quarta-feira, 31 de julho de 2019

O ZELADOR DA FONTE

Charles R. Swindoll
Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. O cavalheiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos. Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite. As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária. Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente. Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade. 
-E para quê? O que é que ele fazia, afinal? 
Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte, de imediato. Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam. Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. O conselho municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d'água voltaram a funcionar. Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso. 
* * * 
Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores. Aqueles que se desdobram, todos os dias, para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los. Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável. O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável. Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá. Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes! 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O zelador da fonte, de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press. 
Em 31.7.2019.

terça-feira, 30 de julho de 2019

EQUÍVOCOS

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANA DE ÂNGELIS
As experiências terrenas são sempre ricas de oportunidades para o aprendizado da alma. Ao reencarnarmos, iniciamos nova jornada, onde as lições se renovam, as oportunidades de conhecimento e entendimento dos mais variados aspectos da existência surgem, e as lições de crescimento pessoal se oferecem ricas. Porém, para que novos aprendizados se calem na intimidade da alma, em forma de valores e atitudes renovadas e nobres, faz-se necessário o esforço no caminhar e o ensaiar de novas experiências. Não é por outro motivo que a vida se mostra rica, a nos ensejar relacionamentos, oportunidades, situações, das quais se pode extrair lições valiosas e testemunhar valores que se ensaiam na intimidade da alma. Nada obstante, essas novas lições são sempre desafiadoras, posto que, ao nos oferecer novas situações, oferecem também testemunhos para a alma, que é testada em suas tendências e pendores. Por isso que, não raro, caímos em equívocos perante situações da vida, resultando em atitudes indesejadas. Anelávamos agir de uma maneira, porém, deixamo-nos vencer, tomando outro caminho. Imaginávamo-nos tomando tal atitude e, no momento, arrastamo-nos em outra direção menos nobre. Planejávamos tomar tal posicionamento e, na hora decisiva, tombamos em opção menos correta. São os equívocos naturais do aprendizado de quem ensaia seus primeiros passos para a construção de um mundo íntimo rico das coisas de Deus. Assim, se tombamos nos caminhos da vida, ergamo-nos e retomemos a caminhada. Se perdemos o caminho reto, a estrada feliz, adentrando por labirintos perigosos, em alguma encruzilhada da vida, refaçamos os passos sem medo de retomar a caminhada. Nenhum de nós está isento de equívocos perante a vida, de atitudes menos felizes e de ações pouco nobres. Portanto, não nos perturbemos demoradamente perante tropeços e falhas no nosso caminhar. Lamentações demoradas somente farão estragos maiores em nosso mundo íntimo. Paguemos em renovação interior as desditas e desatinos cometidos. Mudemos nossa paisagem íntima, agora mais amadurecida e esclarecida após as dificuldades, não perdendo tempo a olhar os dias que já se foram e não mais retornarão. Levantemo-nos e sigamos além. É verdade que encontraremos adiante a sementeira infeliz de hoje, e que bem poderíamos ter evitado. Quando isso ocorrer, colhamos os espinhos, resgatando com alegria os erros do ontem, projetando dias felizes, para logo mais. 
 * * * 
Cada manhã é bênção da vida, trazendo belezas novas a diluir os fantasmas do medo e da insegurança. Jesus é sempre o amigo seguro dos equivocados e caídos que O buscam, pois que somente nEle encontramos o apoio e a paz para a vitória que não tarda chegar.
Redação do Momento Espírita, com base no cap 14, do livro Responsabilidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 24.11.2011

segunda-feira, 29 de julho de 2019

EQUÍVOCOS NA EDUCAÇÃO

A mãe é a grande responsável pela formação do caráter do filho, seguida pelo pai, como co-participante dessa grande tarefa. Por vezes, a mãe, investida da melhor das boas intenções comete equívocos na educação, que poderão infelicitar sobremaneira o filho, a quem ama e deseja ver feliz. Um desses equívocos é assumir a vida e os gostos da criança. É ela que adoça o café ou o suco do filho; é ela que sabe do que ele gosta ou deixa de gostar. É a mãe que responde quando alguém pergunta à criança se ela deseja isso ou aquilo. É ela que escolhe roupas, calçados, conforme as cores e modelos que gosta, muitas vezes abafando os desejos do filho, quando esse já tem idade para opinar. A mãe cria o filho ou filha com se fossem mentalmente inválidos. Embora não se duvide do amor que move essas atitudes, essas mães estão prejudicando sobremaneira a formação dos seus amores. Isso porque a criança cresce sem se conhecer, porque a mãe é quem sabe tudo sobre ela. Na fase da adolescência, os conflitos aumentam pois agora o filho já não aceita mais ser guiado pela mãe, mas submete-se, sem critérios, ao grupo com o qual passa a conviver. Daí, se veste como os da sua tribo, se comporta como o seu grupo estabelece, se caracteriza, enfim, como os demais. Não tem gosto próprio, pois a mãe sempre decidiu tudo por ele. A criança, que desde cedo aprendeu a ser passiva em tudo, agora não consegue se desvencilhar dessa dependência perigosa. Esse tipo de educação gera jovens sem opinião própria, sempre preocupados com o que os outros pensam ou dizem deles. São jovens sem iniciativa, sem senso crítico, sem maturidade, que estão sempre esperando que alguém lhes diga o que fazer e do que devem gostar ou desgostar. Infelizmente essas falhas na educação infelicitam em vez de formar homens e mulheres aptos para gerir as próprias vidas de forma lúcida e coerente. É por essa razão que moças se deixam iludir por promessas mirabolantes, como as feitas pelo maníaco do parque, que acenava com a possibilidade de fazê-las famosas, fotografando-as, nuas, no meio do mato. Se essas moças tivessem discernimento e senso crítico, certamente não aceitariam tal convite, por ser destituído de fundamento. Importante que mães e pais pensem com carinho a respeito da grande missão que lhes cabe como educadores e formadores de caracteres. Importante se pensar em educar os filhos para que tenham autonomia no pensar e no agir, por si mesmos, e não sejam conduzidos como marionetes, sem direito a pensar nem assumir responsabilidades. Importante que os pais atentem para essa questão e permitam que os filhos aprendam a se conhecer desde cedo. A fazer algo que os faça sentirem-se úteis e valorizados. Muito embora se tente combater o trabalho infantil dentro do lar, como se pequenas tarefas fossem prejudicar a infância, os pais conscientes sabem que se hoje têm os pés firmes no chão, é porque seus pais lhes colocaram responsabilidades sobre os ombros. Você que é mãe ou pai, e ama seus filhos, pense nisso e avalie até que ponto não está tomando para si a vida deles. E se perceber que está cometendo esse grande equívoco, não perca mais nenhum minuto. Corrija o passo e ofereça ao seu filho a bendita oportunidade de crescer. 
 * * * 
A educação deve promover o homem não apenas no meio social, mas prepará-lo para a vida essencial, que é realidade do ser imortal, filho da luz, que deve seguir, individualmente, seu caminho para a Grande Luz, que é o Criador. 
Redação do Momento Espírita, com base em Seminário proferido por Raul Teixeira, no VI Simpósio Paranaense de Espiritismo, em 27 de maio de 2003. Disponível no livro Momento Espírita v. 4, ed. Fep 
Em 12.12.2013

domingo, 28 de julho de 2019

EQUIPE SOLIDÁRIA

Nos dias tumultuados de hoje, em que geralmente cada um pensa somente em si, esquecendo de quem caminha ao seu lado, vale a pena refletir um pouco sobre a história do menino Shaya, contada por seu pai. Shaya era aluno de uma escola dedicada ao ensino de crianças deficientes, no Brooklin, Nova Iorque. Não podia entender as coisas nem podia se lembrar de fatos e números como as outras crianças. Contou o pai de Shaya que, numa tarde, ele e seu filho caminhavam por um parque onde alguns meninos que Shaya conhecia estavam jogando beisebol. Shaya perguntou ao pai: 
-Você acha que eles me deixarão jogar? 
O pai sabia que seu filho não era atlético e que a maioria dos meninos não o queria no time. Mas entendeu que se Shaya fosse aceito no time, isso lhe daria uma confortável sensação de participação. Aproximou-se de um dos meninos e perguntou se seu filho poderia jogar. O menino deu uma olhada ao redor buscando a aprovação dos seus companheiros de time. Mas, mesmo não conseguindo nenhuma aprovação, ele assumiu a responsabilidade sozinho e disse: 
-Nós estamos perdendo por seis rodadas e o jogo está na oitava rodada. Eu acho que ele pode entrar no time e nós tentaremos colocá-lo para bater até a nona rodada . 
O pai ficou radiante quando Shaya abriu um grande sorriso. Pediram ao menino para vestir uma luva e entrar no campo para jogar. No final da oitava rodada, o time de Shaya marcou alguns pontos mas ainda estava perdendo por três. No final da nona rodada, o time marcou novamente e, agora, com dois fora e as bases com potencial para a rodada decisiva, Shaya foi escalado para continuar. 
-Será que o time deixaria Shaya bater naquela circunstância e jogar fora a chance de ganhar o jogo? Pensou o pai, preocupado. 
Para surpresa de todos, foi dado o bastão a Shaya. Todo mundo sabia que era quase impossível porque ele nem mesmo sabia segurar o bastão. Porém, quando ele tomou posição, o lançador se moveu alguns passos para arremessar a bola suavemente de maneira que Shaya pudesse, ao menos, rebater. Foi feito o primeiro arremesso, Shaya balançou desajeitadamente e perdeu. Um dos companheiros do time foi até ele e, juntos, seguraram o bastão e encararam o lançador. O lançador deu novamente alguns passos e lançou a bola suavemente para Shaya. Quando veio o lance, Shaya e o seu companheiro de time rebateram a lenta bola do lançador. O lançador apanhou a bola e poderia tê-la lançado facilmente ao primeiro homem de base. Shaya estaria fora e isso teria terminado o jogo. Mas, ao invés disso, pegou a bola e lançou-a em uma curva longa e alta para o campo, distante do alcance do primeiro homem de base. Todo mundo começou a gritar:
-Shaya, corra para a primeira base. Corra para a primeira. 
Nunca na vida dele ele tinha corrido... Mas, saiu em disparada para a linha de base, com os olhos arregalados e assustado... E chegou lá. O jogador da direita pegou a bola e poderia tê-la lançado ao segundo homem de base, que colocaria Shaya para fora, pois ele ainda estava correndo. Mas o jogador entendeu quais eram as intenções do lançador e lançou a bola alta e distante, acima da cabeça do terceiro homem de base. Todo o mundo gritou: 
-Corra para a segunda, corra para a segunda. 
Shaya correu para a segunda base enquanto os jogadores, à frente dele, circulavam de propósito para a base principal. Quando Shaya alcançou a segunda base, todos gritaram: 
-Corra para a terceira. 
Quando Shaya contornou a terceira base, os meninos de ambos os times correram atrás dele gritando: 
-Shaya, corra para a base principal. 
Shaya correu para a base principal, pisou nela e todos os dezoito meninos o ergueram nos ombros fazendo dele o herói, como se ele tivesse conquistado a vitória para o seu time e vencido um campeonato. E o pai de Shaya disse docemente e com lágrimas caindo sobre sua face: 
-Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo no rosto do meu filho! 
* * * 
Nada pode significar mais do que um sorriso na face de uma criança especial. Nenhuma vitória pode ser mais valorosa que a vitória da solidariedade. 
Redação do Momento Espírita com base em história de autoria desconhecida. 
Em 06.06.2011.

sábado, 27 de julho de 2019

A EQUIPE MAIS IMPORTANTE

Era o dia das profissões na escola municipal. Os pais compareciam e relatavam detalhes de como exerciam sua profissão. Os alunos, curiosos, faziam perguntas. Algumas profissões encantavam a turma pela coragem necessária, como a dos bombeiros; ou excitavam a fantasia da criançada, como a de ator ou músico ou jogador de futebol. Quando o pai de Sérgio entrou na sala, o menino foi escorregando na cadeira, desejando se esconder. Ele ficou imaginando o que o pai iria dizer. Corou de vergonha. No entanto, Roberto, mostrando-se bem à vontade, contou que no momento estava desempregado. 
-Que profissão é esta? O que é, exatamente, que o senhor faz?
Perguntou, logo, um afoito garoto. 
-Bom, eu diria que minha principal ocupação, no momento, é procurar trabalho. 
Um grande silêncio se fez na sala. Corajoso, continuou o seu relato. 
-Imaginem vocês que somos uma equipe de futebol e estamos perdendo de quatro a zero. Então, temos duas alternativas: podemos desistir ou podemos lutar até o final do jogo e tentar reverter o placar. O que vocês fariam? 
A turma se entusiasmou e cada um foi dizendo que continuaria jogando, que faria cinco gols para ganhar a partida, que daria o melhor de si... 
-Pois é, continuou aquele pai, imagino quantos de vocês têm pais que trabalham o dia todo fora de casa e, à noite, quando chegam cansados, ainda se desdobram com as tarefas domésticas. Penso em quantos de vocês têm irmãos mais velhos que, depois de terem saído de casa, para ganhar a própria vida, sofreram dificuldades e tiveram que voltar para a casa dos pais. Tenho certeza que alguns de vocês vêm para a escola acompanhados por um irmão ou uma irmã. Isso é equipe. Um ajuda o outro, sustenta o outro, ampara. Eu sou o jogador de uma equipe maravilhosa, a mais sensacional equipe que se possa ter: minha família. 
Nesse momento, Sérgio levantou a cabeça, voltou a se sentar ereto e começou a prestar atenção no que dizia o seu pai. 
-Família é o que há de mais importante na vida. Minha família me sustenta, nesse período, em que saio, a cada dia, tentando conseguir um trabalho. Quando acordo pela manhã, é o sorriso da minha família que me anima a prosseguir lutando, buscando. Minha família suporta meu mau humor quando tenho um dia ruim. Somos uma equipe e, como no futebol, não importa em que posição estejamos jogando, não importa se estamos perdendo a partida, o que importa é como se joga, porque sempre há a possibilidade de se reverter a situação. Por isso, eu continuo, todos os dias, procurando um trabalho que me garanta auxiliar a minha família, enquanto ela mesma me sustenta, sem reclamar, sem acusar. Minha família é a melhor equipe, a mais importante da minha vida. E, para cada um de nós, é com certeza, a equipe, graças à qual, vamos em frente, não paramos perante os obstáculos que possam se fazer maiores. Família é amparo, é união, é auxílio. 
Quando Roberto concluiu, foi tão aplaudido quanto qualquer outro dos pais que por ali havia passado, descrevendo os lances emocionantes de sua profissão. Nos olhos das crianças havia o brilho da emoção. Em seus corações, a lição de um pai agradecido à esposa e filhos que lhe entendiam o esforço e lhe davam apoio. Uma lição que eles levariam impressa, de forma indelével, para as suas próprias vidas.
Redação do Momento Espírita, com base no link 
www.hirukide.com/es/index.php [visualização em 5.2.2014]. 
Em 17.3.2014.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

EQUILÍBRIO

Antonio Baduy Filho
Caridade é o amor em ação, aprendemos com o Apóstolo Paulo. Contudo, em nome da caridade, por vezes, cometemos algumas falhas. Por isso, é sempre bom considerar que é muito bom dar pão ao faminto. No entanto, não devemos esquecer a família. Aqueles que se encontram sob nossa guarda, nos merecem toda a atenção e cuidados. Distribuir o agasalho, cobrindo corpos desnudos, é gesto cristão. Mas em nome dessa ação, não podemos complicar a própria vida, criando problemas para nós e para os nossos afetos. É sinal de caridade socorrer o doente, providenciando-lhe o remédio, o médico, o hospital. Auxiliar aquele que tem dificuldades de tratar com a burocracia para conseguir um tratamento prolongado ou um internamento que se faz urgente. Entretanto, não podemos esquecer de tratar de nossa própria saúde, consultar o médico quando sintamos algo que nos desequilibra a organização física, submeter-nos a exames, tratamentos especializados, eventual cirurgia. É excelente ajudar na instituição beneficente, doando horas a favor do próximo. No entanto, não podemos esquecer que a cada um de nós compete trabalhar para prover a própria subsistência e da família. Quem não trabalha, se torna um peso que a sociedade deve arcar. A sociedade pode ser a parentela corporal, amigos ou instituições. Se desejamos servir, lembremo-nos antes de tudo que a Divindade não nos pede a totalidade das horas, mas aquelas que possamos dispor e que são as do nosso descanso; do nosso lazer, sem prejuízo das que precisamos permanecer nas lidas profissionais, garantindo nosso sustento. É importante direcionar recursos aos necessitados, colaborando com indivíduos ou instituições de beneficência. O que não devemos esquecer é de saldar as próprias dívidas. Se assim não procedermos, estaremos prejudicando aos que trabalharam para nos ceder suas mercadorias ou seus serviços, e aguardam que cumpramos com nossos compromissos a fim de se sustentarem. Importante visitar o lar infeliz pela viuvez, pela orfandade ou pela miséria, sem esquecer de cuidar do próprio lar. Dessa forma, amparemos o desorientado, mas conservemos a própria harmonia, não nos permitindo a perturbação por não conseguir resolver problemas alheios. Colaboremos na assistência social, mas respeitemos os próprios compromissos familiares, afetivos, profissionais. Façamos a caridade, mas não esqueçamos as próprias obrigações, quaisquer que elas sejam. Lembremos que o bem é fator de equilíbrio entre o amor ao próximo e o amor a si mesmo. 
* * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANA DE ÂNGELIS
Comecemos em nossa família a obra da fraternidade geral. Organizemos a nossa família, confiantes, entregando-nos a Deus e trabalhemos no bem, com equilíbrio, porque, em última análise, de Deus tudo procede, como atento Pai que é de todos nós. 
Redação do Momento Espírita com base na mensagem Fator de equilíbrio, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Antonio Baduy Filho, em 11.04.1999, no Sanatório José Dias Machado e no verbete Família do livro Repositório de sabedoria,v. 1, pelo Espírito Joanna de Angelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 21.1.2013

quinta-feira, 25 de julho de 2019

FALANDO AO OCEANO

Algumas folhas de papel, caídas sobre a areia de uma praia pouco visitada, traziam as seguintes linhas: 
-Quando abraço o oceano com o olhar, volto a questionar milhões de coisas, tantas quanto as ondas que ganham a areia. Volto a questionar: Como alguém pode sentir-se só na presença do mar? Na presença desta brisa incessante? Na companhia deste perfume raro?! Como ainda posso me sentir só, sabendo que os braços do invisível me abraçam, que aqueles que partiram continuam existindo, e que todos nós, sem exceção, somos amados por alguém!? Como ainda posso me sentir só? Talvez seja porque eu me isole do mundo, e seja exigente demais com as pessoas. Pode ser isso. Talvez seja porque eu não permita que os outros conheçam minha vida, meus sonhos, minhas dificuldades. Acho que há um pouco de orgulho nisso. Quem sabe seja porque eu procure a solidão, e não ela que me persiga, como eu imaginava. É... Talvez eu precise conversar mais com as pessoas, me interessar mais por suas vidas, ouvir. Há tempos que não ouço alguém; um desconhecido relatando os acontecimentos corriqueiros do dia a dia; um colega de trabalho falando das peripécias de seus filhos. Meus irmãos: há tempos não converso com eles sobre assuntos profundos, como planos para o futuro, lembranças boas do passado. É curioso, pois lembro-me de que há algumas semanas ouvi uma mensagem de cinco minutos, num programa de rádio, que falava sobre isso, sobre como as pessoas se isolam umas das outras, e do quanto isto é prejudicial para a saúde mental e física, já que uma é consequência da outra. O locutor dizia que quem ama não se sente só, pois está sempre se doando, se envolvendo com os corações mais próximos, na intenção de ajudar. Dizia ainda que, quando nos sentimos úteis, e concluímos que muitos dependem de nossa dedicação, de nosso amor, também esquecemos da solidão. Acredito que ele tenha razão, pois lembro que naquele dia fui visitar uns tios que não via há muito tempo, e aquela visita fez-me tão bem! Falamos de assuntos comuns, como notícias de televisão, notícias da família, mas ao final saí de lá menos tenso, menos preocupado com a solidão. Abracei minha tia, e a ouvi dizer, por entre lágrimas discretas: 
-Gostamos muito de você, viu? Venha mais vezes! Não é sempre que recebemos visitas!
-Ela está certa. Não é sempre que recebemos visitas, pois não é sempre que visitamos os outros, creio eu. Naquela tarde, vi que poderia ser útil em pequenas coisas, e que aquilo me afastava um pouco da solidão. Dentro do carro, voltando para casa, observando o movimento intenso nas ruas, lembro de fazer estas mesmas perguntas: como pode alguém sentir-se só na presença de tanta gente, de tanta vida!? Quantos desses corações esperam apenas por uma visita? E quantos deles estão dispostos a fazer uma? E aqui está você, amigo oceano, à minha frente, ouvindo todas estas minhas divagações. Acho que foi sua presença, rei das águas, que me ajudou a entender melhor o que se passa em meu íntimo. Agradeço profundamente por sua companhia, por conseguir me ouvir, e por me dizer, mesmo sem falar, que o que preciso fazer é visitar mais o coração de meu próximo. Muito obrigado. 
Redação do Momento Espírita, com base em narrativa de autor ignorado pela equipe. 
Em 25.7.2019.