terça-feira, 13 de setembro de 2022

INCOMPREENSÕES

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Quantas vezes nos sentimos incompreendidos? 
A resposta deve ser: 
-Muitas vezes... – Em tom de desabafo ou lamentação profunda. 
Ainda nos sentimos vítimas quando passamos por tais situações cotidianas. 
Alguns de nós parecemos colecionar desditas. 
E quando temos chance demonstramos nossa frustração. 
Acontece que pessoa alguma consegue vencer a jornada terrestre sem enfrentar os obstáculos necessários ao seu processo de iluminação interior. 
Seria ingenuidade ou fuga, pretendermos passar isentos de tudo isso.
Dentre esses tantos desafios que nos provam incessantemente, aqueles de natureza moral se fazem os mais atormentadores. 
São eles que atingem nossas resistências íntimas e conspiram contra a harmonia pessoal. 
Entre esses, no relacionamento social, se destacam a incompreensão, criadora de situações lamentáveis. 
A incompreensão tem raízes em comportamentos íntimos que se mascaram, renovando as formas de agressão e mantendo a mesma acidez. 
Estimulada pela inveja, provoca situações insustentáveis. 
A competição doentia a encoraja, buscando derrubar o aparente adversário. 
A malícia favorece o intercâmbio para a sua ação enfermiça, espalhando suspeitas e calúnias. 
A incompreensão está em germe na alma humana ainda em processo de crescimento. 
Herança dos instintos agressivos, surge com insistência nas mentes e busca residência nos corações. 
Em razão da inferioridade dos homens, a incompreensão favorece o desabar de excelentes construções de amor. 
Aqueles que não alcançam, aqueles que não podem, desejam derrubar os que vão adiante, mais alto. 
Aqueles que ainda não sentem, que ainda não se transformaram, não entendem como aqueles mais à frente conseguiram e questionam suas vitórias. 
Aqueles que não sentem como nós sentimos não conseguem entender nosso coração. 
Lembremos que os mais abnegados promotores do progresso padeceram a incompreensão dos seus contemporâneos. 
Abraçados ao ideal, não podiam compactuar com os frívolos e os maus que os buscavam, em tentativa de amizade para desviá-los do compromisso. 
Os santos a experimentaram na carne, espezinhados e perseguidos nos grupos de onde se originavam. 
Os missionários do bem se viram sacrificados e confundidos, porque não pararam, cedendo nos seus ideais. 
Os invejosos os crivaram de espinhos e dores, gozando por vê-los quase sucumbir... 
* * * 
Ninguém conseguirá caminhar em paz na multidão. 
As diferenças ideológicas e morais, vibratórias e culturais não deixarão, por enquanto, que a fraternidade ajude e o amor ampare. 
Assim, perdoemos aos nossos perseguidores. 
Eles já são infelizes, em razão do que cultivam no íntimo e do que, realmente, são. 
Prossigamos em confiança, sem nos determos para examinar as incompreensões do caminho. 
Os apedrejadores adotam a tarefa de somente agredir. 
Sejamos aqueles que avançam, compreendendo. 
Todo o mal que nos façam, não nos fará mal. 
Pelo contrário, nos promoverá a estágio superior, se soubermos enfrentar a situação. 
O nosso exemplo de humildade será um chamado à renovação, à paz.
Não nos detenhamos, nem nos entristeçamos diante das incompreensões.
Prossigamos com alegria íntima pelo roteiro que elegemos e não olhemos para trás. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 4, do livro Desperte e seja feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 23.2.2018.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A ESCOLHA PELA EMPATIA

Aprendemos que empatia é o processo no qual nos colocamos no lugar do outro, procurando sentir o que ele está sentindo. 
No entanto, como não podemos sentir exatamente o que sente o outro, podemos nos identificar com o que essa pessoa está vivenciando. 
Esse processo tem a ver com nossa vontade de querer ou não criarmos empatia. 
Quando vemos uma pessoa experimentando momentos de dificuldade, temos a escolha de nos deixar afetar pela situação e procurar ajudá-la. 
Ou podemos escolher não nos aproximar, ignorar a pessoa, o seu drama.
E irmos embora. 
Quando escolhemos nos identificar com o outro, buscamos nos aproximar emocionalmente e oferecer apoio. 
A ajuda que podemos oferecer vai depender da situação, da pessoa e das nossas possibilidades. 
Não existe uma regra que determine o comportamento ou a ação. O que se cria com a empatia são pontes. 
E para que essas pontes se estruturem, um elemento é essencial: saber ouvir o que o outro tem a nos dizer. 
Escutar é uma maneira de se aproximar e de estabelecer um vínculo. Jesus, sempre Modelo e Guia, vivenciou a empatia, em diversas situações, conforme relatos dos Evangelistas. 
O Evangelista João narra o episódio, em que o Mestre, depois de dois dias de viagem, chega à casa de Marta e Maria, após a morte do irmão Lázaro.
Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: 
-Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 
Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, perturbou-se. 
E disse: 
-Onde o pusestes? 
Disseram-lhe: 
-Senhor, vem, e vê. 
Jesus chorou. 
O choro de Jesus não se deu porque Ele não acreditava na vida após a morte. 
Muito falara Ele sobre o Reino de Deus e a vida além do cenário físico.
Podemos pensar que as lágrimas de Jesus expressaram a identificação dEle com o sofrimento que Marta e Maria vivenciavam naquele momento de luto. 
Ele ouviu as palavras de dor e conectou-se emocionalmente com Suas amigas do coração. Senhor dos Espíritos, Ele, que afirmara que a doença de Lázaro não era para a morte mas para a glória de Deus, chama-o de retorno ao palco terrestre. 
* * * 
Ter empatia é criar pontes. 
É ouvir com atenção. 
É buscar compreender a situação que o outro está vivenciando. 
É procurar colocar-se no lugar de quem padece, de quem se lamenta, de quem reclama da dor, da vida, da dificuldade. 
Se tivermos ouvidos de ouvir, coração para sentir, haveremos de entender o porquê de muitas lágrimas, de muito desespero que vige no mundo.
Talvez nunca tenha necessitado o mundo, como um todo, de tanta empatia para que a solidariedade, a fraternidade se exteriorizem, de forma ampla.
A pandemia enlutou famílias. 
Enchentes e deslizamentos destruíram patrimônios pequenos ou maiores, como num passe de mágica. 
Amigos falam de enfermidades ousadas que lhes invadem as vidas.
Aflições se multiplicam. 
Em toda parte clama a dor, a saudade. 
É hora de exercitarmos a empatia para estender pontes entre nós e o outro. 
Redação do Momento Espírita, com base no Evangelho de João, cap. 11, vers. 32 a 36. 
Em 12.9.2022.

domingo, 11 de setembro de 2022

INCOMPATIBILIDADE OU IGUALDADE?

-Você gosta do meu vestido?, perguntou uma menina para uma estranha que passava. 
- Minha mãe fez para mim! comentou com uma lágrima nos olhos.
- Bem, eu acho que é muito bonito. Mas me conte porque você está chorando, disse a senhora. 
Com um ligeiro tremor na voz a menina falou: 
- Depois que mamãe me fez este vestido, ela teve que ir embora. 
- Bem, disse a senhora, agora você deve ficar esperando por ela. Estou certa que ela voltará em breve. 
- Não senhora, a senhora não entendeu. Meu pai disse que a mamãe está com meu avô, no céu.
Finalmente, a mulher percebeu o que a criança estava dizendo e porque estava choramingando. 
Comovida, ajoelhou-se e, carinhosamente, embalou a criança nos braços.
Acariciando-a, chorou baixinho com ela. 
Então, de repente, a menina fez algo que a mulher achou muito estranho: começou a cantar. 
Cantava tão suavemente que era quase um sussurro. 
Era o mais doce som que a mulher já tinha ouvido. 
Parecia a canção de um pássaro. 
Quando a criança parou de cantar, explicou para a senhora: 
- Minha mãe cantou esta canção para mim antes de ir embora. Ela me fez prometer sempre cantar quando começasse a chorar, porque isso me faria parar. Veja, exclamou a criança, cantei e agora os meus olhos estão secos. 
Quando a mulher se virou para ir embora, a pequena menina se agarrou na sua roupa. 
- Senhora, pode ficar apenas mais um minuto? Quero lhe mostrar uma coisa. 
- Claro que sim, falou a dama. O que você quer que eu veja? 
Apontando para uma mancha no seu vestidinho, a menina falou: 
- Aqui está a marca onde minha mãe beijou meu vestido. E aqui, disse, apontando outra mancha, é outro beijo, e aqui, e aqui. A mamãe disse que colocou todos esses beijos em meu vestido para que eu sempre tenha seus beijos se algo me fizesse chorar. 
Naquele momento a senhora percebeu que não estava apenas olhando para uma criança, cuja mãe sabia que iria partir e que não estaria presente, fisicamente, para beijar as lesões que a filha viesse a ter. 
Aquela mãe havia gravado todo seu amor no vestido da sua pequena e encantadora criança. 
Vestido que agora a menina usava tão orgulhosamente. 
A mulher já não via apenas uma pequena menina dentro de um simples vestido. 
Via uma criança embrulhada no amor de sua mãe. 
*** 
A morte a todos alcança. 
Preparar-se para recebê-la com dignidade, preparando igualmente os que permanecerão na terra por mais tempo, demonstra altruísmo e grandeza de alma. 
Como Jesus nos afirmou que nenhum de nós sabe exatamente a hora em que terá que partir, importante que distribuamos o nosso amor e vivamos as nossas vidas em totalidade. 
Assim, quando tivermos que partir, as lembranças do que fomos e do que fizemos, aquecerão as almas dos nossos amores, amenizando o vazio da nossa ausência física. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, baseado em texto de autor desconhecido intitulado: “Amor eterno”.

sábado, 10 de setembro de 2022

INCOERÊNCIAS APARENTES

Evolução Espiritual
O mundo, por vezes, parece grandemente injusto. 
Honestos pais de família não encontram emprego. 
Políticos corruptos safam-se das consequências de seus atos equivocados. 
Pessoas dignas levam vidas sofridas e morrem com pouca idade. 
Homens cruéis e levianos vivem na abastança e por longo tempo. 
As aparentes injustiças do mundo são incompreensíveis sob o prisma de uma única existência. 
Sem um histórico anterior de erros e acertos, o que justificaria as doenças congênitas, as mortes em tenra idade? 
A existência de Deus é incompatível com o acaso e a injustiça regendo a vida das criaturas. 
É própria à ideia de Deus a posse de todas as virtudes em grau máximo.
Caso contrário, a Divindade poderia ser superada, em algum aspecto, por outro ser. 
Então esse ser é que seria supremo. 
Deus é sumamente bondoso, sábio e poderoso. 
O Espiritismo fornece a chave que permite compatibilizar as aparentes incoerências do mundo com a amorosa tutela do Criador. 
Trata-se da reencarnação ou pluralidade das existências. 
Todos os Espíritos são anjos em potencial. 
Mas incumbe a cada um desenvolver os próprios dons. 
O processo da evolução espiritual é vasto e se realiza em diversos mundos e mediante inúmeras encarnações. 
Quando um Espírito atinge o máximo do desenvolvimento que um planeta comporta, ele passa a outro. 
A Terra ainda é um mundo pouco evoluído. 
Isso se percebe pelos numerosos vícios que ainda são mantidos por seus habitantes. 
O egoísmo ainda é uma constante na imensa maioria das pessoas. 
As condições materiais do planeta guardam relação com o nível evolutivo dos Espíritos aqui radicados. 
Como estes ainda encontram satisfação com coisas grosseiras, a existência terrena é bastante materializada. 
À medida que os Espíritos se sublimarem e desenvolverem gosto por questões transcendentes, o viver humano se suavizará. 
Mas a realidade é que os Espíritos atualmente vinculados à Terra são imperfeitos. 
Em maior ou menor grau, precisam burilar o próprio caráter e amealhar virtudes. 
Também necessitam domar vícios desenvolvidos em outras existências e quitar velhas dívidas. 
Desse quadro não fazem parte as almas missionárias, que por amor aceitam viver entre nós algum tempo. 
Contudo, o relevante é que a existência humana não é um passeio ou um piquenique. 
Todos os que nascem na Terra vêm com o propósito de se reajustarem perante a própria consciência e evoluírem. 
Isso explica as dificuldades e as aparentes incoerências do viver. Pessoas boas que sofrem resignadamente são Espíritos seguindo o programa de reabilitação que traçaram no plano espiritual. 
São semelhantes a devedores que fazem economia a fim de saldar suas dívidas. 
Submetem-se a um regime severo para conseguir uma rápida libertação.
Em breve, serão candidatos a existências sublimes em mundos mais evoluídos. 
Por outro lado, quem ainda se permite fazer o mal, deve ser lamentado.
Com seu agir equivocado, forja algemas que o prenderão a inúmeras situações dolorosas e constrangedoras. 
Nesse contexto, não causa surpresa que homens cruéis tenham vida longa. 
A existência que se estende para tais seres reflete a Misericórdia Divina.
Falhos de compreensão, necessitam de tempo para perceber a própria realidade. 
Ao final, cada ser dá conta de suas construções à própria consciência.
Qualquer injustiça ou incoerência é apenas aparente. 
Em todo lugar, a Justiça Divina vigora em Sua plenitude. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 7.7.2021.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

NO BALANÇO DAS PERDAS E GANHOS

Maria Lúcia Wood Saldanha
Quando as notícias nos chegam de que o Estado do Paraná registra um enorme salto nos casos de suicídio, nos últimos seis anos, sentimo-nos chocados. 
Verdade que tivemos um grave problema pandêmico, que abalou estruturas familiares, de empresas, da sociedade, em geral. 
Tivemos que nos reinventar como familiares, como profissionais, como seres humanos. 
Sim, existe muito luto, desconforto, alterações profundas na vida de muitos de nós. 
No entanto, lembramos dos que estiveram nos campos de concentração e lutaram, em condições subumanas, para sobreviver. 
E, depois dos horrores vividos, recomeçaram suas vidas. 
Mais do que isso, falam de amor e respeito à vida. 
O que nos faz, então, termos tal descaso por esse bem inigualável, que se chama vida, nos levando à terrível estatística de um suicídio a cada doze horas? 
Por que desistir de viver? 
Muitos fogem da vida porque pretendem com isso acabar com a dor das perdas, do abandono, da solidão... 
Por isso, é justamente nas páginas de uma heroína que vive na capital paranaense, que colhemos dados sobre perdas... e ganhos. Jovem, bonita, culta, ativa, advogada por profissão, aos quarenta e um anos sentiu os primeiros sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA.
Trata-se de uma síndrome neurodegenerativa, progressiva e incurável.
Começou com fraqueza, paralisia dos membros superiores e inferiores.
Depois, a incapacidade de falar, de deglutir e de respirar. Onze anos depois do diagnóstico, Maria Lúcia Saldanha vive. Comanda a casa, a família e a vida. Apenas com o olhar, graças a um programa especial de computador. Presa a uma cadeira de rodas, alimentada por sonda gástrica e ligada a um ventilador mecânico para poder respirar, Maria Lúcia vive.
Quando lhe chegou o diagnóstico, ela poderia ter simplesmente se entregado ao desenrolar drástico da enfermidade, que conduz à morte, num período máximo de dois a cinco anos. Ela optou por lutar. Lutar para viver. Lutar para ver seu filho se formar, na Marinha Mercante. Mesmo que não o tenha podido abraçar senão com o coração, desde que os braços não lhe obedecem ao comando da vontade. Por isso, onze anos depois, ela continua lecionando experiências de vida. Ela sai de casa, passeia com sua cadeira de rodas especial na canaleta do ônibus expresso, porque o trepidar da cadeira, em nossas calçadas, a maltrata em demasia. Ela usa táxi, ônibus, vai ao shopping. Foi ao Rio de Janeiro para a formatura do filho. Um exemplo de vida. Escreveu sobre suas experiências com a ELA, incentivando a outros que não se permitam abater. Viver é uma experiência que não deve ser desconsiderada. Maria Lúcia escreve que, desde 2010, perdeu os movimentos dos dedos, das mãos, dos braços. Perdeu a capacidade de andar. Perdeu o equilíbrio, a fala, a capacidade de comer, de respirar sozinha. 
 Mas confessa: 
-Perdi muito mais do que isso, perdi o desespero, a impaciência, o desânimo, o egoísmo. Perdi a inveja, o orgulho, a ganância. Por fim, perdi a raiva. Então, concluo que foram muitas perdas. Também muitos ganhos.
Reflitamos. 
Vale a pena viver. 
Vivamos! 
Redação do Momento Espírita, com base no Prefácio e no cap. Perdas, do livro A vida é bela – Como aprender com ELA, de Maria Lúcia Wood Saldanha, ed. da autora. 
Em 8.9.2022.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

INCLUSÃO

Roman Povey e sua mãe
Sem amigos na escola, o menino Roman Povey, de onze anos, nunca quis comemorar seu aniversário e sempre passou a data sozinho. 
Sua mãe, utilizando-se de uma comunidade social na internet, fez um desabafo, contando as dificuldades dela e do garoto. 
Ela relata que o filho chora todas as noites por não ter amigos, além de só ter sido convidado uma única vez para uma festa de aniversário de colegas de sua escola em Devon, na Inglaterra, onde residem. 
Além de ficar com o coração partido pela tristeza do filho, a mãe contou que Roman tem dificuldade em fazer amigos e em ser aceito, devido a um problema de comunicação: 
-Ele teve atraso na fala, e quando as crianças vêm conversar, ele não acompanha e se sente mal. – Afirma ela. 
Ainda, na postagem, a mãe pedia que os conhecidos enviassem cartões de felicitações pelo aniversário do filho. 
Segundo o jornal britânico Daily Mail, o post se tornou um viral, e o menino recebeu mais de quatrocentas cartas de todo o mundo, com felicitações.
Pessoas de Uganda, Dubai, Dinamarca, Áustria, Egito, Nova Zelândia, Alemanha, Noruega, entre outros. 
-A compaixão de todas essas pessoas foi muito inspiradora. 
Declarou a mãe ao jornal. 
Após o sucesso da mensagem, quando chegou na escola, Roman foi cercado por várias crianças, que o parabenizaram. 
Segundo a mãe, ele chorou muito. 
-Ele disse que estava chorando de felicidade. – Contou ela. 
Além disso, a mãe resolveu organizar uma festa surpresa para o filho.
Roman teve uma surpresa incrível nesta noite. 
-Muito obrigada às cinquenta e cinco pessoas que guardaram segredo e participaram de uma memória inesquecível para o meu filho. – Postou a mãe na rede social. 
* * * 
Nunca se utilizou tanto este termo no mundo: inclusão, ou inclusão social.
Em alguns países, isso é uma questão mais bem resolvida, em outros ainda não. 
Desejamos, porém, ir mais fundo do que apenas na questão da inserção de todas as pessoas, sem discriminação qualquer, no ensino regular das escolas ou na sociedade como um todo. 
Precisamos falar da inclusão no coração, isto é, do sentimento por trás dela, pois de nada adianta isso estar na lei, se não estiver também no coração, na consciência de cada um. 
A ideia de inclusão precisa estar na educação de todos nós, desde o berço. 
A lei de igualdade, lei divina, diz que todos temos os mesmos direitos perante a vida. 
Trazemos sim, cada um, necessidades especiais, características únicas, que nos diferenciam uns dos outros, mas isso não nos torna, jamais, mais ou menos merecedores de direitos. 
Ainda iremos descobrir, quando estivermos devidamente maduros como humanidade, que não foi a lei do mais forte, ou a seleção natural, que nos fez chegar onde estamos, que nos fez ser mais sábios e melhores.
Chegará o dia em que entenderemos que a única força que é capaz de proporcionar a verdadeira evolução é a da fraternidade, do compartilhar conhecimento e felicidade. 
É a lei do amor que nos rege acima de todas as outras. 
Incluir é ter no coração este sentimento de que todos somos irmãos, que estamos todos no mesmo barco, e de que estamos aqui não para competir uns com os outros, mas para nos ajudarmos. 
O melhor não será aquele que chegar primeiro, mas sim aquele que chegar trazendo o maior número de outros em seu abraço. 
Redação do Momento Espírita, com base em reportagem do site UOL, em 29.4.2015. 
Em 25.6.2015.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

DUZENTOS ANOS

Salve, Pátria amada! 
Neste dia, em que o júbilo nos toma os corações, em que vemos tremular nossa bandeira enquanto cantamos o Hino Pátrio, recordamos de quantos ofertaram suas vidas para que chegássemos a este patamar. 
Recordamos do primeiro movimento nativista que levou Filipe dos Santos à morte horrenda, da Inconfidência Mineira, que culminou com a morte de um herói e degredo para outros tantos. 
Da heroína baiana, morta covardemente à porta do convento, e que se transformou em líder espiritual, prosseguindo a acalentar os corações de nosso povo. 
De muitos povos. 
A sua mensagem é a da liberdade autêntica, sem entraves que nos retenham ao passado, nem reprise de erros. 
É possível que alguns de nós nem registremos lances históricos e sejamos daqueles que somente apontam os defeitos de um país ainda jovem.
Pouco mais de quinhentos anos. 
Um país adolescente, que mal respira sua Independência de Duzentos Anos. 
Damo-nos conta de que obedecíamos, há dois séculos apenas, a outro país, que não tínhamos nossa própria identidade? 
Por isso, Brasil amado, neste dia em que rufam os tambores, não para a guerra, mas para as comemorações, em que verde, amarelo, azul e branco são as cores do nosso coração, te desejamos progresso e paz.
Desejamos que todos os teus filhos despertem para o ideal de imensidão do teu território. 
Que lutem pela manutenção da soberania nacional, que o estrangeiro somente seja aquele que venha para se abrigar em teu solo amigo, disposto a colaborar para a tua grandeza. 
Desejamos que os nossos governantes sejam lúcidos, amantes da Ordem e do Progresso. 
Aguardamos por líderes autênticos que tenham por ideal a paz e o bem comum. 
Que pensem muito mais na responsabilidade de que se revestem seus temporários cargos do que na satisfação pessoal de honrarias e privilégios. 
Duzentos Anos de Independência. 
Quantos mais precisarão se somar a esses para sermos um povo realmente independente? 
Um povo que respira solidariedade. 
Um povo que abraça o compromisso de amar a Pátria, honrando-a com o respeito e trabalho digno. 
Um povo que ouviu o chamado da Pátria do Evangelho e procede como quem, realmente, vive a Boa Nova e a deseja vivenciar, a cada dia. 
Um povo que, contemplando as estrelas, se vê abençoado pelo Cruzeiro do Sul, lembrando de um pastor sem igual e lhe desejando seguir as pegadas. 
Nação brasileira! 
Somos todos nós, os nascidos neste bendito torrão e aqueles que, espontaneamente, o viemos adotar como nosso lar. 
É hora de despertar. 
Há Duzentos Anos ouvimos o clamor: 
Brava gente brasileira, 
Longe vá temor servil 
Ou ficar a Pátria livre 
Ou morrer pelo Brasil. 
Deixemos morrer nossas ânsias de poder e trabalhemos pelo bem comum.
Deixemos morrer nossas vaidades e abracemos o serviço do bem.
Alcemos nossa bandeira. 
Ordem e Progresso sejam os comandos. 
Despojemo-nos dos vícios que nos retêm na retaguarda. 
Mostremos ao mundo que somos realmente um povo comprometido com a paz e o progresso. 
Coração do mundo. 
Seja esta data nosso marco definitivo de adesão ao verdadeiro Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. 
Redação do Momento Espírita 
Em 7.9.2022.