E é dessa maneira que devemos tecer nosso hino de gratidão à vida.
A vida é a mais sublime das concessões, um poema épico escrito na luz das novas horas que nos são oferecidas.
É uma melodia que se renova, uma sinfonia que jamais se exaure, tocada no compasso perfeito do tempo, na qual cada nota é uma bênção incalculável.
Nosso Pai, com Seu amor terno e grandioso, nos oferece a dádiva da existência, um milagre complexo e frágil, revestido de beleza e de esperança, que resiste a todas as noites.
É preciso um momento de silêncio contemplativo para verdadeiramente apreender a magnitude do amanhecer de um novo dia.
Momento de oração em que a alma, genuflexa, alcança os céus em louvores de gratidão.
E somente então nos erguermos, decididos a viver essas vinte e quatro horas em plenitude.
Aproveitar cada toque de carícia do vento, de brisa delicada, o calor do sol, a delicadeza da chuva que cai lenta e silenciosa.
A vida é a soma de nosso sim ao despertar, ao respirar, ao amar e ao errar, pois, até no tropeço reside a oportunidade de um aprendizado que forja a alma.
Somos peregrinos de uma jornada tecida em luz e sombra, mas é o fio dourado da esperança que costura o tecido da nossa passagem.
O otimismo não é uma negação ingênua da dor, mas uma fé inquebrantável na capacidade inerente da vida de se regenerar, de se reinventar, de reflorescer, mesmo após a mais rigorosa das geadas.
A bênção da vida reside no inusitado de cada hora, na certeza de que tudo se move, tudo se transforma, e que o rio do tempo leva consigo a tristeza do ontem e traz a promessa de um inexplorado amanhã.
Pensemos nesses dias de um novo ano como um vasto oceano, uma ilha virgem que emerge das águas, intocada e repleta de recursos.
Não são meras horas repetidas.
São horas singulares, dotadas de um potencial que nunca existiu e nunca mais se repetirá.
Porque a criatividade divina é infinita.
Em cada amanhecer, permitamo-nos dissolver as culpas da noite, desfazer os nós do passado e limpar a lousa para escrever o presente com a caligrafia do nosso potencial.
Sintamos esse recomeço cíclico como se a vida, com a voz suave de uma mãe amorosa, sussurrasse:
-Não importa o quão errado tenha sido o ontem, aqui está a chance de recomeçar, com o fôlego renovado.
Os novos dias que se anunciam carregam o eco dos nossos sonhos e a vibração dos anseios mais recentes.
Eles são a materialização da nossa capacidade de sonhar e de construir.
Em cada amanhecer, recebemos as ferramentas: a vontade para iniciar, a disciplina para prosseguir, e a convicção de que somos fortes o suficiente para enfrentar o que vier.
E, mais importante, a certeza de que a luta em si tem um valor intrínseco, que nos lapida e nos eleva.
A poesia da vida reside na transmutação da adversidade em força, do desafio em crescimento.
O novo dia nos oferece o palco para essa alquimia da alma.
Abracemos a promessa do próximo amanhecer.
Redação do Momento Espírita
Em 21.02.2026

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