terça-feira, 31 de março de 2026

CONVIDANDO À VIDA

Elizabeth Barret Browning
A mãe de Elizabeth morrera quando seus onze filhos eram ainda pequenos e o pai passou a dirigir a família com rigor. 
De saúde delicada, Elizabeth vivia confinada em um sofá.
Isso lhe garantia direito a cuidados especiais, como ter um quarto somente para si e estar ao abrigo das fúrias do pai. 
Aos vinte anos, ela publicou seu primeiro livro de poesia. 
O pai gostava de ter um gênio doméstico. 
Algo que ele podia exibir, desde que continuasse sob sua autoridade controladora. 
No século XIX, um poeta não precisava frequentar salões para ser lido. 
Bastava enviar manuscritos a editores, manter correspondência e ter críticos interessados. 
Elizab eth fazia tudo por cartas, de sua própria casa. 
O poeta Robert Browning começou a escrever para ela como admirador de seus poemas. 
As cartas viraram amor intenso. 
Eles se encontraram às escondidas e, dois dias depois, ele lhe mandou uma carta transbordante de paixão. 
Vencendo os receios dela, ele conseguiu arrancá-la de seu quarto de doente e se casaram, em segredo, numa cerimônia discreta em Londres. 
Pouco depois, ela fugiu com o marido para a Itália, levando apenas o essencial. 
O pai jamais a perdoou e devolveu todas as cartas que ela lhe enviou, sem abri-las. 
O mais surpreendente é que, longe do pai, Elizabeth recuperou a saúde. 
Passou a andar, viajar, socializar e escrever com mais vigor.
Muitos biógrafos veem nisso um forte componente psicológico — a libertação emocional foi tão poderosa quanto qualquer remédio. 
Ela tinha quarenta anos e Robert era seis anos mais jovem.
Ele, literalmente, a convidou a viver. 
Ela se tornou uma mulher engajada em temas políticos e sociais. 
Em sua poesia, abordou a opressão dos italianos pelos austríacos, o trabalho infantil nas minas e fábricas da Inglaterra e a escravidão, entre outras injustiças sociais.
Embora isso tenha diminuído sua popularidade, Elizabeth continuou sendo ouvida e reconhecida em toda a Europa. 
Ela morreu em 1861, nos braços de Robert, em Florença. Ele nunca mais se casou. 
* * * 
Uma história de amor. 
Sobretudo um convite a viver. 
Robert era dessas pessoas maravilhosas e inesquecíveis, que convidam a viver. 
Pessoas desse naipe nos estimulam a desenvolver e aperfeiçoar tudo o que somos e tudo o que podemos ser. 
O convite à vida é o convite ao crescimento, a que sejamos nós mesmos e gozemos a bênção de estarmos vivos.
Vivemos quando somos honestos com nós próprios, autênticos nos nossos sentimentos e fiéis às nossas convicções. 
Vivemos quando amamos, quando nos interessamos pela vida dos outros, quando nos damos e preocupamos. 
Vivemos quando construímos e criamos, temos esperança, sofremos e nos alegramos. 
O mais importante é nos darmos conta de que podemos ser a pessoa que estimula outros a uma existência vibrante, cheia de esperança e amor. 
Podemos imitar aquele Mestre que foi ao encontro dos pescadores no mar da Galileia e lhes estendeu o mais audacioso convite: 
-Vinde e vos farei pescadores de homens. 
Todos conhecemos o resultado maravilhoso das suas adesões ao convite. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Elizabeth Barret Browning e no artigo Convite à vida, de Ardis Whitman, de Seleções do Reader’s Digest, de julho 1972. 
Em 31.03.2026

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