terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AS MUITAS PORTAS

A religiosidade é um sentimento que nos conecta ao Divino, aquece nossos corações e preenche nossas almas de paz. 
A busca por perfeição e plenitude a que estamos destinados, transcendendo o mero fato de existir, confere dinâmica e significado para nossas vidas. 
Desde que começamos a manifestar os rudimentos de consciência sobre nós mesmos e as coisas ao nosso redor, intuímos a existência de um Ser Superior. 
Esse sentimento, que nos é inato, provém das Leis Divinas insculpidas em nossa consciência. 
Por isso, jamais se encontrou um povo que não acreditasse num Ser Supremo, dotado de qualidades superiores. 
Nessa busca de união com o Criador, cultuamos a natureza e seus fenômenos: o sol, a lua, as estrelas, o raio, o trovão, as montanhas. 
Criamos muitos deuses, abraçando uma fase politeísta e mitológica, chegando, por fim, ao monoteísmo. 
No princípio, concebemos um Deus antropomórfico, ou seja, à nossa semelhança, detentor das nossas mesmas qualidades e defeitos. 
Somente com a vinda de Jesus fomos apresentados ao Deus Pai, ao Deus amor, soberanamente justo e bom. 
Exatamente esse Pai de amor, para facilitar que cheguemos a Ele, porque somos diferentes em intelecto e moral, nos oferece inúmeros caminhos. 
Ou, se preferirmos, múltiplas portas. 
Embora possam ter formatos diferentes, todas as que pregam o amor, a caridade, a humildade e o perdão nos convidam à conexão com o Divino. 
Para alguns de nós, a porta que mais nos toca o coração tem as cores da disciplina e do irrestrito cumprimento dos mandamentos da crença que abraçamos. 
Outros nos sensibilizamos com a filosofia, com a ciência, a fé raciocinada. 
Apreciamos os princípios que nos apresentam a multiplicidade das experiências corporais, a comunicação com os seres que partiram. 
Algumas crenças pregam a salvação pela graça; outras, pelo exercício da caridade - o amor em ação -, manifestado no contínuo esforço de autoaperfeiçoamento. 
Deus a todos acolhe, não importando a porta que adentremos para encontrá-lO. 
Ele lê o que está escrito em nossos corações mais do que ouve o que pronunciam nossos lábios, pois a estrada que a Ele conduz é pavimentada pelo bem que fazemos. 
* * * 
Façamos da nossa busca pela Divindade uma sinfonia de paz e fraternidade com todos os que estão ao nosso redor. 
Não permitamos que o preconceito de qualquer ordem nos prejudique a caminhada, junto a todos os demais filhos de Deus. 
Deus é único, misericordioso, justo e bom, e nos criou a todos para a mesma espetacular destinação: a perfeição. 
E, enquanto nos encontramos a caminho, atravessando portas variadas, rumando por estradas de Terra, bordadas de flores ou de cascalho ou sobre impecável tapete asfáltico, segue-nos com Seu olhar. 
Não importa em que idioma a Ele nos dirijamos, como o louvemos ou em que posição a Ele dirijamos nossas súplicas, a todos atende de igual forma. 
E a todos nos aguarda, como o Pai saudoso, estendendo o olhar na distância, para acolher todos os Seus filhos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.05.20

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