terça-feira, 7 de agosto de 2018

OS DOIS MARES

Bruce Fairchild Barton
Narra o escritor Bruce Barton que, na Palestina, existem dois mares bem distintos. O primeiro deles é fresco e cheio de peixes. Possui margens adornadas com bonitas plantas e muitas árvores as rodeiam, debruçando seus galhos em suas águas, enquanto deitam as raízes nas águas saudáveis para se dessedentarem. Suas praias são acolhedoras e as crianças brincam felizes e tranquilas. Esse mar de borbulhantes águas é constituído pelo rio Jordão. Ao redor dele, tudo é felicidade. As aves constroem os seus ninhos, enchendo com seus cantos a paisagem de paz e de risos. Os homens edificam suas casas nas redondezas para usufruírem dessa classe de vida. Mas, o rio Jordão prossegue para além, em direção ao sul, em direção a outro mar. Ali tudo parece tristeza. Não há canto de pássaros, nem risos de crianças. Não há traços de vida, nem murmúrio de folhas. Os viajantes escolhem outras rotas, desviando-se desse mar de águas não buscadas por homens, nem cavalgaduras, nem ave alguma. Se ambos os mares recebem as águas do mesmo rio, o generoso Jordão, por que haverá entre ambos tanta diferença? Num, tudo canta a vida, noutro parece pairar a morte. Não é o rio Jordão o culpado, nem causa é o solo sobre o qual estão, ou os campos que os rodeiam. A diferença está em que o Mar da Galiléia recebe o rio, mas não detém as suas águas, permitindo que toda gota que entre, também saia, adiante. Nele, o dar e receber são iguais. O outro é um mar avarento. Guarda com zelo todas as gotas que nele ingressam. A gota chega e ali fica. Nele não há nenhum impulso generoso. O Mar da Galiléia dá de forma incessante e vive de maneira abundante. O outro nada dá e é chamado de Mar Morto. 
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Tecendo um paralelo entre o coração humano e os dois mares descritos, podemos logo reconhecer se temos uma alma generosa igual ao Mar da Galiléia ou avarenta e ciosa qual o Mar Morto. Os que estamos habituados a distribuir os dons e talentos que a Divindade nos concede, somos os seres agraciados com a alegria de viver, farto círculo de amigos, flores de carinho e folhagens de ternura. Se nos habituamos a viver sós, sem nada repartir, dividir ou partilhar, estamos semeando solidão à nossa volta, tristeza e desamparo, porque a vida é qual imensa seara que retribui a sementeira, de acordo com os grãos cultivados.
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O Mar da Galiléia também é conhecido, no Antigo Testamento, como o Mar de Kinneret ou Lago de Tiberíades. Às margens do Mar da Galiléia é que se estendiam as cidades de Magdala, Cafarnaum, Tiberíades e Betsaida, onde os Evangelhos registram a atuação de Jesus, quando de Seu ministério entre os homens. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Parábola dos dois mares, de Bruce Barton, do livro Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana. Em 10.02.2009.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ONDA GIGANTE

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Um pesadelo assustador para muitos, certamente: uma onda gigante vindo em sua direção, imponente, engolindo tudo pela frente. Em nós, misturam-se sentimentos: impotência, pavor, desorientação. Não há o que fazer, não há para onde ir. Tudo parece condenado. Diante das grandes ameaças, dos grandes problemas dos dias, muitas vezes nos sentimos assim, e os sonhos, à noite, acabam por produzir tais representações aterradoras. Agora procuremos imaginar uma outra cena: um paredão de água do mar com cerca de vinte e quatro metros de altura, prestes a quebrar na costa. No alto de toda essa imponência, na crista, vislumbramos algo que nos surpreende: lá está uma pessoa. Trata-se de um surfista que se projeta muralha abaixo, desafiando aquela que passaria a ser a maior onda já surfada no mundo. Os que observamos, à distância, nem sequer respiramos naqueles breves segundos. Enxergamos o pequeno risco veloz desenhado na água do mar, enquanto atrás, o grande muro parece querer desabar a qualquer momento. O oceano silencia aguardando a arrebentação, como se prendesse o fôlego antes do rugido ensurdecedor da vaga quebrada no raso. Após o grande estrondo, então, lá está o esportista, ileso, em pé em sua prancha, vitorioso sobre a espuma da onda vencida. 
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Grandes problemas podem ser vistos como grandes oportunidades. O mundo de provas e expiações é também o mundo dos aprendizados constantes, é o mundo escola. Cada experiência, por mais assustadora que possa parecer, guarda em si uma lição para o Espírito em crescimento. Importante não enxergarmos as ondas gigantes da vida como grandes males, grandes desgraças. Abandonemos essa visão imediatista, simplista, que julga os acontecimentos apressadamente, sem perceber suas consequências mais adiante. A vida do Espírito é a vida do longo prazo. Quantas ondas assustadoras já encaramos na vida e nas vidas, sobrevivendo ao final? Não é a primeira vez nem a última que iremos enfrentar desafios dessa monta, por isso é hora de pensarmos diferente. Por que não surfarmos nas imensas vagas que se apresentam? Será que não é esse o convite do oceano da vida? Pensemos, estudemos, analisemos, preparemo-nos melhor. O mar não é o inimigo, assim como as Leis de Deus também não o são. Convidemos a coragem para estar conosco todos os dias. O medo é natural. Não nos envergonhemos dele. Prossigamos com ele ao nosso lado, porém, não permitamos que ele nos controle. Nada poderá nos destruir. Somos maiores do que as ondas gigantes, embora não possa parecer. 
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Enquanto nos encontramos no plano de exercício, qual a crosta da Terra, sempre seremos defrontados pela dificuldade e pela dor. A lição dada é caminho para novas lições. Atrás do enigma resolvido, outros enigmas aparecem. Outra não pode ser a função da escola, senão ensinar, exercitar e aperfeiçoar. Enchamo-nos, pois, de calma e bom ânimo, em todas as situações. Fomos colocados entre obstáculos mil de natureza estranha, para que, vencendo inibições fora de nós, aprendamos a superar as nossas limitações. 
Redação do Momento Espírita, com citações do cap. 61, do livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Em 6.8.2018.

domingo, 5 de agosto de 2018

DOIS GRANDES AMORES

OSCAR SCHMIDT
MARIA CRISTINA, ESPOSA
FELIPE, FILHO
Quando muitos brasileiros fazem questão de sair do país, de afirmar que por aqui tudo é ruim, alguns surpreendem pelo patriotismo que demonstram. E não apenas com palavras. Ou com gestos pensados para dar demonstração a jornalistas e câmeras televisivas do que verdadeiramente não sentem, nem vivenciam. Oscar Schmidt, o destaque brasileiro na História do basquete, em setembro de 2013, recebeu a maior honraria que um atleta pode receber na carreira. Em uma cerimônia em Massachusetts, no Hall da Fama do Basquete de Springfield, ele recebeu a honra de um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos, Larry Bird. Em um grande telão, Oscar assistiu grandes astros elogiá-lo pela sua trajetória no basquete. Depois, recebeu a homenagem e fez o seu discurso. Foi aí, em dezoito minutos, que ele demonstrou o que é lutar pelo seu país e ter um grande amor. Apresentou-se com o sempre sorriso nos lábios e a inseparável boina preta, que o acompanha desde que iniciou sua luta contra o câncer. Lembrou que foi seu pai, hoje desencarnado, quem o aconselhou a jogar basquete, quando ele frequentava os campos de futebol. Lembrou amigos e treinadores, que fizeram a grande diferença em sua vida. Para não esquecer ninguém, levou para a tribuna uma listinha, que foi consultando. Falou com emoção e com desenvoltura. Lembrou de que, destacando-se, foi convidado a jogar nos Estados Unidos. Isso significaria que nunca poderia jogar pela seleção brasileira. Eram as regras. Então, ele voltou para o Brasil e fez a grande diferença para o nosso basquete. Em agosto de 1987, o Brasil foi campeão dos Jogos Pan-americanos, batendo os Estados Unidos, em sua própria casa, Indianápolis. Oscar conseguiu o Bronze no Mundial de 1978, nas Filipinas e participou de cinco Olimpíadas. No rol da gratidão, agradeceu à família, ao seu filho, que também já foi jogador, à sua filha, a quem elogiou como chef de cuisine. Contudo, foi para a esposa Maria Cristina seu mais apaixonado testemunho público de amor. Com os olhos cheios de lágrimas, revelou uma história de seu início de carreira. Tinha dezessete anos, sofreu uma lesão e ficou durante um ano fora do clube. Ele ia treinar sozinho. Era terrível. Um dia, pediu para a também jovem Cris: 
-Você pode ir comigo? Você me passa a bola. É muito triste treinar sozinho. 
E ela foi. No primeiro dia, ficou com os braços muito doloridos por não estar habituada a tanto exercício. Mas ela continuou, uma semana, um mês, dia após dia, passando a bola para ele treinar. Então, confessou Oscar:
-Eu decidi: “Vou me casar com ela”. 
Emocionado, enquanto as câmeras focalizavam a esposa na plateia, igualmente sob forte emoção, ele concluiu: 
-Muito obrigado, “minha namorada”. São trinta e oito anos juntos. Eu tenho certeza de que somente cheguei onde estou, graças a você. 
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Diz-se que quem tem fama, dinheiro, somente pensa no poder e no usufruir das coisas da Terra. Esquecemos que, dentro de cada ser humano, existe um coração que pulsa, sente, ama, sofre. Um ser que tem família, esposa, filhos, irmãos, pais. Uma criatura que vive o verdadeiro sentido da família. E, por vezes, como neste caso, nos dá exemplo de verdadeiro amor à pátria, à esposa e filhos, dizendo, com suas atitudes, que é possível tudo conciliar, com equilíbrio e alegria.
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no discurso de Oscar Schmidt, no Hall da Fama, no dia 8 de setembro de 2013. Em 19.8.2014.

sábado, 4 de agosto de 2018

OS DOIS ESPELHOS

Um dos objetos cujo uso está mais vulgarizado na sociedade é, sem dúvida, o espelho. Sua invenção data do século XIII, quando então se usava forrar a parte posterior do vidro com lâminas de metal. Desde essa maravilhosa descoberta, o homem pôde mirar-se à vontade, vendo sua imagem fielmente refletida na prancha de vidro com molduras elegantes. Não há lar, por mais modesto que seja, onde não se encontre esse utensílio tido como indispensável. Nos palácios mais suntuosos, como nos casebres mais humildes, lá está o espelho. Ninguém lhe dispensa o uso: do mais pobre ao mais rico, do sábio ao ignorante. Ambos os sexos o consideram como rigorosamente necessário. Sair à rua sem consultá-lo no alinho da gravata, no arranjo do cabelo, na disposição geral da vestimenta, considera-se falta imperdoável. Diz-se que é mais fácil passar o camelo pelo fundo da agulha, do que passar uma mulher diante de um espelho, sem dar um toque no cabelo, na roupa, enfim, uma inspeção geral na aparência. O espelho é tido em tal estima que, além de não dispensá-lo em todos os cômodos da casa, alguns o levam consigo, em bolsas ou carteiras elegantes, a fim de consultá-lo a cada instante, a todos os momentos. No entanto, há outro espelho que não é fruto da criatividade humana, mas constitui a mais preciosa das faculdades com que Deus dotou todos os Seus filhos: é a consciência. Assim como o espelho reflete o nosso exterior, a consciência reflete o nosso interior. Vemos através dela a imagem perfeita de nossa alma, como no espelho a imagem real do nosso rosto. O espelho dá conta da nossa fisionomia, de nosso semblante, de nossa forma. A consciência nos revela o Espírito, o caráter, os sentimentos mais íntimos e ocultos. Ambos - espelho e consciência - se prestam ao mesmo fim: compor as linhas da harmonia, reparar os senões, corrigir, embelezar. O espelho serve ao corpo, a consciência ao Espírito. Ambos têm a mesma função: refletir, com justiça, o aspecto, a figura exata do nosso físico e do nosso moral. Ora, assim sendo, não será estranho estimarmos tanto o espelho de vidro, que reflete o corpo perecível, deixando de lado a consciência, essa faculdade maravilhosa que reproduz a Divina Imagem a cuja semelhança fomos criados? Não será loucura zelarmos tanto pelo corpo que perece, esquecendo o Espírito que permanece? Se não saímos à rua com os cabelos em desalinho, com a roupa amarrotada, com os sapatos sem brilho, como ousamos expor aos olhos dos benfeitores maiores que nos observam, a alma esfarrapada, envolta em míseros trapos? Se obedecemos aos reflexos do espelho, corrigindo todas as falhas que ele acusa em nosso exterior, porque não fazer o mesmo atendendo à consciência, sempre que ela acuse, intimamente, as falhas do nosso interior? É imperioso corrigirmos essa falta de cuidados que nos leva a só buscar o belo exterior, descuidando o belo interior. A beleza é como a saúde: vem de dentro para fora. Dessa forma, sem deixarmos de nos olhar por fora, olhemo-nos também por dentro. Façamos uso dos dois espelhos. 
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Maria, mãe de Jesus, era possuidora de peregrina beleza. Se no interior era tudo harmonia, doçura, encanto e bondade, o exterior só poderia refletir tais dotes e virtudes em traços de beleza. 
Redação do Momento Espírito com base no cap. Os dois espelhos, do livro Em torno do Mestre, de Vinícius, ed. Feb Em 28.06.2010.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O MAIS VALIOSO DOS TESOUROS

Em uma das suas parábolas, Jesus compara o reino dos céus a um tesouro escondido em um campo. Um homem o encontra e, desejando-o para si, vende tudo o que tem e compra aquele campo. A parábola nos convida a realizarmos uma reflexão acerca do que consideramos tesouro. Para alguns de nós, os tesouros são as coisas materiais: a casa bonita, os móveis novos, o carro último tipo, uma conta corrente expressiva, roupas caras, perfumes raros. A possibilidade de comparecer a restaurantes sofisticados e solicitar pratos requintados. A chance de percorrer o mundo, conhecendo as obras raras do ontem e do hoje. Para outros, tesouros são livros. E não nos cansamos de buscá-los, em especial as edições esgotadas, mais valiosas. Outros colecionamos obras de arte e as exibimos aos amigos com alegria. Cada obra adquirida, mais um ponto para o nosso tesouro. Recordamos de certo filme que apresentava uma família excessivamente rica. Tão rica que, para guardar seus maiores tesouros, mandou cavar um cofre no seio de uma alta montanha, onde até foram esculpidas as faces da mãe, do pai e do filho. Certo dia, ladrões audaciosos adentraram aquele lar, amarraram os pais e sob ameaças de lhes ferir o filho, os fizeram dizer qual o segredo para adentrar na fortaleza. Os ladrões desejavam as riquezas que ali se encontravam. Qual não foi sua surpresa ao descobrirem que os tesouros tão propalados não passavam de coisinhas tolas, como o bercinho onde dormira o bebê pela primeira vez, o primeiro brinquedo, o primeiro troféu, o primeiro sapatinho. Para aqueles pais, tão ricos, o que consideravam como de maior valor era tudo aquilo que se referia ao filho. Ele lhes era o maior tesouro. 
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E o nosso tesouro? Qual será? Recordamos Jesus que se referia aos tesouros da intimidade, que o ladrão não rouba, nem a traça corrói. É isso mesmo. O maior tesouro é aquele que podemos amealhar dentro de nós: nossa riqueza interior. O que possamos crescer em intelecto, em moral, isso ninguém nos haverá de furtar. E mesmo após a morte do corpo físico, são aqueles que seguirão conosco. Nosso conhecimento, nossas virtudes, nossas qualidades morais. Tesouros que utilizaremos na vida espiritual e nas próximas reencarnações, seja na Terra ou em qualquer outro mundo, qualquer outra morada de nosso Pai. Você sabia? ...que para os Apóstolos Paulo de Tarso e Barnabé o maior tesouro eram os escritos de Levi, depois chamado Evangelista Mateus? E você sabia que, por falarem muito a respeito do grande tesouro que possuíam, certa noite, ambos foram assaltados a fim de terem furtada aquela preciosidade? E que, após o assalto, deram graças a Deus, considerando que aqueles escritos, nas mãos dos ladrões, com certeza os haveriam de transformar para o bem? 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP. Em 3.8.2018.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

UMA PRECE

RAUL TEIXEIRA
Uma prece Ao despertar, enquanto você abre os olhos e se espreguiça na cama, seja para o Senhor da Vida o seu primeiro pensamento. Meditando em tantas coisas que logo mais lhe tomarão todas as horas do dia, sem lhe deixar tempo para telefonar para o amigo que há muito não vê, ou almoçar com a família, eleve a Deus o seu pensamento e lhe diga: 
-Senhor, acalma meu passo. Desacelera as batidas do meu coração, acalmando minha mente. Diminui meu ritmo apressado com a visão da eternidade do tempo. Em meio às confusões do dia a dia, dá-me a tranquilidade das montanhas. Retira a tensão dos meus músculos e nervos com a música suave dos rios de águas cantantes que vivem em minhas lembranças. Ajuda-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono. Ajuda-me a me preparar bem para o repouso de todas as noites, lembrando-me sempre que enquanto dorme meu corpo, eu, Espírito, adentrarei o verdadeiro mundo e irei aos lugares que a minha mente elegeu como meu tesouro. Ensina-me a arte de tirar pequenas férias: reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir uma música preferida. Ensina-me a ter olhos de ver a beleza do céu azul, um raio de sol, a chuva da tarde, o cair da noite, com seu manto aveludado bordado de estrelas. Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração. Acalma meu passo, Senhor, para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar–me para escutar a Tua voz. Acalma meu passo, Senhor, e inspira-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até às estrelas do meu destino maior. Obrigado, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me deste, pelo meu trabalho e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida. Tudo isto Te peço, Senhor, pois se estás comigo, em nenhum lugar me sentirei triste, porque, apesar da tragédia diária, Tu enches de alegria o Universo. Se estás comigo, não tenho medo de nada, nem de ninguém, porque nada posso perder e todas as forças do Cosmos são impotentes para tirar-me o que me pertence, na qualidade de filho de Deus: o Teu amor. Se estás comigo, tudo executarei em Teu nome. Enfim, em nenhum lugar me sentirei estranho, deslocado, porque estás em todas as regiões, na mais suave de todas as paisagens, no limite indeciso de todos os horizontes. 
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A brisa refrescante que arrefece o calor dos dias de verão somente nos beneficiará se a respirarmos compassadamente. Somente poderemos sentir a chuva benfazeja que se derrama sobre larga faixa terrestre, trazendo a fertilidade ao chão e alimentando as fontes, se alongarmos as mãos para recolher o líquido precioso. Também as bênçãos de Deus se espelham sobre todas as criaturas, porém, para que as possamos sentir, dulcificando-nos as vidas, é preciso que nos unamos, em sintonia feliz, a essas faixas de luz. E essa sintonia se chama oração. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.3, do livro Rosângela, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira, ed. FRÁTER e no texto Se amas a Deus, de Amado Nervo, do livro Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. Em 2.8.2018.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A BÊNÇÃO DO TRABALHO

O trabalho é uma lei natural. Da mesma forma que a alimentação e o sono, ele é imprescindível para uma vida equilibrada e saudável. A necessidade de laborar constitui um precioso auxiliar do progresso. Ao movimentar seu corpo e sua inteligência para atingir um objetivo, o homem aprimora-se. No setor profissional a criatura vê-se obrigada a certas disciplinas que depois carreia para os demais setores de seu viver. Em sua profissão, a pessoa precisa observar horários, ser gentil e cordata, acatar determinações dos superiores. Essa disciplina, com o tempo, burila os aspectos mais ásperos da personalidade. A obediência gradualmente vai reduzindo o âmbito de atuação da vaidade e do orgulho. A pontualidade torna-se um saudável hábito, que evidencia respeito pelos semelhantes. A gentileza, a princípio forçada, lentamente torna-se um modo de ser. A inteligência, ao concentrar-se na solução de específicos problemas, ganha novo brilho e expande-se. Assim, sob os aspectos intelectual e moral, o trabalho é uma bênção. Mesmo quem possui fortuna, necessita trabalhar como um imperativo de equilíbrio. É que o desempenho de um ofício dá ao homem a possibilidade de ser um elemento útil na sociedade. Essa sensação de utilidade faz bem ao ser humano, permitindo-lhe vislumbrar uma finalidade maior em sua existência. Contudo, muitas pessoas consideram o trabalho como se fosse um castigo. O final de semana é aguardado como uma libertação, ao passo que a segunda-feira é amplamente lastimada. Grande contingente de homens deseja aposentar-se o mais cedo possível. Eles não se preocupam se com isso se tornarão pesados para a sociedade, por inúmeras décadas. No anseio de livrar-se do dever de trabalhar, contam em anos, meses e dias o tempo que falta para sua aposentadoria. Tal modo de pensar e sentir evidencia uma percepção equivocada do viver. A vida não possui como objetivo o descanso. Descansar de forma periódica e temporária é necessário para a restauração das forças. Mas a finalidade da vida é o aperfeiçoamento contínuo, proporcionado pela utilização dos próprios talentos na construção de um mundo melhor. Ao tornar-se inativo, todo organismo vivo tende para a decrepitude. O movimento e a atividade garantem a manutenção do vigor. O problema é que muitos se equivocam na escolha de suas atividades. A ganância, frequentemente, faz com que a profissão seja escolhida mais pela boa remuneração que proporciona do que pela vocação. Ocorre que desempenhar voluntariamente uma atividade de que não se gosta, podendo-se optar por outra, constitui um enorme peso colocado sob os próprios ombros. O trabalho não se destina somente a garantir a sobrevivência. Ele também deve proporcionar satisfação íntima. É o que se dá quando alguém sabe que faz bem algo de que gosta e que possui utilidade para os outros. Mas mesmo quando não se ama a profissão exercida, é possível desempenhá-la com competência e boa vontade. Basta que o profissional sinta que está fazendo sua parte na construção de um mundo melhor. Que ele vislumbre a importância do que faz para a harmonia do meio social em que se insere. Assim, ame o seu trabalho. Considere-o uma bênção que o auxilia a ser melhor a cada dia. 
Redação do Momento Espírita. Em 1º.8.2018.