sábado, 14 de janeiro de 2017

Quem de nós é o maior?

AMÉLIA RODRIGUES
Jesus era possuidor de paciência e compreensão inigualáveis. Ouvia as questões mais simples com atenção e, em cada oportunidade, deixava lições profundas, completas, que poderiam ser entendidas naquele momento, bem como servirem aos séculos vindouros. Certa feita escutou os discípulos discutindo entre eles, sobre qual seria o maior, o mais amado, o de importância mais significativa. Todos reconhecemos que João é distinguido pelo vosso amor; Pedro é merecedor da mais expressiva confiança; Judas guarda as moedas e se encarrega do controle das nossas modestas finanças... E os demais? Que somos e que papel desempenhamos no grupo? Afinal, qual de nós é o maior? Certamente se sentiram constrangidos pela disputa, mas como ela aconteceu, era justo serem honestos, libertando-se das dúvidas. Jesus envolveu-os na luz da compaixão, e com a sabedoria habitual, respondeu-lhes: O grão de mostarda, menor e mais insignificante que qualquer outra semente, reverdece com o mesmo tom o solo abençoado pelo trigo vigoroso. O fruto do carvalho desenvolve a árvore grandiosa que nela jaz, assim como o pólen quase invisível de todas as flores, se encarrega de transmitir beleza e perpetuar a espécie em outras plantas. Todos são importantes na paisagem terrestre. O grão de areia se anula ante outro para construir a praia imensa, que recebe o carinhoso movimento das ondas arrebentando-se no seu leito reluzente. Tudo é importante diante de Meu Pai, não pela grandeza, mas pelo significado de que cada coisa se reveste para a utilidade da vida. 
 * * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Nos dias atuais, em que ainda tanto se faz questão de ser o melhor, o mais importante, o número um, precisamos refletir sobre as orientações do Cristo. A competição desenfreada tem nos feito escravos do sucesso e das aparências. A vaidade tem ditado as regras em todas as áreas, transformando algumas em mais importantes que outras, por questões puramente materialistas. Julga-se a importância dessa ou daquela atividade, por sua visibilidade na mídia, ou por sua remuneração material. O mundo moderno e seus valores descabidos parece muito semelhante à conversa dos discípulos em torno de quem seria o mais amado. Desejamos ser amados, desejamos preencher essa carência, esse vazio existencial que nos incomoda tanto, mas não sabemos como. Jesus já havia dado a resposta naqueles idos tempos... Além de dizer que todos são importantes, disse ainda que entre os homens, o maior sempre seria aquele que se esquecesse de si mesmo, tornando-se o melhor servidor. Seria aquele que não se cansasse de ajudar, de cooperar com os outros. É sempre bom ouvir o Mestre, que permanece atual, que permanece nos esperando como Aquele que oferece o caminho da Verdadeira Vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no capítulo A importância de ser pequeno, do livro Até o fim dos tempos, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 13.1.2017.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CORAÇÕES DISTANTES

Meher Baba
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos: 
-Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? 
-Gritamos porque perdemos a calma. Disse um deles. 
-Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador. 
-Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo. 
E o mestre volta a perguntar: 
-Então não é possível falar-lhe em voz baixa? 
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu: 
-Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir essa distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.  
Por fim, o pensador conclui, dizendo: 
-Quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta. 
 * * * 
Quando você for discutir com alguém, lembre-se de que o coração não deve tomar parte nisso. Se a pessoa com quem discutimos não concorda com nossas ideias, não é motivo para gostar menos dela ou nos distanciar, ainda que por instantes. Quando pretendemos encontrar soluções para as desavenças, falemos num tom de voz que nos permita uma aproximação cada vez maior, como a dizer para a outra pessoa: 
-Eu não concordo com suas ideias ou opiniões, mas isso não me faz gostar menos de você. 
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em ensinamento atribuído ao pensador indiano, Meher Baba. Disponível do livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. Em 09.03.2012.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

UM CORAÇÃO SOLIDÁRIO

Tom Crabtree
O progresso tecnológico trouxe para a Humanidade uma série de benefícios, isso é indiscutível. Por um lado isso é bom, mas por outro, deixa as pessoas menos sensíveis, menos humanas, mais indiferentes. As Instituições seguiram pelo mesmo caminho e foram se tornando frias, embora eficientes. Mas esse problema não passou despercebido aos olhos do jovem psicólogo inglês, Tom Crabtree. Ele estava sempre disposto a entender quando as pessoas precisavam dele para dividir suas dores. E compreendia também que nem sempre falar é a melhor solução. Conta ele que, logo que iniciou sua carreira profissional, numa clínica de orientação para crianças, no Noroeste da Inglaterra, certo adolescente chegou para vê-lo. Ele foi até à recepção e percebeu o rapaz que andava de um lado para o outro, agitado e assustado. Levou-o até sua sala e lhe indicou a cadeira do outro lado da mesa. Era fim do outono. A árvore em frente à janela não tinha folhas. 
-Sente-se, disse ao jovem. 
David vestia uma capa preta impermeável, abotoada até o pescoço. O rosto estava pálido. Torcia as mãos com nervosismo e olhava fixamente para os pés. Seu pai falecera quando era bebê. Foi criado pela mãe e pelo avô. Mas no ano anterior, quando David tinha 13 anos, o avô faleceu e a mãe morreu num acidente de carro. Agora, com 14 anos, estava em tratamento. O diretor da escola o havia encaminhado, com um bilhete: 
-Este garoto encontra-se muito triste e deprimido, o que é bastante compreensível. No entanto, ele se recusa a falar com quem quer que seja. Estou muito preocupado. Você pode ajudar? 
O jovem psicólogo olhou para o garoto. Como poderia ajudá-lo? Há tragédias humanas para as quais a psicologia não tem respostas, para as quais não há palavras. Às vezes, ouvir com toda a atenção e sentimento é o mais apropriado, pensou. Nas duas primeiras visitas, David não falou. Afundado na cadeira, só levantava os olhos para fixá-los nos desenhos infantis que decoravam a parede. Quando David saía do consultório, após a segunda sessão, Tom colocou a mão sobre o seu ombro. O garoto parou. Não se retraiu, mas, ainda assim, não olhou para o psicólogo. 
-Venha na próxima semana, se quiser, disse Tom. 
Fez uma pausa e acrescentou: 
-Sei que é doloroso. 
David veio e Tom sugeriu que jogassem xadrez. O rapaz fez que sim com a cabeça. Os jogos de xadrez continuaram todas as quartas-feiras à tarde, em silêncio total e sem contato visual da parte do garoto. Embora não seja fácil trapacear no xadrez, Tom fazia o possível para que David ganhasse uma ou duas vezes. O menino chegava cedo, procurava o tabuleiro e as peças na estante. Começava a arrumá-las antes mesmo que Tom sentasse. Parecia estar gostando da ideia. 
-Mas por que nunca me olha? 
Pensava Tom. 
-Talvez ele precise simplesmente de alguém com quem dividir a dor. Talvez sinta que respeito a dor dele. Concluiu. 
Numa tarde, quando o inverno dava lugar à primavera, David tirou a capa e a colocou nas costas da cadeira. Enquanto arrumava as peças do jogo de xadrez, seu rosto parecia mais animado, os movimentos mais vivos. Alguns meses depois, quando flores já recobriam a árvore lá fora, Tom olhava David enquanto ele se inclinava sobre o tabuleiro. Pensava que pouco se sabe sobre terapia, sobre os misteriosos processos de cura. De repente, o garoto levantou os olhos e disse: 
-Sua vez. 
Depois disso, David começou a falar. Fez amigos na escola e entrou para o clube de ciclismo. Um dia, chegou um cartão postal de David que dizia: 
-Estou passeando de bicicleta com amigos e me divertindo muito.
Tempos depois Tom recebeu uma carta em que David falava que pretendia ir para a Universidade.
 * * * 
Tom ofereceu algo a David, mas certamente aprendeu como o tempo pode tornar possível superar o que parece dolorosamente insuperável. Aprendeu, ainda, como estar presente quando alguém precisa dele. E que se pode entrar em contato com outro ser humano sem usar palavras. Só é preciso um abraço, um toque gentil, um ouvido atento, um coração solidário. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Alguém para ouvir, da Revista Seleções Reader’s Digest, de março de 1998. Em 08.10.2010.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

CORAÇÃO DO MUNDO

Andrey Cechelero
Coração do mundo, pulsa... 
Pulsa e empurra tua seiva de vida para todos os cantos dessa terra. 
Para as almas cansadas de guerra, para os corpos caídos no chão. 
Coração do mundo, pulsa... 
Celebra o áureo raiar de uma nova era. 
Celebra a fraternidade e a diversidade. 
Leva o sorriso a quem ainda tem medo de sorrir, e aos galhos secos, o verde da afetividade. 
Coração do mundo, descobre tua missão bendita. 
Coração do mundo... 
Pátria do Evangelho, Brasil. 
 * * * 
O Espírito Humberto de Campos, respeitado jornalista e escritor brasileiro, homem da Academia Brasileira de Letras, é escolhido pela Espiritualidade para trazer ao mundo uma obra de extrema importância. Pela mediunidade luminosa de Francisco Cândido Xavier, nasceu em 1938, o livro Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. A obra trata essencialmente da missão espiritual da pátria brasileira. O Brasil é escolhido por Jesus para reviver Seu Evangelho primitivo, sem as deturpações que o fizeram sair de seus objetivos principais, ao longo dos séculos pretéritos. O país do Cruzeiro recebe o título de coração do mundo, pois passa a abrigar e a acolher muitos Espíritos que, após inúmeras encarnações na Terra, ainda não haviam encontrado o caminho do bem, do acerto. Seres muito inteligentes, seres com vastas experiências na civilização europeia, sobretudo, mas que se haviam perdido por conta do mau uso da inteligência, do mau uso das suas potencialidades. Na nova terra, teriam a oportunidade de refazer seus destinos e encontrar sua redenção. O coração do mundo acolheu, assim, os que faliram, os que vêm de séculos de abuso de poder, abuso do dinheiro, abuso das energias sexuais... O coração do mundo passou a ser símbolo da diversidade, pois aqui aprendemos a conviver com o diferente, de forma toda especial. O brasileiro é uma mistura de muitas raças, de muitas culturas, de muitas religiões, e todas elas têm sua importância. Com o passar dos anos vimos edificando essa árvore do Evangelho... Que ainda não está madura, exuberante, mas que carrega um potencial de beleza inimaginável. As estatísticas mostram a relação do brasileiro com o Cristianismo e como ele é forte e diferente de todo o restante do globo. Temos a chance de mostrar ao mundo o Cristianismo da fraternidade, do amor ao próximo, da tolerância racial, da aceitação das diferenças. Esse é o tronco da árvore do Evangelho de Jesus, independente da religião que abracemos, independente dos rótulos que exibamos. Aí está o Brasil espiritual, o Brasil luminoso, que não precisa ser a primeira economia, o primeiro em consumo, o primeiro nas competições materiais da Terra. Ser grande em amor já nos basta...
 * * * 
Coração do mundo, pulsa...
Celebra o áureo raiar de uma nova era.
Celebra a fraternidade e a diversidade.
Leva o sorriso a quem ainda tem medo de sorrir
E aos galhos secos, o verde da afetividade.

Redação do Momento Espírita com trechos do poema Coração do Mundo, de Andrey Cechelero. Em 6.12.2013

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A SABEDORIA DO BEM

Léon Tolstói
Quando, na Antiguidade, alguém queria matar um urso, pendurava uma pesada tora de madeira em cima de uma vasilha com mel. O urso empurrava a tora com força, a fim de afastá-la do mel. A tora voltava e o atingia. O urso ficava irritado, feroz, e empurrava a tora com mais força ainda, e esta o atingia por sua vez com muito mais força. Isso continuava até o urso ser morto. 
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Se nos fixarmos neste fato, numa reflexão rápida e despretensiosa, poderíamos afirmar que fazemos o mesmo quando pagamos o mal com o mal que recebemos dos outros. Pensamos então: Será que nós, seres humanos, não podemos ser mais sábios do que os ursos? Empurramos a tora cada vez com mais força, mesmo sabendo que ela irá retornar e nos ferir! As leis de Deus - em especial a lei de causa e efeito – é muito precisa ao nos revelar esta sua característica. Todas nossas ações são causas que irão gerar uma consequência no mundo. Quando retribuímos, com voz alterada e raivosa, uma palavra agressiva que nos fere o íntimo, estamos apenas empurrando a tora, e esquecendo o mel. Nesta analogia, o mel seria o entendimento com o outro, a felicidade, a paz que tanto desejamos. Só que, comumente, nos entretemos tanto com os empurrões da tora, que acabamos deixando o mel, a felicidade, esquecida num canto. O objetivo do urso nunca será empurrar a tora. Sua meta é o mel, o alimento. A tora é um obstáculo a contornar, um desafio apenas. Se o animal pudesse raciocinar como o ser humano, nessa situação em particular, certamente pensaria numa forma de cortar a corda que sustenta a tora, ou num jeito de retirar o pote de mel debaixo dela. Esta é a sabedoria do bem. Procurar outra alternativa que não a de retribuir o mal com o mal. A sabedoria do bem proporciona, ao recebermos palavras amargas, uma pequena reflexão antes da reação iminente. A sabedoria do bem busca compreender o momento do outro, a dor do outro, a angústia e infelicidades íntimas que o moveram a soltar pela boca o veneno que guarda na alma. A sabedoria do bem nunca é conivente com o mal, e nem mesmo tolerante com ele. É, sim, compreensiva com o outro ser. Tolerante, indulgente com seu irmão. A sabedoria do bem requisita criatividade, para que consigamos abrir a mente e pensar em outras soluções para resolver nossos problemas, que não a vingança. A vingança será sempre a ação mais reativa, menos pensada, e que trará, sem dúvida alguma, a tora de volta para nos machucar tantas e tantas vezes. A sabedoria do bem requisita amor. Amor pela vida, pelo Criador, sabendo que nenhum desastre, nenhum mal nos alcança sem razão. Só quem ama o Criador confia em seus desígnios, confia que tudo acontece para nosso bem e, dessa forma, não cultiva ódio por seus opositores na Terra, apenas compaixão. Só a sabedoria do bem consegue eliminar os círculos viciosos nos quais nos aprisionamos ao longo dos milênios. Só a sabedoria do bem em ação irá expulsar deste mundo a guerra, o ódio e a violência. 
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O verdadeiro ensinamento do amor é forte: ele mata o mal antes que o mal possa crescer e tornar-se poderoso. 
Redação do Momento Espírita, com base em trechos do livro Pensamentos para uma vida feliz, de Léon Tolstói, ed. Prestígio. Em 10.1.2017.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

UM CORAÇÃO BRILHANTE

Jennifer Love-Hewitt é uma atriz de seriado de televisão e foi convidada para uma festa beneficente, organizada por uma instituição que ajuda crianças portadoras do vírus da AIDS. Havia muitas barraquinhas espalhadas pelo pátio da instituição promotora, mas as crianças tinham se aglomerado ao redor de uma em especial. Jennifer verificou que todas as crianças recebiam pequenos recortes de tecidos que deveriam ser pintados, para depois serem costurados, formando uma colcha. O objetivo era presentear um dos diretores, que tinha dedicado grande parte da sua vida à organização e estava se aposentando. Potes com as cores mais variadas foram distribuídos, além de pincéis. As crianças pintaram corações cor-de-rosa, nuvens azuis, flores verdes e roxas, um lindo pôr-de-sol alaranjado. Todos os desenhos eram positivos, animadores. Exceto um. Um menino pintava um coração escuro, vazio, sem vida. No primeiro momento, ela pensou que ele estava usando cor escura porque talvez tivesse sido a única tinta que sobrara. Mas, quando ela perguntou a razão, o menino disse que o coração era daquela cor porque o seu próprio coração estava se sentindo escuro. Tanto ele quanto sua mãe estavam muito doentes e nunca iriam melhorar. Ninguém pode fazer nada para ajudar, terminou dizendo. A artista se sentou ao seu lado e falou que sentia muito que ele estivesse doente e que podia entender porque ele estava tão triste. Até podia entender porque ele pintara o coração escuro. Mas, não era verdade que ninguém podia fazer nada. Talvez as pessoas não pudessem curar a ele, nem sua mãe. Entretanto, algumas coisas podiam ser feitas. Aprendi, continuou explicando, que dar abraços bem apertados ajuda de verdade quando se está triste. Se você quiser, eu posso lhe dar um abraço. O menino pulou nos braços dela e tanto deu quanto recebeu um apertado e longo abraço. Ele ficou ali, sentado no colo, um bom tempo. Depois desceu para terminar o desenho. Ele disse que se sentia melhor, mas continuava doente, ninguém iria mudar aquilo. E concluiu a sua pintura escura de um coração vazio e sem vida. Ela sentiu uma dor aguda por dentro e, triste, se afastou. No final do dia, Jennifer estava se aprontando para ir para casa quando sentiu que alguém lhe puxava pelo casaco. Quando se virou, o menininho estava ali de pé, com um sorriso no rosto. Moça, sabe, eu vim lhe dizer que meu coração está mudando de cor. Está ficando mais brilhante. Acho que aqueles abraços apertados funcionam mesmo. Ela se ajoelhou, para ficar do tamanho dele e trocaram um novo e demorado abraço. No caminho de casa, ela mesma sentiu que seu próprio coração também tinha mudado para uma cor mais brilhante. 
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DIVALDO PEREIRA FRANCO
O amor tem capacidade transformadora. O sorriso, o abraço, um momento de atenção traduzem valiosas manifestações do amor e onde quer que se apresentem, transformam a dor em esperança, a solidão em conforto. O amor acende luz na escuridão das vidas em desalento e transforma a terra árida dos corações em jardim ou pomar. Quando a criatura ama com profundidade real, esquece de si mesma e seu amor tem a capacidade de libertar as vidas, porque o amor é a força do bem inteiramente livre e saudavelmente direcionada. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Coração brilhante, de Jennifer Love-Hewitt, da obra Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante e cap. 21 da obra Perfis da vida, do Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 22.08.2011.

domingo, 8 de janeiro de 2017

UM COPO DE LEITE

Um dia, um rapaz pobre, que vendia mercadorias de porta em porta para pagar seus estudos, viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos. A fome o maltratava. Decidiu que pediria comida na próxima casa em que batesse. Porém, quando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta, seus nervos o traíram. Em vez de comida, ele só teve coragem para pedir um copo de água. A jovem descobriu nele um rapaz faminto e, em vez de água, lhe deu um grande copo de leite. Ele bebeu devagar. Depois, receoso, perguntou: 
-Quanto lhe devo? 
-Não me deve nada, respondeu ela. Minha mãe sempre me ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa. 
Ele disse: 
-Pois eu te agradeço de todo coração. 
Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente, mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte. Antes, ele estava resignado a se render e deixar tudo. Agora, estava disposto a prosseguir na luta até a conquista do que idealizara para a sua vida. Anos depois, essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locais estavam confusos quanto ao correto diagnóstico e conseqüente tratamento. Finalmente, a enviaram para a cidade grande, onde chamaram um especialista para analisar sua rara enfermidade. O especialista não era outro senão o Dr. Howard Kelly. Quando lhe apresentaram a ficha da enferma e ele soube o nome do povoado de onde ela viera, uma estranha luz encheu os seus olhos. Imediatamente, vestido com a sua bata de doutor, foi ver a paciente. Reconheceu imediatamente aquela mulher. Determinou-se a fazer o melhor para salvar aquela vida. Passou a dedicar especial atenção para aquela paciente. Depois de uma demorada luta pela vida da doente, ele ganhou a batalha. Quando ela se preparava para ter alta, o Dr. Kelly pediu para a administração do hospital que lhe deixasse ver a fatura total dos gastos, a fim de que a pudesse aprovar. Ele a conferiu, item por item, depois escreveu alguma coisa e mandou entregá-la no quarto da paciente. Ela tinha medo de abrir a fatura, porque sabia que levaria o resto da sua vida para pagar todos os gastos. No entanto, quando se decidiu a abrir o envelope, algo lhe chamou a atenção. Em letras caprichadas, mas firmes, havia uma anotação: 
-Pago totalmente, faz muitos anos, com um copo de leite. Assinado: Dr. Howard Kelly. 
E lágrimas de intensa alegria correram dos olhos daquela mulher, que se lembrou de orar nos seguintes termos: 
-Graças, meu Deus, porque Teu amor se manifestou nas mãos e nos corações humanos. 
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Imensa é a generosidade dos corações que se manifesta das mais variadas formas. Basta um pequeno toque, um pequeno pedido, e eis a generosidade se transformando em alimento, agasalho, abrigo, acolhida, companhia. E porque a generosidade espanca a miséria, transformando patrimônio em lares, pedras em pães, horas preciosas em alfabetização, a esperança prossegue luzindo nas almas, conduzindo-nos a um mundo de paz, onde todos nos daremos as mãos, na qualidade de irmãos. 
Redação do Momento Espírita, a partir de texto intitulado Um copo de leite, de autoria desconhecida. Em 30.08.2010.