quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O BENEFÍCIO DOS REENCONTROS

Existem pessoas que se dizem religiosas, mas fazem a ressalva de que o são à sua maneira. 
-Não costumo ir à Igreja. - diz um. 
-Não frequento o Centro Espírita. - diz outro, e complementa: Mas eu creio em Deus, estudo, leio, faço as minhas orações.
A respeito dessa questão, o frequentador de uma Igreja escreveu para o editor de um jornal, reclamando que não fazia sentido ir à Igreja todos os domingos. 
-Eu tenho ido à Igreja por uns 30 anos, - ele escreveu - e durante esse tempo eu ouvi uns três mil sermões. Mas, por minha vida, eu não consigo lembrar de nenhum deles... Assim, eu penso que estou perdendo meu tempo e os padres e os pastores estão desperdiçando o tempo deles pregando sermões. 
Essa carta iniciou uma grande controvérsia na coluna de cartas ao editor, para prazer do editor-chefe do jornal. Por semanas, ele recebeu e publicou cartas sobre o assunto. Então, alguém escreveu: 
-Eu estou casado há 30 anos. Durante esse tempo, minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Mas, por minha vida, eu não consigo lembrar do cardápio de nenhuma dessas 32.000 refeições. Contudo, de uma coisa eu sei. Todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para fazer o meu trabalho. Se minha esposa não tivesse me dado essas refeições, eu estaria, hoje, fisicamente morto. Da mesma maneira, se não tivesse ido à Igreja, para alimentar a minha fome espiritual, eu estaria hoje, morto, espiritualmente. 
* * * 
O escritor, cuja carta encerrou a discussão a respeito do assunto de frequência ou não ao templo religioso, utilizou um excelente argumento. Trouxe à memória das pessoas que, quando se vai ao templo, seja a Igreja, a Sinagoga, o Centro Espírita, o que seja, somos agraciados com algo muito especial. Primeiro, com a riqueza imediata do reencontro com os companheiros que comungam da nossa mesma crença religiosa, que se pautam pelos nossos mesmos valores ético-morais. São amigos, companheiros de atividades que nos abraçam, sorriem, ofertando-nos o seu afeto... que nos sustenta. Quantas vezes chegamos tristes, um tanto desalentados por dificuldades que nos atormentam e esses amigos desanuviam a nossa psicosfera individual com suas presenças. Depois, a mensagem do dia que nos alcança, pela boca do padre, do pastor, do coordenador de estudos, permitindo-nos reflexões sempre renovadas. Reflexões que farão toda a diferença em nossa vida. E, enquanto nos é oferecido o ágape para o intelecto, o sentimento, através da exposição oral, do sermão, da palestra, somos envolvidos pelas generosas bênçãos espirituais. Sim, nosso Mestre e Senhor sempre Se faz presente e nos envolve em luz, em harmonia. Afinal, Ele preconizou que onde houvessem dois ou mais reunidos em Seu nome, ali Ele estaria. E Ele próprio, enquanto na Terra, inaugurou esses encontros e reencontros de bênçãos, reunindo-Se com os apóstolos, com os amigos, com os que O buscavam, para as elucidações a respeito do reino que Ele vinha fundar no coração dos homens. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto colhido da Internet, intitulado Porque ir à Igreja, sem menção a autor. Em 01.10.2009.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O BENEFÍCIO DA VERDADE

Clark Gable
Ele era um ídolo do cinema americano. Onde sua presença fosse anunciada, em avant-première ou qualquer outro evento, compareciam as multidões. No lançamento de um de seus mais famosos filmes, foi recepcionado, no aeroporto, pelo dobro de pessoas que habitavam a cidade. Um fenômeno. Representava na tela o ideal de muitos corações femininos: o homem que sabia amar, que enfrentava perigos, que defendia pessoas, mesmo que alguns dos seus papéis demonstrassem uma certa agressividade ou até desonestidade. Foi laureado pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, com a estatueta de melhor ator, por duas vezes, na década de 1930. Iniciando sua carreira no teatro, foi no cinema que verdadeiramente conquistou fama e sucesso. Pois esse ator, como todas as pessoas que vivem sobre a Terra, passou por dores profundas. Em 1939, depois de mais um divórcio, parecia que ele encontrara o grande amor de sua vida. O casal passou a viver no rancho de sua propriedade e desfrutavam do prazer da convivência um do outro, entre os tumultos das próprias carreiras. Chamavam-se carinhosamente um ao outro de mãe e pai. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele chegou a se alistar e participou de quatro missões na Força Aérea Americana. E Carole Lombard, sua esposa, participou da campanha pelos bônus de guerra. Desejando retornar para junto do marido com maior rapidez, em vez de seguir pela via férrea, ela tomou um avião. Nunca chegaria aos braços do marido. No dia 16 de janeiro de 1942, o avião bateu no Monte Potosi, em Nevada, nos Estados Unidos e morreram todos os 22 passageiros e tripulantes a bordo. A causa do acidente não foi revelada mas sabe-se que o avião voava fora do curso. E, para economizar energia, dado o período de guerra, as balizas de sinalização da área estavam apagadas. Clark Gable, o grande ator, entrou em um período de dor, talvez revolta, não conseguindo administrar emocionalmente a perda da esposa. Entregou-se ao vício do álcool e, andando pela casa, era ouvido a indagar: Por que, mãe? Por quê? A partir daí, a bebida se lhe tornou companheira por largo tempo, e talvez tenha contribuído para ele partir desse mundo, em plena madureza, aos 59 anos. O que ressalta disso tudo é como se faz difícil, para quem não tem conhecimento da vida espiritual, da vida além desta vida, conseguir assimilar a partida de um ser amado. Lembramos que Jesus afirmou que conheceríamos a verdade e a verdade nos libertaria. Sim, para quem conhece a verdade, a Imortalidade do Espírito, a morte não assume o aspecto de surpresa. Quem já aprendeu a verdade de que somente nos encontramos na Terra por um breve tempo, que a vida material é passageira, mas que todos sobrevivemos a ela, tem a dor da separação amenizada. Sofre pela ausência física do seu amado. Mas guarda a certeza de que ele vive, que o amor não morre nunca e que, em breve, o reencontro se dará porque chegará a nossa vez de retornarmos à Casa do Pai. Pensemos nisso e nos ilustremos nessas verdades anunciadas, desde épocas imemoriais, por muitos arautos da Imortalidade. Mas, especialmente, da forma mais lúcida e exemplar, pelo Excelso Rabi da Galileia. Lembremos: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Libertará da dor maior, do sofrimento insano, da incerteza, da desesperação, acendendo luzes de esperança no céu da saudade. 
Redação do Momento Espírita, com dados biográficos do ator americano Clark Gable. Em 21.02.2011.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A BENÉFICA INFLUÊNCIA DA MÚSICA

Teppo Sarkamo
No mês de março de 2008, a revista científica Brain divulgou um estudo realizado por cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, com pacientes que sofreram derrame cerebral. Sessenta voluntários participaram da pesquisa, divididos em três grupos. O primeiro, formado por pacientes que foram expostos à audição musical, por duas horas diárias. O segundo, por pacientes que ouviam livros–áudio. O terceiro grupo não ficou exposto a nenhum tipo de estímulo auditivo. Após três meses, os cientistas observaram que a memória verbal melhorara 60% entre os pacientes que ouviam música, comparado com apenas 18% do grupo dos livros-áudio e 29% entre os pacientes que não receberam estímulos auditivos. A pesquisa demonstrou ainda que os pacientes que ouviram música, durante a recuperação, revelaram uma melhora de 17% na concentração e na habilidade de controlar e realizar operações mentais e resolver problemas. Teppo Sarkamo, que liderou o estudo, disse que a exposição à música durante o período de recuperação estimula a atividade cognitiva e as áreas do cérebro afetadas pelo derrame. Além de ajudar a prevenir a depressão nos pacientes. A notícia é alvissareira e demonstra que, a cada dia, o homem avança no conhecimento, ampliando seus conceitos. Que cientista conceberia, em anos recuados, que a arte poderia auxiliar a recuperação do cérebro humano? Os que acreditam no Espírito, os artistas, os estetas, mais de uma vez sentiram o êxtase ao ouvirem determinadas peças musicais e falaram de suas propriedades. A respeito da ação da música, em março de 1869, o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec estampou, em sua Revista Espírita, uma página mediúnica, assinada pelo consagrado Rossini. O compositor italiano Gioachino Antonio Rossini, autor de música sacra, de música de câmara e de trinta e nove óperas, dentre elas as célebres O barbeiro de Sevilha e Cinderela, escreveu: A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. A harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa. Tal sentimento existe num certo grau, mas se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado. A música exerce uma influência feliz sobre a alma. E a alma, que concebe a música, também exerce sua influência sobre a música. A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e de comovê-las. Por fim, diz o compositor que moralizando os homens, o Espiritismo exercerá grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão suas virtudes, fazendo ouvir suas composições. 
* * * 
Utilizemos a música em nossa vida. A música que emociona, que eleva. Não há necessidade de se ouvir somente música erudita, clássica. Há tantos compositores populares, de tantos países, com músicas belíssimas, que encantam e extasiam os que as escutam. Busquemo-las e deixemos que nossa alma cresça, enchendo-se de sons, de harmonia, de beleza. 
Redação do Momento Espírita, com base em notícia colhida no Boletim SEI nº 2121 e no artigo Dissertações espíritas, da Revista Espírita, março de 1869, ed. FEB. Em 27.9.2013.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

BENDITA PÁTRIA

Luiz Marins
É lamentável a depreciação que os próprios brasileiros fazem do Brasil. Parece que uma onda de pessimismo varre o país de norte a sul. E o que mais e mais se ouve, se lê e se assiste são frases pessimistas e cheias de ranço. No entanto, os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para falar bem do Brasil e bons motivos para enaltecer nossa bendita Nação. Segundo dados fornecidos pela Antropos Consulting, o Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de vinte e quatro horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de quarenta por cento do mercado na América Latina. No Brasil temos catorze fábricas de veículos instaladas e outras quatro se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma. Das crianças e adolescentes entre sete e catorze anos, noventa e sete vírgula três por cento estão estudando. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com seiscentos e cincoenta mil novas habilitações a cada mês. Na telefonia fixa, nosso país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas. Seis mil, novecentas e noventa empresas brasileiras possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México são apenas trezentas empresas e duzentas e sessenta e cinco na Argentina. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos. Por que temos esse vício de só falar mal do nosso Brasil? Por que não nos orgulhamos em dizer que nosso mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de cincoenta mil títulos novos a cada ano? Que temos o mais moderno sistema bancário do planeta? Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais? Por que não falamos que somos o país mais empreendedor do mundo e que mais de setenta por cento dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários? Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo? Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados? Porque não nos lembramos que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos estrangeiros, gesticula e não mede esforços para atender bem o turista? Por que não nos orgulhamos de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando? É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito país, que possui a magia de unir pessoas de todas as raças, de todas as religiões, de todas as cores... Bendito país que sabe entender todos os sotaques... Bendito país que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida Pátria chamada Brasil!
Redação do Momento Espírita com base em dados extraídos de matéria de Luiz Marins, Ph.D, diretor da Antropos Consulting, publicada no jornal Gazeta do Povo, de 07.09.2001. Em 10.03.2011.

domingo, 10 de janeiro de 2016

BENDITA DOR

LÉON  DENIS
Vivemos na Terra a existência necessária ao crescimento do Espírito imortal que somos. A luta que nos chega é um mecanismo que nos ensina e edifica. Em certos momentos da nossa caminhada, encontramos algum tipo de sofrimento, independente da posição social que ocupamos, do poder econômico ou do grau de evolução moral no qual nos encontramos. Mas, poucos temos consciência de que as dores bem suportadas nos conduzirão ao reino de Deus. Não que devamos ansiar por tristezas nem desconfortos, pois a felicidade é sempre desejada. Contudo, se Deus nos enviar para a luta, não desanimemos, agradeçamos e sigamos em frente. Aceitemos o problema que nos chega com uma atitude corajosa para enfrentá-lo, nos tornando capazes de buscar a sua solução. Essa é a resignação dinâmica que Deus espera que tenhamos. Diante do sofrimento, a resignação pelo amor é uma virtude que devemos desenvolver em nós. Ela é o resultado da confiança em Deus, acrescida à coragem para a luta. A dor provoca em nós uma ação misericordiosa e se soubermos observar o nosso íntimo, veremos que ela nos educa e nos impulsiona ao aperfeiçoamento. Embora os problemas, muitas vezes, nos pareçam desafiadores e insolúveis, não coloquemos sobre o olhar o peso da tristeza. Busquemos revestirmo-nos de ânimo e tranquilidade. A dor física é, em geral, um aviso da natureza. Ela nos alerta que algo não vai bem em nosso corpo e que alguma providência deverá ser tomada no sentido de buscar um tratamento ou modificar um hábito não salutar. Saibamos ver a dor que se apresenta, de forma leve e construtiva. Não nos fixemos nela como se fosse o foco principal de nossas vidas. As dores no mundo assumem a importância e adquirem o valor que nós lhes atribuímos. Uma grave doença pode ser encarada como uma bênção, se vivida por um Espírito confiante em Deus, pois esse irá considerá-la como um elemento purificador. De outro modo, algum leve incomôdo pode ser considerado um verdadeiro infortúnio, se vivenciado por uma alma que vive distante da sintonia com as Leis Divinas. Agradeçamos ao Pai que nos envia a dor e façamos dela oportunidade de redenção. Bendito será o dia em que aprendermos a amar as dores que nos chegam. Todas as criaturas de Deus estão destinadas à glória, mas somente serão completamente felizes quando alcançarem a perfeição. Por isso pôs Deus, nesta terra de aprendizagem, ao lado das alegrias raras e fugitivas, dores frequentes e prolongadas, para nos fazer sentir que o nosso mundo é um lugar de passagem e não o ponto de chegada. Gozos e sofrimentos, prazeres e dores, tudo isto Deus distribuiu na existência como um grande artista que, na tela, combina a sombra e a luz para produzir uma obra prima. 
Redação do Momento Espírita, com pensamentos finais do cap. XXVI, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. Feb. Em 14.06.2012.

sábado, 9 de janeiro de 2016

AS BÊNÇÃOS DE DEUS

JOANA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Conta antiga história popular que, certa vez, um modesto trabalhador da terra encontrava-se no trato de sua gleba, arando o terreno, em um amanhecer de beleza arrebatadora. Acercou-se, então, um indivíduo muito bem vestido e, envolvido na soberba e na arrogância dos seus saberes, perguntou ao humilde lavrador: 
-Camponês, tu crês em Deus? 
-Sim, senhor, eu creio em Deus. - Respondeu-lhe simplesmente. 
-Então, retornou o materialista convicto, podes me mostrar um lugar onde Deus se encontra? 
E sorriu sarcástico. O homem simples olhou em volta, enquanto se apoiava no cabo da enxada. Depois, com naturalidade, respondeu: 
-Senhor, eu não sou capaz de mostrar um lugar onde Deus se encontra nesta paisagem de luz. No entanto, - continuou - eu peço ao senhor para me mostrar um lugar onde Deus não esteja. 
Tomado de espanto, o soberbo afastou-se desconcertado. 
* * * 
Assim se dá conosco. Quantas vezes, perante as coisas da vida, não nos damos conta dos presentes de Deus, de Suas obras a nosso serviço, a nos sustentar as necessidades da vida. Poucas vezes nos apercebemos de que mesmo nosso corpo, de que nos cremos proprietários, é obra de Deus, que no-lo empresta, para que a vida física se faça com a finalidade do nosso progresso. Os filhos, os amores, as lições de aprendizado no dia-a-dia, tudo é bênção de Deus que nos oferta, como Pai amoroso preocupado com as necessidades de Seus filhos. Deus Se encontra em toda parte, em toda a Sua obra. Desde a sinfonia dos astros, no espaço infinito, até o acelerado ritmo das micropartículas, na intimidade do átomo. É natural que, a cada época da Humanidade, conforme o desenvolvimento intelectual e moral, o ser humano busque entender Deus e O compreenda exatamente conforme suas capacidades de entendimento. Porém, à medida que vamos galgando conquistas morais e intelectuais, dilatam-se nossa percepção e entendimento da presença Divina, que envolve a tudo e todos sob Suas bênçãos. Será essa percepção da alma que nos levará a, naturalmente, louvar e agradecer a Deus, por tudo que Ele nos oferece. Será a partir daí que sintonizaremos com a Divindade, a fim de pedir Sua ajuda frente às provas naturais da vida, assim como para melhor nos integrarmos na harmonia da Criação. Assim, cabe-nos buscar perceber a presença de Deus em nossa vida. Nas dificuldades, nos dias mais intensos, será Deus o amparo e o sustento em nossas dores. Nas conquistas e nos dias de felicidade e paz, será Deus a companhia e o esteio, rejubilando-Se conosco pelas nossas vitórias. Aprofundar nossas reflexões em torno de Deus e Suas bênçãos é exercício diário que compete a cada um de nós. Só assim o nosso proceder será o do filho em gratidão, que compreende que todas as coisas que provêm do Pai são sempre na medida de nossas necessidades e capacidades. Assim procedendo, jamais a revolta ou a descrença em Deus, frutos da imaturidade espiritual, terá guarida na intimidade de nossa alma. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Entrega-te a Deus, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Intervidas. Em 20.05.2011.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A BÊNÇÃO DO TRABALHO

O trabalho é uma lei natural. Da mesma forma que a alimentação e o sono, ele é imprescindível para uma vida equilibrada e saudável. A necessidade de laborar constitui um precioso auxiliar do progresso. Ao movimentar seu corpo e sua inteligência para atingir um objetivo, o homem aprimora-se. No setor profissional a criatura vê-se obrigada a certas disciplinas que depois carreia para os demais setores de seu viver. Em sua profissão, a pessoa precisa observar horários, ser gentil e cordata, acatar determinações dos superiores. Essa disciplina, com o tempo, burila os aspectos mais ásperos da personalidade. A obediência gradualmente vai reduzindo o âmbito de atuação da vaidade e do orgulho. A pontualidade torna-se um saudável hábito, que evidencia respeito pelos semelhantes. A gentileza, a princípio forçada, lentamente torna-se um modo de ser. A inteligência, ao concentrar-se na solução de específicos problemas, ganha novo brilho e expande-se. Assim, sob os aspectos intelectual e moral, o trabalho é uma bênção. Mesmo quem possui fortuna, necessita trabalhar como um imperativo de equilíbrio. É que o desempenho de um ofício dá ao homem a possibilidade de ser um elemento útil na sociedade. Essa sensação de utilidade faz bem ao ser humano, permitindo-lhe vislumbrar uma finalidade maior em sua existência. Contudo, muitas pessoas consideram o trabalho como se fosse um castigo. O final de semana é aguardado como uma libertação, ao passo que a segunda-feira é amplamente lastimada. Grande contingente de homens deseja aposentar-se o mais cedo possível. Eles não se preocupam se com isso se tornarão pesados para a sociedade, por inúmeras décadas. No anseio de livrar-se do dever de trabalhar, contam em anos, meses e dias o tempo que falta para sua aposentadoria. Tal modo de pensar e sentir evidencia uma percepção equivocada do viver. A vida não possui como objetivo o descanso. Descansar de forma periódica e temporária é necessário para a restauração das forças. Mas a finalidade da vida é o aperfeiçoamento contínuo, proporcionado pela utilização dos próprios talentos na construção de um mundo melhor. Ao tornar-se inativo, todo organismo vivo tende para a decrepitude. O movimento e a atividade garantem a manutenção do vigor. O problema é que muitos se equivocam na escolha de suas atividades. A ganância frequentemente faz com que a profissão seja escolhida mais pela boa remuneração que proporciona do que pela vocação. Ocorre que desempenhar voluntariamente uma atividade de que não se gosta, podendo-se optar por outra, constitui um enorme peso colocado sob os próprios ombros. O trabalho não se destina somente a garantir a sobrevivência. Ele também deve proporcionar satisfação íntima. É o que se dá quando alguém sabe que faz bem algo de que gosta e que possui utilidade para os outros. Mas mesmo quando não se ama a profissão exercida, é possível desempenhá-la com competência e boa vontade. Basta que o profissional sinta que está fazendo sua parte na construção de um mundo melhor. Que ele vislumbre a importância do que faz para a harmonia do meio social em que se insere. Assim, ame o seu trabalho. Considere-o uma bênção que o auxilia a ser melhor a cada dia. 
Redação do Momento Espírita. Em 11.05.2009.