terça-feira, 10 de março de 2020

AS ESTRELAS DO MAR

Certo dia, um escritor, que costumava caminhar pela praia, em busca de inspiração, observou, ao longe, algo a se movimentar. Continuou andando na direção daquela sombra até aproximar-se o bastante para perceber que se tratava de um homem. Quando chegou mais perto notou que ele juntava as estrelas do mar, que haviam ficado presas na areia quente da praia, e as devolvia ao mar. Só então ele se deu conta de que havia muitas estrelas do mar espalhadas pela praia. Espantado disse ao homem: 
-Você não percebe que há muitas estrelas do mar por aí? Seu esforço não vale a pena. Mesmo que você trabalhe vários dias seguidos não conseguiria salvar todas elas. Então, que diferença faz? 
O homem, que ainda não havia parado para lhe dar atenção, pegou uma estrela do mar, ergueu-a e, mostrando-a ao escritor disse: 
-Para esta eu fiz diferença. 
E, jogando-a ao mar, continuou sua empreitada. O escritor observou aquele homem por mais alguns instantes e chegou à conclusão de que havia encontrado, naquele gesto simples e desinteressado de um anônimo, a inspiração que buscava. 
* * * 
Quando nos parecer que um pequeno gesto nobre de nossa parte não faz diferença, lembremo-nos desta singela história. Pensemos que um único sorriso pode fazer muita diferença para alguém que se encontra desalentado. Uma palavra de otimismo fará diferença para quem está desesperado. Um exemplo nobre junto aos filhos, aos familiares, aos amigos, ou àqueles que nos observam de perto, pode fazer muita diferença. A cada instante nós perdemos excelentes oportunidades de sermos gentis, de perdoarmos, de agirmos com delicadeza, de sermos honestos, sinceros, de calarmos uma ofensa. E isso tudo, no cômputo geral, faz grande diferença. Recentemente, lemos a notícia de que é preciso resgatar os valores simples para evitar os males atuais que são a depressão, a ansiedade, o desalento, entre outros. Essa foi a conclusão a que chegaram os psiquiatras que participaram de um Congresso de Psiquiatria Clínica. A tão falada e útil globalização, a grande quantidade de informações que chega a cada instante, a disputa pelo poder, a competição desonesta, faz com que nos esqueçamos de ser gente. Parece mesmo que estamos nos tornando máquinas automatizadas, incapazes de olhar para quem está ao nosso lado, senão como um ferrenho concorrente ou um adversário pertinaz.. Se todos nós repensássemos valores e nos lembrássemos de que somos seres criados para viver em sociedade e que, acima de tudo, somos Espíritos imortais, filhos do mesmo Pai, talvez sofrêssemos menos. E isso faria diferença. 
* * * 
Quando percebermos alguém preso nas areias quentes da solidão... 
Quando notarmos alguém se debatendo no mar revolto do sofrimento... lembremos que todos somos estrelas do Universo, colocadas lado a lado, pelo Criador, para crescermos juntos. E, como ensinou o Mestre de Nazaré, não sejamos estrelas apagadas, mas façamos brilhar a nossa luz onde quer que estejamos. Só então perceberemos o quanto isso faz diferença. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 23.8.2013.

segunda-feira, 9 de março de 2020

VIVER

Por vezes, não nos lembramos de como é bom viver. Talvez porque nos esqueçamos de usufruir a vida em totalidade. Quase sempre, a ansiedade é nossa companheira. E é ela que nos impede de viver em plenitude. Quando nos deixamos envolver pela ansiedade, estamos em um lugar fisicamente, mas a mente se encontra em outro ou, então, horas à frente. É bastante comum nos encontrarmos em uma festa e cogitarmos do cansaço que sentiremos no dia seguinte, do inconveniente de termos que levantar cedo, de retomar a rotina. Descambamos para queixumes e lamentações. Esquecemos de viver aquele momento de alegria, de encontro com os amigos, de risos, de descontração. Consequentemente, a festa não nos beneficiará, ao contrário, será sinônimo de cansaço e indisposição. E que dizer quando reclamamos das crianças em casa? Reclamamos do barulho, da correria. Enfim, elas requerem tanta atenção, tantos quefazeres. E deixamos de usufruir dessa extraordinária possibilidade de observá-las, de rir com elas, rir do que fazem e como fazem. Permitimo-nos perder a chance de ter algumas horas de puro prazer, correndo, rindo, rolando na grama, chutando bola. E também abraçando, estreitando forte, beijando.
Já nos demos conta de quão maravilhoso é o colar de dois braços miudinhos nos envolvendo o pescoço? Nenhuma joia, por mais valiosa, supera essa preciosidade. Porque abraço de criança é tudo de bom: é espontâneo, é forte, é macio. E, no final do passeio, ou na hora de dormir, como é doce sentir aquele calor do corpo de uma criança em nossos braços, perceber-lhe o ritmo da respiração, sentir o pulsar do seu coração junto ao nosso. 
Isso se chama viver. 
Isso se chama sorver a vida em abundância. 
Viver é, também, permitir-se despentear pelo vento, com suas mãos rebeldes e despreocupadas. É sentir o sol percorrendo-nos o corpo e estendendo cores por toda a natureza, beijando a superfície das águas, fazendo-as brilhar como líquidos cristais. 
Viver é sentar-se à mesa com a família, com os amigos e comer devagar, buscando identificar o sabor de cada alimento. E se deixar ficar ali, conversando, falando dos tantos nada que fazem a felicidade de cada dia. É dar um passeio de mãos dadas, deixando a brisa sussurrar segredos entre ambos. Recados ouvidos de Deus, segredos somente conhecidos por quem ama. 
Viver é deter-se para assistir a um pôr do sol, observando as pinceladas divinas que se sucedem, em promessa de um dia esplendoroso, após a noite de veludo e estrelas que se aproxima. 
Viver é ter a certeza de que, após os dias de invernia, chuva e frio, suceder-se-ão as horas floridas da primavera risonha. E que, após os dias de intenso calor, a natureza começará a se despir de folhas e flores, preparando-se para se engalanar de geada, brumas e garoa. 
Viver cada minuto, cada emoção, sem ansiedade, como único e inigualável. Assim, a vida se torna maravilhosa. Cada dia, uma experiência inédita porque, sendo Criação Divina, não existem reprises nas horas, nem nos minutos. 
Pensemos nisso e, enquanto ainda nos encontramos no panorama terrestre, bebamos do cálice da vida, gota a gota, deliciando-nos com o seu sabor. E se horas amargas se apresentarem, recordemos que como as estações, também os quadros de dores e dificuldades se sucedem, substituídos por outros de alegrias, risos e cores. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 26, ed. FEP. 
Em 9.3.2020.

domingo, 8 de março de 2020

ESTRELA ESPERANÇA

RABINDRANATH TAGORE
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Contam as lendas que, quando foi concluída a Criação, as estrelas vieram visitar a Terra. A estrela amarela, simbolizando as riquezas, visitou todos os recantos e voltou ao veludo escuro da noite, tomando seu lugar no firmamento. A estrela azul, simbolizando os rios e os mares, igualmente deu um giro em todas as profundezas e retornou. As demais estrelas, simbolizando o restante da natureza, fizeram o mesmo, e todas se engastaram nos lugares definitivos onde deveriam permanecer para sempre. Todas voltaram, menos uma, por discreta determinação do Rei do firmamento. E, quando perceberam a sua ausência, os demais astros buscaram-na aflitos, de longe. Então perceberam, entre os sofredores e necessitados do mundo, a sua luz faiscando em tom verde. Por isso, é que a esperança nunca abandona a vida. Através de uma lenda, os poetas encontraram uma maneira de falar da esperança. Quando a noite escura do desalento invadir a nossa vida, lembremos da suave luz da esperança que não nos deixa a sós e recobremos o passo, no compasso da harmonia. Quando sentirmos os ferimentos da cruz de espinhos a vergastar nossos ombros, permitamos que o brilho inapagável da esperança nos console. Se o véu escuro da morte se estender sobre os olhos físicos dos seres amados, lembremos que a Imortalidade, mensageira da esperança, vem lhes descortinar horizontes novos, no além-túmulo. 
 Ainda que os dias de sofrimento pareçam não ter fim...
Ainda que a enfermidade anuncie que veio para ficar... Ainda que os amigos abandonem os nossos passos, deixando-nos caminhar a sós... 
Ainda que tenhamos a impressão de que o Pai Divino nos esqueceu, lembremos da sublime lâmpada da esperança e permitamos que ela ilumine a nossa alma, plenificando-a com suave claridade, anunciando um novo alvorecer. 
Lembremos que, por mais escura e longa seja a noite, o sol sempre volta a brilhar e, com ele, novas oportunidades de construirmos a nossa felicidade. Para tanto, devemos permitir que a esperança siga conosco, como portadora da chave que abre a aurora e vence o crepúsculo. 
* * * 
A esperança se apresenta em nossas vidas de várias maneiras. Pode estar presente num sorriso... Num olhar de ternura... Num aperto de mão... Num afago... Podemos encontrá-la ainda, na suave brisa da manhã de sol... Na serenidade das gotas de chuva, caindo devagar... Ou no cinza escuro da paisagem crestada pela neve, a anunciar que, em breves dias, tudo estará reverdecido novamente, sob os diversos matizes de cores e perfumes, mostrando que a esperança está presente, e jamais nos abandona. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. IX do livro Estesia, pelo Espírito Rabindranath Tagore, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 04.06.2010.

sábado, 7 de março de 2020

UMA CERTA ARACY...

Aracy de Carvalho
e o escritor Guimarães Rosa 
Eles se conheceram em Hamburgo, na Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Ele, menino pobre, viu na carreira diplomática uma maneira de conhecer o mundo. Em 1934, prestou o concurso para o Itamaraty e foi ser cônsul adjunto na Alemanha. Ela, paranaense, foi morar com uma tia na Alemanha, após a sua separação matrimonial. Por dominar o idioma alemão, o inglês e o francês, fácil lhe foi conseguir uma nomeação para o Consulado Brasileiro em Hamburgo. Acabou sendo encarregada da seção de vistos. No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a célebre Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. É aí que se revela o coração humanitário de Aracy. Ela resolveu ignorar a Circular que proibia a concessão de vistos a judeus. Por sua conta e risco, à revelia das ordens do Itamaraty, continuou a preparar os processos de vistos a judeus. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Quantas vidas terá salvo das garras nazistas? Quantos descendentes de judeus andarão pelo nosso país, na atualidade, desconhecedores de que devem sua vida a essa extraordinária mulher? Cônsul adjunto à época, seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa, não era responsável pelos vistos. Mas sabia o que ela fazia e a apoiava. Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a essa excepcional brasileira. Fica no bosque que tem o nome de Jardim dos Justos entre as Nações. O nome dela consta da relação de dezoito diplomatas que ajudaram a salvar judeus, durante a Segunda Guerra. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher. Mas seu denodo, sua coragem não pararam aí. Na vigência do infausto AI 5, já no Brasil, numa reunião de intelectuais e artistas, ela soube que um compositor era procurado pela ditadura militar. Naquele ano de 1968, ela deu abrigo durante dois meses ao cantor e compositor que conseguiu, sem ser molestado, fugir para país vizinho. Ela o escondeu no escritório de seu apartamento. Aquele mesmo local onde seu marido, João Guimarães Rosa, escrevera tanta história de coronel e jagunço. Durante todos aqueles dias, o abrigado observava, da janela, a movimentação frenética do Exército no quartel do Forte de Copacabana. Reservada, Aracy enviuvou em 1967 e jamais voltou a se casar. Recusou-se a viver da glória de ter sido a mulher de um dos maiores escritores de todos os tempos. Em verdade, ela tem suas próprias realizações para celebrar. Morreu em 28 de fevereiro de 2011, em São Paulo. Poucos conhecem sua história cheia de coragem, aventura, determinação, romance, literatura e solidariedade. Mas os seus feitos merecem ser conhecidos por todos, ensinados nas escolas. Nossas crianças, os cidadãos do Brasil necessitam de tais modelos para os dias que vivemos. Seu marido a imortalizou em seu livro Grande sertão: veredas. Doou a ela a sua obra mais importante. Aracy desafiou o nazismo, o Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar dos anos 60. Uma mulher que merece nossas homenagens. Uma brasileira de valor. Uma verdadeira cidadã do mundo. 
René Daniel Decol
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Uma certa Aracy, um certo João, de René Daniel Decol, publicado na Revista Gol (de bordo), de agosto 2007. 
Em 6.3.2020.

sexta-feira, 6 de março de 2020

A ESTRELA DO NATAL

Naquela manhã, avó e neta carregavam diversos enfeites e diminutas lâmpadas coloridas. Chegara o esperado dia de enfeitar a árvore de Natal. Aos poucos, o belo pinheiro foi se transformando: luzes cintilantes o iluminavam, bolas de cores variadas o adornavam e, no topo, uma estrela fulgurante arrematava a encantadora decoração. Algumas horas depois, a árvore de Natal estava completamente enfeitada. 
- Vovó, eu gosto muito de decorar o pinheirinho de Natal com você! 
Revelou a menina, aconchegando-se no colo da gentil senhora. 
-E eu gosto muito que você me ajude a fazer isso, minha filha, redarguiu a avó, sorrindo. Mas você sabe, prosseguiu, é preciso também que enfeitemos o pinheirinho que todos temos dentro do coração. 
-Um pinheirinho dentro do coração? 
Questionou a menina, sem compreender. 
-Sim, respondeu a avó. O Criador plantou no coração de cada um de nós um pinheirinho. É nossa responsabilidade enfeitá-lo, assim como enfeitamos a árvore que agora ilumina a nossa casa. 
-Mas, vovó, como podemos enfeitar o pinheirinho do coração?  ­
-Ora, minha filha, nós o enfeitamos com laços, bolas coloridas, luzes e até mesmo com uma estrela como esta, explicou a senhora, indicando a estrela que fora colocada, no topo da árvore, que ambas haviam enfeitado. 
-Mas como fazemos isso? 
A avó abraçou a neta, correndo-lhe os dedos pelos cabelos, e respondeu: 
-Quando somos caridosos, quando perdoamos, quando amamos, criamos laços fraternos com aqueles que estão ao nosso redor. São esses laços que enfeitam o pinheirinho que Deus plantou em nós. Da mesma forma, a gentileza, o respeito, a humildade, a empatia, a generosidade, são as bolas coloridas com as quais enfeitamos a árvore do coração. ­As luzes, prosseguiu a avó, são nossas orações. Todas as vezes que falamos com Deus, uma cintilante luz brilha em nosso interior, iluminando nosso caminho. 
-E a estrela, vovó? 
Questionou a menina, olhos brilhantes, atenta à explicação. 
-A estrela é a fé. Fé que, quando cultivada, brilha no céu de nossas almas e transforma o choro e a tristeza em esperança. E nos fortalece a vontade para continuar perseguindo nossos sonhos, até os vermos concretizados. 
Abraçando a neta, a avó finalizou: 
-Lembre que não há, minha filha, nenhuma estrela mais cintilante do que a fé e nenhuma luz mais brilhante que a oração. 
* * * 
CORA CAROLINA
A poetisa Cora Coralina escreveu certa vez: 
Enfeite a árvore de sua vida com guirlandas de gratidão. Em sua lista de presentes, em cada caixinha embrulhe um pedacinho de amor, ternura, reconciliação, perdão! No estoque do coração, a hora é agora! Enfeite seu interior! Seja diferente! Seja reluzente!
* * * 
No Natal, ofertemos para o desafeto, o perdão; para o oponente, a tolerância; para o próximo, o amor; para a criança, o exemplo; para o passado, a lição; para o presente, a oportunidade; para o futuro, a confiança; para nós mesmos, o nascimento de Jesus em nossos corações. Assim será sempre um Feliz Natal para todos nós! 
Redação do Momento Espírita, com base no poema Poesia de Natal, do livro Meu livro de cordel, de Cora Coralina, ed. Global. 
Em 18.12.2017.

quinta-feira, 5 de março de 2020

A ABENÇOADA MOEDA

CHICO XAVIER E EMMANUEL
-Dinheiro não traz felicidade!
A frase anda na boca de muitas pessoas e é repetida inúmeras vezes. Com certeza, o dinheiro, em si mesmo, não traz felicidade, da mesma forma que não constitui felicidade a beleza, o poder e outros tantos itens do mundo. Felicidade tem a ver com os propósitos de vida, o que elegemos para nós mesmos, em termos de realização pessoal. No entanto, de forma alguma o dinheiro se faz dispensável. A sua ausência, quase sempre, se transforma em fator de desequilíbrio e miséria com que se atormentam multidões. Dessa forma, pensemos um tanto mais antes de ficarmos repetindo o que dizem tantos. O dinheiro, em si mesmo, não é bom, nem mau. A sua validade decorre do uso que dele fazemos. 
Pensemos que bendita é a moeda que adquire o medicamento que salva vidas. 
Bendito é o dinheiro que levanta hospitais, sustenta campanhas humanitárias, promove a educação de crianças e jovens. 
Bendita é a moeda que multiplica bênçãos familiares através do salário digno ao trabalhador. 
Bendito é o dinheiro que compra o leite e nutre o recém-nascido. 
É ele que fomenta pesquisas e estimula o progresso humano. 
É ele que constrói pontes e une um extremo ao outro. É ele que financia a cultura, as artes. 
É ele que patrocina o amparo aos animais e a proteção à natureza. 
O dinheiro não compra o céu, mas pode gerar a simpatia na Terra, quando utilizado nas tarefas do bem.
Quem pode viver na Terra sem um abrigo para as intempéries, um teto para se precaver das chuvas, do sol inclemente? 
Quem pode viver sem o alimento que lhe nutra o corpo? 
Quem pode curar-se sem acesso à cirurgia, ao tratamento clínico, à droga medicamentosa? 
Não nos esqueçamos de que Jesus abençoou o vintém da viúva, no tesouro público do templo. Também enalteceu o gesto de amizade de Maria de Betânia, derramando-lhe o caríssimo perfume de nardo nos cabelos, homenageando-O. Tanto que afirmou que onde quer que o Seu Evangelho fosse pregado, aquele gesto igualmente seria lembrado. Perfume de nardo, adquirido com dinheiro e guardado para uma ocasião especial. Dinheiro também serve para isso: para dizermos a um amigo querido que o amamos muito e o desejamos honrar, com nossa presença e com nosso mimo. 
Quem não aprecia a delicadeza de uma flor, de um cartão, de uma pequena dádiva oferecida em nome da ternura? 
Quem de tudo se despoja, dizendo que nada deseja do mundo, em verdade se torna um peso para a sociedade que lhe deve prover a sobrevivência. 
Pensemos a respeito: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nem sovinice que nos mantenha atrelados à usura, nem desprezo à moeda que libera o doente da dor, o esfaimado da sua carência, o iletrado da sua ignorância. Importante não é ter muito ou ter pouco. Importante é saber lhe dar o correto destino. Não amaldiçoemos, portanto, o dinheiro, instrumento dócil em nossas mãos. Façamo-lo servir conosco, sob a inspiração do Cristo e transformemos nossas possibilidades financeiras em valiosos talentos em nosso caminho, cooperando na disseminação do bem no mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19, do livro Leis morais da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL; nos caps. I e II do livro Dinheiro, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. Em 5.3.2020.

quarta-feira, 4 de março de 2020

VERDADES INCONTESTÁVEIS

Todd Burpo
e
Lynn Vincent
Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, aprendemos que as verdades espíritas, por pertencerem às leis naturais, se tornarão de domínio público. Ou seja: todas as gentes as admitirão um dia. E, paulatinamente, é o que temos visto acontecer. Por isso, quando lemos a história de Todd, em sua Experiência de Quase Morte, pusemo-nos a reflexionar. É mais um daqueles relatos que nos fala das coisas simples que Deus possibilita aos Seus filhos, mostrando como os mundos visível e invisível se interpenetram. Todd, aos quatro anos, teve um sério problema de saúde, que exigiu fosse submetido a duas cirurgias complicadas, em curto espaço temporal. Foi exatamente ao ensejo da segunda cirurgia, que o menino se sentiu como que liberto do corpo, em uma outra dimensão, onde encontrou seres espirituais elevados. E também seu bisavô, que jamais conhecera em sua curta existência infantil, mas que se lhe apresentou, identificando-se. Certo dia, já recuperado, Todd surpreendeu a mãe lhe dizendo que onde estivera, e ele denominava, segundo sua crença religiosa, de céu, ele conhecera sua irmã. E, voltando-se de forma rápida para a mãe, indagou: 
-Mãe, você não teve uma minha irmã que morreu na sua barriga? 
A mãe teve um sobressalto. O abortamento ocorrido alguns anos antes do nascimento de Todd fora muito doloroso para sua alma. Por isso, ela e o marido jamais o haviam comentado. Mesmo porque o nascimento de Todd, posterior a esse triste episódio, fora pelo casal entendido como uma recompensa divina. Uma dádiva celeste pela frustração da gestação anterior, tão aguardada e tão dolorosamente frustrada. Contudo, agora ali estava um menino de quatro anos a afirmar que conhecera sua irmã, no mundo espiritual. E a dar detalhes: 
-Ela tinha cabelos escuros, diferentemente dele próprio e da outra irmã. 
Quando a esposa falou ao marido, ambos se emocionaram. O relato era por demais detalhado. 
-A menina não tinha nome, frisara o menino. 
Era verdade. Desde o início da gravidez e ainda não sabendo o sexo da criança, o casal não tinha cogitado de nomes. E o fato de ter cabelos escuros era outro detalhe interessante. Esse era o grande desejo de Sonia, a mãe. Queria um filho de cabelos escuros, que se assemelhasse a ela. 
* * * 
Embora ainda haja quem duvide que, além desta vida, existe outra vida, plena, rica; embora haja quem afirme que quem morre na carne, deixa de existir em definitivo; diariamente, Deus dá demonstrações das ricas dimensões espirituais. A uma criança, sem ideias preconcebidas, permite o vislumbrar de realidades impensadas pelos próprios pais. A pessoas que têm da vida espiritual conceitos muito bem definidos, rígidos, mostra a infinita realidade do Espírito que nunca morre. E que se comunica com os amores que continuam no exílio da Terra. Seres que amam, cuidam e têm interesse no progresso e na felicidade dos que permanecem na retaguarda do mundo. Pensemos nisso e aprendamos a ler as mensagens celestes, nas entrelinhas dos acontecimentos diários, em que a Divina Providência escreve a Sua grandeza e demonstra a Infinita Bondade. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro O céu é de verdade, de Todd Burpo, com Lynn Vincent, ed. Vida Melhor. 
Em 4.3.2020.