terça-feira, 7 de janeiro de 2025

QUANDO EU GANHEI OS MEUS PAIS

Aquela parecia ser mais uma simples tarefa de escola de uma menina de oito anos. 
A apostila mostrava contas a serem feitas, probleminhas a serem resolvidos e diversas perguntas sobre assuntos distintos. 
Porém, na última folha havia um verdadeiro tesouro, que emocionou professores, psicopedagogos e pais. 
Eis o enunciado: 
Faça um desenho que represente um fato marcante de sua vida. 
E lá estava o desenho colorido de uma mulher com um bebê nos braços e, ao seu lado, a figura de um homem, ambos sorrindo. 
Acima da cena, escrito com uma letra caprichada – dessas que se demora muito para terminar de escrever – estava:
Quando eu ganhei os meus pais
Como conter as lágrimas perante tão singela declaração de amor? 
Quando eu ganhei os meus pais. 
Ela se lembrava, com carinho, que havia chegado àquele lar de amor, há pouco mais de oito anos, através da via bendita da adoção. 
Era um dos primeiros momentos em que o coraçãozinho aprendiz agradecia a Deus pela oportunidade de ter uma família amorosa na Terra. 
Outras crianças lembraram de viagens, de presentes de Natal, de passeios inesquecíveis. 
Mas ela lembrou de agradecer pelos pais.
* * * 
Pensando agora em todos nós, será que lembramos de guardar na alma toda essa gratidão por aqueles que nos receberam com tanto afeto, com tanta coragem? 
Você se lembra quando você ganhou seus pais? 
Pois, sim, são grandes presentes que recebemos ao renascer. Muitas vezes o coração infantil nos vem relembrar coisas que o velho coração parece ter esquecido. 
Todos ganhamos nossos pais. 
E mais, não foram pais quaisquer, escolhidos pela força da aleatoriedade. 
Foram os pais que precisávamos, no momento que precisávamos. 
Talvez ainda não entendamos isso muito bem, mas com o passar dos anos, após muitas análises, muitas lembranças, vamos percebendo, amadurecidos, que tudo faz sentido. 
Às vezes acabamos caindo em si quando é muito tarde, e então somos corroídos pelo remorso devastador. 
Por que esperar para agradecer? 
Por que aguardar aquela ocasião especial para reconhecer e manifestar a gratidão? 
Por que ainda nos constrange tanto dizer: 
-Você é importante para mim, ou amo muito você?! 
Por que ter vergonha de amar, de agradecer? 
Gratidão que não está apenas no ato de se agradecer. 
O famoso muito obrigado é apenas a ponta do iceberg da gratidão. 
Gratidão se manifesta todos os dias, desde que se desperta e se agradece a Deus por esses amores; passando pela convivência respeitosa, amiga, compreensiva; chegando até aos gestos maiores de desprendimento em prol desses a quem devemos a vida. 
Agradeçamos enquanto há tempo. 
Agradeçamos enquanto é hoje. 
Gratidão faz bem a todos. 
Faz bem a quem a carrega no coração. 
Faz bem a quem a recebe como inesperadas flores perfumadas que caem sobre as mãos e tornam a vida mais feliz. 
* * * 
Quando eu ganhei os meus pais, ganhei também a certeza de ser amado... 
Quando eu ganhei os meus pais, fui inundado de força de vontade, de desejo de acertar e de amar também. 
Quando eu ganhei os meus pais, resolvi dar mais uma chance ao amor, e depois mais uma, e depois mais outra... 
Quando eu ganhei os meus pais, foi quando me senti, realmente, protegido... 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 20 e no livro Momento Espírita, v. 10, ed. FEP. 
Em 07.01.2025.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

MEDICAÇÃO PREVENTIVA

A moda, em matéria de saúde, é se falar em medicina preventiva. 
As pessoas programam seus check-ups anuais, se submetem a baterias de exames e buscam uma alimentação balanceada.
Exercícios físicos, repouso, férias e lazer complementam o quadro. 
Contudo, mesmo cuidando do corpo o homem prossegue doente.
Isto porque está cuidando da roupagem, da casca, e tem se esquecido da parte que dá saúde e disposição ao corpo: a alma. 
Por isso, vamos dividir com você algumas anotações que achamos muito interessantes. 
Elas dizem o seguinte: 
Sintomas: taquicardia, vertigens, insônia, tremores pelo corpo todo. 
Causas: rancor profundo, intolerância para com as atitudes alheias e dificuldade de relacionamento com as pessoas.
Conseqüências: grande desarranjo emocional, sistema nervoso abalado, rugas precoces. 
Se não medicado a tempo, pode levar o indivíduo à loucura. 
A pessoa se torna insuportável, juiz de todas as atitudes alheias e insaciável, provocando muito sofrimento aos que com ela convivem. 
Medicamento indicado: perdão, que tem como composição química tolerância, compreensão, renúncia, paciência e sensibilidade. 
Apresentação do medicamento: está em estado latente no íntimo de todo ser humano, e pode ser buscado através do raciocínio lógico de quem não gosta de sofrer.
O medicamento deve ser tomado de minuto a minuto. 
Logo provoca tranqüilidade física e mental, proporcionando um bem estar geral. 
Como todo medicamento tem contra indicações. 
No caso, não é indicado para pacientes que gostam de sofrer e sentem prazer em carregar um pesado fardo nas costas, chamado rancor. 
Como terapia complementar se recomenda, nas crises agudas, respirar profundamente durante alguns minutos e procurar a natureza para meditação. 
Buscar, através da prece, a ajuda divina. 
Importante usar o medicamento para si próprio. 
Se tentar curar somente as outras pessoas, o doente continuará doente. 
Precaução especial: o medicamento deve ser deixado ao alcance das crianças. 
*** 
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em peça de arte valiosa. 
O grão de trigo esmagado perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que enriquecem a mesa. 
O ferro se deixa dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto. 
Perdoar é impositivo para cada hora e todo instante. 
Para todos os que nos ferem e magoam, usemos o perdão como medicamento valioso, lembrando que o perdão é sempre mais útil a quem o concede. 
(Automedicação preventiva – texto de Rubens R. Pereira, publicado no GEAE)

domingo, 5 de janeiro de 2025

MEDIANTE ESFORÇO

Allan Kardec
A siderurgia transforma a estrutura dos metais e os trabalha para finalidades compatíveis com programas antes estabelecidos. 
Artistas alteram as formas de pedras, do bronze, do cobre, do ouro, da prata e lhes transmitem vida, lhes arrancando das entranhas, sob inspiração e esforço, a beleza e a utilidade para enriquecimento da sociedade. 
Débil raiz cravada na frincha de uma rocha, obedecendo ao finalismo da sua existência, fende a pedra rude e sustenta a planta que sobre ela se desenvolve. 
* * *
A vida responde de acordo com a ação desencadeada. 
O violento tropeça com a truculência a cada passo. 
A paciência encontra a harmonia quando persiste. 
O sanguinário torna-se vítima da própria impetuosidade. 
O pacifista adquire tranquilidade enquanto defende os ideais que o dominam. 
O intrigante padece da neurose do medo. 
A lealdade produz confiança. 
A irritabilidade leva às ulcerações gástricas, duodenais e ao desequilíbrio da emoção. 
A concórdia gera harmonia em toda pessoa e lugar. 
O mal é sombra pelo caminho de quem lhe sofre a ação. 
O bem é luz irradiante a produzir alegria. 
Allan Kardec, em sua obra O céu e o inferno, ao abordar o tema Código penal da vida futura, afirma: 
-O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a consequência das suas imperfeições. 
As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências. 
O sofrimento é inerente à imperfeição. 
Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas consequências naturais e inevitáveis: 
-Assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo. 
Da parte do bem que se faz, podemos aplicar o mesmo raciocínio: toda virtude traz consigo sua felicidade própria.
Quando cumprimos as leis Divinas - inscritas na consciência - recebemos por consequência imediata a harmonia, o refazimento e a paz íntima. 
É Deus dentro de nós afirmando diariamente que os caminhos do amor são os mais seguros, e os únicos que nos levam à anelada felicidade plena e aos braços do Criador. 
* * * 
Que nos possamos moldar ao programa do dever de crescer para Deus, domando as más inclinações. 
A princípio, essa atitude deve ser concentrada nas imperfeições de pequena monta. 
Esse exercício, feito com disciplina e seriedade, já é caminho para a vitória sobre as paixões mórbidas que procedem do passado delituoso. 
O alvo permanente deve ser nos libertarmos delas. 
O homem torna-se o que se trabalha. 
Não há milagre de transformação moral, em quem não se exercitou nas realizações humanas para a própria sublimação pessoal. 
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.7, do livro O céu e o inferno, de Allan Kardec, ed. Feb e no cap. 14, do livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 11.4.2013.

sábado, 4 de janeiro de 2025

MAUS TRATOS

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
Com relativa frequência se têm notícias de maus tratos infligidos por adultos a crianças. 
Não nos referimos àqueles de tal monta que requerem atendimento médico especializado, quais sejam, queimaduras graves, espancamentos e prisões domiciliares, que decorrem de pessoas doentes. 
Referimo-nos ao que se vê, transitando pelas ruas, a passeio, em clubes, cinemas, parques de diversão, shoppings. 
São mães que conduzem a criança pela mão, sem se aperceberem que o pequeno tem menor estatura que elas, que o bracinho dele fica suspenso, em incômoda posição, que lhe deve causar desconforto e com certeza, dor. 
Esquecem-se, igualmente, de que as pernas do pequerrucho não são tão longas quanto as suas, adultas, e não buscam diminuir o passo. 
Ao contrário, o filho é que deve andar quase a correr, para acompanhar as largas passadas da mãe. 
Quando a criança tropeça é suspensa pelo braço, de forma brusca, como se o membro infantil não apresentasse fragilidade, desmerecendo cuidados. 
Alguns adultos tomam os filhos, dizendo que os levarão a passear, mas na verdade o que tais adultos têm em mente é apenas levarem as crianças e fazerem o que eles querem.
Param quando se sentem cansados ou encontrem um amigo para conversar, sem jamais indagarem das crianças o que elas desejam. 
Por isso, quando os pequeninos se detêm, admirados, ante uma vitrina cheia de brinquedos ou de gravuras coloridas, ou um animal que passa, são de imediato arrancados de sua observação, aos puxões. 
De outras vezes, em plena rua, perante os transeuntes, levam palmadas violentas na cabeça, nos braços, na boca, acrescidas de adjetivos depreciativos, por estarem a olhar, descuidadas para algo ou alguém e baterem o rosto no poste, tropeçarem ou caírem. 
Quando assim procedemos, estamos nos esquecendo de que, vez ou outra, fazemos exatamente a mesma coisa. 
Além do que, demonstramos o pouco ou nenhum conhecimento em matéria de psicologia, não recordando que a criança agredida se sente menosprezada, humilhada, fato que a marcará de maneira indelével. 
Toda agressão moral ou física que sofre lhe marca a ferro e fogo a personalidade. 
Não será de nos admirarmos se, com tais tratamentos, os rebentos de hoje retribuírem no amanhã de idêntica forma a quem se lhes aproxime, desde que, sendo um caráter em processo de educação, absorvem o que veem, sentem e padecem.
Repensemos nossos posicionamentos, pois que para se ensinar a conjugação dos verbos amar, acarinhar, aconchegar, é imperioso exemplificar. 
Todas as palavras que não encontram sólido apoio nos atos são vazias, sem valor para a formação de outrem. 
Jesus, o Divino Modelo, fez-Se criança e Se entregou aos cuidados de José e Maria, graças a cujos desvelos pôde chegar à adolescência, à juventude e, como Homem Integral, nos deixar Sua mensagem imorredoura de amor. 
À semelhança Dele, os Espíritos que nascem como nossos filhos, buscam o melhor de nós para darem, no futuro, o melhor de si mesmos. 
* * * 
Os filhos são bênçãos que nos chegam. 
Alguns deles são como pedras brutas para a lapidação. 
Se fizermos a nossa parte, poderemos seguir tranquilos na direção do futuro e de Deus, o Excelso Pai de todos nós.
Redação do Momento Espírita, com pensamento final extraído do verbete Filhos, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 07.04.2009.
https://momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2166&let=&stat=0

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A MULHER DE DEUS

Num frio de dezembro, no hemisfério norte, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de dez anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos. 
Ele olhava a vitrina atentamente e tremia de frio. 
Uma senhora se aproximou do rapaz e disse: 
-Você está com pensamento tão profundo, olhando esta vitrina! 
-Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos. – Respondeu o garoto. 
A senhora tomou-o pela mão imediatamente, entrou à loja e pediu ao atendente para dar meia dúzia de pares de meias para o menino. 
Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. 
O balconista rapidamente a atendeu, enquanto ela levou o garoto para a parte de trás da loja. 
Lá, ela tirou suas luvas, ajoelhou-se diante do menino e lavou seus pés pequenos. 
Após isso, secou-os cuidadosamente com uma toalha. 
Nesse meio tempo, o empregado da loja havia trazido as meias e, claro, um belo e novo par de sapatos. 
Ela amarrou os outros pares de meias e também lhe entregou.
Deu um tapinha em sua cabeça e disse: 
-Sem dúvida, vai ser mais confortável agora. 
Ela se virou para partir e sentiu uma mão pequenina segurando a sua. 
O garoto estava com lágrimas nos olhos e, emocionado, perguntou: 
-Você é a mulher de Deus? 
* * * 
Há tantas formas de Deus se manifestar em nossa vida cotidiana... 
Alguns ainda veem Deus nas forças da natureza apenas, ou nos grandes acontecimentos da vida. Deus, porém, está em tudo e em todos. 
Ele age incessantemente através de nós e, muitas vezes, também, apesar de nós. 
Deus conta com nosso coração enternecido para estender a mão aos Seus filhos desamparados. 
É como o pai que conta com os filhos maiores para cuidar dos menores. 
O Criador, em Sua bondade infinita, conta com as mãos generosas de todos aqueles que praticam o bem, para instaurar na Terra, pouco a pouco, a paz permanente. 
Ele conta com a sensibilidade e compaixão daqueles que não suportam ver o sofrimento alheio, e tomam atitudes imediatas para amenizá-lo de alguma forma. 
Ele conta com a coragem dos filhos esclarecidos, que já podem defender os fracos, ainda tão maltratados pelos interesses mundanos reinantes. 
Deus conta conosco. 
Conta comigo e com você que se depara admirado por encontrar esta verdade tão valiosa em seu caminho. 
Não perca a oportunidade de trabalhar com Ele, de ser Seu veículo, Seu agente direto. 
Iluminamos o próximo, sim, mas nos autoiluminamos ao mesmo tempo, e com isso, o bem e o amor sempre saem vitoriosos. 
Sejamos instrumentos do bem na Terra, onde quer que estejamos, através das tantas maneiras possíveis. Deus conta conosco. 
Redação do Momento Espírita, com historieta que circula pela Internet, sem menção a autor. Disponível no CD Momento Espírita, v. 20, ed. FEP. 
Em 03.01.2025.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

MAUS RICOS

No Evangelho de Lucas encontramos a seguinte parábola proposta por Jesus: 
Havia um homem rico, que vestia púrpura e linho e se tratava magnificamente todos os dias. 
Havia também um pobre, chamado Lázaro, deitado à sua porta, todo coberto de úlceras - que muito estimaria poder mitigar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico.
Mas ninguém lhas dava e os cães lhe vinham lamber as chagas. 
Ora, aconteceu que esse pobre morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. 
O rico também morreu e teve por sepulcro o inferno. 
Quando se achava nos tormentos, levantou os olhos e via de longe Abraão e Lázaro em seu seio - e, exclamando, disse estas palavras: 
-Pai Abraão, tem piedade de mim e manda-me Lázaro, a fim de que molhe a ponta do dedo na água para me refrescar a língua, pois sofro horrível tormento nestas chamas. 
Mas Abraão lhe respondeu: 
-Meu filho, lembra-te de que recebeste em vida teus bens e de que Lázaro só teve males; por isso, ele agora está na consolação e tu nos tormentos. 
Disse o rico: 
-Eu então te suplico, pai Abraão, que o mandes à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a dar-lhes testemunho destas coisas, a fim de que não venham também eles para este lugar de tormento. 
Abraão lhe retrucou: 
-Eles têm Moisés e os profetas; que os escutem. 
-Não, meu pai Abraão, disse o rico: Se algum dos mortos for ter com eles, farão penitência. 
Respondeu-lhe Abraão: 
-Se eles não ouvem a Moisés, nem aos profetas, também não acreditarão, ainda mesmo que algum dos mortos ressuscite. 
* * * 
Cairbar Schutel
Jesus aponta, com rigidez, as consequências de uma vida egoísta. 
Não condena a riqueza, mas sim a atitude daqueles ricos do mundo que não sabem da responsabilidade que têm, no uso e administração de seus bens. 
Esse mau rico foi condenado aos tormentos de seu inferno íntimo - da consciência culpada que queima feito fogo. 
Esse rico, que se vestia de púrpura e que todos os dias se regalava esplendidamente, é o símbolo daqueles que querem tratar da vida do corpo e se esquecem da vida da alma. 
São os que buscam a felicidade no comer, no beber e no vestir. são os egoístas que vivem unicamente para si. e muitos Lázaros se arrastam ao seu redor... 
Não só clamando em seus portões por migalhas de suas mesas fartas, mas, por vezes, dentro de seus lares, na figura daqueles que carecem de atenção e de amor. 
Triste fim terão esses ricos do mundo, se não despertarem a tempo... 
* * * 
A riqueza não constitui obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem. 
Certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, podem trazer errôneo entendimento. 
Se assim fosse, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, ideia que repugna à razão. 
Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria.
É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. é o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. 
Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Parábola do rico e Lázaro, do livro Parábolas e ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel, ed. O Clarim e no item 7, do cap. XVI, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 14.07.2023.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

ANTE O ANO NOVO

Ao finalizar o ano 1900, muitos pensadores argumentavam que o raiar do século XX marcaria o fim da fase religiosa da História. 
Mas cá estamos, no século XXI e a mensagem do Cristo está bem viva e forte no pensamento e no coração de incontáveis pessoas. 
Voltaire, escritor francês do século XVIII, imbuído desse espírito cristão, teve oportunidade de produzir excelentes peças de caráter religioso. 
Hoje, neste início de mais um ano, é importante revermos tais escritos que nos remetem a uma profunda fé em Deus.
Exatamente aquele Deus que Jesus nos revelou como o Pai de todos nós. 
Um Pai que ama e por amor nos sustenta os dias. 
Deus de todos os seres, de todos os mundos, de todos os tempos. 
Se é permitido a frágeis criaturas, não percebidas para o resto do Universo, atrever-se a Te pedir algo, a Ti, que tudo nos tens dado; A Ti, cujos decretos são imutáveis e eternos. 
Olha com piedade os erros de nossa natureza. 
Que esses erros não sejam calamidades. 
Afinal não nos deste o coração para nos aborrecer e as mãos para nos agredir. 
Faze com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e fugaz. 
Que as pequenas diferenças entre os trajes que cobrem nossos frágeis corpos, entre nossas insuficientes linguagens; entre nossos ridículos usos, entre nossas imperfeitas leis, entre nossas insensatas opiniões, entre nossas condições tão desproporcionadas aos nossos olhos e tão iguais diante de ti; que todos esses matizes, enfim, que distinguem os átomos chamados homens, não sejam sinais de ódio e de perseguição. 
Que aqueles que acendem velas em pleno meio-dia para Te celebrar, tolerem os que se contentam com a luz de Teu sol.
Que os que cobrem seus trajes com tela branca para dizer que devemos amar, não detestem os que fazem o mesmo sob uma capa de lã negra. 
Que seja igual adorar-Te em dialeto formado de uma língua antiga e em uma recém-formada. 
Que todos os homens se recordem de que são irmãos! 
Se os açoites da guerra forem inevitáveis, dá-nos condições de não nos desesperarmos. 
Que não nos destrocemos uns aos outros em tempos de paz.
Que empreguemos o instante de nossa existência em bendizer em milhares de idiomas, desde o Sião até a Califórnia, Tua bondade que nos concedeu este instante. 
* * * 
Originados da mesma fonte, amparados pelo mesmo Pai, todos os homens somos irmãos. 
Se as fronteiras nos dividem em países e nações, se os idiomas nos criam dificuldades de comunicação, se as distâncias nos impedem de nos entrelaçarmos, a vibração da fraternidade deve vigorar em nossos corações. 
Todos fomos criados por amor, somos filhos da luz e destinados à luz. Por ora, e somente por agora, nos situamos em painéis diferentes. 
Mas um dia, além do corpo, transcorrido todo o caminho, todos chegaremos ao mesmo fim. 
A casa do Pai. 
A perfeição. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de versos da Prece da Tolerância, de Voltaire. 
Em 1º.1.2025
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