, é possível que lhe caia das mãos, desafinando-se, quando não seja perdendo alguma peça. Se esquecido em algum recanto, é provável se transforme em ninho de insetos que lhe dilapidarão a estrutura madeirada. Se usado, à feição de martelo, fora da função a que se destina, possivelmente se despedace. Entretanto, guardado em lugar próprio e manejado na posição certa, como a lhe escutar o coração e o cérebro, ei-lo que lhe responde com a sublimidade da música. Assim, igualmente na vida, é o companheiro de quem você espera apoio e colaboração. Chame-se familiar ou companheiro, chefe ou subordinado, colega ou amigo, se você lhe busca o auxílio, a golpes de azedume e brutalidade, é possível lhe escape da área de ação, magoando-se ou perdendo o estímulo ao trabalho. Se largado ao menosprezo, é provável se entregue a influências infelizes, capazes de lhe envenenarem a alma. Se empregado por veículo de intriga ou maledicência, fora das funções edificantes a que se dirige, talvez termine desajustado por longo tempo. Mas, se conservado com respeito, no culto da amizade, e se mobilizado na posição certa, como receber de você as melhores vibrações do coração e do cérebro, ei-lo a lhe corresponder com a excelência e a oportunidade da colaboração segura. Tal cooperação será erguida em bases de amor que é, em tudo e em todos, o supremo tesouro da vida. 
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Sem indulgência e compreensão é impossível encontrar cooperadores eficientes e dignos. A convivência constante é desafio ofertado a todos nós, do qual precisamos sair vencedores. Os companheiros que nos parecem mais difíceis no conviver, são instrumentos da ordem universal, lapidando nossas virtudes ainda brutas. O chefe rotulado como intolerante e grosseiro, é convite para que desenvolvamos a tolerância e o perdão. Não podemos mudar as pessoas, mas podemos mudar o modo de enxergá-las. O subordinado desatencioso e ineficiente é, muitas vezes, aprendiz da vida, que chegou a nossas mãos para que lhe ensinemos a ser melhor. Frequentemente as pessoas mais desprezíveis, em nossa superficial avaliação, guardam tristeza imensa na alma, cicatrizes que ainda machucam muito e que nosso julgamento precipitado nunca reconhece. O vizinho de mesa no ambiente de trabalho é alma como a nossa, com os mesmos direitos que nós mesmos. Jamais nos coloquemos em posição de superioridade vaidosa e egoística. Todos temos direito a dias ruins, quando o humor está abalado e o sorriso não quer aparecer. Todos, inclusive nosso companheiro de trabalho. A harmonia da convivência, mesmo com estranhos e pessoas muito diferentes de nós, só será conquistada quando passarmos a olhá-los com compaixão e empatia. Ouviremos então uma orquestra tocando bela música, com violinos, violas, violoncelos e baixos - instrumentos diferentes, mas que tocam a mesma melodia de amor. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 20,do livro Caridade, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Ide. Em 31.07.2012.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

OS ESPÍRITOS QUE NOS PROTEGEM

No livro bíblico intitulado Livro de Tobias, conta-se que um pai procurava um acompanhante para seu filho, de nome Tobias, jovem e inexperiente, que deveria realizar longa e perigosa viagem. Um moço se apresentou e foi selecionado por aquele pai, iniciando-se a viagem. Em certo momento da jornada, um peixe muito grande foi pescado por Tobias e seu acompanhante o orientou para que tivesse o cuidado de extrair o fígado do animal e guardá-lo, cuidadosamente. No percurso, mais de uma vez, os conselhos e cuidados do moço foram especialmente importantes para o êxito da viagem. Os dois chegaram ao seu destino, Tobias concretizou a tarefa que lhe incumbira seu pai e retornaram, sãos e salvos. Grande foi o júbilo daquele pai em ter de retorno seu filho, ileso, com saúde. Ao agradecer, de forma efusiva, ao dedicado acompanhante, é surpreendido com uma atitude dele. O jovem orienta Tobias para que prepare, de forma peculiar, o fígado do peixe que havia sido pescado na viagem. Depois, lhe diz para que coloque a pasta que fizera sobre os olhos do seu pai, que era cego. Para surpresa de todos, esse logo teve restaurada a sua visão. Ainda mais reconhecido, o pai deseja recompensar regiamente aquele homem. Contudo, ele desaparece ante seus olhos, dando-se conta todos de que se tratava de um anjo do Senhor. Este relato nos diz da dimensão do atendimento espiritual. Um mensageiro celeste se faz visível e cuida, com desvelo, de uma família. Acompanha o jovem filho na longa viagem. Auxilia-o a cumprir a missão de que lhe incumbira o pai. Orienta-o, ademais, no preparo de medicação que propiciará a cura da cegueira do patriarca da família. Quantas bênçãos dispensadas! Assim também é na nossa vida, embora com maior sutileza. Todos os dias, através de intuições, de ideias felizes, nos chegam orientações de procedimentos a serem adotados, em situações específicas. Quase sempre, levamos à conta de nossas próprias ideias, sem agradecermos aos mensageiros de Deus por isso. Vezes incontáveis somos salvos de perigos iminentes, desviados de situações embaraçosas por esses abnegados seres espirituais, que por nós velam, a mando do Pai de todos nós. Eles se mostram sempre atentos, desincumbindo-se de forma especial de suas missões. Se prestarmos atenção, poderemos lhes perceber as presenças amigas, inúmeras vezes, socorrendo-nos, auxiliando-nos. Busquemos lhes seguir as vozes para sermos mais felizes e exitosos em todos os nossos empreendimentos.
Redação do Momento Espírita, com base no livro bíblico O livro de Tobias. Em 6.1.2017.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

COOPERAÇÃO

Somos seres sociais. A vida em sociedade está em nossa natureza. Qualquer insulamento voluntário se choca com nossa característica essencial de viver em sociedade, de manter uma vida de relação. Como o progresso é lei da vida, ao ser humano é necessário progredir e será justamente o contato social, com todos os atritos e aprendizados que daí decorrem, o grande fomentador desse progresso. É fácil perceber que, em nosso estágio evolutivo, não dispomos de todas as condições necessárias para impulsionar o nosso próprio progresso. Será, pois, nas relações com o próximo que iremos desenvolver competências e virtudes que ainda nos faltam. Por isso, a Providência Divina nos oferece a oportunidade da convivência com uma diversidade grande de pessoas, para que possamos aprender e ensinar, uns aos outros. Na intimidade familiar, encontraremos aqueles que nos servem de referência e são estímulo e exemplo para nosso progresso. Aí teremos também aqueles que nos exigirão maior dedicação e empenho, posto que ainda estagiam em diferentes esferas de entendimento e ação. No ambiente profissional, haverá os mais aquinhoados em capacidades técnicas e intelectuais. E os que caminham com dificuldades e limitações em suas ações. Na sociedade, nos círculos mais próximos, ou mesmo nos contatos mais esporádicos, encontraremos aqueles que estão à nossa frente ou passos atrás.
Haveremos de encontrar muitos que nos servirão de mestres e exemplos, assim como seremos professores e modelos para outros. A lei de cooperação faz parte dos códigos Divinos e funciona como ferramenta de aprendizado para todos nós. Agir de maneira cooperativa está em nossa natureza e devemos nos sentir estimulados a tais atitudes. Termos em mente que, da mesma forma que cooperamos com alguém, também recebemos o auxílio de outros, é sinal de maturidade. Nenhum de nós consegue permanecer na existência terrena de maneira lúcida e proveitosa, isolando-se. Ninguém é de tal sorte autossuficiente que não precise de alguém. O eminente cientista necessita da humilde cozinheira para suas necessidades nutricionais. O grande executivo precisa da ação da faxineira para ter seu ambiente de trabalho asseado e organizado. A vida em sociedade é complexa teia de cooperação, onde cada um de nós é convidado a exercer o seu papel. As falhas provenientes de um ou de outro geram distúrbios nessa estrutura, mas acabam sendo solucionadas naturalmente. Contudo, quando evitamos participar e agir em cooperação, a perda é nossa. Estender a mão ao próximo é oportunidade de aprendizado, mesmo sendo alguém com menores recursos e capacidades, constituindo-se ocasião de exercitarmos virtudes preciosas, como a paciência e a compreensão. Portanto, agir com a disposição de cooperar, de estender a mão, de auxiliar, é entendimento salutar e prova de maturidade quanto ao alto significado da existência terrena. Redação do Momento Espírita. Em 14.3.2015.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CONSTRUÇÃO DO TERCEIRO MILÊNIO

Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia
Os pessimistas dizem que o mundo não tem jeito, que só se pode esperar coisas piores para o futuro. Os saudosistas afirmam que hoje não há respeito, nem preservação dos verdadeiros valores. Enfim, tudo se encontra em declínio. Os otimistas veem o que ocorre, as dificuldades, os desacertos, as discrepâncias sociais e assumem uma postura de quem deseja colaborar para mudar a face do mundo. São os que saem a campo, fazendo o que possam. Uns vão ao encontro dos enfermos para lhes proporcionar alívio. Outros resolvem amenizar o frio e a fome do seu próximo. Outros elegem o caminho mais árduo. Investem na educação das novas gerações. Sem medir esforços, como professores contratados ou como educadores voluntários, vão acender luzes nos cérebros e semear sensibilidade nos corações. Numa dessas manhãs, em que nos decidimos conhecer benemérito trabalho junto à infância carente, comparecemos à veneranda instituição que, há sessenta e três anos, acende archotes de saber nas ruelas da ignorância. A classe era de meninos de cinco a seis anos. Falava-se a respeito das profissões: a dignidade do labor de cada dia, o enobrecimento da criatura através do trabalho. Desejando estabelecer um diálogo com os garotos, depois de alguns minutos de explanação, a professora passou a indagar a respeito da profissão que cada um desejaria seguir. 
-Eu quero ser ladrão! 
Disse um menino, convictamente. 
-Eu quero ser assassino, como meu pai. 
Chocamo-nos com as respostas. Não a experiente mestra que, sem demonstrar enfado ou surpresa, a todos ouviu, aduzindo uma palavra aqui, outra ali. 
-E agora? 
Pensamos. Verificamos que aqueles meninos, apesar de tudo que recebiam, ali, em termos de valores individuais, tinham suas próprias e precisas ideias. Contudo, logo mais, nos dirigimos a uma outra ala da instituição. Duas casas de bonecas estavam montadas. Casas que são para meninos e meninas. Casas com mesas, cadeiras, armários, com muitas bonecas, carrinhos, bolas, brinquedos de montar. E vimos a continuidade das mensagens do bem. Atendentes ensinando a meninos e meninas tomarem das bonecas e as acarinharem, abraçarem. Vimos a criançada com os brinquedos de montar, incentivados a criar bonecos, móveis, utensílios, carros... em vez de revólveres, tanques de guerra e apetrechos agressivos. Vimos meninos com bonecas ao colo, brincando de pai, num conceito diverso do que vivem, muitos deles, em seus próprios lares. Vimos meninas brincando de preparar o almoço e servir aos colegas e às bonecas. Vimos tanto amor, tanto cuidado, tanta dedicação. A resposta pacífica a um mundo violento. O ensinar, brincando, àqueles pequeninos, que o mundo não é somente o mal, que o amor pode tudo transformar. E eles aprendem porque abraçam seus professores e se deixam abraçar, longamente, na chegada e na saída da instituição. Sorriem aos visitantes, espontaneamente vão ao seu encontro e abraçam. Vimos ali o mundo novo. Mundo que está sendo construído a pouco e pouco, naquelas mentes infantis que levarão a mensagem para onde quer que se encaminhem, na vida. 
Tornar-se-ão homens de bem? Só o futuro dirá. Mas a boa semeadura está sendo realizada, dia após dia, semana após semana. Construção do Terceiro Milênio... 
Redação do Momento Espírita, com relato de observações colhidas em visita à Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia, no dia 8 de setembro de 2010. Em 4.1.2017.