segunda-feira, 7 de março de 2016

CALAR A BOCA

A maioria dos pais deseja que seus filhos sejam felizes. Que cresçam com saúde. Que sejam amados, inteligentes, que conquistem louros na escola, na profissão, na vida. Apesar disso, nem sempre conseguem seu intento. Por mais que desejem, por mais que se empenhem, por vezes um dos seus filhos, quando não todos eles, detestam a escola. Alguns têm problemas de relacionamento, ou não desejam trabalhar, ou, ainda, se envolvem com drogas, crimes, etc. Muitas vezes nos questionamos: “Por que? Não teremos nos empenhado o suficiente? Onde teremos falhado?” Não devemos esperar que nossos filhos sejam perfeitos, desde que a perfeição não é deste planeta onde vivemos. Temos que nos preocupar em transformar nosso filho em um homem de bem, bom o bastante para viver no Mundo e servir ao Mundo. Com tal disposição, é importante que repensemos a nossa função educativa, como pais. Dentro do lar, às vezes agimos de forma a invalidar as teorias, ou seja, desmentimos na ação o que aconselhamos aos filhos. Uma das frases mais ditas, possivelmente, para as nossas crianças, é o famoso 
"Cala a boca!" 
Normalmente, a frase cai como um raio sobre um pirralhinho que já repetiu a mesma questão, pelas nossas contas, mais ou menos umas dez vezes. De verdade, será talvez a quinta. Nossa impaciência é que multiplica de forma equivocada. Consideremos que a criança é repetitiva mesmo. Faz parte do seu desenvolvimento infantil a repetição, para fixar conceitos e frases que ela vai aprendendo. Freqüentemente, é preciso explicar dezenas de vezes a mesma coisa para que ela entenda. E aquela bateria de: 
"Por que, hein?" leva muitos pais à exaustão. 
 Mas se a criança está repetindo, se ela está perguntando outra vez, é porque sente a necessidade de uma compreensão que lhe seja satisfatória. Por isso, não tem jeito. É preciso se munir de paciência, responder, e responder. Mesmo porque, caso contrário, os pais podem criar um filho que tem medo de falar, medo de se exprimir, medo de ser repreendido. Uma criança com esse tipo de insegurança poderá ter dificuldades na escola, pois não entenderá o que foi explicado, mas jamais perguntará. Nas questões afetivas também terá problemas. Não falará o que pensa, por medo ou insegurança. Perguntar faz parte do aprendizado. Pensemos bem: não é verdade que a nossa impaciência estoura sobre o pequeno, não porque estejamos cansados de responder os porquês, mas porque não sabemos respondê-los? Afinal, quem de nós vai saber explicar para o pequenino por que a lua é redonda? Por que a formiguinha anda em fila indiana? Por que ele deve colocar a jaqueta que detesta só porque nós estamos com frio? Calma deve ser a nossa tônica todos os dias. Dar as explicações necessárias, sem nos alongar muito, nem complicar a resposta. E lembremos de uma coisa: pessoas educadas não mandam as outras calarem a boca. Demos o exemplo para os nossos filhos. Você sabia? ...que nossos filhos são Espíritos reencarnados que já passaram por muitas existências? Por esse motivo não lhes tiremos as oportunidades de aprendizado, nem lhes soneguemos informações, pois eles são filhos de Deus, tanto quanto nós, a caminho da evolução. 
Redação do Momento Espírita

domingo, 6 de março de 2016

O CAJUEIRO AMIGO

Em momentos como os que vivemos, em que se presencia a destruição indiscriminada de árvores antigas, para extração ilegal de madeiras nobres; em que muitos ainda pensam mais em seus cofres e contas bancárias do que na agressão ao meio ambiente, nada mais oportuno do que se falar do amor à natureza. Humberto de Campos, em seu livro Memórias conta que, aos dez anos de idade, a família se mudou para o Piauí, na cidade de Parnaíba. No dia seguinte ao da mudança para a pequena casa, toda cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco, encontrou um amigo. Humberto estava no banheiro tosco, próximo ao poço, quando seus olhos descobriram no chão, entre as pedras grosseiras, uma castanha de caju. Ela acabara de rebentar, inchada, no desejo vegetal de ser árvore. Dobrado sobre si mesmo, o caule parecia mais um verme, um caramujo a carregar a sua casca, do que uma planta em eclosão. A castanha ainda guardava as duas primeiras folhas úmidas e avermelhadas, como duas joias flexíveis que tentassem fugir do seu cofre. Com a autorização de sua mãe, o pequeno Humberto plantou a castanha, a uns trinta ou quarenta metros da casa. Fez uma pequena cova, enterrou aí o projeto de árvore e o cercou com pedaços de tijolo e telha. Regou-o e o protegeu contra a fome dos pintos e a irreverência das galinhas. Todas as manhãs, ao lavar o rosto, deixava cair a água desse momento alegre sobre a plantinha. Com afeto, acompanhou a multiplicação das suas folhas tenras.
Três anos mais tarde, Humberto se separou de seu amigo cajueiro pela primeira vez, para residir no Maranhão. Anos depois, foi morar no Rio de Janeiro. Vez ou outra voltou à Parnaíba para visitar o amigo. Próximo de seu regresso ao mundo espiritual, retornou para uma última visita ao seu cajueiro e escreveu: Ele não me conhece mais. Eu estou homem; ele está velho. A enfermidade cava-me o rosto, altera-me a fisionomia, modifica-me o tom de voz. Ele está imenso e escuro. Quero abraçá-lo e já não posso... Então me volto e parto. E me sinto a viver como ele, com os pés na lama, dando, às vezes, sombra aos porcos. Mas, também, às vezes, dourado de sol lá em cima, oferecendo frutos aos pássaros e pólen ao vento. No milagre divino do meu sonho, sangrando resina cheirosa, com o Espírito enfeitado de flores que o vento leva e o coração, aqui dentro, cheio de mel e todo ressoante de abelhas. Humberto de Campos desencarnou. O amigo fiel continuou a oferecer os mesmo frutos doces de outrora. Nos galhos retorcidos pelo tempo, com a exuberância do seu verde vivo, a árvore centenária ainda está lá, demonstrando que o amor se estende e prospera em todos os reinos da natureza. Ainda há muito amor a exercitarmos no mundo para com nossa mãe natureza. 
Redação do Momento Espírita, a partir do artigo Meu cajueiro, publicado na revista O espírita, de janeiro/abril 2009. Em 12.8.2013.

sábado, 5 de março de 2016

CAIXINHA DE BEIJOS

Certo dia, um homem chegou em casa e ficou muito irritado com sua filha de três anos. Ela havia apanhado um rolo de papel de presente dourado e literalmente desperdiçado fazendo um embrulho. Porque o dinheiro andasse curto e o papel fosse muito caro, ele não poupou recriminações para a garotinha, que ficou triste e chorou. Naquela mesma noite, o pai descobriu num canto da sala, no local onde a família colocara os presentes para serem distribuídos no dia de Natal, um embrulho dourado não muito bem feito. Na manhã seguinte, logo que despertou, a menininha correu para ele com o embrulho nas mãos, abraçou forte o seu pescoço, encheu seu rosto de beijos e lhe entregou o presente. 
- Isto é pra você, paizinho! 
Foi o que ela disse. Ele se sentiu muito envergonhado com sua furiosa reação do dia anterior. Mas, logo que abriu o embrulho, voltou a explodir. Era uma caixinha vazia. Gritou para a filha:
- Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa? 
A criança olhou para ele, com os olhos cheios de lágrimas e disse: 
- Mas, papai, a caixinha não está vazia. Eu soprei muitos beijos dentro dela. Todos para você, papai.
O pai quase morreu de vergonha. Abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse. Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos. Sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali. 
 * * * 
 De uma forma simples, cada um de nós, humanos, temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional de nossos pais, de nossos filhos, de nossos irmãos e amigos. Entretanto, nem sempre nos damos conta. Estamos tão preocupados com o ter, com valores do mundo, que as coisas pequenas não são percebidas por nós. Assim, a esposa não valoriza o ramalhete de flores do campo que o marido lhe enviou, no dia do aniversário. É que ela esperava ganhar uma valiosa jóia e não aquela insignificância. O marido nem agradece o fato da esposa, no dia em que comemoram mais um ano de casados, esperá-lo com um jantar simples, a dois, em casa. Ele estava esperando uma comemoração em grande estilo, ruidosa, cercado de amigos e muitos comes e bebes. Os pais não dão importância para aquele cartão meio amassado que os pequenos trazem da escola, pintado com as mãos de quem apenas ensaia a arte de dominar as tintas e os pincéis nas mãos pequeninas. Eles estão mais envolvidos com as contas que a escola está cobrando e acreditam que, pelo tanto que lhes custa a mensalidade escolar, os professores deveriam ter lhes enviado um presente de valor. É, muitos de nós não encontramos os beijos na caixinha dourada. Só vemos a caixinha vazia. * * * O amor é feito de pequeninas coisas. Não exige fortunas para se manifestar. Por vezes, é um ato de renúncia, como a daquele homem que no dia de Natal, em plena guerra, conseguiu apenas uma laranja para a ceia dele e da esposa. Então a descascou, colocou em um prato, criando uma careta com os gomos bem dispostos e entregou para a esposa, com um beijo e um pedaço de papel escrito: Feliz Natal! E ficou observando-a comer, com vagar, feliz por ver os olhos dela brilharem e ela se deliciar com a fruta tão rara naqueles dias, naquele local.
Redação do Momento Espírita, a partir de mensagem intitulada A caixinha, assinada Bernadete. Em 04.12.2008.

sexta-feira, 4 de março de 2016

AS CAIXAS DE DEUS

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Certa noite, um homem teve um sonho. Sonhou que tivera um encontro com Deus e, porque se apresentasse muito triste, Deus o presenteou com duas caixas. Uma delas era de cor preta, envernizada e a outra de cor dourada, com um belo laço de fita. Coloque todas as suas tristezas na caixa preta, recomendou o bom Deus. E as suas alegrias, guarde na caixa dourada. O homem entendeu e, desde aquele dia, passou a proceder de acordo com a recomendação Divina. Depois de algum tempo, ele se surpreendeu porque a caixa dourada ficava cada dia mais pesada e a preta continuava tão leve quanto na noite em que a ganhara de Deus. Tomado de curiosidade, abriu a caixa preta. Queria descobrir porque estava tão leve, se quase todos os dias ele colocava ali ao menos uma pequena tristeza. Foi então que ele viu. Na base da caixa, havia um buraco e por ele saíam todas as suas tristezas. Pensou alto, falando com Deus: Por que, Pai, você me deu uma caixa com um buraco e uma caixa inteira, sem nenhum vazamento? O bom Pai respondeu de pronto: Meu filho, a caixa dourada é para você contar suas bênçãos. Por isso é fechada. A caixa preta é para você deixar ir embora todas as suas tristezas. 
 * * * 
Diz o provérbio popular que tristezas não resgatam dívidas. É verdade. Mais do que isso, guardar tristezas é extremamente prejudicial à vida. A tristeza é má conselheira, porque empana a percepção mental de quem lhe sofre a presença e lhe perturba o discernimento. A presença da tristeza produz emoções de sofrimento, que devem ser vencidas a esforço de renovação, a fim de que não se transformem em amargura ou desinteresse pela existência física. No concerto harmonioso da Criação tudo convida à alegria. Flora e fauna são um poema de maravilhosa estrutura exaltando o Criador. Apesar da Terra ser um planeta de provas e expiações, é também uma escola de campos verdes de infinita beleza, de perfumes no ar e de cascatas que arrebentam cristais nas pedras. Nesse conjunto, só o homem é triste porque ele pensa e a insatisfação, o orgulho, o egoísmo, a rebeldia o tornam sombrio, solitário e amargo... Mas é o mesmo ato de pensar que ergue o homem ao esplendor dos céus e terra, águas e leveza do ar, para agradecer o presente da vida no corpo, que lhe proporciona a evolução. 
 * * * 
 A tristeza, quando se instala, espalha destruição, não merecendo, portanto, aceitação em nossas vidas. Coloquemo-la, então, sempre na caixa preta, sem fundo, para não guardá-la de um dia para o outro, nem da manhã para a tarde ou para a noite. Depositemos, sim, todos os dias, na caixa dourada da nossa existência, as bênçãos com que Deus nos agracia, lembrando que somente o ato de estar vivo, isto é, reencarnado, deve constituir motivo de alegria, pelas excelentes ocasiões de que dispõe o Espírito para ser plenamente feliz. 
Redação do Momento Espírita, com base em lenda de autoria ignorada e no cap. 4, do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 4.5.2013.

quinta-feira, 3 de março de 2016

CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS

Em nossos lares e escritórios, é comum dispormos de uma caixa de primeiros socorros, para eventuais pequenas emergências, resultantes de descuidos ou invigilâncias. Para a nossa intimidade, também uma caixinha de primeiros socorros se faz importante. Naturalmente, seu conteúdo deverá ser um pouco diferente. Vejamos o que ela deveria conter: um palito, um elástico, um curativo, um lápis, uma borracha, um chocolate e um saquinho de chá instantâneo. Para que servirá tudo isso? Vamos por partes: o palito servirá para nos lembrar de escavar, nas pessoas da nossa convivência, todas as qualidades que elas têm e, assim, melhor conviver com elas. O elástico será para nos lembrar de sermos flexíveis, já que nem as coisas, nem as pessoas são sempre da maneira como gostaríamos que fossem. O curativo haverá de nos ajudar com sentimentos feridos. Tanto os nossos, causados pelos que amamos, e quase sempre sem se aperceberem, bem como os sentimentos dos demais, tantas vezes atingidos pela nossa forma de ser e agir. O lápis servirá para que anotemos, todos os dias, a quantidade enorme de bênçãos que nos chegam: o calor do sol, a frescura da chuva, o benefício dos ventos, o perfume das flores, o ar que respiramos, o alimento que nos sustenta, as roupas que nos protegem das intempéries, as pessoas que se constituem em nossas alegrias. E tudo o mais que pudermos recordar. A borracha será bastante útil para nos lembrar que todos cometemos erros e, da mesma forma que desejamos que os outros nos desculpem, também devemos apagar registros do que de errado fizeram conosco. O chocolate é para recordar que todos necessitamos da doçura de um afago, de um beijo e de um abraço diariamente. E o saquinho de chá? Bom, esse será para que tomemos um tempo, relaxemos e façamos uma lista de todos os que nos amam, iniciando por Deus, nosso Pai, que nos criou e que todos os dias nos envia as Suas mensagens de amor. E, aproveitando esse tempinho, nos lembremos de que pode ser que para o mundo sejamos apenas alguém, mas para uma pessoa, que pode ser um filho, a esposa, o namorado, a mãe, um amigo, ou até mesmo para um animal de estimação, sejamos todo o seu mundo... E, então, que tal providenciarmos essa caixinha de primeiros socorros para as nossas vidas? 
 * * *
No trato com os demais, observemos sempre as suas boas qualidades, relevando os traços que ainda não foram burilados. Sustentemos as nossas amizades no clima da confiança, compreendendo as faltas alheias e as desculpando, porque, em essência, essa é a forma de amor que reeduca, promove e ergue as criaturas a alturas maiores. Ofereçamos sempre a nossa melhor parte. Doemos a mais importante cota de que sejamos portadores, o que, em palavras mais simples, se traduz por amor.
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada. Em 10.9.2013.

quarta-feira, 2 de março de 2016

A CAIXA DE PANDORA

Conta a mitologia grega que, no início da criação, o titã Prometeu foi designado pelos deuses para organizar a matéria em confusão, dando origem à natureza e às demais formas de vida animal. Prometeu, no entanto, pediu ao seu irmão que cuidasse de tudo. Depois de organizar a Terra, o ar e as águas, fez o homem. E porque os homens se sentissem muito sós, com a ajuda dos demais deuses criou a mulher. Casou-se com a primeira linda mulher que criou, a quem chamou Pandora. Disse à sua esposa que tudo o que existia em seu reino pertencia a ela também, e que ela poderia usufruir de tudo, mas não poderia tocar numa caixa que ele guardava num dos cantos do quarto. Dizer a Pandora que não a tocasse foi o suficiente para despertar-lhe a curiosidade. No primeiro momento em que ela se viu só, na enorme mansão, buscou a caixa e a abriu. Assim que levantou a tampa do baú, saíram de sua intimidade as misérias mais variadas. Misérias físicas como a lepra, a gota, as enxaquecas, o câncer, entre outras enfermidades, que estavam fechadas, escaparam e se disseminaram sobre a Humanidade inteira. A inveja, a cólera, o orgulho, o egoísmo, misérias morais que também estavam guardadas, se espalharam por todos os cantos da Terra. Pandora, assustada, fechou a caixa imediatamente, sem se dar conta de que no fundo estava guardada a esperança. 
* * * 
Os homens, assustados com tantas misérias morais e físicas que pairam sobre a Humanidade, pensam que Deus se esqueceu do gênero humano, relegando-o à própria sorte. No entanto, ainda resta para todos nós a esperança. Um dia, num país distante, a esperança se vestiu de homem e surgiu como um sol para reverter a situação da Humanidade sofrida. Ficou conhecido como Jesus, o Cristo. Mas, descuidada, boa parte dos homens somente O consegue ver como um derrotado, vencido na cruz do martírio, sem chance de ajudar. Esquecidos de que Ele rompeu a lápide do túmulo e surgiu vivo, afirmando para quem O quisesse ouvir: Eu estou aqui! E, em outra oportunidade, afirmou: Nunca estareis a sós. 
 * * * 
Jesus continua vivo e velando pela Humanidade, a quem chamou de Seu rebanho. Qual raio de esperança, surgiu trazendo a mensagem da Boa Nova e a espalhou por todo o planeta. Falou-nos do reino de Deus. Cantou as bem-aventuranças eternas. E jamais se teve notícias de que Ele se tenha deixado contaminar pelas misérias humanas. Jesus, portanto, é a mensagem viva de esperança. Vive e vela por nós. São dEle estas palavras: Vinde a mim vós que estais cansados, que Eu vos aliviarei. Se as misérias físicas e morais estão se tornando insuportáveis, abramos a nossa caixa de Pandora e deixemos sair dela a grande esperança: Jesus!
 * * * 
RAUL TEIXEIRA
Não há mal que dure para sempre. O deserto de Atakama, o mais árido do mundo, situado no Chile, ao receber as primeiras gotas de água refrescante, após quase um século sem chuvas, em pouco tempo fica recoberto de lindas flores multicoloridas. Assim também acontece com as almas mais empedernidas. Ao se abrirem para receber os primeiros raios do sol das almas, Jesus, mudam a paisagem ressecada, para se tornarem campos floridos, espalhando bênçãos por onde passem.
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A esperança, proferida por Raul Teixeira em Guaraniaçu - Pr. Em 6.2.2012.

terça-feira, 1 de março de 2016

CÃES DE GUARDA

O cão tem sido, ao longo do tempo, apresentado como companheiro do homem, exemplo de fidelidade. O mundo pôde ver a cadela Baltique, da raça Labrador, acompanhar fielmente o enterro do seu dono, o Presidente da França, François Miterrand. Raras são as crianças que não têm um cãozinho para brincar. Um Poodle, Bassê, um simples vira-lata. Alguns cães têm uma infinita paciência. A criança os puxa, aperta, abraça, dá ordens. Andam no triciclo com o menorzinho da casa, passeiam no carro com o patrão. Alguns se submetem a virarem um tipo de boneco e se deixam colocar nos carrinhos de bebês, como se bebês fossem, participando da brincadeira de faz de conta. As crianças os chamam de seus filhinhos e falam com eles, crendo que tudo entendem. São famosas as histórias, imortalizadas nas telas do cinema e da TV, de cães que deram sua vida na defesa do ser humano. Dos que morrem tristonhos sobre os túmulos dos seus donos. Dos que, treinados, conduzem cegos, salvam vidas nos incêndios, nos terremotos, na neve. O grande gênio Walt Disney criou um romance entre cães e até hoje nos encantamos com A dama e o vagabundo. Fofinhos, travessos, brincalhões, os cães de estimação não saem de moda. O que têm aumentado em número assustador são os cães de guarda. Não os bons e velhos cães de guarda, ao mesmo tempo companheiros fiéis dos seus donos. Uma outra classe bem diferente. Em nome da violência que invade os lares, as pessoas erguem muros altos, instalam alarmes, contratam vigias. E compram um cão de guarda, escolhido entre as raças mais agressivas. Alguns cães têm a mordida igual ao impacto de uma tonelada. Os treinadores e os criadores afirmam que cães bem criados não atacam pessoas inocentes. Dizem que um cão de guarda é dotado do dom de diferenciar a voz de um criminoso da de um homem bem intencionado. Com isto cresce não somente a procura por cães sempre mais agressivos, mas também os treinamentos a cada dia mais violentos. Os cães se transformam em verdadeiras armas de guerra. Um animal com instinto agressivo apurado por uma série de cruzamentos e submetido a treinamentos que o condicionam à violência, pode ser controlado durante muito tempo. Mas não durante todo o tempo. Assim, crianças e adultos, vez ou outra, são apanhados de surpresa e recebem mordidas de arrancar orelhas, quebrar ossos, traumatizar para o resto da vida.
 * * * 
Muitos de nós temos uma fera em nosso interior. Chama-se temperamento. Muitos desenvolvemos essa ferocidade, educando-nos para agredir, ferir, destruir. Transferimos para os animais essas disposições, através de treinamentos e exigências. Um dia, de repente, tais disposições poderão se voltar contra o próprio cultivador e despedaçar-lhe a vida. Precaução, sim. Prudência. Medidas de cautela. Contudo, se confiarmos nossa segurança a um cão treinado para a agressão, teremos que nos responsabilizar pelos seus atos perante a Lei de Deus e dos homens. É que temos sob nossa guarda os animais, que foram colocados por Deus, no mundo, para nos auxiliar. Se os transformamos em assassinos potenciais, agressores, estamos interferindo nas Leis naturais. Por vezes, uma pequena negligência ou o despreparo para lidar com tais cães, pode permitir que eles firam pessoas. A responsabilidade é sempre dos donos pela infelicidade ou dor que causarem a terceiros. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo publicado na r evista Veja, de 17.01.1996 e no cap. 24 do livro Panoramas da vida, pelo Espírito Ignotus, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 05.12.2009.