segunda-feira, 25 de maio de 2026

PODERÍAMOS SER MELHORES

RAUL TEIXEIRA
Raul Teixeira narra, em oratória de profundas reflexões, episódio ocorrido consigo e que lhe conferiu sábia lição. 
Conta que foi a uma cidade e percebeu que, quando falava em determinada assembleia religiosa, os integrantes da outra instituição não compareciam. 
E vice-versa. 
Aquilo lhe causou estranheza. 
Como os lidadores do bem, os que se encontram vinculados a uma Instituição que tem por objetivo espalhar a semente da boa nova, podem ter esse tipo de comportamento? 
Ele mesmo se perguntou: 
-Como falarei de Cristo, de paz, de trabalho, de Evangelho no meio dos cristãos de mal um com o outro? 
Confessa que sofreu muito. 
Mas deu conta de todas as tarefas. 
De retorno à sua cidade, Niterói, chegou em casa, depôs a mala, sentou-se na cama e chorou. 
Descreve que a sensação que tinha era de quem enxugava gelo com pano quente. 
Para quem ele fora pregar? 
Recordou das palavras de advertência de Espírito amigo, que registrara: 
-Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! 
Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. 
-Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai! 
Angustiado, deixava que as lágrimas lhe lavassem a face, quando lhe apareceu o Espírito Camilo, seu benfeitor espiritual. 
Olhou profunda e demoradamente a Raul, que se sentiu como que radiografado. 
Então, lhe perguntou como se já não houvesse auscultado a alma do seu pupilo: 
-Por que você chora? 
Acabrunhado, Raul declinou as razões, extravasou toda sua tristeza. Quando concluiu, ouviu a voz do amigo: 
-Pois é, meu filho, e pensar que você já poderia estar longe de tudo isto. 
A frase chocou o orador. 
Mas deu-se conta de que aquilo valia mesmo para ele. 
E vale, igualmente, para nós. 
Essa é a realidade dos que sofremos com a injustiça, que nos martirizamos com a criminalidade, que nos sentimos violados em nossos direitos com a violência tranquilamente livre nas nossas sociedades. 
Poderíamos ter saído desse tormento, deste mundo aturdido em que nos achamos. 
Quantas vezes já ouvimos o chamado de Jesus. 
E, com tudo que ouvimos, que nos foi reprisado, ainda não nos unimos a Ele. 
Poderíamos não mais viver as situações tristes que vivemos.
Poderíamos ser melhores. 
E, se fôssemos melhores, o mundo seria melhor. 
Já viveríamos o mundo de regeneração, de menos dores e mais trabalho no bem. 
De menos maldade e maiores benefícios pela família humana.
Poderíamos estar vivendo a realidade crística: 
-Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.
Isso é possível, de forma mais rápida. 
Basta nos decidirmos pela sua concretização. 
Talvez, para acelerar nossa vontade, nos recordemos dos convites do suave nazareno: 
-Vem e segue-me. O meu jugo é suave e meu fardo é leve. Vinde, benditos de meu pai para o reino que vos tenho preparado. 
Redação do Momento Espírita, com narrativa extraída do curta Poderíamos ser melhores, disponível no @canalfep e citação do cap. XX, item 4 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 25.05.2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário