segunda-feira, 7 de novembro de 2022

DINAMISMO

Dinamismo é uma palavra de origem grega, composta pelos vocábulos dynamis, que significa força, poder, capacidade, acrescido do sufixo ismo. 
Podemos entender que é a qualidade de se ter energia, atuar com prontidão, diligência. 
Ao compulsarmos o legado dos primeiros repórteres da Boa Nova, o que evidenciamos, nas páginas abençoadas, é o dinamismo de Jesus.
Em todos os relatos, jamais encontramos o Mestre em repouso improdutivo. 
Ele é o símbolo da ação, do trabalho, da dedicação ao próximo. 
Eu vim para que tenhais vida, afirmou. 
E vida em abundância. 
Sábio dos sábios, Senhor das estrelas, Ele não foge do contato e das lutas humanas. 
Criado no lar de um carpinteiro, cedo aprendeu o ofício. 
Quem modelara o planeta, problema algum detetou ao tomar da madeira e submetê-la à Sua vontade. 
Em Seu messianato, Ele não se contenta em ser procurado para abrandar o sofrimento e socorrer a aflição. 
Ele mesmo vai ao encontro das necessidades alheias. 
Assim, quando se aproxima do tanque de Betesda, caminha em direção ao paralítico e lhe proporciona a cura. 
Uma cura aguardada há trinta e oito anos. Era o momento da sua libertação. 
Era de tal forma dinâmica a Sua ação que, mesmo simplesmente tocado, como O foi pela mulher portadora de um fluxo de sangue, distribui Seu fluido curador. 
Contudo, como Ele era o Celeste Pastor, todos Seus atos demonstravam uma lição. 
Quando Ele adentra a casa de Pedro, viu que sua sogra estava acamada, com febre. 
Febre não é propriamente a doença, mas o sintoma de alguma enfermidade. 
A descrição é de que Jesus lhe tocou as mãos e a febre a deixou. 
De imediato, ela se levantou e foi servi-lO. 
Isso nos remete a pensarmos que quando encontramos Jesus e O adotamos para nossas vidas, nosso desejo é sermos curados. 
Curados de nossas angústias, dúvidas existenciais, ansiedades e incertezas. 
É a febre sintoma das tantas mazelas de que somos portadores. 
Ao contato com as lições do Mestre Incomparável, absorvendo o influxo das Suas bênçãos, somos curados. 
Conhecedores de que somos filhos de um Pai amoroso e bom, cede a febre da ansiedade. 
Cientes de que aqui estamos para nosso progresso, arrefece a febre das nossas angústias, porque cada dia é uma oportunidade de luta e crescimento. 
Dessa forma, nos encontramos aptos para o trabalho. 
E o trabalho do cristão é ser dinâmico, levantar-se e servir. 
Servir ao semelhante, começando pelo próximo mais próximo. 
No exemplo evangélico, a sogra de Pedro, curada da febre, atende, primeiramente, a quem está em sua casa: Jesus e os que O acompanham. 
Isso é importante. 
Por vezes, saímos atendendo o mundo e nos esquecemos dos que na família nos aguardam. 
Aguardam o abraço, o carinho, o sustento emocional. 
Aguardam que nos preocupemos com suas lutas, com suas necessidades. 
Aguardam que lhes sejamos o socorro, o apoio, o ouvido atento para suas mil pequenas, mas não menos importantes dificuldades.
Aprendamos a ler nas entrelinhas dos Evangelhos e moldemos nossa vida no dinamismo, isto é, nossa força, nossa energia em ação.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Jesus e o convite ao dinamismo, de Telma Maria Santos Machado. 
Em 7.11.2022

domingo, 6 de novembro de 2022

INJUSTIÇAS APARENTES

A vida raramente transcorre conforme os planos e as expectativas. Improvisações e mudanças de rota são frequentemente necessárias.
Mas algumas decepções são particularmente difíceis: a perda ou o comportamento indigno de entes queridos, enfermidades dolorosas, dificuldades materiais persistentes. 
Certas injunções penosas que se prolongam no tempo constituem um teste para a fibra moral. 
No princípio, é até fácil aceitar a sorte. 
Mas o transcorrer dos meses ou dos anos gradualmente mina a resistência. 
Um pequeno período de desemprego é desagradável, mas não chega a desestruturar a vida. Já permanecer desempregado por longo tempo constitui uma grande provação. 
Uma enfermidade ligeira atrapalha. 
Contudo, uma doença crônica impõe severas alterações no modo de viver. 
É então que, muitas vezes, o homem se permite blasfemar. 
Compara sua vida com a dos outros e reclama de Deus. 
Acha-se injustiçado, pela dureza de sua vida, e deseja trocar de lugar com o próximo. 
Entretanto, a injustiça é um conceito estranho às leis divinas. 
Cada qual vive exatamente as experiências de que necessita em sua jornada para a plenitude. 
Dificuldades são desafios e não desgraças. Constitui incumbência do homem, manter a serenidade em face das dores, enquanto busca o melhor meio para libertar-se delas. 
Algumas injunções inexoráveis são o resgate de equívocos do pretérito. 
A maior parte das vezes o sofrimento decorre de atos insensatos desta vida. 
Mas, certas dores são reflexo de comportamento equivocado em encarnações passadas. 
Talvez alguém seja um pai exemplar e, contudo, seus filhos só lhe causem decepção. 
O filho recebido no berço, como um penhor de felicidade, revela-se vicioso. 
A despeito de todos os exemplos dos pais, segue entre desatinos. 
A filha também não sabe honrar o lar paterno. 
Embora educada, com base nos mais elevados princípios, possui hábitos levianos. 
Quiçá esse pai lance um triste olhar para os lares alheios, e se considere injustiçado, pois foi brindado com criaturas difíceis para educar e conduzir. 
Entretanto, o desconhecimento da lei da reencarnação permite esse tipo de pensamento. 
Se tal genitor pudesse analisar seu passado espiritual, certamente entenderia o que ocorre. 
As criaturas difíceis que nos rodeiam podem ser aquelas que desrespeitamos ou desvirtuamos no pretérito. 
Quem acordou primeiro das ilusões deve auxiliar os que seguem na retaguarda. 
O filho desrespeitoso bem pode ser um companheiro de loucuras passadas. 
Mais frágil e imaturo, foi conduzido ao despenhadeiro do vício pelos exemplos recebidos. 
O pai que hoje se desgasta, em difícil processo de educação, pode estar labutando para desfazer os estragos a que deu causa. 
É sempre importante considerar que não há injustiça nos estatutos divinos. 
Dores e alegrias, facilidades e dificuldades são o natural salário da vida que se leva. 
Assim sendo, faça o melhor que puder, certo de que não há sementeira sem frutos. Toda injustiça é apenas aparente. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.11.2021.

sábado, 5 de novembro de 2022

INIMIZADES

Você já se perguntou algum dia, de onde nascem nossos sentimentos de querer bem e querer mal? 
Como conseguimos querer tanto a uns, e ter aversão ou dificuldade de relacionamento com outros? 
Os nossos valores e sentimentos, aquilo que guardamos na alma e no coração, são nossa identidade emocional. 
E será baseados nessa identidade que teremos afinidades com uns e nem tanto com outros. 
É natural que tenhamos pendores para as amizades com esse ou aquele perfil de pessoa, de personalidade, pois que esses carregam na alma valores semelhantes aos nossos, valores com os quais nos simpatizamos. 
E o contrário também se faz regra. 
Há também aqueles que, quando nos encontramos nos caminhos da vida, parece que o sentimento já estava pronto. 
De imediato estamos a nos gostar, a querer bem, ou a nos antagonizar, a nos querer mal. 
Para esses, nossos encontros são reencontros de experiências anteriores. 
Assim, ao reencontrarmos nesta vida aqueles que já aprendemos a amar em outras vidas, em outras experiências, é sempre o presente que Deus nos oferece para tornar esta existência mais suave, mais leve. 
Esses serão aqueles a nos apoiar na caminhada, a nos ajudar nas dificuldades, a deixar nossos dias com o frescor do perfume da amizade e do bem querer. 
E, quando encontramos aqueles com quem nos antipatizamos, é a oportunidade da vida para refazermos sentimentos. 
Seja na forma da implicância, da má vontade, ou ainda, mais intensamente, do rancor ou mesmo ódio. 
Todos esses sentimentos são variações diferenciadas do antagonismo que alimentamos pelo nosso próximo. 
E se hoje, esses inimigos do ontem cruzam novamente os nossos caminhos, é porque a Providência Divina percebe ser agora o momento oportuno. 
Dessa forma, aproveitemos quando a vida nos apresentar alguém que não queremos bem para aprender a amá-lo. 
Não um amor irrestrito e incondicional. 
Não o amor com que amamos um filho, o companheiro, os pais.
Esses companheiros de jornada vão exigir de nós o amor na forma da paciência, do entendimento, da benevolência, e principalmente, da compreensão. 
Por isso, se detectarmos nos nossos relacionamentos, aquele que classificaríamos de inimigo, proponhamo-nos, a partir de agora, uma nova classificação para ele: alguém a ser conquistado. 
Aceitemos o desafio de modificar nosso sentimento íntimo, sem a preocupação dele ter que agir de igual modo. 
Afinal, nós iremos responder pelo nosso próprio campo emocional. De ninguém mais. 
Façamos do inimigo, do desafeto, nosso mais dileto professor. 
Ele será aquele que irá nos ensinar a compreensão, a humildade, o perdão, fazendo com que conquistemos valores nobres. 
Jamais gastemos tempo e energia colecionando ou criando novos desafetos. 
Não percamos tempo contentando-nos em tê-los, como se isso não nos dissesse respeito. 
Lembremo-nos que a oportunidade que a vida nos oferece de refazer relações será sempre a oportunidade de retirar pedras e calhaus que se acumulam no baú de nossas emoções, trocando-as por joias preciosas, os verdadeiros tesouros do reino dos céus. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 3.9.2020.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

ANTES DE MERGULHAR NO CORPO

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
Antes de mergulhar no corpo de carne, para uma nova encarnação, você fez alguns pedidos. 
Rogou aos benfeitores do seu destino as oportunidades de crescimento mediante a redenção pessoal. 
Após meditação necessária e aconselhamento valoroso, reconheceu as suas principais deficiências, entendendo a necessidade de programas iluminativos na nova prova terrena. 
Por mais que você possa se surpreender agora, naqueles momentos preparatórios, suplicou pela presença da aflição, vez que outra; da enfermidade, periodicamente; dos testemunhos morais frequentes, para que a sua consciência lembrasse do quanto é frágil a vida física.
Você está mergulhado num mundo que busca o prazer a todo custo e que tem medo da dor. 
Porém, naqueles momentos que antecederam a sua vinda, você entendia o quanto a dor é professora eficiente e necessária. 
Em algum momento, inclusive, enquanto tudo buscava planejar, os seus mentores chegaram a aconselhar que dispensasse algumas cargas, que poderiam ser difíceis demais. 
No entanto, você, cheio de boa vontade, de coragem exemplar, antevendo o futuro feliz que o aguardaria, após a vitória, se manteve firme nas propostas iniciais de se redimir de muitas coisas. 
Assim, você foi devidamente preparado. 
Teve a contribuição de Espíritos nobres, que lhe trouxeram palavras de incentivo e lhe ofereceriam ajuda, a qualquer momento, durante a vida na Terra. 
Alguns deles se propuseram a vir como pais. 
Outros, como amigos, companheiros de lutas. 
Alguns, permanecendo na pátria espiritual, para a inspiração de bons pensamentos, consolo em instantes graves, nunca o deixando sozinho. 
Então, você mergulhou na névoa carnal, entre alegrias e promessas, como um grande candidato ao triunfo. 
E aqui está você, instalado na escola terrestre, enfrentando os mil desafios que sabia iria encontrar. 
Está, como se diz, no olho do furacão, tendo que lidar com inúmeras questões da vida, da sua e da dos seus, pois outras tantas dificuldades estão na vida de relação dos que estão à sua volta. 
Pois bem, tudo faz parte do que foi anteriormente traçado. 
Aí estão todas as matérias das variadas provas da escola terrena.
Respire fundo e não reclame de forma alguma. 
Siga adiante, recordando que tudo faz parte do planejamento prévio que fez. 
E que você tem todas as condições de sair vitorioso. 
Lembre de quantos participaram dessa sua investida de luz, dos que planejaram com você e dos que estão aqui, ao seu lado, contribuindo para que tudo dê certo. 
Não deixe de contar com os amigos espirituais, sempre dispostos a auxiliar, com conselhos, consolo. 
Ou até mesmo para secar suas lágrimas, nos instantes mais graves.
Pela meditação, pela oração e pelo estudo, conecte-se a eles, sintonize com a lucidez dos dias que antecederam a sua vinda a este planeta. 
Retome a coragem, retome a força de vontade, por mais machucado que esteja. 
Feridas e arranhões se curam com o tempo, e passam a ser traços luminosos em nossa história imortal. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 6, do livro Desperte e Seja Feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 4.11.2022.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

UMA BONECA DE AMOR

Boneca Abayomi
Na travessia de quarenta dias pelo Oceano Atlântico, nos navios negreiros, nossas mães africanas tinham o coração aflito. 
Para acalentar seus pequenos, durante essas terríveis viagens, elas rasgavam retalhos de suas saias e criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós. 
As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, que significa encontro precioso, para o povo Iorubá, uma das maiores etnias do Continente Africano, cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim. 
Essas mães também se afligiam, ante a crueldade com que foram arrastadas para as embarcações, com a possibilidade de serem afastadas de suas crianças, ao chegarem nas estranhas terras para as quais estavam sendo conduzidas. 
Ao anteciparem a dor dessa separação, entregavam as Abayomi aos filhos. 
Através delas, eles poderiam conversar com suas mães, de forma simbólica. 
Afinal, eram retalhos das vestes delas que eles mantinham entre as mãos.
Caso crescessem longe delas e, um dia, talvez, se pudessem reencontrar, poderiam se reconhecer através dos tecidos usados. 
Ao transferir seu amor para esse símbolo, aquelas mães expressavam a sua dor. 
Também a esperança que ia embutida naqueles trapos. 
Ninguém poderia saber se as crianças conservariam as bonecas, ou se iriam mesmo dialogar com elas, na ausência de suas mães. 
Mas, nesse gesto reinava a esperança, que ajudava a aliviar o coração materno. 
Treinavam, dessa forma, o desapego emocional, que elas teciam com tristeza, também com beleza e poesia. 
* * * 
Lembrando das atitudes dessas mulheres, recordamos de quantos de nós precisamos treinar o desapego emocional. 
Recordamos a mãe de ilustre baiano, despedindo-se dele, que rumava da pequena cidade natal para a capital baiana: 
-Meu filho não me pertence, ele nasceu para o mundo. 
-Sim, nossos filhos, como dizia o poeta libanês, vêm através de nós, mas não nos pertencem. 
O que será, no futuro, a criança que hoje chora em nossos braços? 
Não passa pela nossa imaginação que podemos estar acalentando o músico que arrebatará multidões, o médico que salvará vidas, o cientista que se entregará a exaustivas pesquisas para benefício da Humanidade, um Prêmio Nobel. 
Somente Deus tem ciência do seu planejamento de vida, firmado antes do nascimento, no cartório da Espiritualidade. 
Desapego emocional é o que precisamos treinar desde o momento da concepção. 
Formulamos planos para lhes dar o melhor, em amor e devoção. 
Mas, chegará o dia em que deixarão a nossa casa, para formar sua própria família, para alçar voos mais ousados nos campos da arte, da ciência, do saber. 
Buscarão, até, novas fronteiras, outros países para estabelecer seu ninho e seu refúgio. 
Como as mães africanas, vamos tecer uma Abayomi de amor, essência nossa, invisível e confiá-la aos seus corações. 
Nós os deixaremos ir, livres para alcançar seus objetivos. 
Mas, coração a coração estaremos conectados, sentindo o pulsar pausado ou acelerado um do outro. 
Desapegados. 
Também conectados, nos falaremos nas noites de luar ou nos dias invernosos. 
Redação do Momento Espírita.
Em 3.11.2022.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

INIMIGOS

Inimigo.
A palavra traz uma carga negativa impressionante! 
O inimigo é alguém que desperta em nós os sentimentos mais primitivos: medo, ódio, desejo de vingança. 
Diante de um inimigo, as mãos ficam geladas, o coração bate forte, o sangue pulsa nas têmporas. 
E a pergunta surge: 
-Como agir? O que fazer? 
A resposta a essa pergunta foi dada pelo Cristo: 
-Ama o inimigo, ora pelos que te perseguem. 
Mas, nós, que somos pessoas comuns, costumamos reagir a esse conselho de Jesus. 
E nos perguntamos: 
-Amar o inimigo? Fazer o bem a quem nos feriu e maltratou? 
E, em geral, concluímos: 
-Impossível. 
Para nós, a expressão Amar o inimigo parece uma utopia. 
Em alguns casos, até somos irônicos: 
-Esse ensinamento de Jesus não é para nós. Ainda somos muito imperfeitos. 
O que acontece é que não entendemos corretamente o significado da palavra amar, quando se aplica ao inimigo. 
Jesus era um sábio. 
Ele conhecia profundamente a alma humana. 
Você acha que Ele iria sugerir algo que não seríamos capazes de fazer?
Claro que não! 
Todas as sugestões de Jesus são perfeitamente possíveis. 
Por isso vamos examinar melhor essa questão do amor ao inimigo? 
A primeira coisa é entender o que significa a expressão Amar o inimigo.
Com essas palavras, Jesus apenas nos convida a perdoar quem nos fez mal. 
Ou, no mínimo, apela para que não busquemos a vingança. 
Parece difícil? 
Nem tanto. 
Vamos falar de forma prática. 
Se alguém tem um inimigo, em geral, qual é a atitude que adota? 
A maioria das pessoas mantém o inimigo permanentemente em seus pensamentos. 
Não consegue pensar em nada, além da pessoa odiada. 
E assim a vida segue. 
Quem odeia mantém-se escravo do inimigo. 
Faz as refeições, dorme, acorda, trabalha e vive constantemente em meio a esse sentimento de rancor, alimentando desejos de vingança. 
Parece ruim? 
Pois é exatamente o que fazemos: deixamos o inimigo comandar a nossa vida. 
Tornamo-nos escravos daqueles que odiamos. 
Por isso a sabedoria da proposta de Jesus, que é a libertação dos laços que nos prendem aos inimigos. 
Perdoar é mais fácil. 
Deixa a alma mais leve, o corpo mais saudável, as emoções sob controle.
Quando o Cristo pronunciou a expressão Amar o inimigo, na verdade, ofereceu um caminho de equilíbrio e de serenidade. 
É claro que o Cristo não espera que tenhamos pelos inimigos o mesmo amor que dedicamos à família e aos amigos. 
Jesus quer apenas que afastemos de nosso coração a mágoa, a infelicidade, o ódio e o desejo de vingança. 
Por isso ele aconselhava: 
-Orem pelos que vos ofendem. 
E nessas preces, pedi a Deus que vos dê forças para superar a ofensa vivida. 
Pedi também a Deus que vos ofereça oportunidade de ser útil àquele que vos feriu. 
Se essa oportunidade surgir, não deixemos passar a chance de sermos úteis e bons. 
Gestos desse tipo fazem nascer na alma o sentimento de superação, de etapa vencida. 
É um momento único, encantador.
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 31.03.2008.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

DESATANDO NÓS...

Narra uma lenda que o rei da Frígia, assim chamada a Ásia, durante o Império Bizantino, morreu sem deixar herdeiro para o trono. Era o século VIII a. C. Consultado, um oráculo anunciou que o sucessor deveria chegar à cidade num carro de bois. Então, um camponês, de nome Górdio, no veículo descrito, adentrou a cidade. Entendendo que a profecia estava se cumprindo, ele foi coroado. Para que jamais esquecesse seu passado humilde, ele colocou a carroça, que lhe rendera a coroa, no templo de Zeus. E a amarrou com um enorme nó a uma das colunas. Na prática, era um nó impossível de ser desatado. Górdio reinou por muito tempo. Seu filho, chamado Midas, o sucedeu no trono e expandiu o império. Ao morrer, no entanto, não deixou herdeiros. Novamente, foi ouvido o oráculo que declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria todo o mundo. Passaram-se os séculos, meio milênio, em verdade, e ninguém conseguiu realizar a proeza de desatar o dito nó. Então, o jovem Alexandre Magno tomou conhecimento da lenda e decidiu passar pela Frígia. Foi ao templo de Zeus e observou o nó feito por Górdio. Após alguma análise, ele desembainhou a sua espada e cortou o nó. 
Lenda ou verdade, o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor. É considerado um dos melhores estrategistas militares do Mundo Antigo. E o edificador de um dos maiores impérios que o mundo já viu. O seu feito levou à expressão cortar o nó górdio, ou seja, resolver um intrincado problema da maneira mais simples e mais eficaz. 
Isso nos remete à reflexão de que, por vezes, bastam ações simples para resolver problemas que nos podem parecer insolúveis. 
Medidas singelas e efetivas, que nos falam de simplicidade e descomplicação. 
Com certeza, foi por isso que o Mestre de Nazaré estabeleceu a regra de ouro: 
-Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas, conforme as anotações do Evangelista Mateus. 
Quase sempre a solução da dificuldade que se apresenta está sob nossos olhos, mas não conseguimos ver. 
Como o grande Alexandre, é importante que não fiquemos presos a um roteiro, ao que todos fazem, conforme todos pensam. 
Importante pensar fora da caixa, de maneira objetiva. 
Embora a solução de um problema possa não ser fácil, será sempre simples. 
A jornada de Jesus na Terra foi adornada de simplicidade. 
Cantou as Suas bem-aventuranças em plena natureza, narrou inesquecíveis parábolas utilizando-se de temas conhecidos e familiares como o joio e o trigo, a figueira seca, o semeador, o samaritano. 
Serviu-se de objetos e situações do cotidiano para falar de coisas grandiosas, de um reino a ser implantado no coração dos homens: uma moeda perdida, uma pérola encontrada no campo, a lida de um semeador, uma vinha. 

Não se referiu a Deus com palavras complexas: simplesmente nos disse poeticamente:
-Meu Deus e vosso Deus, Meu Pai e vosso Pai. 
Um Pai soberanamente justo e bom, Senhor do Universo. 
Um Pai a quem pertence todo poder e glória. 
Simples como as pombas. 
Também prudentes para não identificar nós onde existe apenas um laço, que pode ser desatado, suavemente. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O nó górdio, a navalha e a simplicidade, de Telma Maria Santos Machado, delegada da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas, no Estado do Sergipe. 
Em 1º.11.2022
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