terça-feira, 17 de março de 2020

ESTRANGEIROS

MOISÉS
Quando nos detemos nos escritos bíblicos, surpreendemo-nos com alguns ensinamentos válidos para todos os tempos. E nos encantamos em perceber como os homens compreendiam as intuições e as registravam para a posteridade. Encontramos, nos escritos do legislador hebreu Moisés, as recomendações no sentido de não oprimir o estrangeiro, quando em nossas terras. Detalhava normas quanto a deixar no campo e na vinha espigas e bagos caídos para que o estrangeiro delas se pudesse servir. Prescreviam, ainda, o amor ao estrangeiro, dando-lhe roupa e pão. Numa palavra, acolhimento. Jesus não se fez ausente nessa questão. Estabeleceu quem herdaria o reino do Seu Pai, dizendo que quem acolhesse o estrangeiro a Ele mesmo estaria acolhendo. E, na parábola do bom samaritano, envolveu um homem de outras terras, ou seja, um estrangeiro para enaltecer quem é o nosso próximo. 
 * * * 
S.PAULO DE TARSO
Questões do ontem, questões do hoje, questões de todos os tempos que nos levam a refletir a respeito da forma como tratamos os que buscam abrigo em nosso país. Do mesmo modo que, no Antigo Testamento, o povo de Israel é convidado a lembrar de que fora estrangeiro nas terras do Egito, devemos nos recordar que, em verdade, os que nos encontramos na Terra, somos todos estrangeiros. Imortais, vimos de outras dimensões para este planeta que nos recebeu, por ordem do seu Governador, Jesus. Aqui tudo nos é oferecido: a possibilidade de crescer, de progredir, de termos nossa família, de abrigar nossos amores. Muito bem escreveu o Apóstolo de Tarso: 
-Somos todos um só corpo e temos todos o mesmo espírito. Fomos todos chamados para uma mesma esperança. Temos um só Deus, que é pai de todos nós, que está acima de todos e que vive em nós e através de nós. 
Eis aí a extraordinária síntese da nossa essência. Somos uma enorme família, espalhada pelo Universo, constituindo várias Humanidades. Pertencemos, por ora, à Humanidade terrena. Mas, de onde teremos vindo? Para aonde iremos depois daqui? É grandioso o nosso destino como seres imortais, peregrinando pelas várias moradas de nosso Pai, conforme nos disse o Mestre de Nazaré. Por isso, a imperiosa necessidade de nos amarmos, de nos auxiliarmos. Enquanto na Terra, nos separam fronteiras de países onde a cultura, o idioma, os costumes são diferentes. Contudo, na essência, todos fomos criados de igual forma e temos um único destino final: a perfeição, ou seja, a conquista do reino de Deus que está dentro de cada um de nós. Nesses termos, não é absolutamente coerente a lei de amor que nos trouxe Jesus? Amar a todos, amarmo-nos todos. Pensemos, por fim, que hoje vivemos em um país, no entanto, como peregrinos espirituais, que tivemos muitas experiências anteriores, na carne, nem podemos imaginar por onde já transitamos. Ou para aonde nos dirigiremos em próxima e salutar reencarnação. Isso, mais do que tudo, deve servir para construir em nós fraternidade, compreensão e auxílio mútuo. Pensemos a respeito. 
Redação do Momento Espírita, com base no Levítico, cap. 19, vers. 33 e 34; no Deuteronômio, cap. 10, vers. 18 e 19; no Evangelho de Mateus, cap. 25, vers. 35; no Evangelho de Lucas, cap. 10, vers. 33 a 37 e na Epístola aos Efésios, cap. 4, vers. 4 a 6. 
Em 17.3.2020.

segunda-feira, 16 de março de 2020

ETERNO CONVITE

Suely Caldas Schubert
Quando Jesus falava aos seus discípulos, ele falava para a Humanidade de todas as épocas e Suas palavras soam até hoje como uma voz de esperança em nossos corações. Há mais de dois mil anos, Ele fez um convite muito especial, que permanece ecoando através dos tempos. No Evangelho de Mateus está registrado o doce chamado que Ele nos faz: 
-Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.
Analisemos esse convite do Cristo. Quando Ele diz Vinde a mim, está convidando todos nós, todas as criaturas humanas e nos deixando a certeza de que podemos ir até Ele. Ao se referir aos aflitos e sobrecarregados, Ele se reporta a nós, os sofridos, os que choram, os preocupados dos dias atuais, os depressivos, os ansiosos e os que padecem tantas outras aflições. Na fala Eu vos aliviarei, Ele traz a promessa do alívio de nossas dores, que se dará a partir do momento em que nos sintonizarmos no padrão do Cristo. Ele oferta o alívio, mas não a cura, porque a cura real depende de cada um de nós. E ela se iniciará quando tivermos consciência das leis Divinas e passarmos a vivenciá-las. Essa vivência se dará quando, após análise e reflexão das tendências e tentações que existem dentro de nós, passarmos à ação renovadora. Quando Ele diz Tomai sobre vós o meu jugo, Cristo vem nos contar da Sua autoridade, baseada no suave poder do amor. Vem ensinar para a Humanidade sobre esse nobre sentimento, do qual Ele deu mostras durante toda Sua vida. Ao recomendar aos discípulos que se amassem como Ele os amou, falou para a Humanidade daquela época e dos tempos que viriam, sendo até hoje o nosso maior exemplo. E Ele se coloca como referencial quando diz Aprendei comigo que sou brando e humilde de coração. Mostra-nos virtudes que precisamos trabalhar em nosso mundo íntimo. 
* * * 
Todos nós temos fardos a carregar, mas Jesus não deixa dúvidas de que, ao Seu lado, eles se tornarão leves. E assim acharemos repouso para as nossas almas. Sabemos como o corpo repousa, mas como a alma pode repousar? Isso se dará quando tivermos zerado nossas dívidas perante a contabilidade Divina, saldando nossos compromissos. Nesse momento, nossa consciência estará tranquila e em paz e poderemos caminhar com mais liberdade porque os obstáculos do passado já estarão superados. Com esse convite especial, Jesus traz o porvir para nós, ofertando-nos o caminho para a felicidade. Não hesitemos em atender a esse glorioso chamado e busquemos estar cada dia mais conscientes das mudanças que precisamos promover em nós mesmos. Lembremos que o jugo do Cristo é a observância da lei Divina. O jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A nova era e o ser consciencial, de Suely Caldas Schubert, em 9.3.2013, na XV Conferência Estadual Espírita, em Curitiba/PR e no item 2, do cap. VI do livro O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. 
Em 30.8.2013.

domingo, 15 de março de 2020

A ETERNA LUZ DO NATAL

Elas sempre emocionam. Quando dezembro vai chegando, é maravilhoso contemplar as cidades se enchendo de luz. Não poderia ser de outra forma, considerando que a comemoração gira em torno da Luz do Mundo que veio ter conosco, há dois milênios. As canções que se ouvem, nas repartições comerciais, nas escolas, nos clubes, nos lares também nos remetem à emoção daquele momento em que a Estrela Maior abandonou os céus para iluminar o mundo. Natal é isso. É luz. É música cantando nos corações. É confraternização, abraços, troca de pequenos mimos cujo valor reside na lembrança dada em nome de um grande Rei. Nessa alegria que nos envolve, quase sempre esquecemos que regiões existem, em nosso próprio país, em que o dia do Natal não difere de outros tantos dias. No sertão agreste, na secura do solo, nas casas pequenas, os grandes anúncios do comércio não chegam. Suspiro, um distrito do município de Betânia do Piauí, a quinhentos e dez quilômetros da capital, Teresina, foi surpreendida, certa feita, pela ação de uma empresa de renome, ao ensejo da proximidade do Natal. A localidade é desprovida de energia elétrica. Televisão? Computador? Só em sonho. Celular, somente os de poucas casas que contam com sistema de telefonia rural. Smartphone é um aparelho tão raro quanto chuvas em período de seca. Então, um caminhão cheio de luzes chegou. Logo se transformou em um palco, frente ao qual se reuniu a população inteira. E os olhos surpresos das crianças e adultos viram, pela primeira vez, a figura simpática de um Papai Noel vestido de vermelho e branco. Um Papai Noel de barbas e cabelo branco mas que ofereceu brinquedos, jogou bola em meio à poeira. Bola de verdade porque até então, as disputas de futebol eram com improvisadas bolas de panos enrolados. Naquele sertão, onde rara é a chuva, a magia até trouxe neve. A meninada quase ficou em êxtase e os mais idosos olhavam, espantados. Será que algum dia tinham visto algo assim? A noite foi de verdadeiro encanto. Enquanto as crianças vibravam, pulavam, gritavam, nos pusemos a pensar. Se um homem vestido como foi idealizado no Século XX, associado à marca de determinada empresa, provoca tantas emoções, o que não conseguiria o próprio Aniversariante? Algo muito importante para pensarmos toda vez que desejamos levar a magia do Natal a qualquer pessoa. Falar e apresentar o verdadeiro sentido do Natal. Falar do Senhor das Estrelas que veio à Terra, da Noite Santa em que cantaram os anjos nos campos de Belém. Em que magos do Oriente saíram de seus países para adorarem um menino, O Rei Solar. Que magia maior do que essa? Lembremos: a festa material das luzes, o encanto de um simpático velhinho que visita a comunidade uma vez no ano ou uma única vez, passará. Os brinquedos com o tempo se quebrarão, gastos pelo uso e pelo transcorrer dos anos. Mas o nascimento de um Rei é algo fenomenal, que jamais será esquecido. O Rei que veio ter conosco e está sempre conosco. Jesus! Como precisamos Te apresentar aos corações para que a alegria do Ano Novo se perpetue em todos os dias seguintes. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 1º.1.2020.

sábado, 14 de março de 2020

TREZE LÁGRIMAS, UM PRESSENTIMENTO?

Rachel Joy Scott
Ela tinha apenas onze anos quando sua mãe a mandou passar o verão na casa de sua tia, em Luisiana. Ali ela teve seu profundo contato com a religião. Ouvir falar de Deus, de Jesus, ouvir jovens como ela cantarem e orarem com fervor, lhe modificaram a vida. Ela desejou se devotar a fazer a grande diferença no mundo, queria mudar o mundo. E nisso se empenhou. Na escola, ela perdeu amizades, ao se declarar cristã, ao deixar de frequentar algumas festas, temerosa de sucumbir ao álcool. Foi zombada por vários de seus colegas. Em carta que enviou a um parente, Rachel escreveu: 
-Agora que comecei a dar andamento a minha conversão, estão zombando de mim. Eu nem mesmo sei o que fiz. Nem tenho que dizer nada, e estão me afastando. Não tenho mais amigos pessoais na escola. Quer saber? Tudo vale a pena. 
Aos dezessete anos, Rachel frequentava três igrejas, e coreografava danças para o serviço do domingo. Era membro ativo nos grupos de jovens. No grupo Breakthrough, demonstrou um grande interesse em evangelização e discipulado. Em seus diários escreveu que, por participar desse grupo, sua consciência espiritual se desenvolveu muito. Rachel Joy Scott, com seus apenas dezessete anos, no dia 20 de abril de 1999, sentada no gramado da escola, se tornou a primeira vítima dos colegas Eric David Harris e Dylan Bennet Klebold. Ela foi baleada quatro vezes e morreu instantaneamente. Os dois rapazes continuaram a sua insanidade, matando, naquele dia, treze pessoas e ferindo outras vinte e quatro. Na mochila de Rachel, foram encontrados dois dos seus seis diários. Impressionante o que constava na última página. Era um desenho com uma torrente de lágrimas jorrando de seus olhos e regando uma rosa. Eram exatamente treze lágrimas caindo de seus olhos antes de tocarem a rosa e se transformarem em algo que parecia gotas de sangue. Treze foram as vítimas assassinadas, naquele dia, na Columbine High School. Ela confidenciara, recentemente, que se sentia estranha, parecendo que algo iria acontecer, mas não sabia exatamente o que seria. A um amigo disse que não conseguia se imaginar no futuro, formando-se na Universidade, casando, tendo filhos. 
Seria um pressentimento? 
Teria sido um aviso do seu anjo de guarda? 
Ou talvez aquela jovem, que tinha sonhos de alcançar os não alcançados, que escrevia não pelo bem da glória, não pelo bem da fama, não pelo bem do sucesso, mas pelo bem da sua própria alma, soubesse que curta seria sua vida. Que ela findaria breve. Por isso, a sede de fazer tantas coisas, de alcançar tantas pessoas. Em verdade, todos temos uma certa programação de vida, na qual se inclui, necessariamente, nosso tempo na Terra. Para alguns, quando se aproxima o momento da partida, ocorrem pressentimentos. Esses tomam medidas para proteger a família, providenciando testamento, convênio funeral, escrevendo cartas para serem abertas após a sua morte. Pressentimentos, todos os temos. Talvez devêssemos prestar mais atenção a essa voz do instinto que nos fala no íntimo da alma. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Rachel Joy Scott. 
Em 13.3.2020.

sexta-feira, 13 de março de 2020

DIAS PARA VIVER

A discussão chegara aos tribunais. A jovem, com dois filhos pequenos, desejava ardentemente que o seu pedido de transplante fosse aprovado pelo seu convênio médico. Ela descobrira, ao final da última gestação, um grave comprometimento no fígado, inicialmente tratado através de sofisticada técnica de radiação, cujo resultado fora ainda mais desastroso. Para sua infelicidade, algo acontecera durante os procedimentos e o nobre órgão acabara sendo lesado, não lhe permitindo viver senão poucos meses. Lutava pelo direito ao transplante. Mas, vários fatores estavam contra ela: a longa fila de espera, a disponibilidade de um fígado compatível, os altos valores envolvidos e, finalmente, a expectativa de vida estabelecida pelos médicos: no máximo, uns quatros anos. Valeria a pena investir tanto nela, em detrimento de outra pessoa que, por suas condições gerais, teria um adicional de vida maior? A questão era: de que valeriam mais quatro anos de vida? Seus filhos não teriam se tornado adultos, nem seriam independentes. Ainda seriam crianças. A resposta da senhora, entre a emoção e as lágrimas, surpreendeu: 
-Seriam quatro anos a mais que eu poderia estar com os meus filhos, vê-los crescer. Ensinaria ao meu filho atar os cadarços dos sapatos, a pentear seu cabelo, escolher a roupa apropriada à estação e se vestir, sozinho. Seriam mil quatrocentas e sessenta noites em que eu estaria com ele, na hora de escovar os dentes, de abraçá-lo, desejar boa noite, ler uma história e orar. Em quatro anos ele estaria na escola e eu o auxiliaria com as primeiras letras, descobrindo as palavras, as frases. Quanto à bebê, já a terei ensinado a andar, a falar, a amar as flores e as pessoas. Nem posso imaginar quantos sorrisos eu poderia oferecer aos meus filhos em quatro anos e quantos eles me retribuiriam. Um tempo precioso. Quatro períodos de férias em que eu, meu marido e as crianças desfrutaríamos da praia, da montanha, do lago. Seriam mais quatro Natais, quatro aniversários, quatro comemorações de Ano Novo. 
* * * 
Ouvindo tudo isso, com certeza, sentimos o coração apertar e cogitamos de quantas mães não puderam ver seus filhos crescerem, levadas pela morte acidental ou por enfermidade. Quantos filhos não tiveram o carinho delas por iguais motivos. E tudo nos leva a pensar na preciosidade da vida e do tempo. A pensar em quantas horas, quantos dias desperdiçamos, quando estamos ao lado dos nossos amores. Importante nos darmos conta de que as horas não voltam e, por isso, devemos usufruir, amplamente, a presença dos filhos, esposos, pais, irmãos, amigos. Vivermos intensamente ao lado deles porque quando um se for, ou nós mesmos nos tivermos que despedir, o que sobrará será somente uma doce saudade. Saudade de momentos de prazer, de alegria, de descontração. Mesmo de aprendizado. Haverá muito para recordar, muito mais do que fotos e vídeos: uma intensa relação vivida, sentida e arquivada na intimidade da alma. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em episódio da série televisiva Bull. 
Em 12.3.2020.

quinta-feira, 12 de março de 2020

ETAPA ENCERRADA

Diariamente muitas pessoas se despedem da vida física e voltam para o mundo dos Espíritos. Alguns partem de forma brusca e violenta. Outros são levados por enfermidades prolongadas, depois de muita dor e sofrimento. Há os que voltam antes do tempo, pela porta falsa do suicídio, e os que encerram a sua etapa no corpo, de forma tranquila e serena. Essa foi a forma pela qual partiu uma senhora de noventa e oito anos de idade. As forças físicas foram se desvanecendo como uma chama que se apaga lentamente. Fora levada para o hospital, na tentativa de prolongar por mais algum tempo a sua existência. Todavia, antes de deixar o lar, aquela velhinha já sabia que a sua etapa estava por concluir-se. Separou uma muda de roupa com a qual gostaria que vestissem o corpo, após o desenlace. Chamou uma das tantas netas e recomendou como deveria construir o túmulo, que deveria ser simples e recoberto de azulejos para facilitar a limpeza depois. Expressou todos os seus desejos, serenamente. Não pensou em sobrecarregar os afetos que ficaram com exigências extravagantes ou custosas, mas pensou em lhes facilitar a vida. E foi assim que, após ter assistido a passagem do cometa Halley por duas vezes, e presenciado duas grandes guerras mundiais; após criar vários filhos, que lhe renderam muitos netos e bisnetos e cultivar muitas amizades; após carregar a sua cruz com coragem e dignidade e, acima de tudo, confiança em Deus, aquela senhora, quase centenária, deixou o corpo cansado, numa noite. Fechou seu livro da vida como quem cumpriu mais uma etapa na estrada evolutiva. Certamente levou consigo a consciência leve, como acontece com aqueles que partem para uma viagem longa e não se esquecem de providenciar a bagagem necessária. 
Nada de desespero de última hora... 
Nada de requisitar atenções descabidas... 
Nada de chantagens sentimentais... 
Assim partem as pessoas que não têm compromissos negativos consigo mesmas. 
Assim partem as almas leves que venceram as dificuldades da caminhada sem macular a consciência com as ilusões da Terra.
* * * 
A vida na Terra, por mais longa que seja, não passa de alguns segundos diante da eternidade. Por essa razão vale a pena viver com fidelidade à própria consciência. Considerar o corpo físico como uma habitação transitória em que vivemos, ao invés da habitação fixa que possuímos. Assim, a transição chamada morte será menos dolorosa e menos fúnebre, tanto para quem vai, quanto para quem fica. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita 
Em 20.10.2011.

quarta-feira, 11 de março de 2020

O QUE LEMBRARÃO!

Era um jantar familiar, reunindo pais, avós, tios, sobrinhos, primos. Uma mistura de idades que ia do quase nonagenário à adolescente. Colocar as novidades em dia era a ordem do momento. Afinal, alguns não se viam há algum tempo e era preciso saber da saúde, do trabalho, dos planos para o casamento, da viagem ao Exterior. Tantas novidades para serem absorvidas. As perguntas eram rápidas. As respostas, às vezes, curtas, de outras, longas e explicativas. Divididos em mesas, por serem muitos, uma das tias sentou-se entre duas sobrinhas. A conversa fluía interessante. A tia, beirando os setenta anos, demonstrava jovialidade, participando da conversa, em que se misturavam redes sociais, término da faculdade, vestibular à vista, namorados. Então, uma das jovens serviu-se de sofisticado prato e, ao iniciar a saboreá-lo, disse: 
-Toda vez que como esse tipo de massa, lembro da minha avó. Ela gostava de cozinhar exatamente deste jeito. 
A tia sorriu, olhou para ela e perguntou: 
-Se eu morrer, um dia (e todos riram) como você lembrará de mim? 
O sorriso da sobrinha se abriu e disse: 
-Como aquela que estava sempre comigo, que me incentivava, que ria das minhas tolices e me mandava mensagens igualmente hilariantes. Vou lembrar como aquela que se perdia no shopping, que telefonava para mim perguntando onde ficava a livraria. Lembrarei de que um dia encontrei uma camiseta, pedi que você a experimentasse, fotografei e postei na minha página do facebook. A estampa dizia: Não me siga. Estou perdida. Vou lembrar muitas e muitas coisas: as sessões de cinema com pipoca e refri; as estreias de filme adentrando a madrugada. As comemorações de aniversários, da vitória no vestibular, as formaturas do ensino fundamental, médio e universitário, em que você sempre se fez presente. Vou lembrar... 
E a conversa se voltou a lembranças e mais lembranças. Foram momentos de descontração, de risos. E motivou aos demais a indagarem como eles seriam lembrados, depois que não mais estivessem no cenário da Terra. 
* * * 
Sempre importante considerarmos que nossa passagem pelo mundo, o convívio com os nossos amores, pode ser interrompido a qualquer momento. Nada mais certo do que a morte que chega, sempre, para todos. Embora, como disse o bom Jesus, somente o Pai saiba a hora. Por isso, aproveitemos os momentos em família. São preciosidades que alimentarão as mentes dos que ficarem e dos que partirem. Produzamos menos problemas e cultivemos mais amor. Reclamemos menos, relevemos pequenos senões e coloquemos mais descontração e alegria nos nossos encontros. Estejamos juntos. Não percamos a festa de aniversário, o café da tarde, o passeio no parque, a formatura. Comemoremos com nossos amores todas as vitórias. Semeemos alegria. Dessa forma, quando partirmos, deixaremos boas lembranças para serem acionadas quando a dor da saudade alcançar os corações dos que ficarem. Igualmente, partiremos felizes, certos de que, enquanto a caminho, demos o melhor de nós. 
Redação do Momento espírita. 
Em 11.3.2020.