sábado, 25 de abril de 2026

O IMPULSO E O AUTOCONTROLE

No coração das montanhas do país de Gales, vivia o príncipe Aaron, um guerreiro respeitado, dono de vastas terras e de um tesouro verdadeiramente insubstituível: seu fiel cão de caça, Gélert. 
Gélert era conhecido por todos: grande, forte, atento a cada passo do dono. 
Mais do que um animal, era guarda, companheiro de batalhas e sombra inseparável do príncipe. 
Nada passava despercebido àquele cão de olhos vivos e faro aguçado. 
Certa manhã, Aaron partiu para a caça, deixando no castelo aquilo que tinha de mais precioso: seu filho pequeno. 
Ao lado do berço, como sentinela silenciosa, ficou Gélert, encarregado de proteger a criança. 
Horas mais tarde, quando o príncipe voltou, uma estranha quietude pairava no ar.
Ao entrar no quarto, encontrou o berço virado, o chão manchado de sangue. 
Gélert, ofegante, veio em sua direção, com o focinho e as patas manchadas de vermelho. 
O mundo de Aaron desabou num instante. 
Sem pensar, tomado pelo horror e pela certeza de que o cão havia atacado o próprio filho, ele desembainhou a espada.
Com um golpe, pôs fim à vida de Gélert, que caiu aos seus pés com um olhar de confusa lealdade. 
Aaron caiu no chão em lágrimas, sem entender a razão de toda aquela desgraça. 
Foi então que um som cortou o silêncio: o choro fraco de um bebê. 
Atrás do berço tombado, o príncipe encontrou o filho vivo, ileso, apenas assustado. 
Ao lado da criança, estendido no chão, jazia o corpo de um grande lobo, morto a dentadas. 
A verdade o atingiu como uma lâmina: Gélert não era o monstro, mas o herói. 
O sangue não era do menino, mas do inimigo que o cão havia enfrentado e vencido para salvar a criança. 
Consumido pelo remorso, Aaron tomou o corpo de Gélert nos braços e ordenou que fosse enterrado com honra, sob uma pedra marcada para sempre. 
Dizem que, a partir daquele dia, o príncipe nunca mais voltou a sorrir. 
Até hoje, conta-se, naquelas terras, a lenda do túmulo de Gélert, que ecoa como um aviso: algumas decisões tomadas por impulso não têm volta. 
***
Quantas vezes agimos por impulso e nos arrependemos segundos depois! 
Dominados por emoções que eclodem, que nos invadem e tomam conta de tudo, acabamos perdendo o controle, como se diz popularmente. 
-Eu me descontrolei! Não sei o que houve! 
É assim que falamos sobre o que não deveríamos ter falado ou feito e que nos trará consequências difíceis no futuro próximo ou distante. 
-Foi mais forte que eu! - Dizemos. 
É por isso que estamos nos educando diariamente. 
É por isso que o Mestre Jesus nos deixou exemplos tão claros. 
É por isso que a disciplina de pensamentos e o trabalho diário de autoconhecimento são tão importantes. 
Para que, quando cheguem momentos desconcertantes – e eles chegarão –, cada um de nós seja capaz de dominar as emoções, de pensar, de analisar as consequências desse ou daquele ato, e tomemos a melhor decisão. 
Esperemos um pouco antes de agir. 
Esperemos um pouco antes de falar. 
Autocontrole se treina, se educa diariamente. 
É uma faculdade magnífica quando conquistada. 
Redação do Momento Espírita
Em 25.04.2026

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