quinta-feira, 14 de junho de 2018

A CADEIRA NO CAMINHO

Depois de um dia inteiro passado longe da família, entra em casa o pai, à noite. Sua chegada alvoroça o filho que, esperando algum presente, corre ao seu encontro de braços abertos. Por descuido, o pequeno estabanado vai de encontro a uma cadeira no caminho, e cai no chão, violentamente. Não se machucou, mas, assustado pela surpresa da queda, se pôs a chorar em altos gritos. Então, o pai só pensa em duas coisas: fazer calar o menino e acalmá-lo. Como conseguirá? Facilmente, associando-se aos sentimentos da criança, ajudando-a a soltar a rédea aos maus instintos. Como assim? Liberando maus instintos? Não seria justamente o oposto que deveríamos fazer? Pois bem, vejamos como a reação desse pai mostra que tomamos muitos caminhos absolutamente equivocados na educação de nossos filhos. Reforçamos os maus instintos sem perceber, mais vezes do que imaginamos. O pai se precipita, levanta a criança, e começa a bater na cadeira ruim, cadeira feia, que fez cair o Carlinhos. Desse modo consegue rapidamente o que se propusera, pois o menino, feliz por ver a cadeira castigada, cala-se, bate-lhe também, e fica satisfeitíssimo. Não é verdade que assistimos cenas como essa algumas vezes? Analisemos o alcance real desse ato que parece tão inocente. Quem tem culpa da queda da criança? Ela mesma, evidentemente. E quem foi castigada? A cadeira. Lançando a culpa à cadeira, perde-se uma oportunidade de demonstrar para a criança as consequências de sua imprudência e da sua precipitação. Dessa maneira se deforma o seu critério de julgar, apresentando-lhe uma falsa relação entre a causa e o efeito. Toda oportunidade de trabalhar essa temática, a da causa e do efeito, com as crianças, deve ser abraçada com vigor, pois nas pequenas aplicações do dia a dia está o desvendar de uma Lei Divina fundamental. Poderíamos ainda ir além e perguntar: 
-Por que sempre precisa haver um culpado? Por que não aproveitamos a oportunidade para dizer aos nossos filhos que existem muitas coisas que fazem parte da vida, e que sempre nos ensinam alguma coisa? 
A cadeira no caminho poderia estar ensinando o cuidado, a atenção, ou ainda, poderia ser apenas uma cadeira no caminho. Se na vida, buscarmos culpados para cada cadeira no caminho, esqueceremos de viver. Ao mesmo tempo, nos transformaríamos em lamentos ambulantes. Não deixemos que nossos filhos cultivem visões distorcidas da realidade desde cedo. Não permitamos que a superproteção, ou nossos próprios medos atrapalhem o bom desenvolvimento de um ser, que precisa aprender a enfrentar os desafios da vida. Punir a cadeira feia nunca será a solução. Não deixaremos de sentir a dor da queda, nem resolveremos o problema da cadeira no caminho. Entender que a Lei de causa e efeito nos rege em todos os campos, inclusive no moral, se faz de importância, se desejamos ser bons pais e educadores. 
* * * 
A sensibilidade de uma poetisa colocou na boca das crianças do mundo palavras de extrema beleza: 
-Peço-te, não me esqueças – pois sou teu filho, teu aluno, teu neto. 
Sempre teu irmão, pedindo apenas a quota de amor e paciência de que preciso para me fazer homem de bem e companheiro de teu ideal. Redação do Momento Espírita com base no cap. Eduquemos as crianças, do livro Crônicas de educação, de Cecília Meireles, ed. Nova Fronteira. Em 14.6.2018.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

DIREITO INALIENÁVEL

Dic, hospes, Spartae, nos te hic vidisse iacentes,
Dum sanctis patriae legibus obsequimur.

Lendo acerca da História da Grécia, um fato nos chama a atenção: o de que Esparta foi a única cidade grega que nada legou para a Humanidade. Nenhum poeta, nenhum matemático, nem mesmo uma ruína. O espanto, na verdade, não é somente nosso. Também o tiveram pessoas de Ciência e do âmbito das artes. Como é que essa gente que era grega, vivia entre os gregos, o povo mais inteligente da Terra, que criou e desenvolveu a Ciência, que concebeu a democracia, nada tenha legado para a posteridade? Os geneticistas elegem duas hipóteses, tentando responder a questão. A primeira é de que matando os filhos julgados incapazes, os espartanos tenham exterminado ao mesmo tempo os seus futuros poetas, músicos, arquitetos. A segunda hipótese é de que a sabedoria e a inteligência dos espartanos era tão inferior que eles não tiveram a prudência de proteger os seus próprios filhos. A respeito deles, falou o geneticista francês, em discurso realizado no Congresso Nacional em Brasília, em 1991: 
-Uma população que mata seus filhos e mata sua alma não deixa nada para a Humanidade. 
O assunto é importante de ser meditado, reflexionado. Especialmente nos dias que estamos vivendo, em que se cogita a legalização do abortamento em nosso país. Infelizmente, tal cogitação tem encontrado eco em muitos corações. Há os que defendem com ardor o abortamento eugênico. Sem se falar no triste desastre que foi o da tentativa de Hitler da seleção da raça humana, é bom se cogitar se um feto com má formação é ou não um ser humano. Que direito temos de tirar o seu direito de viver? Talvez digamos que ele não será produtivo, nem útil à sociedade. Ao contrário, um peso. Será mesmo? Nesse particular, nos permitimos reproduzir as palavras do escritor holandês Cristhofer Nolan. Ele é deficiente físico. Paralítico de nascimento. Em fevereiro de 1988, ao receber o prêmio por seu livro Sob o olhar do relógio, fez um protesto contra os abortamentos que se fazem com futuros deficientes físicos. Disse ele: Esta noite é o momento mais feliz da minha vida. Imaginem o que teria perdido se os médicos não me tivessem salvo há 22 anos. Por que, em vez de dar a possibilidade de viver a uma criança no ventre materno, se lhe impõe o silêncio, antes que possa respirar um pouco de ar puro neste mundo? E se dissermos que seria desumano impor a pais que anseiam por um filho normal, um que seja anormal, temos a considerar aqueles que têm filhos deficientes e os amam, de forma extremada. O direito de viver é de toda criatura humana, desde a sua concepção. Esse direito de forma alguma pode estar submetido à opinião de quem quer que seja. É um mandamento, uma determinação da própria vontade Divina. Matar, pois, nunca. Nem mesmo o ainda embrião porque na primeira célula, o óvulo fertilizado, existe um ser humano.
Redação do Momento Espírita com base em artigo publicado na revista Presença espírita, edição de maio/junho 1996, ed. Leal. Em 31.07.2009.

terça-feira, 12 de junho de 2018

DIA DOS NAMORADOS

E eis que chega, outra vez. Hoje haverá muitas flores, perfumes, presentes. Jantares à luz de velas, abraços, expectativas. O que será que ele me reserva, neste dia? Será que ela me surpreenderá de alguma forma especial? Sim, embora esse apressar das coisas que vivemos no mundo, de muitos ficares, de conquistas apressadas e descomprometimentos, o amor continua na moda. E basta se anunciar o Dia dos Namorados para que o coração bata diferente. O que será, desta vez? 
-Ano passado, a gente nem estava junto e ele lembrou de me dar um presente. E este ano, como será? 
-O que eu poderia fazer, desta vez, para ser diferente? Já dei flores, já enviei cartão, já comprei perfume. Preciso pensar... 
A origem do Dia dos Namorados remonta ao Século III da nossa era. Conta-se que, durante o governo do imperador Cláudio II, esse proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. Apesar disso, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimônias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta, Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que eles ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que deram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria, filha do carcereiro. Com a permissão do pai ela visitou Valentim na prisão. Os dois acabaram se apaixonando. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: 
"De seu Valentim, expressão que passou a significar De seu amor, De seu apaixonado."
Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C. A partir de então, o dia de São Valentim, 14 de fevereiro passou a ser tido como o dia dos namorados. Outra versão afirma que o costume de enviar mensagens amorosas, nesse dia, não tem qualquer ligação com o santo, datando da Idade Média, quando se acreditava que o dia 14 de fevereiro assinalava o princípio da época de acasalamento das aves. De toda forma, o mais importante é a manifestação do amor. É ter um dia, para aqueles de nós que andamos esquecidos de como é importante demonstrar que se ama. Um dia para aqueles que adoram demonstrar que amam. Um dia para todos os casais enamorados, noivos, casados. Um dia especial para lembrar de como é bom amar. Como é bom ter alguém ao seu lado para dar e receber carinho. E, neste dia, é bom recordar os tempos felizes de um início de namoro, de casamento. E, se houverem rusgas, que sejam desfeitas, com um abraço, um beijo, flores e ternura. Porque, afinal, é maravilhoso ter alguém para amar. Você sabia? Você sabia que, no Brasil, a data do dia dos namorados é comemorada a 12 de junho, por ser a véspera do dia 13, dia de Santo Antônio? É que Santo Antônio tem tradição de casamenteiro. Provavelmente, por suas pregações a respeito da importância da união familiar que, na época, era combatida pelos cátaros. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP. Em 12.6.2018.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O GRANDE DOADOR

Ele não tinha o diploma de médico, no entanto, utilizou a medicina do amor para levantar paralíticos, curar cegos e restaurar portadores de hanseníase. Não era advogado diplomado. Contudo, ninguém quanto Ele se elegeu como o supremo defensor de todos os injustiçados do mundo. Ergueu Sua voz para defender a mulher. Esteve em casa de desprezados cobradores de impostos, afirmando com Seus atos, a isenção de preconceito com os excluídos da época. Ele não possuía fazendas, nem herdades de qualquer sorte. Mesmo assim, estabeleceu o novo reino na Terra. O reino do bem, da paz, do amor. E para isso, se serviu da intimidade dos corações. Não improvisou festas, mas compareceu às que lhe foram tributadas, com Sua presença enriquecendo os convivas e anfitriões. Sem deter títulos na área específica, tornou-se o consolo dos tristes e desprezados, acenando-lhes com perspectivas de bom ânimo e esperança. Conhecedor da alma humana, detectava-lhe as dores e a confortava. Por isso, devolveu o filho à pobre viúva de Naim que o acreditava morto. E às irmãs em Betânia, o irmão enterrado há dias. Não era professor consagrado, tendo-se feito, porém, o Mestre da evolução e do aprimoramento da Humanidade. Não recebeu lauréis ou premiação alguma. Apesar disso, foi o maior criador e contador de histórias de que a Humanidade já teve notícias. As suas parábolas revolviam os pensamentos dos que as ouviam e até hoje são recontadas e reflexionadas. Não teve lugar entre os doutores da lei, não ocupou cadeira no Sinédrio. Criou, antes, a universidade sublime do bem para todos os Espíritos de boa vontade. Incompreendido, sofrendo amarguras, desde o lar, reconfortou a todos que O buscaram. Ao desprezado Zaqueu conforta com Sua presença, afirmando assim que le era filho de Deus e credor do Seu amor. À equivocada da Samaria oferta a palavra lúcida e o convite à nova jornada. Ao moço rico diz da pressa de atender à mensagem do reino que Ele apresentava. Tolerando aflições sem conta, semeou a fé e a coragem, apresentando-se como Aquele que cuida de todas as ovelhas que lhe foram confiadas. Ferido embora, pensou as chagas morais das mulheres sofridas, do cireneu que o auxilia no transporte do madeiro, da mão benevolente que lhe enxuga o suor da face. Supliciado, vilipendiado pelos homens, expediu a mensagem do perdão em todas as direções. Esquecido pelos mais amados, ensinou a fraternidade e o reconhecimento, orando ao Pai por todos e entregando mãe e filho, um ao outro. Vencido na cruz, revelou a vitória da vida eterna, em plena e gloriosa ressurreição, renovando os destinos das nações e santificando o caminho dos povos. Ele não tinha posses materiais. Era um carpinteiro. Mesmo assim, engrandeceu os celeiros dos séculos. E até hoje continua a ser despenseiro fiel e prudente, zelando pela Humanidade inteira. De braços abertos, sempre. 
* * * 
Seguindo o exemplo de Jesus, mesmo anônimo ou aflito, apagado ou esquecido, atende à santificada colaboração com Deus, a benefício da Humanidade. Oferece o teu coração e, em homenagem ao Divino amor na Terra, serve, com o que tenhas, onde te encontres. Se não és um portentoso luzeiro, sê a lamparina acesa na janela da pousada, como um aceno de esperança ao viajor perdido na estrada. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 59,do livro Antologia mediúnica do Natal, de diversos Espíritos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 15, ed. FEP. Em 11.6.2018.

domingo, 10 de junho de 2018

DIREITO DOS FILHOS?

São muitas as almas que andam sós pela Terra. Corações que, depois de longa convivência amorosa com o cônjuge, o viram partir, rumo à Espiritualidade. Nos primeiros dias, a saudade machuca dolorosamente. Vão-se os dias, e a criatura tenta se recompor. Renova hábitos, estabelece uma nova rotina de vida. Afinal, agora está só. Antes, quando chegava do trabalho, sabia que um cafezinho o esperava. A esposa, sempre atenta, conhecia-lhe todos os horários e desejos. Antes, os domingos eram recheados de alegrias. Saíam os dois, filhos crescidos e casados, a passeio. Andavam pelo parque, iam a um restaurante, ao templo, ao cinema, ao teatro. O retorno para casa era sempre o momento do aconchego. Do perfume da presença amada. Agora, tudo está vazio. Parece que o próprio mobiliário perdeu o significado. A cadeira era importante porque ali sentava o amado. A cama se fazia confortável porque ele estava ali, ao lado. Tudo tinha significado especial. Agora, tudo está frio. As horas se arrastam e não há muita diferença entre os dias da semana, os feriados, a hora de dormir, da refeição. Então, um coração afetuoso se aproxima. Coloca flores na janela do coração ferido. Tem uma conversa agradável. Também está só e sabe o que é isso. Esmera-se em ofertar o ombro para chorar a solidão, a mão para aquecer o sentimento. A pouco e pouco, um sentimento vai brotando e amadurecendo. As duas almas almejam ficar juntas. Desejam compartilhar aqueles momentos de amparo um ao outro, momentos em que cada qual se sente feliz, amparado. É quase um retorno ao antes, embora não haja substituição no sentimento. É uma nova perspectiva de vida. Um amanhecer. Um reinício. Florescem esperanças, o sorriso volta a enfeitar o rosto, as rugas da tristeza cedem espaço. E o casal se prepara para viver junto. Casar-se. Nesse momento, os filhos de um e de outro se revoltam. Ninguém substituirá nossa mãe! Ninguém tomará o lugar de nosso pai! E quem disse que alguém toma o lugar de alguém? É uma outra pessoa, um outro viver. Filhos egoístas os que assim se arvoram a impedir que o pai ou a mãe tenha uma nova oportunidade de viver com alegria. Afinal, nas noites de solidão, eles estão com o velho pai ou se encontram em viagem com sua própria esposa e filhos? Quando as lágrimas brotam abundantes, pela ausência tão sentida, eles estão ali para fazer companhia? Todos os dias? Todas as horas? Antes de ajustarem suas idas ao show, ao passeio, às férias, eles recordam de indagar se o pai ou mãe gostaria de acompanhá-los? Ou mesmo, há lugar para ele ou ela? Sim, eles visitam o pai ou a mãe, pela manhã do domingo, nas noites de sábado, telefonam, lancham juntos vez ou outra. Acreditam que isso baste para quem vive só, depois de anos de aconchego matrimonial? Que direito têm de exigir a solidão, em nome de uma pretensa fidelidade ao que partiu? Acaso, quando eles decidiram se casar, sair do lar, alcançar vitórias na carreira, seus pais os impediram? Não ficaram felizes com sua felicidade? Que direito agora se arvoram os filhos de impedir que pais viúvos se consorciem, no intuito de se sentirem melhor? Quem ama não agrilhoa, não coloca obstáculos à felicidade do outro. Portanto, aquele que partiu, com certeza, está abençoando a alma generosa que se aproxima para auxiliar o amor que ficou na Terra. Por isso tudo, meditemos a respeito e refaçamos nossa forma de pensar, de agir, com esses nossos queridos pais maduros, idosos, velhinhos. Deixemo-los viver. Deixemo-los usufruir outra vez da felicidade conjugal. E veremos, logo mais, o riso voltar à face, a alegria de viver movimentar-se nas veias, enfim, tudo voltar a ser motivo de vida. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 13 e no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. Em 24.2.2014.

sábado, 9 de junho de 2018

DIREITO DE NASCER

HELLEN KELLER E ANA SULLIVAN
Fala-se abertamente na possibilidade de realizar o abortamento do bebê, desde que seja detectado que ele possa vir a nascer com alguma deficiência física ou mental. E a prática parece que se vai tornando usual. Ouvem-se as pessoas afirmarem que, se fosse com elas, agiriam da mesma forma. Afinal, ninguém deseja colocar no mundo um deficiente mental, um alienado, um peso morto. Mas é de nos indagarmos: 
-E se o filho nascer perfeito e depois vir a se tornar, por enfermidade ou acidente, um deficiente, teríamos a coragem de tirar-lhe a vida? 
Além disso, os que assim pensam atestam o desconhecimento das Leis Divinas que nunca se enganam, bem como as conquistas já realizadas pela medicina para tratar o feto ainda no ventre materno. Possivelmente nunca ouviram falar da extraordinária Hellen Keller. Ela nasceu em 1880, numa pequena cidade do norte do Alabama. Aos dezoito meses de idade, devido a uma doença infecciosa, tornou-se cega e surda. Sua deficiência sensorial lhe impedia qualquer comunicação com o mundo exterior e, por isso, ela foi tida como débil mental. Aos sete anos era extremamente nervosa, agressiva. Foi então que apareceu em sua vida a professora Ana Sullivan. Dali em diante sua vida se modificou radicalmente. Aprendeu que as coisas tinham nome, que os pensamentos e sentimentos podiam ser escritos com sinais. Com o tato, o gosto e o olfato estudou e pesquisou. Escreveu livros e ensaios. Aos 24 anos formou-se no Colégio Universitário de Radcliff. Ouvia a linguagem oral dos outros colocando suas mãos nos lábios ou no pescoço, sobre as cordas vocais dos que falavam. Assim aprendeu a falar e proferiu palestras. Dedicou toda a sua vida ao bem, ajudando os inválidos e os desesperados, através de conferências, trabalhos que promoveu em favor deles e de sua incontável correspondência. Hellen Keller é a clara demonstração de que o Espírito pode superar a matéria. Sua realidade interior venceu todos os obstáculos para transmitir a mensagem da esperança, a lição de confiança e persistência. 
 * * * 
Hellen Keller costumava assistir a concertos musicais. Adorava solos de corda. Colocava suas mãos sobre o instrumento e ouvia a música. Morreu no dia 2 de junho de 1968, com a idade de 88 anos, em Westport, Connecticut. A respeito da linguagem oral dos surdos afirmou: 
-Havemos de falar e havemos de cantar porque Deus quer nossas palavras e nossos cantos. 
Considere tudo isso e pergunte-se, sinceramente, se é justo matar um ser humano sem lhe dar a mínima chance de tentar... 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4 – 2ª pt. do livro As aves feridas na Terra voam, de Nancy Puhlmann di Girolamo, ed. Instituição Beneficente Nosso Lar. Em 24.01.2008.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

RECOMECEMOS

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Sucedem-se os anos com matemática precisão, mas os dias são sempre novos. Dispondo, assim, de trezentas e sessenta e cinco ocasiões de aprendizado e recomeço, anualmente, quantas oportunidades de renovação moral encontraremos, no abençoado período de uma existência? Conservemos do nosso passado o que for bom e justo, belo e nobre. Mas não guardemos os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento. Não coloquemos em ombros alheios a realização de ações que expressem fraternidade real. Tomemos a iniciativa e façamos o melhor ao nosso alcance. Cada hora que surge pode ser portadora de reajustamento. Se possível, não deixemos para depois os laços de amor e paz que podemos criar agora, em substituição às pesadas algemas do desafeto. Não é fácil quebrar antigos princípios do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem. Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário pensa em enriquecer as munições com que nos possa agredir. Se nos apresentamos desassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a ideia de acordo substitui, dentro de nós e em torno de nossos passos, a escura fermentação da guerra. Alguém nos magoa? Reiniciemos o esforço da boa compreensão. Alguém não nos entende? Perseveremos em demonstrar as intenções mais nobres. Revivamos, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem. Não olvidemos a orientação do Mestre: Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Renasçamos em nossos propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que nos cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre nós mesmos, no tempo... Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.
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Temos a oportunidade de nos recriar a cada momento, de rever atitudes, ideias e sentimentos. Somos obra inacabada em processo de aprimoramento. Sejamos como as células de nosso corpo físico, que se renovam completamente de tempos em tempos. Não nos permitamos a acomodação, a permanência numa mesma posição durante muito tempo. Somos feitos para nos transformar sempre. Com raízes bem firmes, construamos nosso edifício, andar por andar, recriando cômodos, reformando o que precisa ser reformado, sem nos sentirmos embaraçados por isso. Nossa alma é nossa obra em transformação. 
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CORA CAROLINA
Não te deixes destruir… 
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas, 
Recria tua vida, sempre, sempre. 
Remove pedras. 
Planta roseiras e faz doces. 
Recomeça. 
Faz de tua vida mesquinha, um poema. 
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. 
Esta fonte é para uso de todos os sedentos. 
Toma a tua parte. 
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 56, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed FEP e no poema Aninha e suas pedras, do livro Melhores poemas, de Cora Coralina, ed. Global Pocket. Em 8.6.2018.
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