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| Isabel Allende |
Os protagonistas são uma jovem mulher, de nome Rose Mapendo e seus filhos.
Viúva e grávida, de alguma forma ela consegue manter suas sete crianças vivas.
Depois de alguns meses, ela dá à luz a gêmeos prematuros, dois minúsculos meninos.
Corta o cordão umbilical com um graveto e os amarra com seu próprio cabelo.
Ela dá a seus filhos os nomes dos comandantes do campo, com o objetivo de ganhar a bênção deles e, com isso, poder alimentá-los com chá preto, já que o seu leite não poderia sustentá-los.
A família sobrevive por dezesseis meses e então, graças ao ato de boa vontade de um soldado americano, Sasha Chanoff, Rose é salva, pois ele consegue colocar sua família em um avião de resgate.
Rose Mapendo e seus nove filhos pousam em Phoenix, Arizona, onde agora vivem e prosperam.
O nome Mapendo, em Suaíli, idioma oficial da África Oriental, significa grande amor.
Outra história que a autora nos conta se passa no ano de 2005.
O lugar é uma pequena clínica para mulheres em Bangladesh, país asiático.
Jenny é uma jovem higienista bucal, voluntária americana.
Ela foi para a clínica preparada para limpar dentes.
No entanto, descobre que ali não há médicos, não há dentistas e que a clínica é somente uma cabana cheia de moscas.
Do lado de fora há uma fila de mulheres que esperam horas para serem atendidas.
A primeira paciente sente dores lancinantes, seus molares estão em péssimas condições.
Jenny percebe que a única solução seria removê-los.
Ela não tem licença para isso e nunca fez esse procedimento antes.
Apavorada, ciente de que nem ao menos tem os instrumentos adequados, sente-se confortada ao certificar-se que tem como recurso um pouco de anestesia.
Movida pela coragem e por um coração carregado de amor, ela murmura uma prece e segue em frente com a operação.
Ao final, a paciente aliviada beija suas mãos.
Naquele dia, a higienista repetiu muitas vezes idêntico procedimento.
* * *
No mundo de hoje, grande parte das mulheres sofre, vivendo em condições precárias.
Forçadas a casamentos prematuros, não têm controle sobre suas vidas, têm filhos que não conseguem alimentar, não têm acesso à educação, à saúde e à liberdade.
Olhamos em volta e vemos protagonistas como essas por toda parte.
Mulheres que, apesar das circunstâncias desfavoráveis, lutam com o coração cheio de amor, pelos seus próprios direitos e pelos direitos do próximo.
Mulheres que, apesar de todas as adversidades, se mostram dispostas, confiantes, carregadas de fé e esperança, que nunca se deixam abater, que lutam diariamente, seguindo em frente sem desanimar.
Mulheres que, como essas das histórias citadas, movidas pelo amor, colocam o coração à frente da razão.
E Jesus nos ensinou que onde estiver o nosso tesouro, estará o nosso coração.
E o nosso tesouro onde está?
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base em palestra
da escritora Isabel Allende, em março de 2007.
Em 06.12.2018.

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