segunda-feira, 14 de agosto de 2017

TRABALHANDO PELO MUNDO DA NOVA ERA

Meu vizinho pintou a casa. O telhado passou por uma rigorosa limpeza e posterior cobertura protetora. Ficou lindo, brilhando. O muro mereceu tratamento específico e realçou as cores da própria casa. A rua ganhou nova vida. Interessante! Bastou a ação de um homem para enriquecer toda a quadra. E não houve quem não parasse para admirar e elogiar o conjunto final. Enquanto se ouvem relatos de bombas que consomem vidas e destroem patrimônios públicos, meu vizinho trata de embelezar o local onde reside. É um homem de fé, embora, talvez, nem se dê conta. Ele tem fé no futuro. E o prepara. Prepara a casa para si, para os filhos, para os netos. Normalmente, pensamos que homens de fé são somente os religiosos ou aqueles que, de alguma forma, comparecem de forma assídua aos templos. No entanto, toda vez que nos devotamos a contribuir com a beleza, estamos colaborando para tornar este mundo melhor. Isso tem ares de religiosidade, esse sentimento do sagrado, que se reflete na cultura do belo, do bom, do útil. Sagrada é a vida. Sagrados são os valores altruístas. Por extensão, sagrado tudo que é produto do trabalho do homem, no intuito de oferecer seu melhor. Afinal, quem não se alegra em passar pela rua e encontrar casas bem pintadas, jardins encantadores, nos quais as flores disputam beleza entre os canteiros, exalando seu perfume? Isso é a construção do mundo novo. Mundo em que todos nos empenhamos em produzir o bem para o próximo. Bem que pode se traduzir na semeadura de um jardim que cause admiração e encantamento a quem o veja. E que se inebrie com seus perfumes. Um mundo em que somente se terá em mente destruir se for para substituir por algo melhor, mais harmonioso. Que se pense e se criem espaços para convivência das pessoas. Espaços em que as crianças possam ser deixadas a brincar sem medo. Em que os idosos possam tomar sol, passear pelas alamedas, encontrar amigos, sorrir, viver. Um mundo em que possamos parar para pensar em cores novas para as cortinas, em aparar a grama, em programar a chegada de um bebê, em decidir em família por um passeio prolongado no feriado que se aproxima. Tempo para viver. Tempo para amar.
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Entre tantos compromissos que nos tomam as horas, importante parar um pouco e nos indagarmos: Como estamos colaborando para o mundo novo? Colaboramos com coloridos renovados, contribuímos com o meio ambiente, nos relacionamos bem com a família, os colegas, os amigos? Sou um promotor da paz ou da intranquilidade? Sou o portador de notícias sempre ruins, ameaçadoras? Sou aquele que fala da queda da bolsa, da corrupção que anda à solta, do acidente que ceifou vidas? Ou sou o repórter das notas que falam de jovens vencedores em concursos de ciências; de mulheres que se fizeram mães da carne alheia; de devotados cientistas em pesquisa para a cura de doenças que atormentam a espécie humana? Se nos descobrirmos como arautos do mal, tornemo-nos pesquisadores das boas notícias, de tudo que engrandece o ser humano, de tudo que tantos estão realizando para acelerar a chegada do mundo da Nova Era. Pensemos nisso e ajudemos a construí-lo. 
Redação do Momento Espírita. Em 11.8.2017

domingo, 13 de agosto de 2017

AO MEU QUERIDO PAI

Olá, pai! Eu, que já fui criança um dia e que agora sou jovem, quase adulto, gostaria de dizer o que vai aqui dentro do meu coração, neste dia especial. Eu sei que temos tido alguns desentendimentos, mas creia papai, você é e sempre será meu grande herói. Sabe, pai, quando observo suas mãos fortes, embora algumas marcas feitas pelo tempo, penso no quanto elas significam para mim, pois foram as primeiras a acariciar as minhas, inseguras na infância. Quando vejo seus passos firmes, não esqueço de que foram eles que orientaram meus primeiros passos... Quando você me pede para ler algumas palavras que seus olhos já não conseguem ver com precisão, faço isso com carinho, pois não esqueço das palavras que você repetiu inúmeras vezes para que eu aprendesse a falar. Percebo que hoje suas decisões são mais lentas, mas sei também que minhas primeiras decisões foram por elas balizadas. Talvez você não esteja tão atualizado, quanto às novas tecnologias, mas eu me lembro bem que você pensou muito pouco em si mesmo, para fazer de mim uma pessoa de bem. Se hoje sua saúde anda um pouco debilitada, sei que muito do seu desgaste foi para garantir a minha saúde. E se você não pronuncia corretamente alguma palavra, eu entendo, pois se esqueceu de si mesmo para que eu pudesse cursar uma universidade. Se hoje sua memória o trai, não esqueço das tantas vezes que advogou a meu favor, nas situações difíceis em que me envolvia. Hoje eu cresci, papai, já não sou mais aquela criança indefesa, graças a você. Hoje a juventude me empolga as horas... Mas eu não esqueci minha infância, meus primeiros passos, minhas primeiras palavras, meus primeiros sorrisos... Acredite que tudo isso está bem vivo em minha memória, e eu sei que nesse seu peito, já cansado, ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora... É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, pois você esteve sempre ao meu lado, disposto a me proteger e a me ensinar... Sabe velho, embora eu não tenha muito jeito para falar coisas bonitas, desejo lhe dizer o quanto você têm sido importante em minha vida. Hoje você pode não ser mais aquele moço forte, quanto ao corpo, mas tem um certo ar de sabedoria que na sua imagem de ontem não existia. Eu sei, pai, que apesar de o tempo ter passado, em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso... Que o afeto que você cultivou agora floresce em minha alma... Que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos... Hoje eu reconheço, meu pai, que apesar dos longos invernos suportados, você ainda mantêm acesa a chama de amor e ternura pelos seres que embalou na infância... Por isso tudo, e muito mais, eu quero lhe agradecer de todo meu coração: "Pela amizade que você me devota... Pelos meus defeitos que você nem nota... Por meus valores que você aumenta... Pela minha fé que você alimenta... Por esta paz que nós nos transmitimos... Por este pão de amor que repartimos... Pelo silêncio que diz quase tudo... Por esse olhar que me reprova mudo... Pela pureza dos seus sentimentos... Pela presença em todos os momentos... Por ser presente, mesmo quando ausente... Por ser feliz quando me vê contente... Por ficar triste, quando estou tristonho... Por rir comigo, quando estou risonho... Por repreender-me quando estou errado... Por meus segredos, sempre bem guardados... Por me apontar Deus a todo instante... Por esse amor fraterno sempre tão constante..." (Texto final, entre aspas, de uma mensagem recebida pela Internet, sem menção ao autor)

sábado, 12 de agosto de 2017

AO MEU PAI

Recordo-o ainda. Ele saiu, em um dia de sol, para viajar e nunca mais retornou para nossos olhos físicos. Quando o trouxeram, era somente um corpo dentro de um caixão. Lacrado, ao demais, tendo em vista os dias passados desde a sua morte. Meu pai era um homem alegre. Gostava de música, de dança, de estar com amigos, conversar, contar causos. E ele os tinha às centenas. Toda vez que retornava de viagem, os filhos, éramos três os menores, nos reuníamos em torno da mesa, na cozinha ampla, para ouvi-lo. Ele contava causos de forma pausada. Ia descrevendo as cenas, uma a uma, reproduzia os diálogos. Por vezes, meu irmão e eu, mais impacientes, o interrompíamos: E daí, o que aconteceu? Conta logo. Ele sorria mostrando seus dentes curtos, bem moldados. E continuava com a mesma calma, até o desfecho da história. Tê-lo em casa era muito bom e significava que um de nós iria dormir na cama dos pais. Por vezes, nossa mãe nos dizia que desejava ficar a sós com ele. Mas, mal despertava a madrugada, quem primeiro acordasse, corria para o quarto e se enfiava entre os dois. Ele acordava e brincava conosco, fazendo cócegas, jogando travesseiro. Era uma festa! Meu pai! Quantas saudades! Ele não era letrado. Desde bem jovem conhecera o trabalho duro. Constituíra família cedo e os cinco filhos lhe exigiam que desse o máximo de si. Insistia que precisávamos estudar. E estudar muito. A duras penas, pagou para cada um de nós o ensino fundamental, em escola particular. Escolheu a melhor escola da cidade. Pagou cursos de piano, acordeon, violino para minha irmã, que cedo entrou para o mundo da música. Meus irmãos e eu não chegamos a tanto, mas fomos brindados com o que ele tinha de mais precioso. Ensinou-nos a honestidade, ensinou-nos que melhor era ser enganado do que enganar. Viveu no tempo em que a palavra de um homem era documento mais válido do que nota promissória, duplicata ou qualquer título financeiro. Legou-nos um nome honrado e disse-nos que o dignificássemos, ao longo de nossa vida. Olhava para mim, com orgulho e dizia: Um dia você será uma pessoa muito importante! Hoje, quando viajo pelas estradas, muitas delas velhas conhecidas de meu pai, eu o recordo. Será que ele sabia que um dia eu seria alguém que viajaria, esclarecendo pessoas, ofertando cursos? Ele não conheceu todos os netos. Partiu para a Espiritualidade, em anos jovens, deixando-nos um grande silêncio n'alma. Em homenagem a ele, em nossos aniversários, nas festas de Natal e Ano Novo, nos encontramos. Rimos, ouvimos música, dançamos. Porque ele nos ensinou a sermos assim. A vida é dura, mas nós a podemos adoçar, se quisermos. - É o que dizia. Meu pai, meu mestre, onde estejas, Deus te guarde. Especialmente nesta época em que os pais são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes. Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão: Obrigado por nos terdes dado a vida. Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.
Redação do Momento Espírita. Em 08.08.2011.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

DE MÃOS DADAS

Andrey Cechelero
Foi publicado no jornal. Foi notícia: morreram de mãos dadas. Setenta e três anos juntos. Dois corações, feito relógios antigos e precisos, resolveram parar ao mesmo tempo. Tic tac, tic tac, tic... Mas os jornais não viram e também não foi notícia, que as mãos dadas eram duas almas entrelaçadas. Entrelaçadas assim, feito duas nuvens brancas que desfilam e flutuam juntas no céu anil. Porém, que fique claro que eram duas e não uma só. Sim, porque quando os amores são dois são muito maiores. Essa história de “tornar-se um só” é fantasia de poeta desinformado, ou despreparado. Morreram de mãos dadas... E não guardaram seu amor a sete chaves. Guardaram a sete filhos, quinze netos e seis bisnetos. Deixaram o mundo sorrindo. Chegaram de mãos dadas. 
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São sempre inspiradoras essas histórias de casais que vão juntos até o final da presente existência. Cinquenta, sessenta, setenta anos de casamento... O que não passaram nesse tempo!... E resistiram... Resistiram a tudo e a todos. Em alguns casos a ternura, o companheirismo são tão grandes que permanecem, literalmente, de mãos dadas, isto é, nem mesmo esse hábito precioso do toque, do contato carinhoso, foi perdido. Ao contrário do que muitos pensam, esses amores não nascem prontos, aliás, não existe amor que nasça pronto: todo amor surge semente para virar árvore frondosa. A única diferença é que, através da pluralidade das existências, sabemos que, em muitos casos, essas sementes já foram lançadas há mais tempo, em outro passado – apenas isso. De resto, a fórmula, o esforço, o caminho, os desafios, são os mesmos para todos. Quando perguntados sobre qual a receita para tanto tempo assim de amor, os termos podem até mudar, mas na essência as ideias são as mesmas. Sempre iremos encontrar o respeito mútuo, a admiração de um pelo outro, o companheirismo, a doação, o sacrifício, a ternura, o perdão... Se formos aos detalhes, esta lista feliz preencheria algumas boas linhas. Todas as grandes realizações da vida são construções, sejam de uma existência, sejam de várias. O importante é estarmos conscientes e dispostos a construir, a investir e a trabalhar. Sem trabalho o amor não se edifica em nossos corações. Os grandes amores não nascem prontos. Em nossas relações a dois, nossa preocupação maior não deve ser a de se escolhemos a pessoa certa – embora toda escolha deva ser bem feita e revela muito sobre nossos interesses, sobre nosso caráter. Nossa atenção deve estar focada muito mais em construir o melhor relacionamento possível com aquela pessoa que escolhemos. E sabendo que a morte é apenas uma mudança de estado, os amores entenderão que, mesmo após o término deste capítulo, as mãos dedicadas e cheias de ternura poderão permanecer entrelaçadas na verdadeira vida, nos capítulos seguintes. * * * Morreram de mãos dadas... E não guardaram seu amor a sete chaves. Guardaram a sete filhos, quinze netos e seis bisnetos. Deixaram o mundo sorrindo. Chegaram de mãos dadas.
Redação do Momento Espírita com citação do poema De mãos dadas, de Andrey Cechelero. Em 15.12.2014.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A DELINQUÊNCIA

Quando se fala em delinquência, muitos pais sofrem só em pensar no que esse termo representa. Alguns de nós pensamos e repensamos em como pode uma criança, dócil e amável durante a infância, tornar-se um delinquente mais tarde. Nós não nos damos conta, mas somos, enquanto educadores, os maiores responsáveis pela delinquência que vige no mundo. O Departamento de Polícia de Houston, Texas, elaborou uma lista, enumerando 9 maneiras fáceis de criar um delinquente. 
A lista é a seguinte: 
1. Comece, na infância, a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando crescer, acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja. 
2. Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se interessante. 
3. Nunca lhe dê orientação religiosa. Espere até que ele chegue à maioridade e "decida por si mesmo". 
4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade. 
5. Discuta com frequência na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde. 
6. Dê-lhe todo o dinheiro que quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Por que terá ele de passar pelas mesmas dificuldades pelas quais você passou? 
7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. (Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.) 
8. Tome o partido dele contra vizinhos e policiais. (Todos têm má vontade para com o seu filho.) 
9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: "Nunca consegui dominá-lo." 
Por último, uma advertência: prepare-se para uma vida de desgosto. É o seu merecido castigo.  
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Quando nos queixamos do desgosto por que nos fazem passar os filhos, normalmente esquecemos todos esses detalhes enumerados pela Polícia de Houston. E enquanto nossos filhos ainda são crianças imaginamos que jamais venham a delinquir. Em verdade é esse o nosso mais profundo desejo. No entanto, é bem possível que nos equivoquemos procurando acertar. Procurando fazer o melhor para esses seres tão queridos aos nossos corações. Se temos a intenção de fazer de nossos filhos cidadãos responsáveis e dignos, comecemos a prestar mais atenção na forma de educação que lhes damos. Ensinar-lhes a tolerar frustrações, ensinar-lhes disciplina, responsabilidade, é de bom senso. Consideremos sempre que nossos filhos são Espíritos reencarnados, e como tal, trazem consigo a bagagem de erros e acertos conquistados ao longo das existências. Todos renascemos para crescer na escala evolutiva. Sejamos os impulsionadores daqueles a quem Deus nos confiou a educação. Dessa forma, de nada teremos que nos arrepender mais tarde, quando tivermos que prestar contas às Leis Divinas. 
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É na adolescência que o Espírito retoma a bagagem de experiências acumuladas ao longo da sua caminhada evolutiva. É que na adolescência o corpo e o psiquismo já estão preparados para receber essas informações. Não é outro o motivo pelo qual muitos pais desconhecem os filhos, que passam a ser outra pessoa, dizem, quando chegam à adolescência. Até aos 7 anos de idade a criança é mais receptiva aos ensinamentos. Por isso, devemos nos esmerar para passar uma educação efetiva, de forma que essa possa suplantar as informações equivocadas que porventura traga o nosso filho, de existências anteriores. 
Redação do Momento Espírita, com base em mensagem volante atribuída à Polícia de Houston,Texas – USA. Disponível no CD Momento Espírita, v. 2, ed. Fep. Em 18.01.2010.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

DEIXE O OUTRO FALAR!

Dale Carnegie
Deixar o outro falar ajuda em situações familiares e profissionais. Barbara Wilson relacionava-se muito mal com sua filha Laurie. O relacionamento se deteriorava pouco a pouco. Laurie, que fora uma criança serena e complacente, tornou-se avessa à cooperação, às vezes provocadora. A Sra. Wilson passava-lhe sermões, ameaçava-a, punia, sem sucesso. 
-Certo dia, contou a Sra. Wilson, simplesmente desisti. Laurie tinha me desobedecido e fora para a casa de uma amiga antes de terminar seus afazeres domésticos. Quando voltou, eu estava prestes a estourar com ela pela milésima vez, mas não tive forças para isso. Limitei-me a fitá-la e a dizer: "Por quê, Laurie, por quê?" Laurie percebeu o estado em que eu me encontrava e, com uma voz calma, perguntou: "Quer mesmo saber?" Fiz que sim com a cabeça e Laurie contou-me, primeiro hesitando, depois com uma fluência impressionante. Eu nunca lhe prestara atenção. Nunca a ouvira. Sempre lhe dizia para fazer isso ou aquilo. Quando sentia necessidade de conversar comigo sobre as coisas dela, sentimentos, ideias, interrompia-a com mais ordens. Comecei a compreender que ela precisava de mim - não como uma mãe mandona, mas como uma confidente, uma saída para suas confusões de adolescente. E tudo o que fazia era falar, falar, quando deveria ouvir. Nunca a ouvira. A partir daquele momento, fui uma perfeita ouvinte. Hoje ela me conta o que lhe passa pela cabeça e nosso relacionamento melhorou de maneira imensurável. Ela se tornou, de novo, uma colaboradora. 
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Quantos pais neste mundo têm problemas similares com seus filhos. Problemas que seriam amenizados se soubéssemos apenas ouvir um pouco mais. Como pais, como educadores, por vezes temos a falsa impressão de que precisamos falar, ensinar, proferir lições, etc, e eles, os filhos, precisam apenas ouvir. Quantos pais reclamam que seus filhos não os ouvem e tudo parece que entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas será que esses pais sabem ouvir seus filhos? Será que esses pais sabem que o aprendizado não se dá apenas por sermões, por conselhos? O processo de aprendizado, e mais, o processo de construção de uma boa relação familiar, tem que passar pelo diálogo. E quando estamos no campo do diálogo, precisamos entender que este é uma via de mão dupla. No diálogo fala-se, mas também se ouve, e muito... Ouvir exige autocontrole, disciplina, respeito ao outro e humildade. Por isso, talvez, ainda seja tão difícil para a Humanidade. Ouvir nos pede reflexão, paciência e empatia. Desta forma, procuremos sempre deixar o outro falar. Ouçamos as razões do outro, suas explicações, etc. Elas podem não justificar certos atos, mas explicam as razões da outra alma e nos fazem compreendê-la melhor. Pais, deixemos nossos filhos falarem! Filhos, deixemos nossos pais falarem! O amor e a paz familiar sairão lucrando sempre. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 6, pt. III, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional. Em 24.02.2010.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A LENDA DA CRIAÇÃO DOS PAIS!

Erma Bombeck
Conta-se que, quando Deus se dispôs a criar os pais, ele se esmerou a tal ponto que atraiu a atenção de um anjo, que ficou a observá-lO. Deus começou fazendo um homem de estatura muito alta. O anjo vacilou um pouco, mas resolveu falar com o Criador:
- Senhor, que tipo de pai é este? Se as crianças são baixinhas, por que um pai tão alto? Ele terá dificuldades para jogar bolinhas de gude sem se ajoelhar. Não poderá colocar uma criança na cama, nem beijá-la, sem ter que se curvar muito. 
Deus sorriu e explicou que o pai precisava ser alto, para a criança ter alguém para enxergar, quando olhasse para cima. Aí, ele partiu para colocar mãos grandes e vigorosas no modelo. O anjo criou coragem e falou outra vez: 
- Senhor, desculpe-me. Mas mãos grandes são desajeitadas. Elas não vão conseguir abotoar botões pequenos, nem prender elásticos nos cabelos e nem retirar cisco do olho de uma criança. E como irão trocar fraldas num bebezinho? 
- Pensei nisso, respondeu Deus, com toda sua paciência. Eu as fiz grandes o suficiente para segurar tudo o que um menino tira do bolso no fim do dia. E você verá, são pequenas o suficiente para segurar e acariciar o rosto de uma criança. 
Depois, Deus começou a modelar as pernas. E as fez longas, esguias. E colocou ombros largos no protótipo de pai que estava criando. O senhor percebeu que fez um pai sem colo? Quando ele segurar uma criança, ela vai cair pelo vão das suas pernas! Tornou a censurar o anjo.  Deus continuou a modelar, com todo o cuidado e esclareceu: 
- Mães necessitam de colo. O pai necessita de ombros fortes para equilibrar um menino na bicicleta ou segurar uma cabeça sonolenta no caminho de casa, depois das brincadeiras do circo ou da ida ao parque. 
E Deus colocou pés grandes. Os maiores pés que o anjo já tinha visto. Ele não se conteve:
- Senhor, acha justo isso? Honestamente, o senhor acha que esses dois pés vão conseguir saltar rápido da cama quando o bebê chorar? E quando tiver que atravessar um salão de festas de aniversário de uma criança, então! No mínimo, com esses pés enormes vai esmagar umas três delas, até chegar do outro lado. 
- Eles vão ser úteis, foi explicando o bom Deus. Você verá. Vão ter força para sustentar uma criança que deseje ver o mundo, do alto do pescoço do pai. Ou que deseje brincar de cavalinho. Vão dar passadas firmes e quando a criança as ouvir, subindo as escadas, em direção ao seu quarto, se sentirá segura, por saber que o pai logo mais estará ali, para abençoá-la, antes de se entregar ao sono. 
Deus continuou a trabalhar noite adentro. Deu ao pai poucas palavras, porém uma voz firme, cheia de autoridade. Deu-lhe também olhos que enxergavam tudo, mas que continuavam calmos e tolerantes. Contemplando Sua obra de arte, Deus resolveu acrescentar um último detalhe. Tocou com Seus dedos os olhos do pai e colocou lágrimas que ele pudesse acionar, quando tivesse necessidade. Aí, virou-se para o anjo e perguntou: 
- Agora, você está satisfeito em ver que ele pode amar tanto quanto uma mãe? 
O anjo nada mais tinha a argumentar. Permaneceu em silêncio. 
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É de relevância a lição dos exemplos dos pais aos filhos, a par da assistência constante de que necessitam os caracteres em formação, argila plástica que deve ser bem modelada. No compromisso do amor, estão evidentes o companheirismo, o diálogo franco, a solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e sociais. Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência. Grande é a tarefa que lhes está reservada, no que tange aos deveres da educação dos Espíritos que lhes são confiados na qualidade de filhos da carne. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Quando Deus criou os pais, de autoria de Erma Bombeck, do livro Histórias para o coração 2, de autoria de Alice Gray, ed. United Press. Em 8.8.2017.