O apedrejamento é uma das formas mais antigas e brutais de execução de que se tem registro na História da Humanidade.
No contexto bíblico e na sociedade judaica da época de Jesus, era reservado para crimes considerados gravíssimos, como o adultério, a blasfêmia ou a idolatria.
Recordamos que o jovem Estêvão, considerado o primeiro mártir da Boa Nova, foi apedrejado pela acusação de blasfêmia contra Deus e Moisés.
O ato não era apenas uma punição física, mas um ritual de exclusão comunitária.
Ao lançar pedras, a sociedade declarava que aquele indivíduo não era mais digno de habitar entre os vivos, transformando a execução em um espetáculo de dor lenta e humilhação pública.
Em algumas regiões do nosso planeta, continua vigente, qual um lembrete sombrio de como a intolerância pode se institucionalizar, ignorando a dignidade humana em nome de um julgamento implacável.
A Anistia Internacional tem desenvolvido campanhas para a abolição plena dessa penalidade e feito apelos diretos a países que utilizam ou preveem o apedrejamento para que abandonem essa prática.
No entanto, para além das pedras físicas que ferem o corpo, existe um apedrejamento simbólico que alguns enfrentamos diariamente.
Na arena social, as pedras são substituídas por palavras, olhares e silêncios punitivos.
Quando lançamos uma mentira em uma rede social ou um boato de corredor, isso funciona exatamente como um projétil.
Atinge o alvo com força e deixa marcas que, às vezes, levam anos para cicatrizar.
Talvez uma das pedras mais pesadas seja a do desprezo, especialmente quando direcionada às melhores intenções.
Dedicamos tempo, energia e amor em alguma ação benemérita e recebemos a crítica destrutiva ou o julgamento de quem nada faz.
Podemos chamar de apedrejamento da boa vontade, em que o esforço altruísta é tido como vaidade ou erro.
Suportar ser apedrejado psicologicamente exige uma força interior profunda. Jesus, ao confrontar os acusadores da mulher adúltera, trouxe a reflexão:
-Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.
Essa frase não apenas interrompeu uma execução física, mas desarmou o tribunal moral da época.
Dessa maneira, frente às pedras da calúnia e do desprezo que possam nos atingir no trabalho, na família ou na vida social, o desafio é não revidar com o mesmo peso.
Embora as feridas doam, elas não têm o poder de mudar quem somos, a menos que permitamos que o ódio do outro se torne o nosso próprio veneno.
Para lidar com o apedrejamento moral, especialmente quando ele vem de onde menos esperamos, como para nossos gestos de maior entrega, fortaleçamos nossa imunidade emocional.
E não percamos tempo em nossa defesa.
Gastar energia nos defendendo de calúnias infundadas apenas alimenta o conflito.
Deixemos que o tempo e a constância do nosso trabalho falem por nós.
As pedras que nos lançam, e que nos ferem, são as mesmas que, sob o solo da paciência, pavimentarão o caminho da nossa vitória moral.
Permaneçamos firmes no bem.
Redação do Momento Espírita
Em 21.03.2026

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