sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AMOR FRATERNAL

Erich Fromm
Os que nascemos em uma mesma família estamos unidos pelos laços de sangue que, no entanto, não configuram laços de amor necessariamente. 
Não é raro irmãos terem ciúme e inveja uns dos outros, criando dificuldades de relacionamento. 
Ou chegarem mesmo à agressão, à usurpação dos direitos e bens uns dos outros. 
Contudo, quando os laços afetivos existem, é comovedor observar a dedicação de alguns irmãos. 
Soubemos da história de uma garotinha de cinco anos de idade. 
Seu irmãozinho, de oito anos, foi diagnosticado com leucemia.
Exames, internamentos, quimioterapia. 
Tudo o que a medicina oferece aos portadores dessa enfermidade. 
erto dia, a mãe tomou a menina entre seus braços e explicou que o irmão ficaria num hospital, durante algum tempo. 
Ele precisava de um tratamento especial. 
Explicou também que, quando ele voltasse, ela não se assustasse porque, por causa do tratamento, ele teria perdido todo seu cabelo. 
Recomendou que ela não risse ou fizesse brincadeiras quando visse a carequinha do irmão. 
A menina ouviu com atenção e ficou calada. 
A mãe acreditou que ela não havia entendido bem. 
Dias depois, os pais foram buscar o garoto no hospital.
Quando o carro chegou na frente da casa, a garotinha olhou pela janela do primeiro andar e sorriu. 
Seu irmão estava de volta. 
Na cabeça, um boné vermelho. 
Correu para o banheiro, tomou a tesoura de sua mãe e concretizou o plano que estava em sua cabecinha, desde a conversa com a mãe. 
Pouco depois, desceu as escadas aos pulos. 
Abriu a porta no exato momento em que o irmão chegava. Ela o olhou por um segundo. 
Então, estendeu para ele as mãozinhas cheias de seus próprios cabelos. 
Ele olhou para a irmãzinha e viu que ela trazia os cabelos desalinhados, mostrando que os havia cortado, do jeito que pudera. 
Um lado mais curto do que o outro, as franjas tortas como se fossem degraus de uma escada mal construída. 
Ela não disse nada. 
Nem ele. 
Os pais observavam, atônitos. 
Então, o garoto tomou nas suas mãos os cabelos que a irmã lhe oferecia e, com um sorriso largo, tirou o próprio boné e colocou na cabecinha dela. 
Depois, ajoelhou-se e ambos se abraçaram longa e demoradamente. 
* * * 
Amor fraternal é a mais fundamental espécie de amor.
É a que alicerça todos os tipos de amor. 
Se desenvolvemos a capacidade de amar a um irmão consanguíneo, não podemos deixar de amar, na sequência, a todos os demais irmãos. 
O amor fraternal é o amor entre iguais. Iguais por sermos todos Espíritos, filhos do mesmo Pai. 
Iguais, na Terra, por estarmos na condição humana. 
Se pensarmos nas diferenças de talento, inteligência, conhecimento, veremos que são pequenas se compararmos com a identidade essencial, comum a todos nós. 
O amor é uma força ativa no homem. 
Uma força que irrompe pelas paredes que o separam de seus semelhantes. 
Que o une aos outros. 
Que o estimula a dar-se, numa extraordinária experiência de vitalidade e de alegria. 
Redação do Momento Espírita, a partir de cenas do vídeo Gesto de amor, de autoria desconhecida, e do cap. 2 do livro A arte de amar, de Erich Fromm, ed. Itatiaia. 
Em 30.01.2026

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