sexta-feira, 7 de outubro de 2022

UMA VIAGEM SALUTAR

Tudo no mundo precisa de cuidados e conservação. 
As flores dos nossos vasos ou dos nossos jardins precisam de água, sol, terra adequada. 
Os animais domésticos nos requerem alimento, vacinas, visitas periódicas ao veterinário. 
Os pássaros, que nos despertam pela manhã, entre cantos e trinados, nas árvores próximas, necessitam que lhes providenciemos água e algum alimento, sobretudo nos dias do inverno. 
Nossos bens materiais igualmente nos exigem cuidados. 
A casa precisa ser pintada, eventuais rachaduras sanadas, consertos variados, lâmpadas queimadas requerem substituição. 
Nosso carro precisa ser abastecido com o combustível apropriado, requer revisões regulares para constatar se tudo está bem: motor, suspensão, freios, filtro de óleo. 
E é preciso a calibragem dos pneus, observar o reservatório de água. 
Nós também somos uma máquina orgânica, com peças que precisam ser muito bem cuidadas. 
Algumas até podem ser substituídas mas dependemos de terceiros para a doação. 
E sabemos como as filas por transplantes são enormes. 
Nosso corpo é um conjunto de diversas estruturas que se associam e criam uma rede de dependências entre umas e outras. 
O coração bate porque o cérebro envia mensagens de comando para ele.
Por sua vez, o sangue corre em nossas veias e artérias porque é bombeado pelo coração. 
O sistema digestório atua no processamento do alimento, garantindo a absorção dos nutrientes importantes para o corpo. 
Para que tudo funcione bem, para que gozemos de saúde física e mental, precisamos de combustível de primeira linha. 
Pensamentos positivos são essenciais. 
Os bons sentimentos ajudam no trabalho dos nossos órgãos, gerando energia, ânimo para nosso dia a dia. 
A meditação, que até recentemente era considerada prática de caráter religioso, está tendo outro entendimento. 
Tanto que a vemos sendo utilizada por personalidades do mundo empresarial e pessoas de renome em variadas áreas. 
Steve Jobs, por exemplo, usava sua última hora do dia para meditar.
Quando terá surgido a prática da meditação não sabemos ao certo. 
Terá talvez surgido nas tribos primitivas, em torno da fogueira, olhando o crepitar do fogo? 
Ou admirando as estrelas nas noites esplendorosas? 
Ou no precipitar das águas, provocando sonoridades estranhas? 
É uma prática que engloba relaxamento corporal, diminuição acelerada da respiração, levando a um estado de paz, calma e tranquilidade.
Considerada fundamental em todos os aspectos sociais, já é admitida em muitas empresas. 
Dentre os benefícios estão a redução do estresse, clareza mental, melhoria da qualidade de vida, aumento de emoções positivas, autoconhecimento. 
A meditação provoca o despertamento das faculdades psíquicas. 
Meditar, portanto, é uma forma de estabelecer uma conexão com o divino.
De alimentar o coração e todos os sistemas orgânicos. 
É realizar essa viagem para nosso interior, voltarmo-nos para nós mesmos. 
Se Jesus nos disse que o reino de Deus está dentro de nós, que melhor razão podemos encontrar do que nos propormos a essa viagem ao interior de nós mesmos? 
Redação do Momento Espírita. 
Em 7.10.2022.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

ESTA É A NOSSA ORAÇÃO: PAZ NO MUNDO

Sadako Sasaki
No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos detonaram sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, a primeira bomba atômica da Segunda Guerra Mundial. 
Três dias depois seria a vez da cidade japonesa de Nagasaki sofrer o ataque nuclear. 
A primeira bomba caiu a pouco mais de um quilômetro da casa da menina Sadako Sasaki que, na época, tinha dois anos de idade. 
A mãe conseguiu salvá-la da explosão, no entanto, durante a fuga, as duas se encharcaram na chuva radioativa que caiu. 
Sasaki viveu normalmente até os doze anos, quando descobriu que estava com leucemia, devido à radiação nuclear a que fora exposta. 
Em tratamento no hospital, ela recebeu a visita de uma amiga que lhe contou a lenda dos mil Tsurus de papel. 
O Tsuru é uma ave grande, de cores contrastantes, plumagem clara, chegando ao branco, com extremos de fascinante degradê vermelho, e dotada de inigualável encanto. 
Na mitologia japonesa, é considerado o pássaro mais velho do planeta, com expectativa de vida de cerca de mil anos. 
A arte do origami, ou seja dobrar papel, se inspirou nessa ave para criar uma de suas mais conhecidas formas, tanto que muitos consideram o Tsuru como o símbolo dessa arte japonesa. 
A lenda diz que se a pessoa dobrar mil origamis de Tsurus, com a mente direcionada para uma necessidade, garante o desejo realizado. 
Sasaki começou a fazer as dobraduras, mentalizando a sua cura. 
Queria sair do hospital livre da leucemia. 
Ela não tinha muito papel. 
Por isso, usou invólucros de medicamentos e o que mais conseguisse.
Visitava os quartos de outros pacientes para pedir embrulhos dos seus presentes. 
Uma versão popular diz que ela morreu pouco antes de atingir seu objetivo. 
No entanto, uma exibição no Museu Memorial da Paz de Hiroshima afirmou que pelo fim de agosto de 1955, Sasaki havia atingido seu objetivo e continuou a dobrar mais trezentos Tsurus. 
Ela morreu em 25 de outubro de 1955. 
Depois de sua morte, seus amigos e colegas da escola publicaram uma coleção de cartas com o objetivo de conseguir financiamento para construir um memorial para ela e para todas as crianças que morreram pelos efeitos da bomba atômica. 
Três anos depois, em maio, foi inaugurado em Hiroshima, no Parque da Paz, o Monumento da Paz das Crianças, com a estátua da menina Sasaki erguendo um origami de Tsuru. 
No pé da estátua está a inscrição: 
-Este é o nosso choro. Esta é a nossa oração. Paz no mundo. 
A história de Sadako Sasaki é considerada como um dos símbolos da luta pelo fim das armas nucleares. 
A vontade de viver da menina japonesa, que se pôs a fazer mil origamis de Tsurus, transformou-se no símbolo da paz, tanto que todos os anos, no dia 6 de agosto, no qual se comemora o Dia da Paz, milhares de pessoas enviam Tsurus ao Monumento da Paz das Crianças. 
Para os japoneses, depositar Tsurus nos memoriais representa votos de paz ao mundo, uma manifestação pacífica no intuito de chamar a atenção de todas as nações para que nunca se esqueçam do mal que as armas nucleares podem causar a um povo. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 5.10.2022.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

A INEGÁVEL IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA

Nos apontamentos dos Evangelistas, percebemos que Jesus fazia questão de atestar o inegável valor da Sua presença. 
Por exemplo, após ter curado Natanael, o paralítico, retirou-se Jesus da casa de Simão Pedro. 
Encaminhou-se para a praia do lago, possivelmente seguindo pela estrada real. 
A grande estrada das caravanas do Oriente, a principal artéria comercial da Galileia. 
Chegou a um posto aduaneiro, comum à época, nas cidades fronteiriças.
Os dominadores da terra, os romanos, os tinham espalhados a fim de fiscalizarem a importação e a exportação de mercadorias. 
O tributo reclamado pelo governo do império chamava-se publicum.
Publicanos eram os encarregados de cobrar esse imposto. 
Formando uma classe intermediária entre patrícios e plebeus, os publicanos, muitos deles judeus, eram tidos como pessoas de má vida, usurpadores, traidores da pátria, desde que favoreciam a dominação estrangeira. 
No entanto, como em todas as classes sempre existem os desonestos, os maus, mas igualmente os honrados, ali, naquela aduana estava sentado um homem correto. 
Seu nome era Levi Mateus. Cobrador de impostos. 
Nobre, atendia com absoluta honestidade seus deveres, cuidava da família, atendia a esposa e filhos. 
Naquele dia, ele contava o dinheiro que arrecadara, verificava os recibos que passara aos negociantes, calculava. 
Um dia como outros tantos, de cuidados, de atenção. 
Mas, de repente, no ângulo da porta um personagem se postou. 
O sol, que batia por trás dELE, projetava-lhe a sombra para dentro do local. 
Levi levantou os olhos e deparou-se com o olhar do mais extraordinário personagem que a Terra acolheu: o Homem de Nazaré. 
Ele O vira algumas vezes na praia, conhecia alguns dos Seus discípulos.
Agora, ei-lO ali, em pé, fitando-o. 
Cruzaram-se os olhares e o de Jesus pareceu lhe penetrar a alma. 
Levi não saberia dizer se as palavras saíram dos lábios de Jesus ou brotaram da intimidade celeste para sua alma: 
-Segue-me. 
Convite irresistível. 
Levi se levanta, vai ao encontro da Luz do mundo. 
E, para comemorar a nova vida que seguiria, ofereceu um grande banquete em sua casa. 
Banquete a que Jesus compareceu, com os discípulos. 
O melhor linho cobria as mesas, a prataria brilhava sobre elas. 
Teria bastado o convite pessoal de Jesus no local de trabalho de Levi.
Contudo, o Mestre vai ao festim que lhe é preparado pelo mais novo discípulo. 
Aquele que deixará seu cargo, seus bens, seus afetos para segui-lO. 
Com Sua presença e Sua palavra, Jesus abençoa aquele lar, os familiares, os convidados, muitos deles publicanos como o próprio Levi.
 * * * 
A mensagem do Modelo e Guia é clara. 
Ele deseja adentrar a nossa alma, também os nossos lares, a fim de ali inaugurar ares de harmonia, de paz. 
Pensemos a respeito e convidemos o Excelso Amigo, muitas e muitas vezes a visitar-nos. 
Nosso seja o banquete da oração, da reflexão nos ditos evangélicos, um momento de grande alegria. 
O Amigo nos visita, abramos as portas do nosso coração e do nosso lar.
Redação do Momento Espírita. 
Em 11.2.2020.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

INDULGÊNCIA

JOANNA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
A indulgência é um dos sentimentos mais elevados que pode ser desenvolvido pelos seres humanos. 
Caracteriza-se pela compaixão que se demonstra pelo próximo e pelas suas imperfeições. 
Permite que perdoemos as ofensas que nos atingem. 
Ao mesmo tempo, proporciona ao ofensor a possibilidade de reabilitar-se por meio de ações meritórias que o ajudam na reconquista de si mesmo. 
É a mensageira angelical que entoa hinos de ternura aos ouvidos daqueles que sofrem. 
Se alguém mostra-se um acusador cruel e rebelde, atacando os demais com injúrias e recriminações violentas, também ele é merecedor de indulgência. 
Tais distúrbios de comportamento expressam, em verdade, o estágio de inferioridade pelo qual ele transita infeliz. 
Se outro esmaga o fraco que se encontra sob sua dependência, também este opressor demonstra estar necessitando de grande dose de indulgência. 
Seu transtorno emocional, capaz de fazê-lo comprazer-se com essa espécie de violência, por certo, está a ponto de enlouquecê-lo. 
Se uma pessoa se alegra com o sofrimento daquele que elegeu como adversário, perseguindo-o sem trégua, carece também ele de indulgência.
Esta bênção funcionará para o desequilibrado como bálsamo a apaziguar a aflição em que se debate. 
Se a criatura é ingrata e soberba, esquecendo-se de todo o bem que tem recebido, porque se encontra momentaneamente em posição confortável, também esta prova ser carecedora da indulgência. 
Esta virtude será o melhor recurso para que tal enfermidade moral estanque no nascedouro. 
Se este outro é rude e presunçoso, esquecido das próprias limitações, somente a indulgência para com ele será capaz de demonstrar-lhe a ruína moral em que se encontra. 
Indulgência para com os outros, eis aí um dos mais significativos convites que nos deixou o Mestre Nazareno. 
Porquanto, no grau evolutivo em que nos encontramos, não há aquele que não necessite recebê-la durante a caminhada terrestre. 
A indulgência espalha a oportunidade de reabilitação ao ofensor, mas também pacifica o coração daquele que a oferece. 
Sem indulgência a vida terrena perde o seu significado e o ser humano torna-se joguete de paixões que desencadeiam consequências nefastas.
Graças à indulgência o ser edifica-se e se engrandece, entesourando paz e alegria de viver.
* * * 
Indulgente para com as misérias humanas, o Cristo veio ter com as criaturas para auxiliá-las no árduo caminho do progresso. 
Desde sempre suporta nossas imperfeições com amor e compreende-as com misericórdia. 
Consciente de que a libertação do erro e a ruptura das algemas dos instintos agressivos são processos lentos, Jesus jamais Se irritou ou desanimou. 
Em momento algum demonstrou cansaço ou perturbação. 
Nas ocasiões em que Se mostrava enérgico, evitou a rispidez e a agressividade, tão comuns ainda em nossos atos cotidianos. 
Além disso, o Mestre jamais necessitou da indulgência de ninguém. 
Ele tomou Sua cruz e plantou-a no monte da adversidade humana, sem queixas, nem lamentações. 
Mesmo no momento derradeiro, traído e abandonado, Ele Se manteve indulgente e compassivo. 
Perdoou, de forma incondicional, a perversidade daqueles que haviam recebido Dele Seu inefável amor. 
Sem cobrança, nem lamúrias, exemplificando de modo inquestionável a virtude que nos concita a exercer e a conquistar. 
Desde agora e para sempre.
Redação do Momento Espírita com base no capítulo 34 do livro Lições para a felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.Leal. 
Em 01.03.2010.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

VETERANOS

Originalmente, o significado da palavra veterano remete à pessoa que serviu por muitos anos como militar. 
Daí usarmos a expressão veterano de guerra, indicando aqueles que estiveram nesses conflitos e, agora de regresso, mostram-se mais experienciados nos embates. 
Utilizamos o mesmo termo no meio acadêmico, para distinguir aqueles com alguma vivência nas lides universitárias, dos calouros, recém-chegados. 
Da sua origem ou nas derivações que ganhou, podemos entender como veterano a pessoa com maior experiência, indivíduo tarimbado numa área por exercê-la por longo tempo. 
A palavra traz um certo respeito, consideração e mesmo admiração por tais veteranos, visto as conquistas adquiridas. 
Da mesma forma, podemos analisar aqueles que são veteranos na vida.
Aqueles que caminharam longas jornadas nesta existência, a ponto de compreendê-la de uma maneira distinta. 
Trazem no olhar uma certa profundidade. 
No rosto, sulcos, esculpidos pelos embates sofridos, que designamos por rugas. 
Tiveram decepções, é certo. 
Alguns, delas fizeram aprendizado. 
Outros, perante elas, se tornaram incrédulos, revoltados. 
Sofreram perdas de grande monta, como é natural. 
Alguns na perda buscaram o caminho da readaptação e aprenderam a conviver com serenidade na companhia da ausência. 
Outros, transformaram esse vazio em tristeza e profunda melancolia.
Alguns amealharam grandes quantias em dinheiro. 
Outros, preferiram colecionar memórias, encontros e doces lembranças.
Uns se permitiram amar, errar, tropeçar e recomeçar. 
Fizeram da sua jornada um aprendizado diário sobre si, sobre o mundo e sobre a natureza humana. 
Outros preferiram, a fim de menos sofrer, preservar-se das experiências, das venturas.
Jamais mergulharam no rio da existência. 
Apenas sentaram-se à sua beira, molhando os pés, cuidadosamente. 
 * * * 
E nós, como procedemos? 
Se a vida nos permitir, todos nós também seremos veteranos nesse caminhar da existência. 
E que tipo de veterano queremos ser, ao nos depararmos com os menos experientes, com os calouros da vida terrena? 
Lembremos que ninguém se faz veterano de um momento para outro.
Nenhum processo de amadurecimento acontece de forma repentina. 
O veterano que seremos está se construindo hoje, a partir das nossas escolhas. 
Para ser veterano é necessário um esforço significativo, para que as decepções da vida não afoguem os ideais acalentados. 
Para chegar no ocaso da existência, não é preciso ser amargo e incrédulo, com tudo e com todos. 
Porém, é necessário compreender que as pessoas não são perfeitas. Por isso, podemos sofrer decepções e traições. 
No entanto, essas experiências podem ser oportunidades para reflexões mais profundas e consequente amadurecimento. 
Quando o corpo mostrar-se alquebrado, não precisamos nos tornar intransigentes e irritadiços. 
Porém, faz-se fundamental estarmos abertos a novas experiências, aprendizados e mudança de pontos de vista. 
Dessa forma, tenhamos em mente que os dias vindouros serão sempre a colheita do que hoje pensamos, agimos e escolhemos albergar no coração e na mente. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 3.10.2022.

domingo, 2 de outubro de 2022

A INDULGÊNCIA

Allan Kardec
A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso. 
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. 
Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente. 
E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção. 
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço. 
Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. 
Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. 
Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados. 
Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: 
-Que consequência se há de tirar destas palavras? 
-Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. 
* * * 
Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a nova era, a era do bem. 
A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada.
Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais. 
Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar. 
Mecanismo psicológico de projeção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma. 
Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto. 
A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de caráter humano. 
Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre conosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros. 
Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. 
É dar-lhe um destaque maior do que o necessário. 
A indulgência é caridade, é compreensão e perdão. 
* * * 
O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem, e esforçar-se por fazer que prevaleça o que nele há de bom e virtuoso.
Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. X, itens 16 a 18, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 19.10.2017.

sábado, 1 de outubro de 2022

INDIVIDUALIDADE

Sandra Borba
Os membros de uma tribo primitiva da África, acreditam que cada pessoa que nasce traz consigo uma música individual e intransferível, como uma espécie de identidade sonora. 
Assim, quando a mãe está grávida ela recebe, através da inspiração, a música da criança que irá nascer e começa a cantá-la para que o bebê se sinta querido e desejado. 
Depois, a mãe ensina a música ao pai, que também passa a cantar cada vez que se aproxima do filho, demonstrando carinho e respeito por sua individualidade. 
E, assim, cada membro da família que entra em contato com a criança aprende a sua música e passa a cantá-la, como forma de dar as boas-vindas e saudá-la. 
Dessa forma, a criança aprende a sua música e passa a cantá-la pelo resto de sua vida. 
E é assim que cada membro canta sua música individual, e todos sabem de cor a música de cada um. 
Um costume singular e interessante. 
As notas são as mesmas, mas os ritmos são diferentes. 
Fazendo um paralelo da prática dessa tribo primitiva com os nossos costumes atuais, poderemos tirar dela vários ensinamentos. 
O primeiro é que todos temos nossa individualidade, isso é incontestável.
A diferença é que nem sempre essa individualidade é considerada e, menos ainda, respeitada. 
Geralmente nossas crianças nascem em meio a ruídos mentais de toda ordem. 
É a mãe querendo lhe impor sua própria música e o pai, a sua. 
Chegam os demais familiares e fazem o mesmo. 
Nem se espera que a criança demonstre sua individualidade e já é confundida em si mesma. 
Isso se leva para a vida toda, quando nós, adultos, não conhecemos nossa individualidade a ponto de ter certeza de quem realmente somos, do que sentimos do que queremos ou não queremos. 
Nossas músicas se confundem. 
Nem cantamos a nossa, nem ouvimos a música do outro. 
É um tumulto de sons confusos e inaudíveis. 
As individualidades não são respeitadas e tenta-se fazer das pessoas uma massa confusa e disforme. 
É importante pensar a respeito desse tema nos dias atuais. 
É importante que cada ser seja respeitado, e sua música seja cantada por todos, em sinal de afeto e respeito. 
Imagine se você pudesse cantar sua música pessoal e, onde quer que fosse, todos lhe saudassem com a sua melodia. Isso não seria fantástico?
Se assim fosse teríamos uma sociedade amável e respeitosa, fraterna e afetuosa, onde todos se sentiriam especiais e veriam os outros também como seres especiais. 
*** 
Cada pessoa tem sua identidade própria e intransferível. 
O Criador não se repete. 
Cada filho Seu é único. 
Cada ser humano tem sua sinfonia e seu ritmo particular. 
Ideal seria que cada um vivesse no seu ritmo e respeitasse o ritmo do outro. 
E a diversidade dessas múltiplas melodias formam a harmonia perfeita, sob a batuta do Maestro universal, que chamamos Deus. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em exposição de Sandra Borba, por ocasião do VI ENCONTRO DE COORDENADORES DE JUVENTUDES ESPÍRITAS DO PARANÁ, em abril de 2003.