domingo, 21 de agosto de 2016

COM OS OUVIDOS DA ALMA!

O fato é narrado por uma mulher que vivia nas colinas da Escócia. Era inverno, próximo ao Natal. Roberto, o marido, era ferreiro. Ela, mãe ocupada, cuidava dos quatro filhos. O menor era o que lhe dava maior preocupação. É que o garoto era surdo. Ela ficara muito doente durante a sua gestação e o menino nascera com aquela deficiência. De resto, era esperto e depressa aprendeu a ler. Para manter a conversação com a mãe e os irmãos, André se servia de gestos e, como aos cinco anos já sabia escrever muitas palavras, usava papel e caneta para expressar aquilo que não conseguiam entender por seus gestos. Naqueles dias, próximos ao Natal, o marido foi chamado para prestar serviços em uma fazenda distante e ela ficou só com as quatro crianças. A tempestade veio e durou dias. A caixa de lenha ao lado do fogão começou a ficar vazia. Na quase véspera do Natal, Elizabeth agradeceu a Deus pela colheita do verão ter sido boa, pelas compotas terem dado certo e pela boa caça do seu marido. Assim, eles teriam o suficiente para se alimentarem até acabar aquele inverno ingrato. Mas a lenha acabou. Ela reuniu os quatro filhos, calçaram e se agasalharam bem e saíram quando o tempo deu uma trégua. Os pequenos Mary, Alice e André brincavam entre as árvores, felizes por estarem fora de casa. Corriam de um lado para outro, enquanto ela e o filho maior, de 15 anos, cortavam troncos em pedaços pequenos e colocavam no trenó. Num piscar de olhos, o tempo mudou. O vento soprou forte e a neve caiu violenta. Ela conseguiu encontrar as duas meninas mas não o pequeno André. Por mais que chamasse, ele não a ouviria. Era surdo. Voltaram para casa a fim de não congelarem. As horas angustiosas passaram lentas. Quando a tempestade acalmou, ela se preparou para ir procurar o menino. Estaria vivo? Teria caído, cego pela tempestade, em algum penhasco? Então, alguém bateu na porta. Era o pequeno André, sorridente. Entre gestos e escritos no papel explicou que logo que a tempestade começou, ficou agachado atrás de um tronco. Depois, escreveu que ouviu chamar o seu nome: André. Foi até onde a voz vinha e não tinha ninguém. Então ouviu de novo: Venha, André, venha para casa. Continuou caminhando, seguindo a voz, embora não visse ninguém. E assim foi até chegar em casa. Então a mãe caiu de joelhos, abraçou seu tesouro e agradeceu a Deus por ter enviado um mensageiro Seu, aquela voz para guiar o seu filho. Uma voz que não vinha do mundo exterior, mas que se fez ouvir na alma do pequenino André. A voz dos invisíveis. 
 * * *
O Natal é uma época de esperança, de confiança e de fé. É uma época de acreditar no invisível e em maravilhas que o Divino Pai nos proporciona. Uma época em que os Mensageiros de Deus cantam, falam e os surdos ouvem as Suas vozes. Natal é o momento em que a Terra toca os céus, aquieta os seus gritos para ouvir o excelso canto da esperança. Jesus nasceu em Belém. A esperança se renova. Comemoremos. 
Redação do Momento Espírita, com base no conto Tempestade nas montanhas, de autoria ignorada. Em 10.12.2010.

sábado, 20 de agosto de 2016

COM OS OLHOS DA ALMA!

Glenda Maier
O que aconteceria se todos nós, em nosso cotidiano, saíssemos às ruas com a câmara fotográfica da alma, a máquina filmadora da mente e o microfone do coração? Isso mesmo. Que tal se todos nos tornássemos repórteres de um jornal imaginário mas importantíssimo: O nosso diário? Estamos habituados a ler as manchetes jornalísticas que falam da violência, da queda das bolsas de valores, de maldades e tragédias. Não seria excelente se criássemos um jornal particular de coisas boas, elevadas, sadias? Será que existem? Dia desses fizemos uma experiência. Saímos em nosso carro, levando justamente os aparelhos que mencionamos. Depois de rodar por ruas e esquinas, fomos surpreendidos próximo a uma favela por um movimento diferente. Seria um protesto? Logo, um homem enorme, de bermuda e camiseta, interrompeu o trânsito. Um grupo de moradores da super-favela pareceu vir em nossa direção. Seria um assalto? Eram homens, mulheres e crianças com foices e tesouras. Atravessaram a rua carregando carrinhos pequenos e grandes cheios de mato. Então, ligamos a câmara fotográfica da alma e o microfone do coração para registrar a cena. Eram os moradores da super-favela. Trabalhadores. Mulheres faxineiras, domésticas e homens habituados ao trabalho braçal, de sol a sol. Era seu dia de folga. As crianças também não tinham aula naquele dia. Porque o mato do lado da favela já estava a mais de um metro de altura, eles haviam resolvido limpar o terreno que bem poderia servir para os garotos chutarem bola nos finais de semana e feriados. Os menores, andar de bicicleta e correr. Os bebês, tomarem sol no colo das suas mamães. Dia de descanso. Dia de limpeza geral. Mutirão da ecologia. Lição de solidariedade. Trabalho conjunto para o bem de todos. Quando a longa fila terminou de desfilar, o trânsito foi liberado e prosseguimos. Dia seguinte passamos por uma escola. Hora de aula, mas três garotos, de uniforme, estavam no jardim. Um deles tinha uma mangueira e outros dois estavam com regadores. Ligamos o microfone do coração e a filmadora da mente para não perder a cena. As flores balançavam ao vento, agitando suas hastes, felizes pelas gotas d'água que as refrescavam do calor do dia. Um caco de vidro resmungou: 
-Por isso o Brasil não vai para frente. Ao invés de estudar, eles ficam molhando plantinhas. 
O canteiro, cheio de rosas coloridas, atraiu uma garotinha da primeira série que se aproximou e falou:
-Eu gosto desta escola porque tem flores. João, eu posso ajudar? 
Descemos do carro, recolhemos o caco de vidro e o jogamos em uma lata de lixo logo adiante. Voltamos para casa com belas fotos, interessantes histórias e imagens maravilhosas de cenas de amor à natureza e aos homens.
 * * * 
Quando cada qual se dispuser a realizar a parte que lhe toca, no concerto do mundo, sem se importar com o que o outro deve fazer, o mundo terá alcançado grande progresso. As ruas se mostrarão limpas, as calçadas livres de entulhos, as casas bem pintadas, as escolas cheias de flores, os hospitais com belos jardins, para alegrar os que se encontram em recuperação de suas enfermidades. Quando todos nos empenharmos em fazer o melhor que pudermos, a nossa parte, por menor que seja, teremos atingido o mundo melhor que todos sonhamos. 
Redação do Momento Espírita, com base em reportagem de Glenda Maier, publicada no Jornal O repórter, de maio/junho 1999. Em 13.09.2010.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

COMO SER AGRADÁVEL

Dale Carnegie
Um jardineiro tratava com cuidado da propriedade de influente juiz de Direito. Pouco se falavam, e sua relação beirava a frieza. O juiz raras vezes se dirigia àquele empregado para transmitir alguma orientação mas, naquele dia, foi ao seu encontro para dar sugestões sobre onde plantar uma e outra árvore. As orientações foram passadas de forma direta, séria, sem rodeios e gentileza. Num determinado momento, mudando o rumo da conversa, o jardineiro disse: 
-Sr. Juiz, o senhor tem uma excelente distração! Estive admirando seus lindos cães. Penso que o senhor já conseguiu vários primeiros lugares em exposições! 
O efeito dessa pequena dose de apreciação foi grande. 
-Sim. - respondeu o juiz, esboçando sorriso orgulhoso. Os meus cães me servem de excelente distração. Gostaria de ver o meu canil? 
Passou quase uma hora mostrando-lhe os cães e os prêmios que eles tinham recebido. Ele mesmo foi buscar os pedigrees e explicou os cruzamentos responsáveis por tanta beleza e inteligência. Depois de um tempo, o juiz, de cenho já muito modificado, virou-se para o jardineiro e perguntou: 
-Tem algum filhinho? 
A pergunta pegou o jardineiro de surpresa, pois nunca antes lhe havia sido feito um questionamento pessoal. 
-Sim, tenho. - respondeu, timidamente. 
-Bem, ele não gostaria de um cachorrinho? 
-Oh, o seu contentamento não teria limites! - afirmou o homem com sorriso nos olhos. 
-Pois bem, vou dar-lhe um. - disse o juiz. 
Então começou a ensinar como alimentar o cãozinho. Parou um pouco. Você esquecerá de tudo quanto eu lhe disser. É melhor que eu escreva. O juiz entrou, escreveu à máquina o pedigree e as instruções sobre alimentação e as entregou ao jardineiro, junto com o cachorrinho valioso. Gastou mais de uma hora de seu tempo explicando, ensinando, pois havia sido conquistado pelo comportamento agradável daquele homem simples. Analisando melhor toda cena, veremos que o jardineiro nada mais fez do que um rápido elogio, proferindo algumas palavras agradáveis ao outro. O juiz, sentindo-se valorizado, teve prazer em estender a conversa e ainda deixou brotar em si um sentimento de fraternidade, pensando no outro, em seu filho, terminando por lhe oferecer um presente. 
 * * * 
Gentileza gera gentileza. Ser agradável contagia e derruba qualquer cenho carregado, qualquer mau humor momentâneo. Numa sociedade onde tantas palavras desagradáveis correm soltas aqui e ali, onde tantas reclamações e xingamentos incendeiam os ânimos e machucam as almas, faz-se importante aprender a ser agradável. Ser agradável sempre, independente da situação que estejamos vivendo, independente de como estamos sendo tratados e recebidos. Agindo assim filtramos o ambiente pesado do mundo, e espalhamos o perfume da fraternidade. Tal comportamento traz sempre frutos bons e surpreendentes pois representa, em sua essência, o amor. 
Redação do Momento Espírita inspirado no cap. 6, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional. Em 17.11.2009.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

Ao retornarem para casa, depois de um dia normal de aula escolar, mãe e filho falavam sobre os acontecimentos daquela tarde. Durante o trajeto, era costume conversarem sobre amenidades. Como o fim do ano se aproximava, a mãe resolveu perguntar ao menino qual a impressão que ficara para ele, a respeito dos professores. O garotinho contou detalhes sobre alguns deles, buscando com cuidado, encontrar palavras que exprimissem suas verdadeiras impressões. Mas acabou surpreendendo a mãe ao fazer a seguinte observação: 
-Eu gosto mesmo é da professora de História, sabe por quê? 
E, sem dar tempo da mãe pensar em algo que justificasse o seu encantamento, ele seguiu com a resposta: 
-É porque ela trabalha com a nossa turma desde o começo do ano e em todos os dias ela fica tão empolgada e feliz como se fosse o primeiro dia de aula! 
* * * 
Essa percepção infantil nos leva à reflexão de que, com o passar do tempo, é comum que a maioria de nós diminua o interesse que mostramos, no momento inicial das nossas atividades. É como se o comodismo fosse um comportamento esperado. E, quando a empolgação inicial por nossos compromissos permanece, trata-se de uma exceção, quando deveria ser o contrário. Que tal experimentarmos olhar as coisas ao nosso redor como se nunca as tivéssemos visto antes? Para nos sentirmos motivados a agir assim, basta que recordemos as emoções que sentimos quando vivemos boas experiências pela primeira vez. Quem não se recorda do turbilhão de sentimentos que tomou conta de nossa alma quando nos deparamos, pela primeira vez, com a imensidão do mar? E o indescritível amor que nos invadiu quando carregamos, pela primeira vez, um filho nos braços? E a emoção de ter fitado os olhos da pessoa amada, pela primeira vez? A satisfação pelo primeiro caderno, a felicidade ao concluir as várias etapas escolares, a conquista do primeiro trabalho. Procuremos nos lembrar dessas boas sensações e mantê-las vivas em nosso íntimo, permitindo que elas nos impulsionem a uma atuação enérgica e dedicada. Não deixemos que o entusiasmo pela tarefa que abraçamos diminua a cada dia, pois, se assim permitirmos, quando nos dermos conta, estaremos agindo apenas com automatismo e nos sentindo sobrecarregados. Sigamos o exemplo dessa professora, que consegue transmitir continuamente às crianças, o amor à tarefa e a viva satisfação de ter a oportunidade do trabalho. Qualquer que seja nossa atividade, busquemos desempenhá-la com dedicação. Assim agindo, nosso dia se tornará mais agradável e, com certeza, também levaremos leveza e alegria àqueles que nos cercam. Procuremos fazer com que o prazer em nossas tarefas seja a nossa marca registrada, contagiando, inclusive, aos que nos cercam. Busquemos olhar as coisas à nossa volta como se fosse a primeira vez. E verificaremos que isso nos trará certo encantamento. 
Redação do Momento Espírita. Em 4.6.2013

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

COMO SE FAZ UM HERÓI!

Nicolas Winton
Talvez um herói se faça com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem. Ao menos para o jovem britânico Nicolas Winton a fórmula foi essa. Tudo começou no ano de 1938, quando ele tinha somente 29 anos e viu cancelado seu plano de férias de final de ano. Atendendo ao convite de um amigo, ele foi para a Tchecoslováquia. O que Winton viu o deixou estarrecido. Eram milhares de refugiados desesperados que tinham que deixar o país rapidamente. De imediato ele percebeu que deveria fazer algo por eles. E fez. Teve a ideia de retirá-los daquela terra, já sob o poder da Alemanha nazista. Por conta própria, escreveu a vários países pedindo ajuda. Organizou uma primeira lista de nomes e recebeu resposta positiva da Suécia e da Grã-Bretanha. De volta ao seu país, conseguiu o apoio de organizações beneficentes e encontrou pessoas dispostas a adotar os refugiados. Também obteve os recursos necessários para o transporte e quando o primeiro trem chegou à Grã-Bretanha, lá estava ele, na plataforma, para a recepção. Foram salvas 669 crianças por esse jovem. Crianças que se transformaram em escritores, engenheiros, biólogos, cineastas, construtores, jornalistas, guias turísticos. Todos adultos generosos, que adotaram crianças, trabalham como voluntários, fazem o bem, como gratidão pelas suas próprias vidas. Infelizmente, lamenta Nicolas, um novo grupo com quase 200 passageiros não pôde partir para a liberdade, porque no dia 1º de setembro de 1939 eclodiu a guerra. Todos os meios de transporte foram bloqueados e os que não conseguiram sair, foram enviados aos campos de concentração. Dizem que quem salva uma vida, salva a Humanidade. Que se pode dizer de alguém que salvou mais de 600? Mas, um herói não para depois de um ato heroico. E, por isso, Nicolas tornou-se voluntário da Cruz Vermelha, na França, durante a guerra. Trabalhou posteriormente nas Nações Unidas e, ao se aposentar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho voluntário. Vivendo no interior da Inglaterra, ele cuida do seu jardim e ainda usa o tempo para ajudar um asilo. Não se considera um herói porque diz que fez o que todos consideravam impossível, simplesmente porque o seu lema é: Se não é obviamente impossível, deve haver uma maneira de fazer. Discreto, nem à esposa com quem se casou em 1948, ele narrou o que fizera. Foi em 1988 que o fato se tornou conhecido e ele passou a receber homenagens do Governo tcheco, da Rainha da Inglaterra, dos Estados Unidos e dos que foram salvos por sua atitude heroica. Sua vida, seus méritos e a operação de resgate estão contidas na biografia escrita por nada menos do que uma das crianças que ele salvou: Vera Gissing, que o conheceu nos seus 80 anos de idade.
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Um herói se faz com umas gotas de amor, idealismo e uma grande vontade de promover o bem.
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Nicolas Winton. Em 31.03.2010.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

COMO SE ESCREVE...?

Alice Gray
Quando Joey tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam. Joey desenhou a sua família. Depois, traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da professora. 
-Professora, como a gente escreve...? 
Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula. Joey dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho. Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia, para a mesa. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela. 
-Mamãe, como a gente escreve...? 
-Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta. - Foi a resposta dela. 
Ele dobrou o desenho e o guardou no bolso. Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para o grande círculo vermelho, foi até à cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para seu pai. Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai. 
-Papai, como a gente escreve...? 
Joey, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta. 
O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso. No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho, enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo. Os anos rolaram... Quando Joey tinha vinte e oito anos, sua filha de cinco anos, Annie, fez um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e disse: 
-Este aqui é você, papai! 
A garota também riu. O pai olhou para o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras e, lentamente, começou a passar o dedo sobre o círculo. Annie desceu rapidamente do colo do pai e avisou: 
-Eu volto logo! 
E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou: 
-Papai, como a gente escreve amor? 
Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia:
-Amor, querida, amor se escreve com as letras t...e...m...p...o.
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 Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive. Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra amor, família, afeição. Por fim, lembre: se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo... bom, o tempo é uma questão de escolha. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Círculo de amor, de Jeannie S. Williams, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press. Em 5.7.2013.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

COMO SE EDUCA UM FILHO

Não há pai ou mãe, preocupado com a educação de seu filho, que não pare para refletir quais os melhores caminhos a seguir ou como agir corretamente na educação. Educar sempre gera insegurança, pois amiúde estaremos questionando se nossas ações são as melhores e as mais efetivas. Houve épocas, ainda nos lembramos, onde criança educada era criança que obedecia ordens, que não questionava, que não se envolvia em assuntos de adulto, que ficava calada. Nessa época, educar era o esforço em se fazer cumprir as ordens sociais, em agir conforme os valores vigentes, sempre rígidos, em cumprir as regras. O excesso de rigidez, de inflexibilidade, somado às grandes transformações da sociedade, colocaram esse modelo em cheque, quando não, em profundo desuso. Com medo de serem repressores, antiquados e ultrapassados, pais e mães passaram a evitar esse comportamento. E, para terem certeza que não estavam resvalando no antigo, passaram a agir no sentido oposto. A partir disso, reprimir, definir regras, impor limites, foram ferramentas abandonadas, desnecessárias para se educar. Porém, entre esses dois modelos extremos, há uma multidão de educadores, pais, mães, a se perguntar: Com que ferramentas se educa um filho? Quais os parâmetros para se educar? Se lembrarmos que educar é formar o caráter de alguém, é infundir-lhe conceitos, provocar-lhe o hábito, para nascer daí seus valores, vemos que a tarefa é complexa e longa. Assim, comecemos com os conceitos. Devemos eleger quais valores consideramos importantes para nosso filho. É necessário tê-los claros e conversar sobre eles com nosso filho. Discutir, refletir, buscar exemplos na sociedade, na televisão, nos noticiários. Em seguida, vivenciarmos com ele tais valores. Fazer de nós mesmos o exemplo, mostrando-lhe que também estamos em um processo de educação, nessa grande escola chamada Terra. Depois, dar-lhe a oportunidade de decidir e tomar algumas iniciativas, para logo mais refletir com ele a respeito das ações que ele vem tomando, e das consequências dessas ações. Fazer com que ele perceba que se sofre as consequências das boas e más ações, conforme as atitudes e decisões. A partir daí, será da insistência, do repetir das ações e da vivência, que se irão inserindo os valores no coração de nossos rebentos. Apenas através de hábitos novos é que se conseguirá modificar valores antigos, ou criar novos valores. E novos hábitos serão construídos a partir de bons conceitos que se tiver em mente. Desta forma, não se deixe levar apenas por modismos, e nem se preocupe em ser moderno e atual. Para educar, o coração será sempre um bom guia onde, pautados por valores nobres, seguiremos em direção segura. E ainda, se estivermos atentos, com olhos de cuidado e desvelo sobre aqueles a quem temos a responsabilidade de educar para a vida, teremos boas chances de ter sucesso nesse grande desafio que se chama educação. 
Redação do Momento Espírita. Em 11.02.2011.