terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O ANJO DE KAREN

A adolescente aguardou o final da aula e se dirigiu ao professor. Confiava nele e, por isso, desejava lhe contar a tormenta que estava vivenciando. Estava prestes a sair de casa, embora não soubesse para onde ir. Mas, não aguentava mais a situação. Sua mãe se prostituíra e, todos os dias, homens diferentes adentravam o que deveria ser o seu lar. 
-Era uma vergonha! Dizia Karen. Tenho vergonha de minha mãe. Não nos falamos há muito. 
O professor, experimentado nas questões do mundo, ouviu com atenção e sugeriu que ela conversasse com sua mãe. Alguma vez perguntara a ela o que estava acontecendo? Por que se permitia tal comportamento? Mãe e filha eram como duas estranhas vivendo sob o mesmo teto. Quando uma entrava, a outra saía. O tempo passou. Aquele ano se findou e meses depois, a jovem procurou o professor, outra vez. Estava diferente. O rosto irradiava felicidade. Ela falara com sua mãe. Um longo e doloroso diálogo. Contudo, se dera conta de que sua mãe sofria de uma grave carência afetiva. A mãe falara de sua viuvez muito jovem, uma filha para criar, a rebeldia de Karen, a soma das dificuldades. E, por fim, do equivocado caminho pelo qual optara. Mais um tempo passado e Karen veio dizer ao professor que ela e sua mãe tinham transferido residência. Que se haviam tornado amigas. Que agora costumavam fazer tudo juntas. Que a mãe deixara a vida equivocada e se dedicava, com exclusividade, a ela. Saíam, conversavam, faziam compras, trocavam ideias. Como era boa aquela mãe - descobrira a jovem. Karen estava muito agradecida ao professor por ter sugerido que ela conversasse com sua mãe, que se aproximasse dela. Hoje, passados alguns poucos anos, Karen está casada e tem um filhinho. O genro descobriu na sogra uma pessoa especial, dedicada, carinhosa. Agora, quando o casal deseja viajar, ou necessita estender-se em horas a mais no trabalho, é a mãe dedicada que fica com o netinho. Vovó, mamãe! 
– Estas são as palavras mágicas que alimentam o coração da mãe de Karen. Em verdade, o anjo de Karen. O anjo de sua vida, que vela todos os dias por ela, pelo genro a quem acolheu como filho e ao netinho. 
 * * * 
O diálogo franco, honesto ainda faz muita falta. No lar, as pessoas se isolam, magoadas umas com as outras, por palavras ditas ou não ditas, por atitudes impensadas. Tudo se tornaria bem mais fácil se as pessoas aprendessem a conversar, a perguntar porquês, a indagar de razões. Se, em vez de se falar às ocultas, criar desconfianças, gerar desencontros, aprendêssemos sempre a conversar, olhando nos olhos uns dos outros, a vida se tornaria mais fácil de ser vivida. Pois o que complica a vida é cada qual ficar em seu canto, imaginando que não é amado, querido, desejado. Seria tão simples perguntar: 
-Por que você está agindo desta forma? Por que tomou aquela atitude? Por que não fez o que lhe pedi? Por que esqueceu do nosso aniversário? 
Pense nisso e adote, em sua vida, a atitude de nunca deixar para depois o elucidar de qualquer questão. Converse mais, participe das questões familiares, seja amigo dos seus amores. Descubra, enfim, a riqueza de cada um e enriqueça-se interiormente, tornando a sua vida plena de amor, de atitudes de afeto e bem-querer. Experimente! 
Redação do Momento Espírita, com base em fato. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18 e no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. Em 7.2.2017.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

CORTESIA E RESPEITO

Nunca será demais falar sobre cortesia e respeito. Em verdade, ambos bastante esquecidos na atualidade. Ambos vão perdendo cidadania a passos largos. É comum as pessoas falarem muito alto no ônibus, nos restaurantes, em lugares públicos em geral, desrespeitando os demais. E o mais delicado é que nem sempre a conversa é agradável. Às vezes se tratam de críticas amargas ao governo, a parentes, a amigos. Tudo vai sendo extravasado em altos brados, como se não houvesse outras pessoas próximas, compartilhando do mesmo ambiente. Não se sabe bem se a pessoa não tem condições de se ouvir e descobrir que está falando muito alto ou se ela deseja que os outros tomem conhecimento das suas ideias. Adolescentes e jovens esquecem, quase sempre, quando se encontram em grupos, que os lugares públicos não lhes pertencem com exclusividade. Por isso, gritam, dizem palavrões, falam de situações grotescas. Gesticulam, andam aos empurrões, até esbarrando em idosos e crianças. Assim se tem tornado difícil para as famílias, em especial as que têm crianças, o passeio a parques e outros locais públicos. Como impedir que as crianças presenciem cenas tão indelicadas e ouçam um palavreado que não é habitual no seu lar? E que dizer das discussões? Casais, amigos e colegas discutem seus problemas na rua, no estacionamento, em restaurantes, sem cerimônia alguma. Uma escritora relatou que presenciou, em um restaurante, várias famílias deixarem pelo meio os pratos na mesa e se retirarem. Tudo porque um casal resolveu brigar na mesa vizinha e não economizou o volume da voz. Muito menos o vocabulário grosseiro. De maneira estranha, todos se sentem incomodados mas ninguém diz nada. Alguns alegam que essas pessoas não estão infringindo a lei. E de fato não há lei que regulamente essas situações, que são uma questão de educação. Mas o que está nos faltando é uma tomada de posição. 
A primeira, educando os nossos filhos no respeito às pessoas. 
A segunda é nos manifestarmos, com energia e de forma educada, pedindo a essas pessoas que nos respeitem. 
Bastaria um Por favor, falem mais baixo. 
Ou: Eu não gostaria que meus filhos ouvissem o que estão dizendo. 
Se todos passarmos a agir, essas pessoas terão que adotar uma nova postura, modificando-se e modificando o mundo. 
 * * * 
Não acredite quando lhe falarem que a cortesia saiu da moda. Quem não gosta de receber um gesto delicado? Quem não nota quando um rapaz se ergue do assento e o oferece ao idoso cansado? Quem não nota, com prazer, a pessoa que junta do chão um objeto e o devolve a quem deixou cair, sem haver se dado conta? Quem não se sensibiliza com um Muito obrigado; Por favor; Desculpe? Tenha certeza: a cortesia e o respeito nunca sairão de moda. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Em nome da cortesia, de Seleções Reader’s Digest, de janeiro de 2000. Em 08.04.2011.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

CORRER RISCOS

Sêneca foi um filósofo e poeta romano que viveu sob o império de Calígula, depois Cláudio e, finalmente, Nero. Seu talento como advogado lhe valeu a inimizade do imperador Calígula. Sob o império de Cláudio foi exilado durante oito anos. Chamado de volta a Roma, foi tutor de Nero e, durante algum tempo, conseguiu exercer uma influência benéfica sobre o jovem imperador. Mais tarde, adotou uma posição de complacência com as tantas loucuras cometidas pelo imperador, o que não impediu que viesse a receber ordem para se suicidar. Vivendo em climas tão adversos, manteve sua preocupação com as conquistas morais individuais. E teve oportunidade de escrever: Chorar é correr o risco de parecer sentimental demais. Rir é correr o risco de parecer tolo. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Defender seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de ser mal interpretado e perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas devemos correr os riscos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre. 
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A decisão de correr riscos ou não, é nossa. Agora, podemos continuar a deter o choro porque nos foi dito na infância que homem não chora. Ou, no caso da mulher, para não demonstrar eventual fraqueza. Ou nos permitirmos as lágrimas demonstrando que somos seres humanos, com sentimentos. Podemos ser daqueles que defendem as suas ideias nobres, lutando pela vida, expondo-nos ou nos calarmos diante da injustiça. Podemos nos engajar no movimento pela vida, expondo a nossa opinião contra a eutanásia, a pena de morte, o abortamento. Ou simplesmente continuarmos calados e permitir que tudo vá acontecendo, sem nos preocuparmos. Podemos nos envolver em movimentos pela paz, pelos direitos dos desfavorecidos, ou permanecermos apáticos, deixando que tudo corra a bel prazer. Podemos, enfim, lutar por melhorar a nossa condição de humanidade, burilando as nossas paixões e vencendo a nossa acomodação. Ou optarmos por continuar onde estamos, como estamos, não encetando nenhum esforço por granjear outras virtudes ou valores de nobreza espiritual. A decisão é sempre individual e intransferível. 
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Os Espíritos fomos criados por Deus com um grandioso objetivo: a perfeição. A caminhada é longa e tortuosa. A escolha do caminho ou a velocidade com que se deseja andar, é de cada um. Optar pelo crescimento ou aguardar ser arrastado pela lei inexorável do progresso é de cada criatura. Mas, quem deseje alcançar antes a felicidade, idealize mudanças desde hoje, enquanto as oportunidades sorriem e as chances se fazem abundantes.
Redação do Momento Espírita, com base em texto atribuído a Sêneca e no verbete Sêneca, da Enciclopédia Mirador, v. 18, Encyclopaedia Britannica do Brasil. Em 26.12.2013.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

AS CORES DAS PALAVRAS

Leda Jesuíno
As crianças possuem o dom especial de colocar cores em tudo que fazem. Não é raro que elas perguntem aos adultos de que cor são as palavras papai, mamãe. E se os adultos não sabemos responder, elas acabam por fazê-lo, concedendo a cor de sua preferência a uma e outra. 
E de que cor serão os sentimentos? Quando amamos, quando entristecemos, de que cor se revestirá a nossa alma? É possível que se a palavra tivesse cores, o amor teria a tonalidade do crepúsculo, quando o rosa e o violeta se misturam. Talvez a tonalidade variasse mais para o rosa ou mais para o violeta, de acordo com a intensidade do amor. Se as palavras sofressem o impacto do colorido da vida, poderíamos perceber, no olhar de uma mãe sofrida, a simplicidade da cor da violeta que se oculta nos jardins. Se as palavras pudessem estar envolvidas em cores, poderíamos ver, sob o manto azul da fantasia, o sorriso da excelsa mãe de Jesus debruçada na manjedoura, observando o tesouro que acabara de dar à luz. Se as dores profundas das ingratidões, nos corações dos homens, se envolvessem em cores, poderíamos ver cobertas de cinza as palavras de amargura lançadas ao infinito. Se coloridas fossem as lágrimas que escorrem pela face dos que sentem a saudade dos que partiram para a verdadeira vida, poderíamos vê-las como lilás, exatamente como, por vezes, se veste o céu ao cair da tarde. E o beijo do primeiro amor sincero e verdadeiro, suave e doce na adolescência, seria, com certeza, verde-água. Se o pintor desejasse retratar o sentimento do balbuciar de uma criança, certamente rosa seria a cor que escolheria. E o sentir de duas almas que se reencontram, nas vielas do mundo, se reconhecem e entrelaçando as mãos, decidem ficar juntas para todos os embates do cotidiano, seria tão grande, tão especial que retrataria um bailado de diversas cores. Mas, quando ardessem de paixão os corações de um homem e uma mulher, os seus anseios se cobririam da cor vermelha. Da mesma cor das pétalas das rosas do jardim. Se dos lábios de quem ensina jorrasse sempre o bem e a verdade, o belo e o bom, seria de amarelo-ouro a luz que iluminaria o discípulo atento e disciplinado. E quando o homem se recolhesse à sua intimidade para orar ao Criador, é possível que na cor azul mais pura se traduzisse a sua mensagem, atravessando os céus, até alcançar o seu destino. Finalmente, se os corações dos homens se envolvessem de paz, certamente que o nosso planeta não seria azul. Estaria, sim, envolvido em uma imensa nuvem de brancura, e a Humanidade inteira se beneficiaria com as partículas de luzes que a atingiriam, todos os dias, com delicadeza e constância. 
 * * * 
Quando falarmos, pensemos nas cores das nossas palavras. Como cada um de nós tem a sua preferência pelas cores mais vivas ou mais delicadas, mais fortes ou empalidecidas, pensemos no colorido que desejamos ofertar ao mundo. Pensemos antes de falar. Falemos somente o que edifica, o que faz bem, o que engrandece. Iluminemos a palavra para expressar a crítica. Ensinemos com brandura. Não gritemos nunca. O grito, que fere os ouvidos, deve ter a cor da destruição dos sentimentos alheios. Falemos, construindo, e ofereçamos aos demais as cores que edificarão arco-íris nas suas vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A cromática sutileza da palavra, de Leda Jesuíno, da revista Presença Espírita, de nov/dez/2001, ed. LEAL. Em 10.1.2014.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

QUANDO SE VÊ...

MÁRIO QUINTANA
O poema de nome Seiscentos e sessenta e seis, de Mário Quintana diz assim: 
A vida é uns deveres que trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas: há tempo... 
Quando se vê, já é sexta-feira... 
Quando se vê, passaram sessenta anos! 
Agora, é tarde demais para ser reprovado... 
E se me dessem “um dia”, uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguia sempre em frente... 
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 
* * * 
Ao se findar um ano, prestes a iniciar um novo, é quando se ouvem frases comuns: 
Como passou rápido!; ou 
Nossa, nem vi o ano passar...; ou ainda: 
Lá se foi mais um ano... 
Muitas destas frases revelam uma espécie de falta de controle sobre o tempo em nossas vidas. Muitas são pronunciadas com pesar, como se o ano tivesse passado por nós, sem percebermos, sem fazer nada significativo neste período de vida. 
-A vida está tão corrida! – Dizem outros, revelando que o tempo passou por eles, ao invés deles terem passado pelo tempo. 
E quando se vê, passaram sessenta anos! – Diz o poeta. 
 * * * 
Será que estamos passando pela vida, ou é a vida que está passando por nós, sem percebermos, sem interagirmos, sem deixarmos nossa marca? Será que às vezes não estamos fazendo coisas demais, sem eleger quais realmente são as importantes para nosso Espírito? Será que durante o ano conseguimos identificar cada uma das estações, e vivê-las de forma intensa? Não viramos escravos do relógio, do excesso de trabalho, do excesso de preocupação, e de mais disso e daquilo? É de se pensar... É de parar para pensar um pouco nestas questões. Ao final de mais um dos ciclos da vida, faz-se fundamental uma pausa, avaliar, planejar, e principalmente, curtir o momento. Os ciclos são necessários para isso. Se não parássemos nunca, em breve a vida, a saúde, a cabeça, como se diz, parava por nós. Não somos máquinas, embora alguns costumes do mundo moderno pareçam querer nos tratar assim. Não somos marionetes nas mãos do tempo, nas mãos da profissão, nas mãos do consumismo avassalador. Somos Espíritos que estamos aqui, neste planeta, para nos desenvolvermos, para conquistarmos perfeição moral e intelectual, para aprendermos a amar. Somos viajores de muitas vidas, de muitas oportunidades, mas também de chances únicas, de momentos únicos, que devem ser vividos com a intensidade da luz das estrelas novas. Somos a razão de tudo, e por isso mesmo precisamos exigir mais respeito de nós mesmos. Precisamos exigir do corpo um pouco mais de alma, e de tudo um pouco mais de calma, lembrando outra bela poesia. A vida não para, certamente. Por isso somos nós que temos que parar um pouco. Recomeçar é sempre preciso. Faz-nos falta o novo. E nada melhor do que um novo eu para recomeçar com todas as forças. É tempo de recomeçar... 
Redação do Momento Espírita, com base em poema do livro Esconderijos do tempo, de Mário Quintana, ed. Globo. Disponível no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. Em 3.2.2017.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O TRABALHO DE CADA UM

No Ramayana, uma das grandes epopeias indianas, conta-se a história do príncipe Rama, um jovem cheio de virtudes. A esposa de Rama, Sita, fora sequestrada pelo perverso Ravana. Ajudado por ursos e macacos, o valente Rama tentava construir uma ponte até à ilha de Lanka, onde viviam Ravana e a prisioneira Sita. Os ursos carregavam pesadas árvores e os macacos traziam pedras. Mas, não havia trabalho para um grupo de esquilos. Pequeninos, sem muita habilidade, eles apenas conseguiam pôr alguns grãos de areia na ponte que se formava. Os esquilos faziam assim: molhavam-se na água e depois rolavam na areia. Os grãos de areia grudavam no pelo e eles corriam até à ponte. Ali, sacudiam a areia sobre a construção. Narra a história que os outros bichos riam dos esquilos e desprezavam suas tentativas de colaborar. E os esquilos se sentiam humilhados porque seus esforços não eram valorizados. Alguém resolveu contar a Rama o gesto dos esquilos. Esperava que Rama também risse dos bichinhos ingênuos. Venha vê-los, Rama, venha se divertir também com esses esquilos tolos! Mas Rama observou os animaizinhos, que rolavam na areia, enquanto todos à sua volta haviam parado o trabalho para rir. Gentilmente, ergueu um deles do solo. Acariciou-lhe a pelagem e disse, com amor: 
-Um dia, todos ouvirão falar sobre a ponte para Lanka. Louvarão o esforço dos ursos e dos macacos, mas eu sou grato a todos os que trabalham. E você, pequenino, tem minha eterna gratidão. 
E, diante de todos que olhavam a cena, o príncipe Rama deu um presente ao esquilo: acariciou-lhe as costas e seus dedos deixaram três listras brancas nas costas do animalzinho. Esta, pequenino, é a marca de minha gratidão, disse Rama. 
 * * * 
Todo o Ramayana é composto de histórias semelhantes, que trazem um profundo ensino moral. Esta nos faz refletir sobre gratidão, generosidade e, principalmente, a importância do trabalho. Por mais humilde e obscuro que seja, cada um de nós tem um papel muito importante no mundo. Aparentemente, outros são mais importantes, contribuem mais, têm tarefas maiores. Aparentemente. Mas lembre, por um momento, a falta que fazem porteiros, vigias, garis, faxineiras, empregados domésticos. Todos são muito importantes. São homens e mulheres que se esforçam para ganhar o pão de cada dia, tantas vezes regado com lágrimas que ninguém vê. Para Deus, todo esforço é válido, todo trabalho é digno, todo trabalhador merece recompensa. A medida do mundo não é a medida divina. É que Deus, que conhece a nossa alma, sabe avaliar com exatidão o nosso esforço, capacidade e talentos. Ele sabe que o que é simples e fácil para um, pode exigir muito de outro. E Deus, que também vê no silêncio e na solidão, acolhe e ama cada trabalhador pequenino neste mundo tão vasto. 
 * * * 
Que cada um de nós possa ver os trabalhadores do mundo sob a lente do imenso amor divino. 
Redação do Momento Espírita. Em 2.2.2017.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A COR DO MUNDO

RICHARD SIMONETTI
O ancião descansava, sentado em velho banco à sombra de uma árvore, quando foi abordado pelo motorista de um automóvel que estacionou a seu lado: 
-Bom dia! Bom dia! 
Respondeu o ancião. 
-O senhor mora aqui? 
-Sim, há muitos anos... 
-Venho de mudança e gostaria de saber como é o povo daqui. Como o senhor vive aqui há tanto tempo deve conhecê-lo muito bem. 
-É verdade, falou o ancião. Mas, por favor, me fale antes da cidade de onde vem. 
-Ah! É ótima. Maravilhosa! Gente boa, fraterna... Fiz lá muitos amigos. Só a deixei por imperativos da profissão. 
-Pois bem, meu filho. Esta cidade é exatamente igual. Vai gostar daqui. 
O forasteiro agradeceu e partiu. Minutos depois apareceu outro motorista e também se dirigiu ao ancião: 
-Estou chegando para morar aqui. O que me diz do lugar? 
O ancião, lançou-lhe a mesma pergunta: 
-Como é a cidade de onde vem? 
-Horrível! Povo orgulhoso, cheio de preconceitos, arrogante! Não fiz um único amigo naquele lugar horroroso! 
-Sinto muito, meu filho, pois aqui você encontrará o mesmo ambiente... 
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ESPÍRITO GUARACY PARANÁ VIEIRA
Todos vemos no mundo e nas pessoas algo do que somos, do que pensamos, de nossa maneira de ser. Se somos nervosos, agressivos ou pessimistas, veremos tudo pela ótica de nossas tendências, imaginando conviver com gente assim. Em outras palavras, o mundo tem a cor que lhe damos através das nossas lentes. Se nossas lentes estão escurecidas pelo pessimismo, tudo à nossa volta nos parecerá escuro. Tudo, para nós, parecerá constantemente envolto em trevas. Se nossas lentes estão turvadas pelo desânimo, o Universo que nos rodeia se apresenta desesperador. Mas, se ao contrário, nossas lentes estão clarificadas pelo otimismo, sentiremos que em todas as situações há aspectos positivos. Se o entusiasmo é o detergente das nossas lentes, perceberemos a vida em variados matizes de luzes e cores. A cor do mundo, portanto, depende da nossa ótica. O exterior estará sempre refletindo o que levamos no interior. 
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DIVALDO PEREIRA
FRANCO
O otimismo é gerador de adrenalina emocional, que estimula o sangue, impulsionando ao avanço, à alegria. Cultivando-o nos sentimentos adquirimos visão para perceber o lado bom da vida que nos rodeia. Nos céus dos que vivem com otimismo e confiança em Deus, sempre haverá andorinhas bailando no ar prenunciando gloriosas primaveras. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. A cor do mundo, do livro Uma razão para viver, de Richard Simonetti, ed. Cac e no cap. Perfil do otimismo, do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Alvorada. Em 19.07.2010.