domingo, 18 de outubro de 2026

A DOR DA AUSÊNCIA

A dor da ausência costuma ter o peso dos momentos que deixamos de conviver. 
Quando alguém que amamos parte para a pátria espiritual, a casa da alma silencia e o pranto revela o amargo sabor do arrependimento. 
É o choro doloroso de quem teve a oportunidade preciosa de compartilhar coisas belíssimas com aquele afeto, mas permitiu que a iludida correria dos dias roubasse o tempo que não mais voltará. 
Quantas vezes o convite feito em forma de um sorriso entusiasmado para mais uma viagem pelas estradas poeirentas teve como resposta a negativa? 
Furtamo-nos a seguir ao seu lado por caminhos simples, perdendo a alegria de admirar, em sua companhia, o espetáculo sem igual do pôr do sol.
Ou um céu coalhado de estrelas no meio do campo, longe das luzes da cidade. 
Deixamos de contemplar juntos a linha indefinida do horizonte, lá onde as montanhas parecem agulhas desejando espetar o céu azul. 
Uma poesia tão diferente da praia, onde o horizonte é definido com clareza e precisão pelo encontro entre o céu e o mar. 
Na praia, a vastidão é um traço contínuo. Na montanha, é o desejo da Terra em tocar o divino. 
Como teria sido abençoado testemunhar esse toque de mãos dadas! 
Agora, restam os ecos das ligações telefônicas, das mensagens de whats e o brilho frio das fotos no celular. Imagens de lugares maravilhosos que ele visitou, paisagens que ele admirou e que observamos com os olhos marejados, desejando haver estado lá para compartilhar o mesmo encanto. 
A Doutrina Espírita nos consola ao ensinar que a morte não é o fim, mas apenas uma mudança de endereço da alma.
Aquele que partiu continua vivo em outra dimensão e não está insensível aos nossos sentimentos. 
Por isso, o remorso não deve se transformar em uma algema que paralisa o coração, mas em um convite ao despertamento espiritual. 
Se a oportunidade de caminhar juntos na matéria passou, o tempo do amor e da comunhão permanece intocado. 
O arrependimento sincero pode se converter na prece afetuosa do hoje. 
O pensamento, fluido intangível da alma, atravessa as dimensões e alcança o ser amado onde quer que ele esteja, envolvendo-o em um abraço de paz e pedido de perdão. 
Que as lágrimas trazidas pela saudade nos ensinem a não mais adiar a convivência com aqueles que ainda caminham conosco. 
Que desaceleremos os passos, aceitemos os convites e jamais recusemos a chance de contemplar belezas ao lado de quem amamos. 
Olhemos ao nosso redor e desfrutemos cada minuto precioso da vida com nossos amados. 
Aprendamos a eleger o primordial, o mais importante. 
Um entrelaçar de mãos, um repousar a cabeça no ombro do outro, o acompanhar os esforços de quem deseja se laurear nas ciências, nas artes, ou em algum torneio esportivo.
Estejamos presentes, sorrindo, torcendo, gritando o nome amado para que saiba que estamos vibrando. 
Que deixamos os afazeres de sempre para estar ali. 
Porque ele, filho, cônjuge, amigo é importante. 
Muito importante para nosso coração. 
Não deixemos para falar sobre lápides frias ou em despedidas tristes. 
Este é o melhor dia para estar com quem amamos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.10.2026

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