terça-feira, 14 de janeiro de 2025

MÉDICO INTERNO

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Nosso corpo é uma excelente máquina formada por equipamentos delicados, que são comandados pelo Espírito através do cérebro. 
É assim que as trilhões de células obedecem às ordens da mente. 
Quando temos a propensão para o pessimismo, o ressentimento, o desamor, cargas nocivas são elaboradas e atiradas nos mecanismos encarregados de preservar nosso organismo, produzindo muitos males. 
De igual maneira, as disposições otimistas e afetuosas produzem energias refazentes, que recuperam os desarranjos momentâneos dos órgãos que constituem nossa máquina fisiológica. 
Nosso corpo é um laboratório de gigantescas possibilidades, sempre suscetível de se desarranjar ou de se recompor, conforme as vibrações emitidas pela mente. 
A mente é uma espécie de centro de controle que envia mensagens para todos os pontos de nossa organização física.
Baseados nisso, podemos dizer seguramente que possuímos em nós um médico interno, que o Espírito encarnado comanda, aguardando diretrizes para agir corretamente. 
Esse médico está sempre disposto a nos fazer retornar ao estado natural de saúde. 
Basta que acionemos os comandos específicos para isso.
Quando esse médico é desconsiderado e deixa de atuar, é superado pelos fatores destrutivos, igualmente presentes na organização fisiológica, prontos à desgastante tarefa da doença com todas as suas complicações. 
Esse médico interior pode e deve ser orientado pelo pensamento seguro, pelas disposições do ânimo equilibrado, pela esperança de vitória, pela total confiança em Deus e na oração, que estimulam todas as células para o desempenho correto da finalidade que lhes diz respeito. 
Ficaremos livres de muitas doenças quando soubermos aproveitar essas imensas possibilidades que dormem em nós.
Descobriremos os caminhos da autocura, do diálogo amistoso com nosso corpo físico, não mais lutando contra ele, contra as dores, contra suas vontades, mas sabendo escutá-lo e compreendendo suas reais necessidades. 
* * * 
O médico interno necessita de paz para trabalhar. 
Ninguém consegue desempenhar um trabalho minucioso e delicado em meio à balbúrdia, à agitação. 
Silêncio. 
Proporcionemos a nós mesmos momentos de silêncio interior.
Caso não tenhamos condições de fazê-lo por conta própria, peçamos ajuda. 
Utilizemos alguma das inúmeras técnicas de meditação, de autoencontro e de recolhimento disponíveis no mundo.
Tranquilizemos a mente agitada. 
Façamos exercícios saudáveis. 
Mudemos o foco dos pensamentos. 
Agradeçamos pela vida. 
Agradeçamos pelo corpo que recebemos. 
Vibremos pela saúde dele, desejando que possa estar em plenas condições de usufruir as oportunidades da existência.
Nunca nos revoltemos contra ele. 
Não sejamos inimigo de suas dores. 
Aprendamos com elas porque estão apenas sinalizando um local que pede nossa atenção imediata, uma região em desequilíbrio. 
Desejemos saúde a nós mesmos, diariamente, da mesma forma que desejamos aos seres que mais amamos. 
Cuidemos do corpo e dos sentimentos e emoções. 
Nosso médico interno fará o resto. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 20, do livro Desperte e seja feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 31.05.2017.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

QUE GOSTO TÊM AS NUVENS?

-Pai, que gosto têm as nuvens? – Perguntou o garotinho de sete anos ao pai, do banco de trás do carro. 
Era um lindo dia de sol. 
O céu azul fazia um fundo luminoso para as brancas nuvens que desfilavam lentamente pelo espaço. 
O pai foi pego de surpresa. 
Sua mente não estava nas nuvens. 
Estava no trânsito, nas coisas a fazer, nos problemas a resolver. 
A força da gravidade exercida sobre o pai não era a mesma que atraía o filho para o centro da Terra. 
O menino pensava no gosto das nuvens... 
O pai pensava em chegar logo em casa. 
Mas, certas perguntas das crianças têm poderes mágicos! 
E essa fez com que ambos, pai e filho, desejassem estar mais próximos das formações nebulosas do céu de anil. 
O pai sorriu. 
Adorou a pergunta. 
Não era nada lógica, e seu dia havia sido cem por cento lógico, racionalizado. 
Ele topou o desafio e flutuou com o filho pelos ares, naquele final de tarde ensolarado. 
E os dois começaram a apresentar suas ideias... 
O pai partiu do conhecimento que tinha e falou do vapor d’água. 
O menino não gostou muito da proposta e, logo estavam em outro mundo, falando de algodão doce, de lã, e tantas outras coisas maravilhosas que foram surgindo por ali. 
O filho terminou dizendo, categórico: 
-É, pai, acho que as nuvens têm gosto de branco. 
-Acho que você está certo, meu filho... Acho que você está muito certo... 
Ao final da conversa, estavam gargalhando e pousaram de volta dentro do carro, a caminho de casa.
O pai gostou tanto da brincadeira e estava tão feliz que, quando estavam quase chegando, voltou-se para o filho e perguntou: 
-Filho... Que cheiro será que tem o sol? 
* * * 
Há tantas maneiras de se ajuntar tesouros no céu! 
A orientação segura de Jesus, em Seu Sermão do Monte, diz respeito aos tesouros das boas obras, das produções do bem, que nos levam ao enriquecimento moral. 
Os tesouros da Terra são frágeis realmente. 
Vemos isso todos os dias. 
Pequenas quantias, quanto grandes fortunas mudam de mãos, em um piscar de olhos, das mais diferentes formas possíveis. 
Porém, o tesouro dos sentimentos nobres, representado por Jesus, pela palavra coração, esse é indestrutível, não muda de mãos, pois nem sequer está nas mãos. 
É como o gosto das nuvens. 
Breves instantes de alegria, de conversa amigável com um filho, a esposa, o pai, é tesouro que as traças nem a ferrugem consomem. 
Assim, não permitamos que a agitação dos dias nos leve para longe de nós mesmos, nos leve para longe de nossos amores, pois sabemos que, muitas vezes, estamos próximos fisicamente, mas muito distantes... 
Reservemos tempo para os passeios pelas nuvens, para os instantes de descontração, sem a ameaça da contagem regressiva de um relógio. 
Descobriremos que as nuvens têm um gosto maravilhoso, que o sol tem um perfume sem igual, e que as risadas de nossos amores ficam gravadas na alma por toda a eternidade.
Tesouros do coração. 
-Pai, que gosto têm as nuvens? 
Redação do Momento Espírita 
Em 13.01.2025

domingo, 12 de janeiro de 2025

RECORDANDO O PASSADO

Tudo era muito natural. 
As frases eram ditas nos momentos mais descontraídos e menos esperados. 
Como naquele dia em que, passando por um bazar, a mãe viu no cesto de brinquedos um avião e o comprou, dando-o ao filho James. 
-Veja, comentou ela, é um avião de caça. Tem até uma bomba presa na parte de baixo. 
O garoto olhou para o aviãozinho, virou-o de cabeça para baixo e declarou: 
-Não é uma bomba, mamãe. É um tanque “decatável”. 
Andrea não tinha a menor ideia do que era um tanque descartável. 
Foi somente ao falar com o marido que soube se tratar de um tanque extra de gasolina. 
Algo que os aviões usavam para estender a autonomia de voo. 
Os pais estavam surpresos. 
Seu filho nem sabia pronunciar corretamente a palavra mas dizia que aquilo era um tanque descartável. 
Como ele poderia saber desse detalhe? 
Seus desenhos também registravam uma peculiaridade. 
Eram cenas de batalhas, com balas e bombas explodindo pela página inteira. 
Claramente violentos. 
Ele desenhava uma batalha naval, mas sempre havia aeronaves no céu. 
E se alguém pudesse pensar que ele vira na TV, não era verdade. 
A mãe era extremamente cuidadosa quanto aos programas.
Os detalhes eram impressionantes. 
As cenas retratavam aviões com hélices. 
Nada de jatos ou mísseis. 
Era um ambiente antigo, que lembrava cenas da Segunda Guerra Mundial. 
E havia mais uma particularidade. 
James sabia o nome dos aviões que desenhava. 
Eram aviões americanos Wildcats e Corsairs. 
Sabia também os nomes dos aviões com o sol vermelho na fuselagem: Zekes ou Bekys. 
Quando o pai perguntou por que os aviões japoneses tinham nomes de meninos e meninas, ele explicou: 
-Os aviões dos meninos são caças. Os das meninas são bombardeiros. 
A busca realizada pelo pai, na internet, revelou ser a mais pura verdade. 
Extraordinariamente, o garotinho de três anos assinava seus desenhos como James três. 
Afirmava que ele era o terceiro James. 
-Sou o James três. 
Isso somente bem mais tarde os pais descobririam o significado. 
O seu pequeno, que começou a ter lembranças estranhas, aos dois anos de idade, era a reencarnação do piloto americano James Huston Jr. 
Ora, se era Junior, seu pai se chamara James. 
E como agora, ao renascer, ele recebera o nome de James, era o terceiro. 
* * * 
Lembranças espontâneas são registradas por algumas crianças. 
Esses casos são estudados, com detalhes e apresentados como provas da existência das vidas múltiplas.
Crianças que, mesmo nascidas em famílias que não cogitam e nem admitem a reencarnação, afirmam com todas as letras e provam, com detalhes, que viveram anteriormente. Reencarnação não é doutrina recente.
Encontramos o ensino na Antiguidade egípcia, grega, entre os hebreus. 
Jesus a ensinou dizendo que para entrar no reino dos céus era preciso nascer de novo. 
Uma lei divina que a pouco e pouco vamos entendendo um tanto mais e constatando que somente através do progresso das vidas sucessivas podemos admitir a integral Justiça Divina. 
Redação do Momento Espírita, com base nos cap. 2 e 16, do livro A volta, de Bruce e Andrea Leininger, com Ken Gross, ed Best Seller. 
Em 11.1.2025
https://momento.com.br/pt/index.php

sábado, 11 de janeiro de 2025

MÉDICO DE ALMAS

Taylor Caldwell
O menino Lucas nutria um grande amor por Rúbria, sua companheira de brincadeiras. 
Como cresceram juntos, Lucas acompanhou desde a meninice o precário estado de saúde da amiga. 
Rúbria possuía a doença branca e pouco se sabia na época sobre essa doença. 
A enfermidade por vezes cedia, permitindo bem-estar a Rúbria por algum tempo, mas depois voltava, cruel. 
Nas crises, ela tinha terrível falta de ar e hemorragias pelo corpo. 
Muitas vezes Lucas a viu à beira da morte. 
No entanto, houve um tempo em que a doença cedeu por vários anos. 
Durante aquele período o amor que Lucas sentia por Rúbria amadureceu. 
SÃO LUCAS
Na época, ele tinha aproximadamente dezesseis e ela catorze anos, e todos os planos da vida de Lucas incluíam Rúbria.
Lucas interessou-se pela medicina desde muito jovem e, assim que estivesse pronto, iria para a Escola de Medicina de Alexandria. 
Mas, infelizmente, a jovem voltou a adoecer e, depois de alguns meses de sofrimento físico, ela morreu. 
Naquele momento, toda alegria e serenidade, toda paz que Lucas sempre cultivara se converteram em uma revolta sem tamanho, tristeza e dor indefiníveis. 
Lucas sempre acreditou na existência de Deus mas, com a morte de Rúbria passou a sentir ódio de Deus. 
Aquilo só podia ser uma maldição. 
Por que Deus levou justamente a sua amada, e com ela todos os seus planos de felicidade? 
Como pôde Deus privar o mundo da presença de Rúbria?
Agora ela estava morta, perdida por toda a eternidade. 
Lucas tornou-se inimigo de Deus e prometeu vingar-se, tamanha sua revolta, seu desespero, sua tristeza. 
Decidiu medir forças com Deus. 
Toda vez que Deus tentasse levar alguém pela doença, ele iria curar esse alguém para que Deus não fosse vitorioso. 
Mas Lucas tinha um coração amoroso, só estava ferido. 
E, apesar de sua briga com Deus, devotou toda sua vida no auxílio aos desafortunados. 
Mesmo tendo recebido muitas ofertas para trabalhar em Roma, a capital do Império, ele preferia trabalhar como médico nos navios, pois sabia que deveria estar onde precisassem dele. 
Mesmo magoado com Deus, Lucas vivia as Leis Divinas. 
E, por sua conduta e amor ao próximo, acabou encontrando Paulo de Tarso e, através dele, o consolo de que tanto necessitava. 
A Boa Nova do Cristo acalentou o coração de Lucas, pois lhe mostrou a imortalidade da alma, a bondade e a justiça Divinas, a individualidade da alma, a possibilidade do reencontro com a mulher amada. 
Quando o Evangelho do Cristo abriu as portas do infinito ao jovem médico e lhe mostrou um Deus justo e bom, seu coração encontrou a paz que havia perdido com a morte da sua amada. 
E Lucas passou a ser também médico de almas, aliviando corações dilacerados pela dor da separação, com o bálsamo do Evangelho de Jesus. 
Por sugestão de Paulo, o grande Apóstolo dos Gentios, Lucas resolveu ser um divulgador da Boa Nova. 
Foi ele que escreveu o terceiro Evangelho e os Atos dos Apóstolos. 
* * * 
EMMANUEL E CHICO XAVIER
No início, os seguidores do Cristo eram chamados viajores, peregrinos, caminheiros. 
A comunidade deles se chamava Caminho. 
Por essa razão eram chamados homens do Caminho. 
Foi Lucas quem sugeriu que os discípulos do Cristo fossem chamados cristãos. 
Lucas, apesar da dor causada pela morte da mulher amada, não se entregou ao desânimo nem à depressão, mas foi à luta. 
E foi com as mãos no trabalho que um dia ele encontrou o grande tesouro da sua vida: a certeza da imortalidade da alma. 
Esta verdade que Jesus não só ensinou, mas voltou do túmulo para provar. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Médico de homens e de almas, de Taylor Caldwell, ed. Record e no cap. IV, pt. 2, do livro Paulo e Estêvão, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. 
Em 14.10.2011.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A ALEGRIA DOS OUTROS

Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe: 
-Chico, eu quero que você formule uma pergunta a Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação. Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo? Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa. O que me falta, Chico? 
O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:
-Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a “alegria dos outros”! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo... 
A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui. 
É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a “alegria dos outros”. 
* * * 
Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas que transitaram pela Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação? 
Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta? 
Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros. 
Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos. 
Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele. 
É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem. 
Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida. 
Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível. 
Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira. 
É a lei maior de amor, a lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade. 
Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido: 
-É este o caminho... Continue... 
* * * 
Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.
Sejamos nós os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais. 
E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade. 
Redação do Momento Espírita, com base em relato sobre episódio da vida de Francisco Cândido Xavier, de autoria ignorada. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP.
Em 10.1.2025.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

MEDICAMENTO EFICAZ

Quem visse aquele homem adquirindo tantos brinquedos, logo pensaria: 
-Nossa! Ele deve ter muitos filhos e sobrinhos. 
Contudo, o cardiologista do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, não tem filhos.
Há mais de uma década, ele repete o mesmo ritual. 
Ao longo do ano, vai comprando centenas de brinquedos e os estoca num dos quartos do seu apartamento, em Copacabana. 
São bolas, petecas, carrinhos e bonecas. 
Na semana que antecede o Natal, ele retira todos os brinquedos do quarto, separa-os por sexo e faixa etária e os coloca em grandes sacos vermelhos. 
Então, com a ajuda de enfermeiras e residentes do hospital, ele distribui os presentes entre as crianças internadas. 
-Não custa nada você tirar alguns dias do ano para distribuir alegria e calor humano entre os pacientes de um hospital, comenta ele. 
Naturalmente, dedicando-se a promover essas alegrias, há treze anos, ele tem histórias muito interessantes para contar.
Histórias de vidas enriquecidas por seus gestos de desprendimento e dedicação, além do dever. 
Em uma de suas entregas, por exemplo, um menino, vítima de atropelamento, ao receber a visita do médico, muito bem disfarçado, disse que tinha um sonho. 
Desejava ganhar um carrinho de controle remoto. 
Por uma dessas coincidências que só Deus sabe e que nós costumamos dizer que sempre acontece em filmes natalinos, doutor Edy lembrou que tinha, entre tantos presentes, um carrinho de controle remoto. 
A alegria da criança foi tamanha que, conta o cardiologista, se ele não estivesse engessado, teria saído pulando pela enfermaria. 
Depois de tantos anos dedicados à medicina, doutor Edy se atreve a afirmar que os medicamentos respondem somente por vinte por cento do tratamento. 
Os outros oitenta por cento dependem do atendimento caloroso e humanizado que os médicos oferecem ao paciente.
* * * 
Um certo médico extraordinário, que andou pela Terra, há mais de dois mil anos, já recomendara o amor e a alegria como terapia de excelência para todos os seres humanos. 
-Alegrai-vos, recomendava. Amai-vos, como Eu vos amei.
Esse médico galileu, formado na universidade do amor, sabia que o ser humano necessita de amor e alegria. 
O amor lhe sustenta a vida e não há quem dele possa prescindir. 
A alegria é nota harmônica, igualmente imprescindível para a sinfonia da vida. 
Por isso, espalhemos amor onde nos encontremos, sorrindo, abraçando, acolhendo os nossos amados, enquanto aprendemos a amar aos que nos cruzem o caminho. 
Também sejamos portadores de alegrias a quem lida com a tragédia e a dor, todos os dias: bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros, atendentes. 
E, no Natal, em nome de um Celeste Menino, espalhemos a alegria da nossa gratidão em suas vidas, em gratidão por nossas próprias vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Espírito de caridade - médico das crianças, de Gary Sledge, de Seleções Reader's Digest, de dezembro de 2010. 
Em 15.12.2011.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

NUVENS QUE PASSAM

O dia amanhecera ensolarado. 
Nos quintais, a criançada se divertia, correndo, rindo esse riso solto de quem sonha venturas. 
De repente, o vento se fez forte, açoitando a copa das árvores, arrancando-lhes folhas da cabeleira verde e espessa, jogando-as à distância. 
Parecia que, de repente, a natureza houvesse enlouquecido e, desgrenhada, uivasse pelas ruas e praças, obrigando os transeuntes a procurarem abrigo. 
O céu se cobriu de nuvens escuras, prenunciadoras de chuvas e o dia se fez noite, em plena manhã. 
Depressa se fecharam janelas, se recolheram pertences. 
Dos céus jorraram águas abundantes, fustigadas pela ventania, que as arremessava, com força inclemente, contra as casas, os muros, as grandes árvores. Foram somente alguns minutos. 
Depois, os relâmpagos se apagaram e a chuva parou. 
Uma grande quietude invadiu a natureza. 
A ramagem verde sacudiu as últimas gotas d´agua, o vento bocejou cansado, recolhendo-se. 
Algumas horas passadas e o sol voltou a sorrir raios de calor e luz. 
Quem olhasse para o céu iluminado, dificilmente acreditaria que há pouco a borrasca se fizera violenta. 
 * * * 
Assim também é na vida. 
Os momentos de lutas e de bonança se alternam. 
Quando o sofrimento chega, em forma de enfermidade, solidão, desemprego, morte dos afetos mais chegados, tamanha é a dor, que deixa em frangalhos o coração.
Acreditas que não haverá mais esperança, nem amanhã, nem alegrias. 
Nunca mais. 
Tudo é sombrio. 
As horas, os dias, os meses se arrastam pesados. 
A impressão que tens é que nada, jamais, porá fim ao fustigar das dores. 
Contudo, tudo passa como a chuva rápida do verão, logo substituída pelos raios do sol. 
E transcorrido algum tempo, ao lembrares daquele período de dores, dirás a ti mesmo: 
-Meu Deus, nem acredito que passei por tudo aquilo. 
Até parece um sonho distante. 
Porque tudo passa na vida, porque tudo é transitório, passageiro, não percas a esperança.
O que hoje é, amanhã poderá ter feição diferente, deixar de ser.
Acima de tudo, recorda que o amor de Deus te sustenta a vida e não há, no Universo, força maior do que a presença de Deus atuando favoravelmente. 
Dessa forma, quando a inclemência das dores te fustigarem a alma, recolhe-te à meditação e ouvirás o pulsar do Cosmo. 
No silêncio identificarás as vozes da Imortalidade te falando aos ouvidos da alma, dizendo-te da vitória que haverás de alcançar. 
Refugiando-te na oração, dialogarás com Deus, com a intimidade do filho ao pai ou ao coração de mãe. 
Não entregues a batalha a meio. 
Prossegue. 
Embora as nuvens carregadas de dissabores que possam te envolver, lembra que logo mais, amanhã, outro dia, em algum momento, o sol voltará a brilhar. 
Sol em tua alma, em tua vida. 
Pensa nisso e aguarda um tanto mais, antes de te entregares à desesperança. 
Deus tem certeza do teu triunfo e da conquista plena de ti mesmo. 
Confia nEle. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 06.01.2025