domingo, 15 de fevereiro de 2026

MULHERES DE HEROIS

Baronesa do Serro Azul
Os homens vão para a guerra, alimentam as revoluções com sua coragem e seu sangue. 
Doam suas vidas por amor à nação, à pátria, à causa que defendem.
Para as mulheres são reservadas as lágrimas, os filhos órfãos, a dor da saudade e, por vezes, o abandono total daqueles mesmos a quem seus maridos deram a própria vida. 
Assim aconteceu com Maria José Correia, nascida no litoral paranaense e que se tornou a esposa do Barão do Serro Azul.
Quando da Revolução Federalista, que envolveu em sangue a nação brasileira, com desmandos da parte de governistas e de revolucionários, ele se destacou. Homem de fibra, o Barão tomou a si o governo da Província, quando o então Governador, covardemente, a abandonou, deixando-a sem nenhum amparo, um único policial. 
Com sacrifício de sua saúde e de seus interesses, ele se pôs à frente de uma comissão para estabelecer a ordem e a tranquilidade para uma população temerosa de saques, violações e mortes. 
Enquanto Curitiba esteve entregue à revolução triunfante, foi o Barão o elemento principal da grande força que zelou pela escola, pelo comércio, a indústria, a imprensa, sobretudo pela família curitibana. 
Tudo fez de coração aberto, sendo o primeiro a abrir os cofres para o acordo que se estabeleceu com os revolucionários.
Alma generosa, teve a seu lado a esposa, que em tudo o apoiou. 
Quando as tropas governistas entraram na capital, ele aguardou que representantes do Governo Federal lhe viessem agradecer pelo que fizera. 
Quantas vidas preservara, quantos sacrifícios empreendera para que os saques e abusos não ocorressem. 
O que recebeu foi a traição, a prisão e uma morte vergonhosa, que permaneceu sem investigação alguma, durante décadas.
A Baronesa, grávida de sete meses, viria dar à luz uma criança morta. 
Quanta dor naquele coração amoroso! 
Como ela mesma escreveu ao Barão de Ladário, em carta que foi lida no Senado Federal, se estabeleceu o luto eterno em seu lar, para sempre deserto das alegrias que eram para seu coração de esposa e para a inocência dos filhos, agora órfãos de pai, o único e grato conforto na vida. 
Essa extraordinária mulher, cuja coragem nascia da própria imensidade do seu sofrimento, ficou a enxugar as lágrimas das três crianças órfãs. 
Aguardou que a justiça se fizesse. 
Ela acreditava que o martírio não dormiria eternamente, porque eterna na Terra só há de ser a divina soberania do direito e da verdade. 
Era, ademais, uma mulher de fé. 
Por isso mesmo, continuou a semear generosidade enquanto as posses lhe permitiram. 
Um dos exemplos foi a doação de quatro terrenos, situados na Villa Ildefonso, atual bairro do Batel, para a construção de um hospital pela Sociedade Portuguesa Beneficente Primeiro de Dezembro. 
Doou ainda mobília à Sociedade, cujo objetivo era o amparo aos imigrantes portugueses e suas famílias. 
Nos lotes foram construídas seis casas de madeira, que serviram como ambulatórios e sede para a Sociedade. 
O que se deve ressaltar é o desprendimento de um coração ferido, mortalmente, pela mais torpe traição sofrida por seu marido. 
Um coração que, angustiado, jamais deixou de amar o seu semelhante. 
E se o coração se enchia de dolorosa saudade, ainda guardava espaços para sentir a dor do próximo. 
Com certeza, um exemplo de alma cristã. 
Um exemplo a ser seguido.
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos e em carta da Baronesa do Serro Azul, datada de 8 de julho de 1895, endereçada ao Barão de Ladário, do Senado Federal. Disponível no CD Momento Espírita, v. 32, ed. FEP. 
Em 26.3.2018.

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