quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CONCRETIZANDO SONHOS

IRLAN SILVA
Haverá esperança para quem nasce no morro, na favela, em comunidades onde o que mais se fala e se vê é miséria, droga, violência? Poderá sonhar com um mundo diferente a criança que, ao abrir a janela, se depara com a pobreza, o tráfico, o banditismo? 
 * * * 
Foi no Natal de 2009, que o Brasil deu um raro presente ao Reino Unido. No canal 4, exatamente no dia 25 de dezembro, em horário nobre na TV aberta britânica, foi ao ar o documentário Only when I dance. Uma diretora inglesa desejou mostrar uma história das favelas, diferente de tráfico de drogas e violência. E encontrou Irlan Silva, bailarino clássico de apenas 19 anos, criado num dos morros mais violentos do Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão e atual integrante do prestigiado American Ballet Theatre. Esse jovem, além de talento, tem uma grande disposição para contornar obstáculos. Enquanto participa de concursos nacionais e internacionais de dança, ele segue as atividades escolares e anos de estudo de balé clássico no Centro de Dança Rio. Irlan teve que enfrentar, no início, a resistência que seu pai tinha em relação ao balé clássico. Resistência que cedeu quando ele assistiu ao primeiro espetáculo do filho e passou a apoiar o seu sonho de se tornar bailarino. Irlan é um fenômeno que tira o fôlego do espectador, especialmente quando dança Nijinski. Apresentando-se na Suíça, arrancou lágrimas de uma das juradas. O documentário Only when I dance mereceu do jornal americano The New York Times a comparação de Irlan a Billy Elliot da vida real. Irlan começou a estudar balé aos 11 anos e não mede esforços para triunfar no palco. Tem muita determinação para enfrentar as adversidades, com a cabeça erguida e postura de primeiro bailarino. Impõe-se uma disciplina espartana de aulas e ensaios, além de cuidar da alimentação e do corpo. Conta com o apoio da família mas venceu, sobretudo, graças à sua garra, à vontade firme de alcançar um sonho.
Mariza Estrella
e
Irlan Silva
E a uma mulher extraordinária, Mariza Estrella, fundadora e diretora do Centro de Dança Rio, uma escola que tem 450 alunos e 80 bolsistas. Ela é tia Mariza para os alunos de sua escola. Ela vibra com cada vitória de Irlan e de outros alunos tão extraordinários, como Thiago Soares, hoje primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres. Também investe, além de si mesma, carinho para com cada aluno. Ela é a grande incentivadora, experiente, mestra, tutora. Ela inscreve e acompanha os alunos nas principais competições de dança no Brasil e no Exterior. Não é raro contribuir com dinheiro do próprio bolso, custeando despesas de alunos de famílias pobres, que mais se destacam no circuito de concursos e festivais. * * * Nosso Brasil é verdadeiramente grande. Em extensão territorial e em coração. Coração como o de tia Mariza que auxilia crianças e adolescentes alcançarem o seu ideal, exportando para o mundo o que o Brasil tem de melhor: a sua gente. Pensemos nisso e verifiquemos como podemos contribuir, onde estejamos, para tornar realidade o sonho de um menino, uma menina, nossa gente brasileira. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Do Complexo do Alemão ao American Ballet, de Juliana Resende (Londres), publicado na Revista Época, de 4 de janeiro de 2010. Em 29.09.2010.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

CONCLUSÕES EQUIVOCADAS

Eram dois vizinhos que mantinham um bom relacionamento de amizade. Um deles comprou um coelho para os filhos. Logo, os filhos do outro vizinho também desejaram um animal de estimação. O pai lhes comprou um filhote de pastor alemão. A preocupação teve início. O dono do coelho achou que o cão poderia comer o seu animalzinho. O outro acreditava na boa índole e afirmou que o pastor era filhote. Bastaria que os animais fossem colocados juntos, aprendessem a conviver desde cedo e tudo daria certo. Eles seriam amigos. E por um tempo foi assim. Juntos cresceram e se tornaram amigos. Era comum ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes, com os dois animais. Certa sexta-feira, o dono do coelho resolveu viajar com a família. O animal ficou sozinho. No domingo à tarde, o dono do cachorro com sua família tomava um lanche quando, de repente, entra o pastor alemão com o coelho entre os dentes. O pobre animal estava imundo, sujo de terra, morto. Quase mataram o cachorro de tanto agredi-lo. Deram-lhe uma grande surra. Depois, veio o dilema: “o que fazer, agora? Afinal, o vizinho estava certo. O cão mataria o coelho.” Os donos do animal morto logo chegariam. O que fazer? Como consertar o estrago? Enquanto isso, lá fora, o cachorro chorava, lambendo os seus ferimentos. A grande dificuldade era como explicar para os filhos do vizinho o que acontecera com seu amado animalzinho. Então surgiu a de lavar o coelho, deixá-lo limpinho, secá-lo com o secador, arrumar bem o pelo e o colocar em sua casinha. Assim pensaram. Assim fizeram. Até perfume colocaram nele. Ao final, as próprias crianças disseram: 
-“Parece vivo! Ficou lindo.” 
Pouco depois, ouvem a algazarra da família ao lado chegando. As crianças gritam. O coração dos donos do cão batia forte e eles pensaram: pronto! Descobriram! Passados alguns minutos, o dono do coelho bate na porta, assustado. Parecia ter visto um fantasma. 
-“O que foi?” Perguntam. 
-“O coelho, o coelho... morreu!” Diz aquele. 
-“Morreu?” – inocentemente fala o pai da família dona do cão. “parecia tão bem hoje à tarde.” 
-“Morreu na sexta-feira!” – exclama o outro. 
-“Na sexta?” 
-“Foi. Antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal. Imagine que agora está lá na casinha, limpo, branquinho, reapareceu!” 
A história termina aqui. Não importa o que aconteceu depois. O que merece ser examinada é a situação do pobre cachorro. O pobrezinho, desde a sexta-feira, quando sentiu falta do amigo, começou a farejar. Finalmente, descobriu o corpo morto e enterrado. Com o coração partido, ele desenterrou o amigo de infância e foi mostrar aos seus donos. Talvez esperasse que eles o pudessem ressuscitar. E o que acontece? Pancadas e mais pancadas. Simplesmente porque expressava a sua preocupação com um amigo. Quase sempre procedemos assim em nossos relacionamentos. Julgamos os outros, sem antes verificar o que aconteceu de fato. É suficiente que suspeitas sejam levantadas contra alguém, e estamos prontos a nos afastar da pessoa. E até a comentar, continuar divulgando os fatos ouvidos. Tudo sem antes verificar se os fatos são verdadeiros, sem ir indagar daquele de quem se fala, o que, de verdade, está acontecendo. E assim velhas amizades são destruídas. Reputações são manchadas. Pessoas nobres recebem ingratidão. Tudo porque, quase sempre, tiramos conclusões precipitadas das situações e nos achamos donos da verdade. Pensemos nisso!
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

COMUNICANDO O AMOR AOS NOSSOS FILHOS

Dorothy Corkille
Você ama seus filhos, certo? Mas será que eles se sentem amados por você? Você ama seus filhos, mas será que da melhor forma que há de se amar? Saber comunicar o amor e aprimorar nossa forma de amá-los é fundamental para se construir uma relação saudável e ainda, para desenvolver nas crianças uma boa autoestima e autonomia. Esta comunicação pode se dar, inclusive, sem palavras. Vejamos um exemplo: A mãe “a” centraliza sua atenção em Pedro, e não na tarefa que está executando. Por exemplo, quando lhe dá banho, os músculos dela estão relaxados e sua atitude é brincalhona e suave. Há uma luz doce em seus olhos. Ela examina os pés gordinhos e enrugados, delicia-se com as suas reações ao pingar água sobre sua barriga. Quando Pedro balbucia, ela responde. Se ele espalha água com as mãos, vê a mãe reagir com uma risada e participar da sua brincadeira. Não há palavras, mas os dois estão se comunicando. Pedro sente e vê a receptividade dela. Não sabe que ele é um ser à parte, mas tem as primeiras noções de que é valorizado. A mãe “b” aproveita a hora da amamentação para ler. Seus braços o sustentam frouxa e indiferentemente. A atenção não se volta para o menino, mas para o livro. Se Pedro balbucia, ela não toma conhecimento. Quando ele se movimenta, os braços da mãe não colaboram. Se agarra a blusa dela, a mãe o faz soltar sem sequer olhar para ele. Pedro e a mãe não estão partilhando uma experiência. Na verdade, não há um encontro terno, humano, direto de pessoa para pessoa. A mãe é todo o mundo de Pedro naquele momento e suas primeiras experiências lhe ensinam que não merece atenção. Para ele, o mundo é um lugar muito frio no qual tem pouca importância. Podemos ver que Pedro teria uma série de impressões muito diferentes a respeito de si próprio, com a mãe “b” e com a mãe “a”. Se perguntássemos às duas, muito possivelmente ambas diriam que amam Pedro. Porém, qual delas estaria comunicando melhor esse amor? Qual delas estaria aproveitando melhor as potencialidades desse sentimento excelso? Da mesma forma, a superproteção, que pode ser lida como uma grande expressão de cuidado, de carinho, passa a mensagem ao filho de que ele não é competente. E não de que ele é muito amado. A superproteção reduz o auto-respeito, reduz a capacidade das crianças desenvolverem sua autonomia. São alguns pequenos exemplos de como podemos não apenas amar mais, mas também amar melhor, amar com sabedoria. Não deixaremos de lhes dizer sempre, é claro, como são amados, como são importantes para nós. Na construção de sua autoestima, esta certeza é fundamental. Porém, nossos gestos, nossas mensagens sem palavras, precisam acompanhar nossa fala. 
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Procuremos como pai, como mãe, como tutor, aprimorar-nos sempre nesta tarefa. Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe exemplar. Busquemos nas leituras, nos estudos, nas técnicas também, o auxílio que necessitamos para que possamos amar melhor. Que possamos levar a educação de nossos filhos a sério, como uma profissão: dedicando-nos a ela de corpo e alma.
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Autoestima de seu filho, de Dorothy Corkille, pt. 1, cap. 2, ed. Martins Fontes. Em 30.9.2014.

domingo, 11 de setembro de 2016

COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

HUMBERTO CAMPOS(IRMÃO X)
CHICO XAVIER
Algumas pessoas têm estranhos conceitos a respeito dos Espíritos. Acreditam que, após a morte, todos se tornam anjos de pureza e sabedoria. É comum se ter notícias de pessoas famosas. Muitos artistas que vêm dizer das suas atividades no mundo espiritual. Falam de garra, de luta. E as pessoas se deixam iludir. Não se dão conta do estilo de vida daquelas criaturas. E nem do gênero de morte. Temos ouvido elogios às mensagens de um ou de outro. Criaturas que, durante a vida física, se permitiram toda sorte de prazeres: álcool, fumo, sexo, drogas. Alguns até perderam o corpo de carne por suicídio indireto e direto. Porém, vem dizer que estão bem. Que continuam a compor, que está tudo legal com eles. Falam até em serem protetores de alguns dos seus fãs. A crermos serem verdadeiras tais mensagens, é de nos perguntarmos: Onde a justiça de Deus? Pois o homem de bem anda no reto dever a vida toda e estará bem no mundo espiritual. O inconsequente e leviano também? Vigilância! Bom senso! Não nos deixemos seduzir por tolices. A cada um será dado segundo as suas obras. A afirmativa é do Cristo. Vamos convir assim que os que na Terra dilapidaram o tesouro do corpo, se encontrarão no mundo espiritual doentes, necessitados de auxílio, confusos. Seres que necessitarão da Misericórdia Divina. De tempo para se equilibrarem. Nenhuma chance imediata de se tornarem anjos da guarda ou Espíritos guias. Falando das penas e recompensas, os Espíritos asseveraram: a felicidade dos Espíritos é sempre proporcional à sua elevação. Para os que delinquiram no mundo, as penas proporcionais: o avarento fica às voltas com coisas materiais, que já não pode gozar. O devasso com as orgias de que ainda deseja participar. O orgulhoso inveja as honras que não mais recebe. Enfim, cada um vive no mundo espiritual o que viveu na Terra. A morte a ninguém transforma. Seres angélicos só os que na carne serviram no bem, doaram-se e realizaram o que era bom. Os que cultivaram o belo, continuarão a fazê-lo. Os que criaram o desequilíbrio, a desarmonia, prosseguirão a fazê-lo. Um dia despertarão. Nesse dia, iniciarão seu curso para o reequilíbrio, que é sempre lento. Afinal, a natureza não dá saltos, não há varinha mágica para transformar um mau em bom, altruísta, benevolente. 
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Em 1969, o Espírito Irmão X entrevistou o Espírito de Marilyn Monroe. Ela morreu por ingestão de pílulas. Suicídio indireto, pois não buscava a morte. Só desejava dormir um pouco. Acerca dos seus planos para o futuro, falou: À condição de doente, quero melhorar. Em seguida, como aluna no educandário da vida, preciso repetir as lições e provas em que fali... Por agora, não devo e nem posso ter outro objetivo que reencarnar, lutar, sofrer e reaprender. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Estante da vida, pelo Espírito Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no cap. 2, pt. 4, de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. Em 7.11.2013.

sábado, 10 de setembro de 2016

COMUNICAÇÃO CONSTANTE

Gibran Khalil Gibran
No seu livro O profeta, Gibran Khalil Gibran fala da prece com grande propriedade: Vós rezais nas vossas aflições e necessidades; se pudésseis rezar também na plenitude de vossa alegria e nos dias de abundância... Pois que é a oração senão a expansão de vosso ser no éter vivente? E se vos dá conforto exalar vossas trevas no espaço, maior conforto sentireis quando exalardes a aurora de vosso coração. E se não podeis reter as lágrimas quando vossa alma vos chama para orar, ela vos deveria esporear repetidamente, embora chorando, até que aprendêsseis a orar com alegria. São considerações bastante oportunas. Estamos acostumados a utilizar a prece apenas como um último e desesperado recurso. Quando não se sabe mais o que fazer, a quem mais pedir socorro, suplica-se ao Pai por auxílio. Mas será essa a única função da prece? Ligar o homem a Deus em momentos de desesperança e de sofrimento? É claro que não. Por meio da prece entramos em sintonia com Deus e com os Espíritos Superiores que nos tutelam e acompanham na jornada terrestre. Esse contato é uma forma eficiente de comunicação em qualquer circunstância. Pedir, apenas, é uma maneira muito infantil de manter-se em contato com a Espiritualidade Superior. Agindo assim, comportamo-nos como aquela criança que apenas se lembra dos pais quando se fere e se encontra em dificuldades. Daí sai correndo, choramingando e pula, entre soluços, no colo dos pais em busca de consolo e de solução fácil e rápida para suas dores. Ainda somos crianças para Deus. Crianças que choram diante das contrariedades e que tentam barganhar vantagens por meio da prece. Pedimos ao Pai coisas absurdas e que em nada contribuiriam efetivamente para nossa felicidade. Queremos que nossas vidas sejam para sempre um mar de rosas, repletas de dias ensolarados e de prazeres constantes e renovados. Muitos pensam em Deus e lembram-se de orar apenas em momentos de sofrimento. Quando o vento frio do sofrimento, aliado à chuva da desdita nos toca o rosto de forma inclemente, aí então buscamos o colo do Pai, orando humildemente. Até então, corríamos felizes e despreocupados pelos vales floridos da vida, acreditando sermos capazes de realizar tudo e qualquer coisa sozinhos. Quando tudo está bem, imaginamos que a dor não nos tocará jamais. Por isso, displicentes, não estabelecemos contato com o Pai, pela prece. Esquecemos de agradecer pelo bem que usufruímos e pelas dádivas numerosas que nos são ofertadas diária e constantemente. Crianças que se creem autossuficientes. Seres que ainda precisarão da dor a tocar-lhes as fibras mais sutis da alma para se darem conta de sua pequenez e de quanto, ainda e sempre, necessitarão do amor e da bondade do Pai. 
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Faça da prece um meio de comunicação constante com o Criador. Não são necessários versos decorados, nem fórmulas especiais para estabelecer esse contato. É preciso apenas a vontade sincera e a concentração do pensamento no bem, para que a sintonia se realize. O Pai está sempre em contato conosco. Compete-nos perceber Sua presença e permitir-nos dividir com Ele todos os nossos momentos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A prece, do livro O profeta de Gibran Kalil Gibran, ed..Acigi. Em 14.09.2009.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

COM QUEM ESTÁ A SUA FELICIDADE?

Maria da Graça C.
 Mendonça
Quantos passamos a vida inteira colocando a nossa felicidade nas mãos, ou nos ombros dos outros. Quantos deixamos de viver a vida com a intensidade que ela nos pede, por declinarmos de nós mesmos. Quantos nos apresentamos tristes por acharmos que os demais não nos deixam viver com a alegria que dizemos desejar. Não paramos para refletir que nossa vida é de nossa responsabilidade. Não nos dispomos a construir em nós aquilo que desejamos. Não nos conhecemos devidamente, ou não nos enxergamos com as possibilidades que temos introjetadas em nosso ser. Esquecemos ou ignoramos que somos senhores de nossos destinos. Esquecemos ou ignoramos que trazemos em nós as sementes de todos os valores que necessitamos desenvolver, para sermos felizes. Não confiamos nas palavras do Mestre Jesus, quando declarou que somos filhos de Deus. Não valorizamos as afirmações do Mestre de que somos luz. Temos adormecido em nosso íntimo o germe de todas as virtudes, e só depende de nós permitirmos que desabroche. 
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Quando alguém perguntou à Manoela se seu marido a fazia feliz, ela respondeu de forma negativa. O marido, presente, corou e desejou sumir da presença dos demais. Mas, logo, ela completou sua resposta, dizendo que fazia questão que sua felicidade não pesasse a ninguém. Que ela era dona dessa possibilidade, e que somente ela poderia se fazer feliz ou infeliz. Todos ficaram na expectativa do prosseguimento das ideias. Tranquilamente, ela explicou que a decisão de ser ou não ser feliz, cabe a cada um de nós. Posso ser feliz, dizia, mesmo não aceitando, de forma plena, as ideias de meu marido, meu patrão ou meu filho. Mesmo que eles contrariem a minha vontade. Se minha felicidade dependesse dos outros, eu teria sérios problemas, porque tudo muda: as pessoas, o clima, o chefe, a saúde... Por isso assumi a atitude de não depender do humor ou da boa vontade dos demais, para me sentir feliz. Felicidade é uma construção que fazemos de dentro para fora. Se desejo ser feliz, devo começar me sentindo feliz interiormente, comigo mesma. Daí a decisão de jamais colocar a minha felicidade em ombros alheios.
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Como é importante buscarmos raciocinar sobre as realidades e necessidades de nossa vida. Somos seres individuais e, portanto, não nascemos associados a ninguém. Mesmo quando gêmeos idênticos, podemos aparentar similitudes no corpo físico, mas somos Espíritos únicos. Cada um de nós caminha sob as injunções de seu livre-arbítrio, o que determina escolhas, caminhos, disposições próprias. Somos os construtores de nossa felicidade ou infelicidade, dependendo das escolhas que fazemos a cada segundo. Por isso: sejamos felizes, mesmo que faça calor, mesmo que estejamos doentes, mesmo que não tenhamos dinheiro, mesmo que alguém tenha nos machucado, mesmo que alguém não nos ame, ou não nos dê valor. Ser feliz só depende de nós, de cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Ser feliz, de Maria da Graça C. Mendonça. Em 5.9.2015.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

COMPROMISSO PESSOAL

RAUL TEIXEIRA
Todos nós deveríamos ter e manter compromisso, que é o de aproveitar todo o tempo que tivermos para nosso crescimento moral e intelectual. Esse crescimento é essencial. O restante será consequência do esforço que fizermos nessas direções. No entanto, imenso número de seres humanos acomoda-se em posições mentais limitadas, nas quais ficam, literalmente, aprisionados. Muita gente repete constantemente que não sabe dirigir um veículo, que não sabe cozinhar, que não sabe tocar um instrumento musical. Outros dizem não conseguir aprender essa ou aquela matéria escolar, e ficam felizes apenas por serem aprovados, não se importando se o conhecimento real foi quase nulo. Um agigantado número de cidadãos não se interessa pela própria língua pátria, cometendo erros básicos com a maior naturalidade, com a justificativa de que o importante é se comunicar. O estranho é que muitas dessas pessoas não fazem o menor esforço para mudar esse quadro, paralisadas nas suas dificuldades ou mesmo na sua preguiça. Há, ainda, os que fazem promessas de voltar à escola quando se aposentarem, sem saber sequer se chegarão a tal, ou, se terão saúde. É apenas outra maneira de ficar no comodismo. A vida é rica em oportunidades para qualquer um, sem distinção de raças, condição sócioeconômica, ou país em que vive. Por certo as oportunidades serão diferentes porque diferentes são os estados evolutivos de cada um. A mente humana é maravilhosa, com enorme capacidade de aprendizado, sendo o mais perfeito computador que a natureza poderia produzir. É muito importante para o progresso individual, e para a auto-valorização, que se busque aprender tudo de valor que estiver ao alcance, ao longo de toda a vida. Nunca é tarde para voltar a estudar uma matéria que não foi adequadamente aprendida; ou para reiniciar, com afinco, o estudo de algo que nos pareça intransponível, na busca da auto-superação. Nunca é tarde para iniciar o hábito da boa leitura que, além de cultura, nos ensina, de maneira prazerosa, a língua pátria. Desenvolva o interesse por bons filmes, por teatro, por boa música. Mantenha-se curioso e de mente aberta, como você era quando criança, servindo até mesmo de exemplo para familiares e amigos. Não esqueça de que tudo o que aprendemos hoje, nos servirá de base para o aprendizado no futuro, pois o conhecimento é cumulativo. Somente com a consciência de que a rapidez com que evoluímos é uma decisão individual, cada um conseguirá progredir superando seus limites e valorizando esta bela jornada que é a vida. Não se desmereça, confie em si mesmo. Guarde com você estes ensinamentos: Ame ao próximo como a si mesmo e a Deus acima de todas as coisas. Instrua-se sempre. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8 do livro Para uso diário, de Raul Teixeira, pelo Espírito Joanes, ed. Fráter. Em 09.04.2009.