Acho que morrer é assim:
Deus, me passa no pontilhão?
A pé ou no colo?
No colo.
Você fecha os olhos
e quando abre já passou.
Não doeu nada.
* * *
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem?
-Não gosto de pensar sobre isso! – Dizem uns.
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros.
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. – Afirmam ainda alguns.
A morte é um fenômeno natural.
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro.
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo.
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma.
Como se dará a passagem para cada um de nós?
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um.
Pode não doer nada?
Pode sim.
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento.
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual.
Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte.
Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber.
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo.
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade.
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou.
Não doeu nada.
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea.
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual.
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela.
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida.
Fundamental cultivar o desapego.
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado.
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta.
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá.
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem.
O amor não é perdido.
As memórias não são perdidas.
Tudo que construímos não se perde.
Não nos preocupemos.
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda.
Deus nos carrega no colo, quando precisamos.
Ele faz isso constantemente, sem percebermos.
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida.
Redação do Momento Espírita com base em trecho da
obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record,
e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de
Allan Kardec, ed. FEB.
Em 09.03.2026.

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