domingo, 17 de maio de 2020

EXEMPLO EDIFICANTE

A médica suíça Elisabeth Kübler-Ross, que ficou conhecida no mundo por seu trabalho junto aos doentes terminais e por escrever a respeito da morte e o morrer, também exemplificou lições ricas de vida. Ela narra em sua biografia que decidiu comprar uma fazenda de trezentos acres, numa região rural do Estado da Virgínia. A vida simples da fazenda a apaixonou. Acordava com uma sinfonia de vozes de vacas, cavalos, galinhas, porcos, burros, lhamas... Os campos se desdobravam até onde sua vista podia alcançar, cintilando sob o orvalho fresco da manhã. Árvores amigas ofereciam sua sabedoria silenciosa. Suas mãos tocavam a terra, a água, o sol. Trabalhavam com a matéria-prima da vida. Porque ela anunciasse que iria adotar bebês contaminados pela AIDS, começou a sofrer perseguições dos vizinhos. Em 1994, ela estava para tomar um avião quando uma amiga veio correndo ao seu encontro, no aeroporto. Haviam colocado fogo em sua casa. Queimou inteira e foi considerada perda total. Queimaram os diários que seu pai escrevera sobre a infância dela, os seus papéis e pesquisas com pacientes, sua coleção de arte nativa norte-americana, fotografias, roupas... Tudo. Mas ela não desanimou. Pelo contrário, escreveu: 
-As adversidades somente nos tornam mais fortes. Viver é como ir para a escola. Dão a você muitas lições para estudar. Quanto mais você aprende, mais difíceis ficam as lições. Aquela experiência foi uma dessas lições. Já que não adiantava negar a perda, eu a aceitei. De qualquer forma, era só um monte de coisas. Eu estava ilesa. Meus dois filhos crescidos estavam vivos. Algumas pessoas tinham conseguido queimar a minha casa com tudo o que estava dentro, mas não tinham conseguido me destruir. Quando aprendemos as lições, a dor se vai. Aprendi que não há alegrias sem dificuldades. 
Como gosto de dizer:
-"Se protegêssemos os Canyons dos vendavais, nunca saberíamos a beleza de seus relevos." 
-Confesso que aquela noite de outubro foi uma dessas ocasiões em que é difícil encontrar beleza. Como acredito que o único propósito de nossa existência é crescer, fiz minha escolha. Alguns dias depois, dirigi-me à cidade, comprei uma muda de roupas e me preparei para o que viria em seguida. 
* * * 
Nunca é tarde demais para recomeçar a vida ou retomar um empreendimento. Por mais profunda que nos pareça a queda ou por mais duro que nos pareça o infortúnio, hoje pode ser o ponto de retorno e de elevação a um pico mais acima. A um voo mais alto para a alma.
Nunca é tarde demais para corrigir e melhorar o que notamos errado.
Nunca é tarde para compensar enganos. Para compreender e perdoar.
Nunca é tarde demais para nos voltarmos para Deus e lhe aguardar as bênçãos.  
Nunca é tarde demais para aprender com a própria vida. 
Redação do Momento Espírita, a partir de biografia de Elizabeth Kübler-Ross. 
Em 14.04.2011.

sábado, 16 de maio de 2020

O EXEMPLO DOS DESBRAVADORES

Neil Armstrong, Edwin Aldrin
 e Michael Collins
Ao se estudar a história dos grandes descobrimentos, não há quem não reverencie o espírito de aventura e coragem dos primeiros navegadores. Os fenícios, em frágeis embarcações, avançavam sempre em direção ao horizonte, buscando o que havia além. E assim descobriram novas terras. Em 20 de julho de 1999, quando se comemoraram os trinta anos da chegada do homem à lua, recordamos com emoção o desprendimento daqueles astronautas que se dispuseram a uma viagem tão arriscada. Principalmente após as revelações, até então inéditas, de que Neil Armstrong e Edwin Aldrin, os primeiros homens a pisarem no solo lunar, partiram da Terra sabendo que havia um grande risco de nunca mais retornarem. Estavam preparados para morrer na lua, se algo desse errado. Sabiam que seu companheiro Michael Collins, o astronauta que ficou na Apolo 11, retornaria sozinho para a Terra, se o módulo lunar não conseguisse decolar da lua. Armstrong e Aldrin teriam ainda trinta e seis horas de suprimento de oxigênio. Depois, seria somente aguardar a morte. As possibilidades de que isso acontecesse eram tantas que o governo americano já tinha tudo pronto. O ritual fúnebre, como seriam avisadas as esposas dos dois astronautas, o discurso do Presidente Richard Nixon, comunicando a tragédia para o mundo. Como disse Collins em uma entrevista vinte anos depois: 
-Saímos daqui sabendo que poderiam ocorrer falhas e que podíamos tanto ser heróis como mártires. 
O que ocorre é que os grandes homens, ao exporem as próprias vidas em benefício da Humanidade, não estão pensando em ser heróis ou mártires. O seu objetivo é alcançar a vitória. O que virá depois é consequência natural. É por esse motivo que, todos os dias, seres humanos se doam em totalidade a outros seres humanos. Médicos se debruçam sobre cadáveres para o estudo minucioso da organização física, tanto quanto sobre tubos de ensaio e uma série de outros aparatos, na tentativa da descoberta de vacinas e medicamentos novos. O seu objetivo é alcançar a cura ou, ao menos, o alívio temporário das dores que atormentam os homens. Talvez conseguir uma forma de deter a enfermidade que avança, destruindo células e órgãos preciosos no corpo humano. Sua vida é de dedicação. E seus nomes aparecem vez ou outra. Certamente, o daqueles que alcançam o sucesso e têm suas descobertas mostradas para o mundo. Os demais permanecem no anonimato. Mas, nem por isso param suas pesquisas. O que lhes importa é alcançar o seu objetivo. Exatamente como um alpinista, almejam atingir o topo da montanha desafiadora, a fim de poderem dizer, vitoriosos: 
-Eu consegui. 
* * * 
Se o desânimo e o cansaço estiverem nos cercando, pensemos nos grandes descobridores. Lembremos dos inventores, da sua paciência, persistência e constância nas pesquisas. Recordemos a coragem dos primeiros navegadores, enfrentando os oceanos desconhecidos. Tenhamos em mente os que arriscaram suas vidas para as conquistas da Humanidade. Tanto quanto daqueles que todos os dias estudam, trabalham, pensam e arquitetam mil maneiras para a Humanidade viver mais confortável, mais tranquila, mais serena. E enquanto estivermos, intimamente, lhes agradecendo por todos os avanços já conquistados, sigamos os seus exemplos. Jamais nos deixemos parar a meio do caminho porque a grande alegria é justamente alcançar os objetivos traçados. 
Redação do Momento Espírita a partir do artigo Prontos para morrer, da revista Veja, de 21.07.1999. 
Em 02.06.2011.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

FICAMOS EM CASA

Vivemos momentos curiosos. Todos os assuntos ficaram em segundo plano. Nada é mais urgente que sobreviver. O mundo se encheu de medo e incerteza. Um inimigo comum, sem nacionalidade, sem rosto, sem causa declarada, colocou o planeta de joelhos. E o ser humano, do alto de sua empáfia de espécie dominante, teve que reconhecer que não tem controle sobre tudo. Parem o que estão fazendo! Adiem os compromissos! Cuidem-se e fiquem em casa. O distanciamento social pareceu ser uma das alternativas de defesa. Ficarmos distantes fisicamente uns dos outros e evitarmos aglomerações. Uma grande campanha convidou todos a ficarem em casa. 
Mas, o que esse ficar em casa significa? 
Que mensagem a vida nos ofereceu com essa alternativa? 
Que mensagem as leis maiores do Universo estão proclamando em altos brados em nossos corações e mentes? 
Ficar em casa, num primeiro momento, pôde parecer apenas uma operação para evitar contágio. É o que as autoridades da Área da Saúde orientaram. No entanto, pensemos além. Ficar em casa significa oportunidade de recolhimento, de reflexão, de rever os passos e prioridades. Ficar em casa significa entrar em contato com a casa íntima, a alma. Eis o nosso verdadeiro lar. É tempo de olhar para dentro, de olhar o que somos, o que queremos realmente na existência e observar para onde a vida estava nos levando até então. 
Para onde estávamos indo? 
Qual era a direção principal de nossa existência? 
O que mais nos preocupava e ocupava? 
Como estavam os nossos amados? Como estava o nosso tempo para eles? 
Ficar em casa significa também: olhemos para nossa família! Entendamos que aí estão as nossas maiores missões. Nada é mais importante do que isso. De que adiantam tantas ambições na área da profissão, na área das finanças, dos investimentos, se de uma hora para outra tudo pode ruir? No entanto, os laços afetivos nunca se perdem. As relações saudáveis nunca se desfazem. Nem mesmo a tão temida morte é capaz de tirar isso de nós. Ficamos em casa. Ficamos com os nossos. Conversamos com eles sobre coisas que nunca tínhamos conversado antes. Expressamos os nossos medos, ouvimos outros medos. Expressamos gratidão e abrimos nosso coração para receber a gratidão alheia. Consolamos e fomos consolados. Falamos o que pensamos, mas também ouvimos o que os outros pensavam. Ficamos em casa, não saímos na rua das conquistas efêmeras da vida, não frequentamos locais de aglomeração de desejos e vaidades perniciosos. Ficamos em casa, olhamos nos olhos, abraçamos os amores, abandonamos a rotina. Nossa vida não foi a mesma depois de termos permanecido mais tempo na casa da alma. E, curiosamente, descobrimos que aquilo que, aparentemente, veio para nos fazer adoecer, na verdade colaborou para nos curarmos. Ficamos em casa. Conectamo-nos à nossa essência divina. Retiramos de lá as forças para enfrentar as dificuldades, quaisquer que fossem. Fortalecemo-nos. Encontramos a verdadeira saúde. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 15.5.2020.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

ERA UMA VEZ

Era uma vez um reino que ficava em terras muito, muito distantes. Como todo reino, tinha um rei. E, esse rei estava muito preocupado com seu povo. Tratava-se de um reino pobre, com poucos recursos. As pessoas ganhavam seu sustento com muito esforço braçal. As doenças as consumiam e não tinham conforto nenhum. Foi aí que o rei decidiu trazer de outras terras pensadores, cientistas, artistas, filósofos, para semearem coisas boas em seu reino. E assim aconteceu. Os filósofos trouxeram ideias de liberdade, de respeito e direito ao próximo. Os artistas ofereceram à população o belo, na música, nas artes plásticas, nos textos que passaram a embalar corações e mentes. Os cientistas apresentaram a tecnologia. As doenças foram diminuindo, as dores físicas se aplacando. Até mesmo a morte foi se tornando algo bem menos próximo. Os transportes ficaram mais fáceis. As pessoas podiam se comunicar à distância. Havia calor e luz em todas as residências. No entanto, o rei começou a perceber algo estranho. Enquanto tudo isso era oferecido ao povo, as pessoas se tornaram cada vez mais egoístas. As preocupações dominantes eram para com o trabalho e não para com a família. Com o dinheiro e não com os valores morais. Foram se isolando, a pouco e pouco, embora a população do reino fosse, agora, bem mais numerosa. O rei expediu normas, fez discursos ao povo, alertando sobre o caminho errado que estavam seguindo. Tudo inútil. Foram anos de aviso, de advertências, sem nenhum sucesso. Então, ele optou por algo drástico, considerando que seus conselhos de nada serviam, para aqueles corações. Procurou, em floresta escura, uma bruxa e lhe pediu que lançasse um encanto sobre todos, algo que os fizesse despertar. A partir daquele dia, as pessoas souberam que havia uma maldição pelas ruas do reino. Elas não podiam mais sair tranquilamente, fazer compras ou mesmo trabalhar, pois seriam amaldiçoadas. Algumas, comentava-se, poderiam até morrer. Desse modo, todos se recolheram aos seus lares, por longos dias, demoradas semanas. E, algo estranho foi acontecendo. Reclusas, as pessoas começaram a olhar mais para sua família, conversar mais. Também passaram a conviver mais consigo mesmas, a se perceber, analisar suas emoções, seus valores. Olharam para dentro de si mesmas. Analisaram como estavam conduzindo suas vidas. Então, como por encanto, esse era o verdadeiro encanto lançado pela bruxa, foram se dando conta da necessidade de mudar. A solidariedade, a amizade, a empatia ressurgiram. Valores perdidos foram reencontrados. A pouco e pouco, o reino se tornou melhor. Não exatamente por causa de novas descobertas científicas ou tecnológicas. O reino se tornou melhor porque as pessoas perceberam que nada tem importância real se somos incapazes de amar o nosso próximo, de convivermos, de estreitarmos laços. 
* * * 
As dificuldades estão no reino de nossa intimidade. E o que nos ocorre não é resultado de maldições. São encantos em forma de oportunidades que Deus envia, a fim de nos tornarmos melhores, mais humanos, mais amorosos. Aproveitemo-las! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 14.5.2020.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

DEUS É QUEM CURA

Samuel Cristian Hahnemann
Alguns homens, quando realizam grandes feitos, costumam encher-se de orgulho. Chegam a pensar que são infalíveis em sua atuação e creem que tudo podem. E isso nos recorda do grande mestre e criador da Homeopatia, Samuel Cristian Hahnemann. Uma postura de verdadeiro sábio. Em 1835, chegou a Paris e começou a clinicar, embora o descrédito e o ataque de muitos dos seus colegas alopatas. Foi então que a filha de Ernest Legouvé, membro da Academia Francesa, famoso escritor da época, adoeceu gravemente. Um artista de nome Duval foi chamado para fazer um retrato da jovem agonizante. Era a derradeira lembrança que o pai amoroso desejava ter da filha que se despedia da vida. Concluída a tarefa, executada com as emoções que se pode imaginar, Duval fez ao pai uma pergunta nevrálgica: 
-Se toda a esperança está perdida, por que o senhor não tenta uma experiência com a nova medicina que tanto alvoroço tem feito? Por que não consulta o doutor Hahnemann? 
Nada havia a perder e o pai chamou o homeopata. Quando o viu, pareceu-lhe estar defronte a um personagem fantástico de contos infantis. Hahnemann era de baixa estatura, robusto e firme no andar, envolvido em uma capa e apoiado sobre uma bengala com castão de ouro. Uma cabeça admirável, cabelos brancos e sedosos, lançados para trás e cuidadosamente encaracolados em torno do pescoço. Com seus olhos de um azul profundo, sua boca imperiosa inquiriu minuciosamente sobre o estado da menina. Na sequência, pediu que transferissem a enferma para um quarto arejado, abrindo portas e janelas para que ar e luz entrassem abundantes. No dia seguinte, iniciou o tratamento. Foram dez dias de expectativa e de tensão. Finalmente, a esperança se confirmou. A menina estava salva. O impacto dessa cura, quase milagrosa, foi enorme, em toda Paris. Em reconhecimento pela salvação de sua filha, apesar de muitos ainda afirmarem que Hahnemann não passava de um charlatão, Legouvé presenteou o médico com o próprio quadro pintado por Duval. Era uma obra prima. O criador da Homeopatia a contemplou demoradamente, tomou da pena e escreveu: 
-Deus a abençoou e salvou. Hahnemann. 
Considerava, pois, a cura uma bênção de Deus, da qual ele não fora mais do que um instrumento. 
* * * 
Assim são os verdadeiros sábios, os grandes gênios da Humanidade. Eles sabem que dominam grandes porções do conhecimento. Mas não esquecem de que a inteligência lhes foi dada por Deus, de onde todos emanamos. Somos os filhos da Suprema Inteligência, que nos permite crescer ao infinito. Contudo, a Ele cabem todas as bênçãos, permitindo-nos, na qualidade de irmãos uns dos outros, atuar, agir, no grande concerto da Criação. Pensemos nisso e façamos o bem, sempre nos recordando que sem Deus nada podemos. 
Redação do Momento Espírita, com base em dado biográficos de Samuel Hahnemann. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. FEP.
Em 13.5.2020.

terça-feira, 12 de maio de 2020

É TEMPO DE UNIÃO

Desde tempos longínquos, o homem percebeu que viver em grupo lhe poderia permitir melhores condições de sobrevivência. Em grupo, as caçadas podiam ser melhor planejadas, e, consequentemente, mais exitosas, a todos beneficiando. Em grupo, havia mais chances de defesa contra inimigos, fossem os da natureza ou seres de diferentes localidades. Aprendemos, no transcorrer do tempo, a nos agrupar em vilas e constituir comunidades, dividindo tarefas, servindo-nos da habilidade de cada um, melhorando o padrão geral de vida. Enquanto uns plantavam, outros construíam casas, produziam artefatos, cuidavam das crianças e dos idosos. Aprendemos que dependemos uns dos outros e que cada um tem seu valor. Nenhum de nós é autossuficiente que possa dispensar o agricultor, o industrial, o comerciante, o médico, o professor, os encarregados da limpeza pública. A sociedade somente se enriquece com a multiplicação e a soma das várias habilidades. Com o tempo, com o avanço da tecnologia, da ciência em geral, fomos nos distanciando uns dos outros. Construímos altos edifícios e nos isolamos em nossas células individuais. Erguemos mansões, casas maravilhosas e colocamos grades para preservar os nossos jardins e a nossa propriedade. Passamos a ter o nosso carro, a nossa casa, a nossa fazenda, a nossa família, a nossa... Enclausuramo-nos. Deixamos de ser solidários, de pensar no outro, de oferecermo-nos para auxiliar aqui, aliviar a carga do outro acolá. Com certeza, pessoas altruístas sempre existiram no mundo e são elas que mantiveram, ao longo dos séculos, a nossa sociedade com ares de humanidade. Mas, o comum de nós, vivemos em função dos nossos próprios interesses. Porém, quando uma calamidade mundial se apresenta, quando a sobrevivência de todos depende da atitude de cada um, retornamos a pensar coletivamente. Se nos encontramos em crise pandêmica, o cuidado que temos conosco se reflete no todo, porque nossas atitudes não somente preservam a nossa integridade física mas também a dos demais. Se a crise é de carência de água, medicamentos, suprimentos médicos, alimento, percebemos que necessitamos repartir o que temos. Auxiliar nas providências que possam minimizar a situação. Redescobrimos que somos uma única família, hospedados no mesmo lar e que as chances de vivermos melhor, depende, naturalmente, da atitude de cada um. A união faz a força. Unidos seremos fortes. Unidos poderemos vencer a adversidade, o momento que passa, a crise que parece se eternizar. Na frente de batalha, cada soldado cuida do companheiro que tem ao seu lado, porque ele, ao mesmo tempo, lhe constitui a defesa. Estamos retornando aos tempos em que nos reuníamos para contar as novidades, para trocar informações, para orar. Embora virtualmente, estamos juntos, nos importando com o outro, com suas condições. Porque se o fogo se propaga na cidade, quanto antes o possamos debelar, menos chances teremos de que chegue em nossa porta. Tempo de união. Tempo de nos darmos as mãos, unirmos as mentes e vibrar pela saúde da nossa Terra, do nosso planeta, de toda a Humanidade. 
Redação do Momento Espírita.
Em 12.5.2020.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O EXEMPLO DO CRISTÃO

O lugar era agradável e toda vez que vinha à Jerusalém, era em Betânia que Jesus buscava o repouso. A chácara dos irmãos Lázaro, Marta e Maria era um recanto muito especial. Ali, as noites eram iluminadas pelas palavras de Jesus. O povo vinha de todas as partes, especialmente depois que Jesus fez Lázaro sair do túmulo, onde havia sido sepultado em função do sono letárgico que o acometera. Todos queriam ver o homem que retornara da morte, após ter ficado encerrado no túmulo por três dias. Sobre essa passagem o Apóstolo João anotou o seguinte: 
-Muitos dos judeus, por causa de Lázaro, iam e acreditavam em Jesus. 
A lembrança do Apóstolo é precisa e não é diferente a situação nos dias atuais. Muitos homens estão mortos nos sepulcros da indiferença, do egoísmo e da negação. Quando um deles, exatamente como Lázaro, é tocado pela mensagem de Jesus, se torna objeto da curiosidade geral. As pessoas desejam conhecer as modificações da sua conduta. Por isso o observam. Se era alguém irritadiço, esperam que ele demonstre agora um tanto mais de calma. Se esposo, aguardam por uma postura de maior cuidado para com a companheira. Que se torne afetuoso, que seja mais gentil, que utilize as palavras preciosas por favor, obrigado, desculpe. Se for pai, são os filhos que ficam ansiosos por seu abraço, por seu carinho. Esperam que ele se torne mais presente nas suas brincadeiras, nas reuniões da escola. Em resumo, se transforme num pai de verdade. Se estiver envolvido em relações comerciais, todos aguardarão dele honestidade, cumprimento de datas estipuladas, preço justo, boa mercadoria. Não importa quem seja ou o que faça. Os olhos do mundo se voltarão para ele porque ele foi tocado pela Boa Nova de Jesus. Se um de nós é beneficiado por Jesus, se Jesus nos levantou do pó terrestre para o conhecimento da vida infinita, recordemo-nos dos amigos que nos cercam. A maioria deles têm notícias de Jesus. Já ouviu falar do Homem de Nazaré, da Sua mansidão, da Sua mensagem. Possivelmente já leram trechos dos Evangelhos e têm noções gerais a respeito de muitos dos Seus feitos. Mas ainda não estão preparados para compreendê-lO de forma integral. Para eles, seremos como Lázaro: o ponto de observação direta. Eles começarão a receber a claridade da crença sincera através de nós, reconhecendo o poder de Jesus pela transformação que estejamos apresentando. Pensemos nisso: se fomos tocados pela mensagem do Rabi da Galileia, está em nossas mãos continuar nos recintos da morte moral ou nos levantarmos para viver a vida integral e servir de exemplo aos que nos rodeiam. 
* * * 
O Apóstolo Paulo, em suas epístolas, referia-se aos cristãos como cartas vivas do Evangelho. E tinha razão, pois o cristão verdadeiro carrega o Cristo dentro de si e, assim procedendo, se renova e vive naturalmente. Como um passo inicial para a vivência de dias melhores, o cristão está convocado para a missão de edificar o bem em toda parte, consolidando a paz, no trato com os semelhantes. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 113, do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e no verbete Cristão, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 4.12.2012.