domingo, 4 de outubro de 2026

NECESSÁRIO E SUPÉRFLUO

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Quando o homem se aproxima do Evangelho são muitas as perguntas que passa a se fazer. 
Por vezes, a consciência lhe diz que deve tomar certas atitudes e abrir mão de outras. 
Em certos momentos, a mensagem parece estabelecer conflitos com a realidade que vive. 
Tal se dá, por exemplo, no que diz respeito ao que seja necessário ou supérfluo. 
Qual será o ponto exato em que termina um e começa o outro? 
Viajar será supérfluo? 
Possuir vários calçados e roupas será errado? 
Permitir-se o lazer e gastar algum dinheiro com ele será supérfluo? 
Lembramo-nos de Madre Teresa de Calcutá. 
Ao ser convidada a receber o Prêmio Nobel a que fez jus, ela pediu permissão para dispensar o banquete, pois preferia que a importância a que seria gasta com ele lhe fosse dada para os seus pobres. 
Afirmou, então, que duas colheres de arroz eram suficientes para sua alimentação. 
Para vestir-se, dois sarís era o que tinha.
Para sua mente, estava bem claro o que lhe era necessário e o que considerava supérfluo. 
Convenhamos, entretanto, que necessitamos nos apresentar de acordo com as funções e a profissão que exercemos.
Dependendo da profissão, não será supérfluo manter um guarda-roupa razoável, que nos permita comparecer aos locais com a vestimenta adequada, se isso for necessário.
Supérflua será a ostentação vaidosa de trajes e grifes. Alimentarmo-nos é necessário e cada um de nós tem sua cota estabelecida pelo seu próprio organismo. 
Ele nos diz o limite do necessário. 
Quando desvirtuamos as nossas necessidades alimentares, permitindo-nos a gula, criamos necessidades artificiais e caímos no supérfluo. 
Talvez uma boa medida do necessário e do supérfluo possa nos ser dada pelo nosso guarda-roupa. 
Quando as roupas forem tantas que o armário já não as consiga guardar, quando ao abrirmos as suas portas caem várias peças, pois que não há mais espaço para as ajeitar, eis o supérfluo. 
Quando o mofo e as traças se apoderam dos nossos guardados, estão dizendo que há supérfluos pois se a necessidade ditasse o uso, calçados, bolsas, roupas não permaneceriam o tempo suficiente em gavetas e armários para servirem de alimento a traças e sofrerem a ação continuada da umidade. 
O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. 
Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. 
Desenvolvamos em nós o senso moral e o sentimento de caridade que nos permitem o acerto, repartindo o que sobra com quem tem pouco ou nada tem. 
Você sabia... ...que a busca do bem-estar pelo homem é um desejo natural? 
E que a procura do bem-estar só é indevida se esse for conquistado às custas de alguém ou colaborar para o enfraquecimento das forças físicas ou morais do homem?
O maior mérito para o homem é fazer o bem aos outros.
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.12.2012.

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