quarta-feira, 7 de setembro de 2016

UM COMPROMISSO COM NOSSO PLANETA

Era início de tarde de um dia ensolarado. Após almoçar, Ana caminhava de volta ao trabalho, em seu trajeto diário, e cruzava uma praça. Há alguns meses a Prefeitura havia instalado, em uma das esquinas da praça, lixeiras para lixo reciclável, com cores e rótulos diferentes para metal, plástico, papel e vidro. Ana, que achara a iniciativa excelente, costumava, ao passar por ali, observar as pessoas ao utilizarem as lixeiras. Para sua tristeza, era comum que os transeuntes depositassem o lixo sem atenção e comumente de modo incorreto, mas nunca tivera coragem de abordar alguém. Isto lhe causava uma certa indignação, e costumava julgar que as pessoas, de maneira geral, não se importam com a natureza. Acostumada, desde criança, a separar os resíduos recicláveis, não admitia o descuido em casa. Afinal, pensava ela, temos um compromisso com nosso planeta. Nesse dia, ao se aproximar da esquina da praça, reparou em uma criança, com não mais que seis anos, que segurava uma lata de metal em uma mão, e, com a outra, segurava a mão da mãe que caminhava apressada. A criança soltou a mão da mãe e parou em frente às lixeiras, esforçando-se para ler os rótulos. A mãe seguiu mais alguns passos, parou e chamou a filha. A menina respondeu que precisava jogar a latinha no lugar certo, ao que a mãe retrucou: 
-Tanto faz, jogue em qualquer uma, pelo menos não está jogando na rua. Apresse-se! 
A garotinha não se intimidou. Respondeu que a professora dissera, na escola, que separar o lixo é importante para quem trabalha com ele e para ajudar a natureza. Dirigiu-se então para a lixeira correta e colocou a lata. Em seguida, com um sorriso nos lábios, correu para junto da mãe que já estava se afastando. Ana havia parado e observara a cena sorrindo. Emocionou-se ao ver aquela criança tão pequena agindo tão corretamente e servindo de lição para a mãe. Pensou que é possível, sim, modificar as pessoas pela educação. Chegando ao trabalho, resolveu vistoriar as lixeiras que ela mandara instalar, de cores diferentes, com rótulos específicos e percebeu resíduos dispensados incorretamente. Parou para pensar: 
-Havia instruído corretamente seus funcionários? 
Dirigiu-se ao computador e buscou, em um site da Prefeitura, as corretas indicações para a separação. Fez um resumo e imprimiu algumas cópias. Marcou uma reunião com o turno da tarde e outro com o turno da manhã. Para sua surpresa, os funcionários interessaram-se muito pelo assunto, e ela descobriu que eles careciam de conhecimentos detalhados sobre a correta separação. Feliz, Ana discorreu sobre todos os itens, de forma detalhada. O assunto se estendeu até para cuidados com o lixo doméstico e sobre como evitar desperdícios. A zeladora prometeu vistoriar as lixeiras. Alguns dias mais tarde, ao lembrar do fato, Ana concluiu que, apesar de pensar estar fazendo sua parte, na verdade, pôde fazer muito mais. E sentiu-se profundamente feliz e grata àquela pequena criança anônima. 
 * * * 
A Terra nos acolhe e permite a maravilhosa oportunidade de viver. Temos para com ela, bem como para com as gerações futuras, o compromisso de preservá-la, em agradecimento à maravilhosa obra de Deus, da qual somos parte fundamental Pense nisso! E faça sua parte você também!! 
Redação do Momento Espírita baseada em fato. Em 03.07.2009.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

COMPROMISSO COM A CONSCIÊNCIA

Você certamente já leu ou ouviu, algum dia, a notícia de roubo, incêndio, naufrágio ou explosão de algum bem móvel ou imóvel que pertencia a alguém, não é mesmo? No entanto, ninguém jamais ouviu ou leu uma manchete com os dizeres: 
Foi roubada a coragem dessa ou daquela pessoa. Foi extraviada grande porção de otimismo.Quem a encontrar favor devolver no endereço citado. 
Ou então:
Incêndio consumiu toda a fidelidade de Fulano ou Naufragou a honestidade de Beltrano. 
Enfim, nunca se ouve falar que as virtudes de alguém tenham sofrido assaltos ou outro dano qualquer. Todavia, isso acontece diariamente quando as negociatas indignas põem por terra a honestidade e a honradez deste ou daquele cidadão, que sucumbe ante grandes quantias em dinheiro ou favorecimentos de toda ordem. No entanto, as virtudes que se deixam arrastar por interesses próprios, não são virtudes efetivas, são ensaios de virtudes. Quem verdadeiramente conquista uma virtude, jamais a perde. Contou-nos um amigo, jovem advogado que labora num órgão público que, em certa ocasião, estava com uma pilha de processos sobre a mesa, quando seu superior entrou na sala, tomou dois daqueles processos e pôs de lado, dizendo-lhe: 
-Quero que você arquive estes processos. 
O advogado perguntou por que razão deveria arquivá-los e o diretor respondeu simplesmente: 
-Porque os acusados são meus amigos e me pediram esse favor.
O moço, que tinha compromisso sério com a própria consciência, fez com que os processos seguissem seu curso, sem interferir. Tempos depois, os acusados tiveram que arcar com as custas do processo e indenizar vários cidadãos, aos quais haviam prejudicado de alguma forma. Quando questionado por seu superior sobre o ocorrido, o advogado argumentou que o fato de os acusados serem seus amigos não era suficiente para isentá-los da responsabilidade de seus atos. Se o jovem advogado não tivesse firmeza de caráter poderia ter dado ocasião a que fosse registrada em sua ficha espiritual a seguinte anotação: 
-Este Espírito sofreu, em tal data, um assalto da corrupção e da prepotência e teve seus bens mais preciosos, que são a fidelidade e a honestidade, roubados. Felizmente isso não aconteceu. 
 * * * 
Toda vez que permitimos que nosso patrimônio ético-moral seja comprado ou roubado, ficamos mais pobres espiritualmente. Quando aplaudimos a corrupção e a ganância dos outros, somos coniventes com essas misérias morais, e empobrecemos. Pense nisso, e considere que vale a pena preservar esse bem tão valioso que é o seu patrimônio moral. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato. Disponível no CD Momento Espírita, v. 11, ed. Fep. Em 31.01.2010.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

COMPROMETIMENTO

Se quando a nota musical fosse convocada pelo artista para uma composição, ela dissesse: 
-Não é uma nota que faz a música, não nasceriam sinfonias e o homem jamais poderia se extasiar com a música que lhe enche os ouvidos e a alma. 
Se quando a palavra fosse convidada a ser escrita, ela dissesse: 
-Não é uma palavra que faz uma página, não existiriam livros, que beneficiam tantas vidas. 
Se quando o construtor buscasse a pedra, ela dissesse: 
-Não há pedra que possa montar uma parede, não haveria casas, edifícios, construções tão espetaculares, que parecem desafiar o homem. 
Se quando a gota caísse sobre a terra, dissesse: 
-Uma gota d’água não faz um rio, não haveria rios, lagos, mares e oceanos. 
Se nas mãos do semeador, o grão dissesse: 
-Não é um grão que semeia um campo, não haveria colheitas abundantes e messes fartas. 
Se o homem simplesmente considerar que não é um gesto de amor que pode salvar a Humanidade, jamais haverá justiça, paz, dignidade e felicidade na Terra. 
Assim como as sinfonias precisam de cada nota, assim como o livro precisa de cada palavra, não sendo nenhuma dispensável; assim como as construções precisam de cada pedra no seu exato lugar; assim como os rios, lagos, mares e oceanos precisam de cada gota d’água; assim como a colheita precisa de cada grão, a Humanidade precisa de você. 
Exatamente! De você! Onde estiver, único e, portanto, insubstituível. E Deus conta com sua participação ativa nesta sinfonia espetacular que é a vida, para tocar com sua harmonia, a musicalidade da sua voz, os corações aflitos e lhes acalmar as dores. Deus conta com sua palavra de bom ânimo e encorajamento para erguer os caídos nas estradas do desespero. Deus conta com as pedras da sua construção ativa nas boas obras para que muitos dos Seus filhos não morram de fome, nem padeçam frio, nas estreitas vielas da amargura e do abandono. Deus conta com a gota d’água da sua boa vontade para modificar os painéis de sofrimento nas estradas por onde seguem os seus pés. Deus conta com o grão especial da sua paciência para semear a serenidade, no campo das lutas diárias dos homens que ainda não descobriram que suas vidas devem ser muito mais do que simplesmente dominar o mercado financeiro, vencer os adversários em um jogo ou ganhar na cotação da Bolsa de Valores. Deus conta com o seu gesto de amor, onde esteja, para falar e agir com justiça, para semear a paz, para viver com dignidade e mostrar que é possível, sim, ser feliz na Terra, ainda hoje. Porque a maior felicidade consiste em saber descobrir a felicidade nos olhos da gratidão alheia, na prece infantil que brota da alma da criança a quem ensinamos a buscar Deus; nas mãos envelhecidas no trabalho que buscam as nossas para um aperto silencioso, significativo, sincero. 
 * * * 
O mundo precisa do nosso comprometimento para ser o mundo que todos queremos, desejamos e aguardamos. Não esperemos pelos outros. Distribuamos hoje, agora, a nossa nota de esperança, a nossa palavra de fé, a nossa gota de amor, nosso grão de solidariedade. O mundo espera. As criaturas precisam e Deus conta conosco. 
Redação do Momento Espírita, com base em artigo de autoria ignorada. Em 26.2.2013.

domingo, 4 de setembro de 2016

COMPREENSÃO

As freqüentes guerras que ocorrem em certas partes do mundo costumam causar estupefação. Será que os habitantes desses países não percebem o quanto seu comportamento é desarrazoado? Para viver em paz, não compensaria um esforço com vistas ao entendimento? Por que não ceder em algumas coisas, em nome de uma vida mais digna? Tais reflexões freqüentemente povoam nosso pensamento. Assumindo a postura de virtuosa indignação com os desatinos desses irmãos de longe, não percebemos que cometemos o mesmo equívoco que eles, em nosso dia-a-dia. Felizmente, não jogamos bombas nos vizinhos e nem metralhamos os parentes. Mas muito pouco nos esforçamos para compreender os valores e as dificuldades do próximo. A falta de compreensão é a origem de toda discórdia, grande ou pequena. Se nos colocássemos no lugar do outro, antes de condená-lo, certamente seríamos menos rigorosos em nosso julgamento. Há em nossa sociedade o lamentável hábito da maledicência. Quando alguém comete um equívoco, não tardam os comentários maldosos sobre sua pessoa. Isso ocorre com quem demonstra desequilíbrios na área da sexualidade, não possui bom desempenho profissional ou enfrenta dificuldades financeiras, dentre inúmeras outras situações. A falha de alguém parece ser a senha que autoriza a sociedade a comentar sua vida, denegrindo-o. As virtudes e os esforços do faltoso são desconsiderados, realçando-se os seus pretensos defeitos. O espantoso é que esse hábito nefasto grassa em uma sociedade cuja maioria absoluta afirma-se cristã. Ocorre que ser cristão não significa apenas afirmar-se como tal, mas se revela no esforço para seguir as lições e os exemplos do cristo. E Jesus, quando confrontado com a multidão que desejava apedrejar a pecadora, foi muito claro. Ante a surpresa geral, o amigo divino sentenciou: “aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Malgrado a clareza da lição, quase dois milênios mais tarde, a apressada condenação do semelhante ainda é uma constante. Entretanto, para fazer juízo sobre determinada situação, é necessário conhecer todos os seus aspectos. Em relação a alguém que nos parece leviano, o que sabemos de sua vida? Temos conhecimento da educação e dos exemplos que recebeu em casa, durante a infância? Cogitamos sobre as inúmeras tentações a que resistiu, antes de sucumbir? Conhecemos a solidão que lhe caracteriza os dias? Temos noção das dificuldades com que diariamente convive? Podemos vislumbrar a enormidade de seu desconforto ou de seu remorso? Tais reflexões bem evidenciam o quanto somos rasos e apressados em julgar o semelhante, que talvez possua uma fibra moral bem maior do que a nossa. Na verdade, para julgar alguém seria necessário ter vivido a sua tragédia, partilhado a sua dor, em toda a extensão. Somente assim saberíamos o real motivo de suas ações. Na falta desse conhecimento, é medida salutar abstivermo-nos de comentar a vida alheia. Façamos um esforço para compreender quem nos parece em falta. Reflitamos sobre a condição humana de nossos semelhantes, falhos como nós mesmos, colocando-nos na posição de irmãos, não de juízes. Afinal, como afirmou Jesus, apenas aquele que está sem pecado pode atirar a primeira pedra. Portanto, antes de atirar pedras em alguém, faça uma analise da sua própria conduta. E, por fim, lembre-se: Jesus não tinha pecados, e ainda assim não atirou pedras na mulher equivocada.
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.

sábado, 3 de setembro de 2016

COMPREENDENDO O PRÓXIMO

Um compositor de música popular brasileira escreveu, certa vez, que só as mães são felizes. Certamente, ao assim se expressar, não estava afirmando serem as mães privilegiadas por Deus com felicidade exclusiva. Tampouco pretendia que se considerasse as mães como figuras alienadas, alheias às dores do mundo, não se infelicitando, portanto, com as desditas da vida, o que as tornaria pessoas felizes. Mas, então, que felicidade é essa, de que só as mães são portadoras? De onde nasce essa capacidade de ser feliz que toda mãe carrega em sua intimidade? Ao analisarmos as relações das mães do mundo com seus filhos, veremos sempre o amor, a alegria e a felicidade permeando essa convivência. As mães são capazes de amar seus filhos, independente de qualquer situação. A mãe de um filho envolvido na drogadição, de um filho déspota, de um criminoso ou de um alienado, amam-no mesmo assim. Conseguem amar, não pelo que seus filhos são, mas apesar do que enxergam naquilo que seus filhos apresentam. Amam, não porque idealizam a figura do filho. Mas porque compreendem as suas dificuldades e limitações. Dessa compreensão nasce o entendimento e a alegria da convivência. Temos grandes lições para aprender com as mães. Se a felicidade delas nasce da compreensão que têm de seus filhos, comecemos hoje a ensaiar nossos passos para compreender o próximo, a fim de também sermos felizes. A compreensão é a melhor substituta do julgamento, que tantas vezes fazemos em relação ao próximo. Se alguém se comporta de uma maneira que não era a esperada, já estamos prontos a julgar e a condenar. Poucas vezes nos perguntamos por que agiu dessa maneira. Se alguém nos trata de maneira ríspida e grosseira, de pronto o classificamos com os adjetivos que achamos próprios para tal situação, sem buscar compreender porque estaria agindo dessa forma. Por vezes, atrás da atitude que nos desagrada, está escondida a sua dor, a sua dificuldade ou o seu medo. E sem querer compreender, sem nos esforçarmos para entender ao nosso próximo, apenas julgamos. A compreensão nasce do entendimento de que nenhum de nós está isento dos erros e dos tropeços no relacionamento humano. Erramos muitas vezes por fragilidade emocional e moral. Não por maldade. O exercício da compreensão nos fará mais felizes, ao aprendermos a olhar o próximo com a benevolência e o entendimento de quem sabe que todos estamos sujeitos a erros. Evitemos atitudes precipitadas, palavras mal colocadas e arrependimentos futuros. Compreendendo as limitações alheias, entendendo que todos passamos por dificuldades vez por outra, fará com que nossos relacionamentos fiquem mais leves. Lembrar que só conseguimos oferecer ao outro aquilo que já dispomos como conquistas na nossa intimidade emocional, nos ajudará a compreender porque existem os que exigem tanto e oferecem tão pouco nos relacionamentos humanos. Exercitemos compreensão. Não criemos expectativas falsas em relação ao próximo, desde que nos encontramos todos em aprendizado, imperfeitos ainda.
Redação do Momento Espírita. Em 20.08.2010.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

COMPORTAMENTO ÉTICO

Amanda fazia compras no supermercado movimentado. Viu que na padaria havia um grande cesto rodeado de pessoas. Notou que elas olhavam o conteúdo, sorriam e apanhavam pacotes, dirigindo-se aos caixas. Ao se aproximar, observou uma plaquinha que anunciava pães especiais, com ingredientes pouco comuns e raros. Ao olhar o preço, percebeu que a etiqueta estava trocada, pois mostrava o nome de um pão comum, de preço bem menor. Alguém havia trocado as etiquetas dos pacotes e aqueles pães especiais estavam sendo vendidos muito abaixo de seu valor. Amanda chamou um funcionário da padaria. Alertou para a troca, sugerindo que ele recolhesse os pacotes restantes e corrigisse a etiqueta. Ele arregalou os olhos quando se deu conta do erro e agradeceu. Pegou a cesta, imediatamente, retirando-a do acesso ao público. Outra cliente, que assistiu a cena, ficou zangada por não ter tido a chance de se beneficiar com o equívoco do funcionário. Olhando fixamente Amanda, sussurrou: otária. O que recebeu em troca foi um sorriso amável. A moça, talvez incomodada pela superioridade moral que aquela senhora emanava, se virou e sumiu por um corredor. Outra funcionária, atrás do balcão da padaria, estranhou a atitude de Amanda e ficou se perguntando por que ela simplesmente não havia pego um pacote de pão e ido embora, como tantos clientes haviam feito. Amanda circulou pelos corredores, terminou suas compras com calma e foi para casa. No caminho, foi pensando como as pessoas se equivocam acreditando ser válido tirar vantagem do erro de alguém. Com certeza, elas não pensam no quanto podem prejudicar o outro quando acreditam estar se dando bem. Lembrou-se de quando era jovem e trabalhava num pequeno comércio, em cidade do interior. Cada erro cometido por um funcionário era cobrado dele ou, às vezes, rateado entre todos. Era um alento quando algum cliente devolvia o troco dado a mais, num momento de descuido, ou alertava para um preço equivocado, que fatalmente oneraria os que ali trabalhavam. Aquilo fazia Amanda acreditar na justiça, na ética e na bondade humana. Cresceu acreditando que a ética e a justiça deveriam nortear os comportamentos. Estudou direito, tornou-se advogada, depois juíza. A cada causa analisada, em cada processo e julgamento, buscava ser o mais justa e ética possível. Fora dos tribunais, aplicava os mesmos parâmetros. E foi por isso que ela, uma senhora de ar distinto e nobreza de caráter, deixou uma marca profunda em funcionários e clientes daquele supermercado. Para os que acreditam na justiça, na ética e na bondade humana, ela foi um incentivo, um alento, um modelo a ser seguido. 
 * * * 
Quando os seres humanos se libertarem do egoísmo, da ganância e do orgulho, que arrastam para a corrupção e para comportamentos desonestos, atitudes como a de Amanda serão corriqueiras, normais. Quando alcançarmos esse patamar, estaremos a um passo de viver no paraíso construído por nós mesmos. 
Redação do Momento Espírita. Em 24.5.2016.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

COMPETÊNCIA E HUMILDADE

No dia 14 de março de 2004, um fato ocorrido em Recife, capital pernambucana, no Hospital da Restauração, o maior Pronto-Socorro público do Nordeste, se tornou notícia nacional. A reportagem dizia o seguinte: 
Uma mulher que levou um tiro no coração sai andando do quarto do hospital! 
Quem viu a cena ficou imaginando: 
-Como é possível alguém escapar vivo de uma situação dessas?
Naquela segunda-feira de carnaval, o cirurgião João Veiga só deveria dar plantão às quatro horas da madrugada. Mas ele teve insônia e resolveu ir mais cedo para o trabalho. Era para chegar na Unidade de Trauma às quatro horas da manhã. 
-Voltei à meia-noite, contou João. Uma hora depois, a turista israelense Moran Bomflek deu entrada na emergência baleada no coração, em estado gravíssimo. Ela não respirava, o coração não batia, a pupila estava dilatada, quer dizer, o cérebro estava sofrendo. Então é morte aparente. Não tinha nenhum reflexo, lembrou o cirurgião. 
Um plantonista menos experiente poderia ter dado o caso como perdido. Mas João Veiga, dezessete anos de profissão, agiu rápido: abriu o peito de Moran e tentou um procedimento arriscado. Massageou o coração da paciente com as próprias mãos. Eu só fiz puxar um pouquinho o coração para expor melhor a lesão e fiz dois pontos. Costurei a parte atingida e o coração ficou sem bater. Foi aí que eu comecei o procedimento de massagem cardíaca, ou seja, segurar o coração e ficar fazendo um movimento em torno de dois a quatro minutos, relatou o médico. A vida da paciente dependia de uma transfusão de sangue, urgente. O tipo de sangue necessário já estava disponível. Eu tinha pedido, há vinte minutos, sangue para outra paciente que estava estável, mas precisava de sangue e, quando esse sangue chegou para a outra paciente eu usei para ela. O sangue "O" negativo, que foi fundamental, contou Dr. João. 
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Importante lembrar que o médico, que deveria chegar ao hospital somente às quatro horas da madrugada, teve insônia e resolveu ir logo para o trabalho. Somente um profissional que ama o que faz é capaz de tomar uma decisão dessas. Ele poderia ter ficado em casa descansando, assistindo televisão, ouvindo música, fazendo algo para passar o tempo... Mas ele preferiu ir para o hospital. Diga-se, um hospital público. Não é de admirar que um homem com tamanha competência e humildade, tenha tanto amparo do Alto em suas tarefas. Por causa da sua extremada dedicação, ele havia solicitado sangue para outra paciente e isso o ajudou a salvar uma vida. Sem dúvida, podemos afirmar que não houve sorte nem coincidências. Houve competência e dedicação, aliadas à Providência Divina. Acostumado a lidar com casos graves, João Veiga não quer ser tratado como herói. Mais uma prova de que ele é realmente um grande homem, um profissional competente e um coração generoso. Ao final da reportagem, João Veiga diz, com simplicidade e sincera humildade: 
-Eu gosto de fazer exatamente isso, foi para isso que eu treinei.
Somente pessoas verdadeiramente abnegadas conseguem fazer coisas grandiosas com a naturalidade de quem resolve pequenas questões. Um fato que nos leva a crer que este mundo tem jeito. Que existem profissionais que desempenham suas tarefas com competência e dedicação. E, acima de tudo, que Deus atende Seus filhos através dos Seus filhos, sejam eles médicos, cientistas, agricultores ou simplesmente um homem bom. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em reportagem exibida na Rede Globo, no Programa Fantástico, do dia 14/03/2004. Em 01.08.2011.