Se não opinamos sobre os assuntos do momento, sentimo-nos deslocados, desatualizados.
Até menos inteligentes.
Há um sentimento de que quem fala mais sabe mais, de quem tem opinião é mais inteligente.
E esses são vistos por nossa sociedade como os donos do pedaço.
Será que isso faz sentido?
Será que temos que dar nosso parecer sobre todo e qualquer assunto que apareça?
Qual o problema em dizermos:
-Desculpe, mas não estou a par deste tema. Desculpe, mas não estudei suficientemente sobre essas questões para poder emitir uma opinião segura.
Isso não é ser menor.
Demonstra humildade e sabedoria.
Os que falamos demais, os que falamos sobre aquilo que pouco sabemos, apenas por falar, muitas vezes somos simplesmente exibicionistas de plantão.
Falamos sem profundidade e nada sabemos além da superfície das ideias.
Queremos chamar a atenção para nós mesmos, para ganharmos likes ou visualizações.
Queremos exibir a nossa habilidade de entreter, de fazer piada com tudo, ou mesmo mostrar nosso estilo inconfundível de falar e falar, sem dizer nada.
É assim que caímos nas armadilhas da verdade.
Ouvimos parte da história, criamos nossos relatos, nossos julgamentos, fazemos nosso show e despejamos tudo para milhões.
Basta um dia, basta uma semana e tudo já está diferente.
As coisas não eram bem assim, novos fatos aparecem, fulano fala com beltrano e tudo muda.
Aí vêm as retratações.
Vídeos saem do ar.
Pedidos de desculpas.
Processos por difamação.
Tudo porque não seguramos a língua, tudo porque não esperamos o tempo certo das coisas.
Um mensageiro de bom senso escreveu uma observação muito pertinente:
-Observe que, do campo mental aos lábios, temos um trajeto claramente controlável para as nossas manifestações e, por isso mesmo, tão logo a ideia negativa nos alcance a cabeça, busquemos afastá-la.
Ele acrescenta que um pensamento pode ser substituído, de imediato, no silêncio do espírito, ao passo que a palavra solta é sempre um instrumento ativo de circulação.
Notemos a sutil observação: da mente aos lábios, temos um trajeto controlável!
Por isso, trabalhemos por tê-lo sob nosso domínio.
Esse é um belo sinal de inteligência, de esclarecimento.
Saber escolher o que dizer, quando dizer e não simplesmente irmos despejando o que nos vem à cabeça.
Cuidemos com a palavra.
Não há mal nenhum em, de forma prudente, dizermos:
-Não posso opinar sobre este caso.
Ou mesmo:
-Não gostaria de opinar sobre isso, pois não creio que seja necessário.
Cuidemos mais da nossa vida do que da dos outros.
Falar por falar não ajuda ninguém.
Espalhar o mal, espalhar o escândalo, apenas faz com que sejamos terroristas do pensamento, num mundo em que estamos precisando de paz.
Sejamos os que espalham as palavras de fraternidade, as boas notícias, os elogios, aqueles que buscam o entendimento entre as partes e nunca a dissensão.
O mal não precisa ser divulgado.
Sejamos os divulgadores dos planos grandiosos do bem.
Redação do Momento Espírita
Em 29.04.2026

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