terça-feira, 7 de dezembro de 2021

QUE DIRÍAMOS NÓS?

Conta-se que, naquele dezembro, o Senhor Deus examinou os documentos que se referiam a grandes personalidades da Terra. 
Deteve-se, de forma especial, sobre os que detalhavam as ações de um inquieto pesquisador. 
Dotado de poderes intelectuais, ainda na mocidade, ele lecionara na faculdade de medicina, na cadeira de fisiologia. Publicara estudos notáveis, que lhe haviam granjeado a admiração dos seus contemporâneos. Fora laureado com o Prêmio Nobel de medicina. No entanto, uma grande missão lhe fora confiada: a de afirmar a sobrevivência do Espírito após a morte. Por isso, estivera com médiuns extraordinários, que, sob sua supervisão rigorosa, produziram fenômenos de variada ordem. Foi um investigador sincero, dedicado. Apesar de provar que nunca houvera fraude alguma, em tudo que lhe fora dado observar, jamais teve a coragem de afirmar a Imortalidade do Espírito. Para ele, tratava-se de um sexto sentido, era inegável. Teve o mérito de escrever um livro, que contribuiu para chamar a atenção de outros sábios e pesquisadores: Tratado de Metapsíquica. Aos oitenta e cinco anos, ele estava, agora, sendo chamado para retornar ao grande lar. Era o momento de prestar contas dos tantos talentos recebidos. Anos lhe haviam sido ofertados para que pudesse aprofundar sua investigação e, como cientista, dizer da realidade imortalista. Em vão. Agora, era o momento de deixar o corpo físico. Ele fechou os olhos da carne e os abriu para a dimensão espiritual. Amigos, que com ele haviam jornadeado, o aguardavam. Personalidades eminentes da França antiga, velhos colaboradores de suas pesquisas, foram abraçá-lo. Na sua bondade, Deus Pai lhe enviou formas luminosas que o arrebataram, desprendendo-o do corpo físico. O apóstolo da ciência caminhou, então, para a certeza divina da Imortalidade. Imortalidade que ele não admitira para o mundo mas que agora se lhe descortinava aos olhos. Ele se chamava Charles Richet.
 * * * 
CHICO XAVIER E HUMBERTO DE CAMPOS
Quando estas notícias nos chegam à mente, imaginamos se hoje fôssemos chamados à presença do Senhor da Vida, como seria a nossa prestação de contas. 
Será que estamos aproveitando todas as oportunidades que a Divindade nos oferece, nesta jornada terrena? 
Podemos pensar o que estamos fazendo das chances de estudo, nos bancos escolares, universitários, do conhecimento que nos chega. 
Que estamos fazendo da possibilidade de ilustrar outras mentes, de realizar pesquisas nobres, de exercitar o bem. 
Que estamos fazendo das bênçãos da família, dos amigos, de tantos que nos estimam. Que estamos fazendo das horas de cada dia, da nossa biblioteca enorme, das oportunidades de progresso que a tecnologia nos oferta. Aprimoramos o próprio idioma para sermos melhor entendidos? 
Que fazemos das letras que nos são ofertadas para ler, escrever, falar? 
Que fazemos do talento musical, da nossa criatividade? 
Importante nos servirmos de tudo que possuímos para aprimorar nosso intelecto. 
Também para apararmos nossas imperfeições morais. 
A hora é agora. 
Aproveitemos o dia que surge, anunciando bênçãos. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos da mensagem do Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo/MG, em 21 de janeiro de 1936, inserida no livro Tratado de Metapsíquica, de Charles Richet, ed. Do Conhecimento.
Em 7.12.2021.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

ELES NÃO PERCEBEM

Andrey Cechelero
Eles não percebem 
Que os vamos acompanhando com os olhos
Enquanto vão ficando pequenos para a vista 
E grandes para o mundo. 

Eles não percebem 
Como nos fascina esse processo de um dia termos sido gigantes, 
Que agora os contemplam como quem mira montanhas. 

Eles não notam 
Que buscar similitudes nos traços é, por vezes, buscar partes de nós mesmos. 
Meninos e meninas internos querendo voltar a brincar.

Eles não sabem 
Que, se pudéssemos, os carregaríamos no colo um tanto mais.
Porém, a natureza é sábia. 

E as nossas costas ficam frágeis 
E as pernas deles ficam fortes. 
Precisam caminhar. 

Eles não percebem 
Que lhes demos parte de sua vida uma vez, 
E que agora estamos dispostos a lhes entregar a nossa por inteiro. 

Curioso. 
Não precisamos que percebam, enxerguem ou sequer reconheçam. 
O amor se alimenta de si mesmo. 
* * * 
Essa nuance do grandioso amor, que traz colorações mil aos corações dos pais, é tão bela como o mais vibrante e demorado pôr do sol dirigido por Deus. 
Encontramos um amor que não necessita de retribuição, que não tem interesses, um amor que se alimenta da alegria de amar. 
Haverá dia em que todas nossas relações serão assim. 
Deixaremos de sair por aí, em desespero, na busca de sermos amados, de sermos completados, de preencher vazios que não conseguimos preencher. 
O amor ao próximo, o amor doação, a caridade, irá nos perfazer sem percebermos e, ainda, virá com um sentimento de paz interior, de coragem para enfrentar adversidades e desafios.
Se você já pode amar assim, mesmo que um pouco, mesmo que a poucos, sinta-se feliz. São os primeiros passos. 
E que belos passos... 
Perceba o quanto lhe faz bem amar. Não espere nada em troca, não espere gratidão, não espere reconhecimento. 
Esse seu amor é muito maior do que isso. 
Amor que dá porque recebe é ainda amor pequeno. 
Amor que dá porque é de sua própria natureza, porque o faz feliz, é amor grande. 
Não espere dos filhos, não espere do cônjuge, não espere dos amigos... 
Com os maiores de todos os amores você já pode contar: com o do Criador e com o seu. 
É claro que é bom ser amado, é claro que ainda precisamos de aconchego, de carinho, de apoio, nos momentos em que fraquejamos. 
Pois bem... 
O mundo não é feito apenas de ingratos e insensíveis. Haverá outros assim como você, dispostos a amar, que se aproximarão de você por afinidade, por similaridade de princípios e objetivos. 
Por isso, ame! 
Ame libertando. 
Ame acolhendo.
Ame perdoando. 
Ame compreendendo. 
Ame! 
E assim como a lama jamais ofende a luz, a ofensa não mais o alcançará. 
Ame, sabendo que a miséria é fruto da ignorância. 
Auxilie as vítimas desse mal. 
Quantos irmãos necessitam de seu apoio e entendimento. 
Ouça sem revolta. 
Observe sem julgamento. 
Mas, sempre se proponha a agir, a fazer a sua parte, por menor que possa ser. 
Lembre: o amor se alimenta de si mesmo. 
Por isso, nunca lhe faltará ânimo, vigor e vontade de viver. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição do poema Eles não percebem, de Andrey Cechelero.
Em 6.12.2021

domingo, 5 de dezembro de 2021

HÁ DOIS MIL ANOS!

Há dois mil anos... 
Há dois mil anos, houve Alguém na face da terra que amou a humanidade como jamais ninguém amou. Há dois mil anos houve Alguém que conhecia e respeitava as leis da vida, e para aqueles que O chamaram de subversivo Ele respondeu:
-"eu não vim destruir a lei, mas dar-lhe cumprimento." 
Há dois mil anos houve Alguém que sabia que a humanidade se debateria em busca de soberania e poder e se precipitaria nos despenhadeiros das guerras cruéis e sangrentas, causando dor e sofrimento. Por isso Ele disse: 
-"minha paz vos deixo, a minha paz vou dou." 
Há dois mil anos houve Alguém que adivinhou que você, como indivíduo, deveria caminhar em busca da própria felicidade, e que, embora rodeado de pessoas, haveria momentos em que a solidão o visitaria. E por isso Ele falou:
-"nunca estareis a sós." "Vinde a mim" 
Há dois mil anos houve Alguém que sabia que na escalada para Deus, em alguns momentos você se sentiria meio perdido, sem saber ao certo que caminho seguir. Foi por essa razão que Ele disse: 
-"eu sou o caminho." 
Há dois mil anos houve Alguém que conhecia as fraquezas humanas e entendia que densas nuvens se abateriam sobre as consciências dos seres, fazendo-os perder-se na noite escura dos próprios desatinos. Por isso Ele falou:
-"eu sou a luz do mundo". 
Há dois mil anos houve Alguém que conhecia a intimidade das criaturas, adivinhava-lhes as angústias e as incertezas, sabia que muitas seriam as derrotas e que, depois do cansaço das lutas inglórias, buscariam uma rota segura. Por essa razão Ele disse:
-"eu sou o caminho, a verdade e a vida." 
Há dois mil anos, houve Alguém que compreendia a fragilidade dos seus tutelados, que facilmente se deixariam levar pelo brilho das riquezas materiais e escorregariam nas armadilhas da desonra e da insensatez. Por essa razão Ele advertiu: 
-"de nada adianta ao homem ganhar a vida e perder-se a si mesmo." 
Há dois mil anos houve Alguém que conhecia a indocilidade do coração humano, que se tornaria presa fácil da prepotência e se comprometeria negativamente com os preconceitos e a soberba em nome de Deus, criando cadeias para a própria alma. E com ternura afirmou:
"conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
Há dois mil anos houve Alguém que amou a humanidade como ninguém jamais amou... E por saber que na intimidade de cada ser humano há uma centelha da chama divina, Ele disse:
-"brilhe a vossa luz." 
E por conhecer a destinação de todos nós, falou: 
-"sede perfeitos." 
Conhecedor da nossa capacidade de preservar e dar sabor à vida, afirmou:
-"vós sois o sal da Terra." 
Há dois mil anos houve Alguém que amou tanto a humanidade que voltou, após a morte, para que tivéssemos a certeza de que o túmulo não aniquila os nossos amores. E esse Alguém não impôs nada a ninguém. Deixou apenas um convite: 
-"quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo, e siga-me." 
Esse Espírito ficou conhecido na Terra pelo nome de Jesus, o Cristo. 
Habita mundos sublimes, onde a felicidade suprema é uma realidade, e mesmo assim continua amparando e socorrendo Seus irmãos, independente de crença, raça, posição social ou cultura, pois como Ele mesmo afirmou:
-"nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá." 
Pense nisso! 
Os dias passam tão rapidamente que nem nos damos conta, e já é Natal outra vez... 
E de Natal em Natal, chegamos ao último Natal do século, ao último Natal do milênio...
Por essa razão vale a pena meditar, com seriedade, sobre os ensinos que esse Alguém nos deixou, há dois mil anos... 
(Equipe de Redação do Momento Espírita)

sábado, 4 de dezembro de 2021

O HÁBITO

EMMANUEL E CHICO XAVIER
O hábito é o conjunto de reflexos mentais acumulados, operando constante indução à rotina.
A maioria dos Espíritos encarnados na Terra vem de incontáveis séculos nos quais viveu sem muita reflexão e nem resistência moral. 
Há a tendência generalizada de consumir os pensamentos alheios, ajustando-se a eles. Por conta disso, exagera-se nas necessidades e se aparta da simplicidade com que seria fácil viver em paz. Porque são muitas as pretensas necessidades, ergue-se todo um sistema defensivo em torno delas. 
Para assegurar o que entende ser um mínimo necessário, o homem se torna egoísta e cruel. Arma-se de cautela e desconfiança, para além da justa preservação. Dando vazão ao instinto da posse, cria reflexos de egoísmo, orgulho, vaidade e medo. Caminha ao sabor das influências mundanas, suscetível à opinião alheia, aos ditames da moda e da mídia. Por não refletir detidamente sobre os propósitos superiores da existência, engana-se depois do berço para se desenganar depois do túmulo. Aprisiona-se no binômio ilusão-desilusão, no qual gasta longos séculos, começando e recomeçando a senda em que lhe cabe avançar. 
Não é lícito desprezar a rotina construtiva. É por ela que o ser se levanta no espaço e no tempo e conquista os recursos que lhe enobrecem a vida. 
Contudo, a evolução impõe a instituição de novos costumes, a fim de que o ser se liberte de fórmulas inferiores. 
Para impulsionar esse processo redentor rumo ao Alto não há modelo melhor do que o Cristo. Sem violência de qualquer natureza, Ele alterou os padrões da moda moral em que a Terra vivia há milênios. Contra o uso da condenação metódica, ofereceu a prática do perdão. À tradição de raça, opôs o fundamento da fraternidade legítima. Toda a Sua passagem entre os homens foi marcada pela certeza da ressurreição para a vida eterna. 
Na manjedoura, simbolizou a simplicidade e a humildade como legítimas opções de vida. 
Na cruz afrontosa, exemplificou a serenidade e a paciência. 
Também trouxe a noção das bem-aventuranças eternas para os aflitos que sabem esperar e os justos que sabem sofrer. 
Ainda hoje, no mundo, a justiça cheira a vingança e o amor tem laivos de egoísmo. 
Tal se dá pelo reflexo condicionado de atitudes adotadas há milênios. 
Entretanto, a ciência da vida que jamais se esgota precisa induzir reflexões que rompam com esses automatismos infelizes. 
Mais do que ser bonito, refinado, rico ou influente importa dignificar e purificar o próprio íntimo. 
Para isso, nada melhor do que se habituar a servir, a perdoar e a compreender as dificuldades alheias. 
A automatização de hábitos dignos, pela repetição constante, liberta da dor e da decepção.
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XX do livro Pensamento e vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 23.06.2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

ONDE VOCÊ GOSTARIA DE ESTAR

Eles sempre guardavam aqueles momentos finais do banho dela para uma brincadeira especial. Chamavam aqueles instantes de hora de relaxar. Ele propunha a ela, uma menina bastante agitada, que fechasse os olhos por alguns instantes, e apenas sentisse a água morna caindo sobre a cabeça, sobre os ombros, e curtisse aqueles breves segundos. O pai também fechava os olhos e, por cerca de um minuto, ficavam ambos, em pleno silêncio. Com o tempo, ele pensou em elaborar um pouco mais a experiência e foi propondo algumas outras reflexões: 
-Filha, tente não pensar em nada, sinta apenas a água caindo quentinha sobre os seus ombros e perceba como é gostoso. Agora, imagine, na sua cabecinha, um lugar bem bonito onde você queria estar, que te deixe bem feliz... 
Nesse instante, o pai, que observava com encanto a dedicação da menina, apenas de rabo de olho, percebeu nela uma expressão de admiração, de estranhamento, que a fez abrir um dos olhinhos. 
-O que foi filha? Pensou num lugar? 
Ao que ela respondeu com a naturalidade e a pureza que só as crianças conseguem ter: 
-Sim, pai, pensei. 
-Onde? 
Quis saber o pai curioso. 
-Ora, aqui mesmo! 
Foi então que o pai entendeu a bela lição. Não havia para ela, naquele instante, lugar melhor do que aquele. Ela estava vivendo intensamente o instante, o agora.
* * * 
Quando crianças, quase sempre estamos de corpo e alma no lugar, na atividade em que nos envolvemos. 
Não estamos divididos. 
É quando chegamos na idade adulta que perdemos esse foco. 
Fazemos alguma coisa com a alma em outra, realizamos uma tarefa sem estar completamente presente nela. 
É muito curioso, mas é como se vivêssemos fugindo da realidade, insatisfeitos com o que a vida nos apresenta, correndo atrás de nós mesmos, do tempo, de um amanhã que nunca chega... 
Acordamos às sete horas pensando quando chegará as dezoito; chegamos na segunda-feira pensando na sexta; vivemos o domingo sonhando com o próximo feriado; trabalhamos com a mente na aposentadoria. 
Nunca estamos onde estamos. 
Sem perceber, essas condutas têm nos trazido problemas graves de ansiedade, de irritação e de pensamentos pessimistas. 
Viver intensamente o agora é a chave da construção da nossa felicidade na Terra. 
Fazer bem, tudo na vida, com ânimo, com alma, assegura a saúde do corpo e da mente. 
É certo que nem sempre estamos fazendo algo que gostamos. 
Nem sempre estamos em situações agradáveis, e a tendência a querer fugir é grande. 
No entanto, pensemos como soldados numa batalha, soldados com uma missão, e a cumpramos com louvor para que o quanto antes possamos voltar para casa, para que o quanto antes a guerra termine. 
Façamos tudo com capricho, com esmero e com presença de espírito. 
Quando nos momentos difíceis, retiremos todas as lições de aprimoramento possíveis.
Assumamos a postura do aluno atento na sala de aula. 
Quando nos instantes de júbilo, de paz, permitamo-nos aproveitar, permitamo-nos viver, sem culpa, sem estarmos assombrados com ideias como você não merece; você não pode.
Estamos onde precisamos estar. 
Façamos de cada momento o melhor possível. 
Redação do Momento Espírita 
Em 3.12.2021.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

O HÁBITO SALUTAR DO TRABALHO

RAUL TEIXEIRA
É comum nos perguntarmos porque precisamos trabalhar para atender as necessidades da vida material. 
Alguns questionamos quem teve a ideia de inventar o trabalho. 
Não poderia ser tudo diferente, mais fácil? 
No entanto, mesmo que não gostemos de trabalhar, ou que fiquemos nos indagando por que precisamos trabalhar tanto, devemos compreender que o trabalho é uma das bem-aventuradas leis de Deus. 
Recordamos que o Cristo, quando entre nós, afirmou que o Pai Celestial trabalhava sempre, e que Ele trabalhava também. 
Dessa forma, testificou a grandeza e o valor do trabalho. 
Assim, longe de ser um ato lamentável ou algo doloroso, é uma das grandes oportunidades para que nos desenvolvamos e nos aproximemos do senhor dos mundos. 
Considerando que toda ocupação útil é trabalho, verificamos que, na Terra, temos diversos tipos de trabalho. 
Temos o trabalho de iluminação intelectual, que impõe vontade e disciplina, regularidade e disposição para ser realizado. É preciso estudar, pesquisar, investir horas para alimentarmos o nosso intelecto. 
Temos o trabalho de renovação do universo cultural, que exige amadurecimento e sensibilidade, a fim de que a alma se assenhoreie desses valores. E desse universo fazem parte as artes plásticas, a música, a dança, o teatro, a literatura. 
Temos o trabalho no solo, onde se desatam as folhas verdes e os grãos, que precisam de quem conheça o ofício de adubar, de podar e de regar, para que não se mutile o vegetal. 
Temos o trabalho de lavrar a madeira ou o ferro, com ancinhos e formões, serrotes e martelos, com forjas, bigornas e tornos, o que exige prudência e imaginação, para que se leve a cabo a empreitada. 
Temos o trabalho de projetar, calcular e construir a morada humana, por meio da criatividade da arquitetura, da lucidez do cálculo, o que somente se consegue após longos anos de bancos escolares, de experiências com combinações e traçados dos materiais.
Também necessidade da força muscular, exigindo de toda a massa orgânica esforço e empreendimento. 
O trabalho realizado no mundo, portanto, se apresenta como recurso indispensável para que possamos conquistar tanto os valores da teoria quanto os dotes experimentais. 
Se entendermos o trabalho somente como fonte de ganhos e de lucros, não extrairemos dele tudo que nos pode oferecer. 
Precisamos ver nele a oportunidade de iluminar a mente e fazer crescer a alma. 
Também a possibilidade de fortalecer a musculatura e honrar a existência, dando-lhe significado. 
É, igualmente, uma forma feliz de prestarmos serviço ao semelhante. 
Por tudo isso, devemos nos lançar no aprimoramento da alma e do corpo, por meio do trabalho, ou seja, por qualquer ação de utilidade que venhamos a desenvolver na Terra. 
Adotemos, pois, os bons costumes de gostar de ler, de estudar, de tocar um instrumento, de desenvolver ciências e artes. 
Há tanto para aprender, tanto para saber.
E, seja qual for a luta a enfrentar na Terra, não deixemos de desenvolver, em nós e em redor de nós, o hábito salutar de servir por meio do trabalho que possamos realizar. 
Trabalhar sempre deve ser a nossa meta, a fim de que nos aproximemos da grandeza do nosso Pai Criador. 
Redação do Momento Espírita, com base na mensagem Prospera no trabalho, pelo Espírito Guilherme March, psicografia de Raul Teixeira, no Instituto Espírita Bezerra de Menezes, em Niterói, Rio de Janeiro, em 21.5.2009. 
Em 13.12.2018.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

HÁBITOS ADQUIRIDOS

Será que paramos para pensar nos hábitos que temos? 
Podemos recordar de algum, neste exato instante? 
Talvez nos lembremos, de imediato, dos hábitos relativos à saúde do corpo, da higiene diária. Importantes, necessários, salutares. Quem sabe recordemos dos hábitos de cordialidade, de agradecer, de pedir por favor, de sermos gentis com as pessoas em lugares públicos. 
Porém, nossos hábitos vão além disso. 
Um hábito é uma ação que se repete com frequência e regularidade, um comportamento. Ou um pensamento que temos seguidamente, quando determinada situação se apresenta. 
Um exemplo: o hábito de julgar as pessoas por sua aparência, pelo seu jeitão.
Toda vez que encontramos alguém novo, um estranho, fazemos rapidamente um julgamento prévio daquela pessoa em nossa mente. E basicamente nos servimos de nossos clichês. Isso é um hábito, um costume que, por vezes, nem percebemos possuir. 
Outro exemplo: o costume de interromper as pessoas quando estão explanando uma ideia, desenvolvendo um raciocínio. Não conseguimos esperar que elas finalizem. Nosso pensamento apressado faz com que interrompamos, tentemos concluir o pensamento delas. Tudo sem aguardar as palavras finais. Consequentemente, deixamos de ouvir o que verdadeiramente elas desejavam expressar. 
Outro hábito é o de elogiar os outros. 
Sentimos ser importante destacar seus pontos positivos e, sempre que possível, de uma forma simpática, proferimos um elogio sincero. 
São hábitos adquiridos. 
Alguns que vêm de nossa formação familiar, cultural, do agora. 
Outros tantos trazemos do nosso passado, das experiências vividas no antes pelo Espírito imortal. 
Esse conjunto de hábitos que vamos criando e apresentando ao longo da vida, forma nosso caráter, nosso jeito de ser, nossa educação. 
A educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. 
Tendo isso em vista, seríamos capazes de fazer um balanço de nossos hábitos?
Quais os que promovem o bem, nosso e dos demais? 
Quais são os prejudiciais? 
Especialmente aqueles que não fazem bem a nós, nem aos que convivem conosco, nem à sociedade em geral. 
Se nos conhecêssemos melhor teríamos uma autoavaliação mais precisa do nosso caráter. 
Enquanto isso, continuamos a fazer julgamentos apressados para dizer se fulano é bom ou mau caráter, normalmente baseados numa conduta específica em determinada área. 
Uma pessoa de bom caráter é aquela que tem predominantes os bons hábitos, para consigo e para com o próximo. 
É o homem de bem que conseguiu construir dentro de si condutas e pensamentos agregadores, de fraternidade e entendimento. 
Reflitamos, dessa forma, sobre os nossos principais hábitos adquiridos ao longo desta caminhada. 
E nos perguntemos: 
-Quais deles queremos manter? Quais deles precisamos substituir por melhores?
Façamos esta saudável viagem para dentro de nosso eu e perceberemos que podemos melhorar muitas coisas que, afinal, irão nos propiciar dias melhores. 
Os bons hábitos permitem a consciência tranquila, o sentimento de dever cumprido e o consequente amor a nós mesmos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 30.4.2019.