sexta-feira, 20 de agosto de 2021

SEMELHANTES AO CRIADOR

A declaração de um astronauta da Arábia Saudita, descrevendo o efeito na tripulação, na primeira viagem ao espaço, nos chamou a atenção: 
-Nos dois primeiros dias, apontávamos para nossos países. No terceiro e quarto, estávamos apontando para nossos continentes. Quando chegamos ao quinto dia, só percebíamos a Terra. De imediato, nossa mente recordou de tantas coisas lidas a respeito da nossa visão de mundo. 
De tantos convites de filósofos e religiosos, no sentido de que se busque olhar a nossa vida, de um ponto mais alto. 
Realmente, tudo muda de perspectiva. 
Quando estamos no meio de um problema, a impressão que temos é de que nunca conseguiremos sair dele. 
Sentimo-nos como que envolvidos em uma rede muito bem tecida, que não nos permite saída. 
No entanto, quando nossa visão se faz de um ponto mais alto, descobrimos que a vida não é somente aquele problema. 
Ela é feita de muitos e poucos nadas, que fazem a grande diferença.
Olhando do alto, deixamos de perceber somente o ponto obscuro e esmagador. 
Descobrimos que temos, ao nosso lado, preciosidades que devemos preservar, pelas quais devemos zelar. 
O filho pequeno que brinca na sala, que corre, pula no sofá, nos enlaça fortemente e fala: 
-Amo você! 
Ele faz muita bagunça. 
Mas que maravilha é a bagunça dele, com brinquedos espalhados no chão da sala. 
Descobrimos que temos o amor de nossos pais, mesmo avançados em anos, mas que nos admiram e diariamente nos endereçam as suas bênçãos, em nome de um Deus todo Poder, Bondade e Justiça.
Descobrimos que temos um lar, minúsculo que seja, mas onde abrigamos nossos amores, onde nos aglomeramos, entre móveis, livros, pequenos pertences que fazem a nossa felicidade. 
Temos a faculdade de ver, ouvir, sentir. 
Sabemos ler, o que nos permite descobrir os extraordinários encantos de um mundo e de um Universo cheio de surpresas, de coisas inacreditáveis, em termos de diversidade. 
Descobrimos... que somos um filho de Deus, colocado neste mundo para progredir, para trabalhar, para aprender, para lutar. 
Descobrimos que temos um propósito na vida, que pode ser viver mais um dia, simplesmente, ou ser responsável por outras vidas, ou fazer algo útil, ou transformar as horas seguintes de alguém em algo fantástico. 
Somos um ser humano, criado à imagem e semelhança de um Criador Onipotente, portanto, podemos muito. 
Podemos nos erguer e prosseguir lutando, contra o desânimo, contra a pandemia, reunindo forças que nos restam. 
Estamos vivos! 
Onde quer que estejamos, deixemos que nossas pálpebras se fechem.
Fiquemos cientes de onde nos encontramos. 
Ouçamos os sons que nos rodeiam. No silêncio, até o voar de um inseto podemos perceber.
Sintamos os cheiros que nos alcançam. 
A poeira do dia ou da terra que acabou de ser regada pela chuva.
Sintamos a temperatura: calor, frio. 
Tornemos a abrir os olhos e percebamos de quanta riqueza desfrutamos.
Estamos vivos! 
Vivamos este dia! 
A luta prossegue, mas somos filhos de Deus, que nascemos para sermos vencedores. 
Recordemos sempre disso. 
Redação do Momento Espírita
Em 20.8.2021.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A CHAMA DO ACONCHEGO

PINGUIM DINDIM E "SEU"JOÃO
O que faria um pinguim nadar oito mil quilômetros, todos os anos, das águas geladas da Patagônia até uma praia de correntes mornas na costa do Rio de Janeiro? 
Esta é a indagação que se fazem, nos últimos anos, os pescadores de uma aldeia que veem o retorno do pinguim, ao qual até deram nome: Dindim. 
Há mais de cinco anos, ele foi recolhido pelo pescador João de Souza.
Estava exausto, faminto e coberto de óleo. João o alimentou com sardinhas e palavras doces. 
Deu-lhe banho e o deixou livre. 
Mas, Dindim acabou ficando por ali mesmo, durante onze meses. 
Quando ninguém imaginava que fosse embora, ele partiu. 
A grande surpresa foi vê-lo de retorno aos braços do pescador, ano após ano. 
Para aquele animal, João significa carinho, proteção, segurança, alimento.
A felicidade é de ambos. 
Um oferece tudo de novo e manifesta a sua alegria. O outro, se felicita em receber. 
* * * 
Isso nos confere a lição do quanto gestos simples, no dia a dia, tornam os seres humanos mais generosos. E como todos necessitamos de um colo, de um aconchego. Nestes dias de pandemia, diremos que não podemos abraçar, que não podemos oferecer o ombro a quem padece, que nem podemos fazer visitas a quem está hospitalizado. 
Quem poderia imaginar que chegaríamos a esse patamar? 
Doentes isolados em hospitais, longe do carinho familiar. 
A pandemia trouxe mudanças. 
E precisamos reinventar maneiras de estar com o outro, mesmo que seja à distância. 
Que o outro saiba que pensamos nele e que lhe enviamos as vibrações mais sinceras do nosso sentimento. 
O coração cá fora se despedaça por não poder abraçar quem está internado. 
Por sua vez, o enfermo, se consciente, com certeza, se indaga se sobreviverá, se tornará a ver os seus amores. 
Mais do que nunca, necessitamos aconchegar, acarinhar. 
Vivemos em tempo de muitas perdas. 
E as mais profundas são de ordem emocional. 
Quantos nos sentimos destroçados por dentro, longe dos familiares, dos amigos, dos colegas... 
É tempo de aconchego. 
Aprendamos a nos importar mais com o outro e a demonstrar isso.
Usemos o telefone, as mensagens de WhatsApp, o Instagram, o Facebook, as salas de bate-papo. 
Digamos para aqueles que nos importam o quanto eles são importantes.
Se alguém não entra em contato conosco, há algum tempo, tomemos a iniciativa. 
Utilizemos os meios possíveis para lhe perguntar como vai, como está vivendo esses dias. 
Alonguemos a conversa. 
Deixemos que sinta o quanto ele significa em nossa economia de vida. 
Se no grupo de Whats, alguém simplesmente nem espera a madrugada para dizer Olá, não pensemos que ele é inconveniente. 
Pensemos que é alguém que está procurando colo. 
E o nosso colo será a palavra amiga, respondendo, transmitindo o nosso Olá, atencioso. 
É momento de compaixão, de paciência, de atendimento, de estender braços virtuais e preces de ternura. 
Pensemos nisso. 
Não deixemos esfriar o amor, a solidariedade, a atenção. 
Logo mais, haveremos de tornar a nos encontrar. 
Que não sejamos, então, simplesmente estranhos porque, durante meses, estivemos presentes uns nas vidas dos outros. 
Distantes, mas presentes.
   
Redação do Momento Espírita, com base em fato extraído do artigo Saiba acolher, de Liane Alves, da revista Vida Simples, de março 2017, ed. Abril.
Em 18.8.2021.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

GESTOS QUE SALVAM VIDAS

Jack Canfield, Mark Victor Hansen
A chuva caía fina e gélida na tarde quieta. 
Longe, na estrada, um carro parou. 
Era pequeno e meio velho. 
Um rapaz saltou, levantou o capô e se pôs a mexer em tudo que viu. 
O fazendeiro, de onde estava, pensou: 
-Coitado. Pelo jeito, não entende de mecânica. 
Vestiu sua capa de chuva e caminhou até a estrada. 
O jovem estava muito nervoso, mexia no carro, voltava, tentava dar a partida, passava as mãos pelos cabelos. 
-Quer ajuda? 
O rapaz parecia prestes a chorar. 
-É a bobina. – Diagnosticou o fazendeiro, depois de uma boa olhada.
Buscou seu cavalo, rebocou o carro até o seu celeiro e, com seu próprio carro, foi à cidade comprar uma bobina nova. 
Estranhou que, ao chegar à loja, o rapaz não quisesse entrar. 
Deu-lhe o dinheiro necessário e disse que tinha vergonha, por estar molhado. 
Mais tarde, com o carro funcionando, pronto para partir, a esposa do fazendeiro insistiu para que ficasse para o jantar. 
Não era hábito convidar estranhos para adentrar a casa. 
Contudo, aquele rapaz parecia aflito, meio perdido. 
Poderia, talvez, ser seu filho. 
Ele quase não comeu. 
Continuava preocupado, ansioso. 
A chuva se fez mais forte. 
O casal preparou o quarto de hóspedes. 
Na manhã seguinte, suas roupas estavam secas e passadas. 
Ele se mostrava menos inquieto. 
Alimentou-se bem e despediu-se. 
Quando pegou a estrada, aconteceu uma coisa estranha. 
Ele tomou a direção oposta da que seguia na noite anterior. 
O casal concluiu que ele se confundira na estrada. 
Os anos passaram. 
Então, chegou uma carta endereçada ao fazendeiro: 
Sr. McDonald, não imagino que o senhor se lembre do jovem a quem ajudou, anos atrás, quando o carro dele quebrou. Imagine que, naquela noite, eu estava fugindo. Eu tinha no carro uma grande soma de dinheiro que roubara de meu patrão. Sabia que tinha cometido um erro terrível, esquecendo os bons ensinamentos de meus pais. Mas o senhor e sua mulher foram muito bons para mim. Naquela noite, em sua casa, comecei a ver como estava errado. Antes de amanhecer, tomei uma decisão. No dia seguinte, voltei ao meu emprego e confessei o que fizera. Devolvi o dinheiro ao meu patrão e lhe implorei perdão. Ele podia ter me mandado para a prisão. Mas, por ser um homem bom, me devolveu o emprego. Nunca mais me desviei do bom caminho. Estou casado. Tenho uma esposa adorável e duas lindas crianças. Trabalhei bastante. Não sou rico, mas estou numa boa situação. Então, resolvi criar um fundo para ajudar outras pessoas que cometeram o mesmo erro que eu. Dessa forma, acredito poder pagar pelo meu erro. Que Deus o abençoe, senhor, e a sua bondosa esposa. 
Os olhos do casal se encheram de lágrimas. A esposa colocou a carta sobre a mesa e citou versículos do capítulo vinte e cinco do Evangelho de Mateus: 
Era peregrino e me recolheste. 
Tive fome e me destes de comer. 
Tive sede e me destes de beber. 
Estava nu e me vestistes. 
Estava enfermo e me visitastes. 
Estava no cárcere e me fostes ver. 
Em verdade, todas as vezes que fizestes isto 
a um desses meus irmãos mais pequeninos, 
a mim o fizestes. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O visitante da noite, de Hartley F. Dailey, do livro Histórias para aquecer o coração dos pais, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jeff Aubery, Mark & Chrissy Donnely, ed. Sextante e no Evangelho de Mateus, cap. 25, vers.35, 36 e 40. 
Em 4.11.2015.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

NOSSO FUTURO PLANETA

Um grande número de pessoas, independente da crença religiosa, acredita que nascemos muitas vezes. 
Acredita que voltaremos a este mundo. 
Alguns pesquisadores e cientistas já incorporaram essa verdade, provada por anos de experimentações, envolvendo, entre elas, a regressão de memória. 
De forma muito estranha, no entanto, não temos nos comportado como quem acredita nessa verdade. 
Vejamos o exemplo do nosso planeta. 
Seria óbvio que, se temos a certeza de que retornaremos a este local, desejássemos que ele nos oferecesse, em nosso retorno, as melhores condições de vida. 
Entretanto, não temos nos preocupado com ele. 
Os exemplos demonstram que, de um modo geral, estamos preocupados em ganhar dinheiro. 
Dinheiro para gastar agora, nesta vida. 
Dinheiro para adquirir uma mansão, um carro, um iate. 
Dinheiro para viajar pelo mundo. 
Não estamos absolutamente pensando que se o desmatamento prosseguir, teremos problemas para respirar, para a manutenção das chuvas regulares, para a preservação dos mananciais. 
Aliás, as reservas do precioso líquido, água, não estão a nos merecer maior atenção? 
Destruímos as matas ciliares, em total desleixo pela preservação de rios preciosos. 
Tudo porque dinheiro é mais importante do que zelarmos pela natureza.
Entretanto, bastaria um pouco de investimento, maior cuidado, mais atenção. 
Teríamos boa colheita e a preservação ambiental, ao mesmo tempo. 
E quanto à camada de ozônio, que temos feito? 
Preocupamo-nos em não utilizar materiais que a agridem, de forma paulatina? 
Ou estamos mais ocupados em gozar dos bens que a vão destruindo?
Temos zelado e exigido que as nossas indústrias criem mecanismos não invasivos a esse precioso espaço que nos preserva a saúde? 
O que estamos preparando para o nosso futuro? 
Vivemos exatamente como quem, de forma egoística, vê somente o hoje. O importante é gozar o mais possível. 
As gerações futuras haverão de dar um jeito para sua sobrevivência.
Damo-nos conta de que as gerações do futuro, por essa lei chamada reencarnação, seremos nós mesmos de retorno? 
Que planeta estamos preparando para nós? 
Se somos tão egoístas a ponto de não pensar em nossas crianças, será que pensamos no que estamos deixando para nós, no amanhã que virá? 
A reflexão se faz de oportunidade. Não se trata de um mero apelo, ou de digressões filosóficas, visando convencimento de quem quer que seja.
Trata-se de uma questão de bom senso e discernimento. 
Pensemos: onde desejamos ser recebidos, em nosso retorno? 
Num planeta árido, enfermo, com condições insalubres? 
Ou num planeta abençoado pela mata verde, o ar puro, as fontes cristalinas cantando melodias de vida? 
Um planeta de pedras e montanhas de picos agudos, nus, erguendo-se para o céu? 
Ou um local cheio de flores, pássaros cantantes e animais de espécies variadas, mantendo o perfeito equilíbrio ecológico? 
A decisão nos pertence. 
O amanhã depende de nós. 
A hora de construir e preservar é agora. 
O melhor local: onde nos encontramos, no lar, na escola, no escritório, na rua. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.8.2021.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

GESTOS DE AMOR

Uma frase escrita em um muro, perdida no meio de rabiscos e desenhos, diz o seguinte:
O amor não existe, o que na verdade existe, são os gestos de amor.
Ao ler esta frase, a primeira questão que nos vem à mente, quase como um reflexo, é nos perguntar como alguém ousa dizer que o amor não existe. Porém, no esforço de tentar compreender essa afirmativa, questionamos: 
-Como podemos conhecer o amor, sem a ação que o coloca em movimento? 
A partir daí, somos capazes de compartilhar da ideia desse desconhecido autor, que nos convida a pensar que o amor somente se revela através das atitudes de cada pessoa. 
 * * * 
Gestos de amor... 
Envolver um bebê recém-nascido nos braços, com encantamento e ternura, e perceber naqueles traços pueris, a manifestação da perfeição Divina. 
Demonstrar interesse frente à empolgação de uma criança quando vem partilhar uma nova descoberta, por mais que, para nós adultos, não seja uma novidade. 
Simplesmente escutar o outro, fixando-o nos olhos com atenção, mergulhando na profundidade do que está sendo falado. 
Quanto bem somos capazes de proporcionar ao próximo nos colocando apenas na posição de ouvintes. 
Presentear... 
Por mais singelo seja o presente, ele chega impregnado de bons fluidos de quem o oferta e carrega a mensagem: 
-Lembrei-me de você. 
Um afago, um abraço... 
O toque leva ao outro um pouco da energia salutar de quem o oferece.
Cuidar... do filho, do amigo, do irmão, do cônjuge, dos pais, dos avós e também daquele que pouco conhecemos. 
Tratar quem quer que seja com respeito e consideração. 
Partilhar, doar... qualquer coisa que o outro esteja precisando: alimento, agasalho, tempo, atenção, sorriso e afeto. 
Dividir conhecimento... 
Cada ensinamento que passamos adiante é mensageiro de um pouquinho de amor. 
Aconselhar, dialogar, preocupar-se, enfim, perceber a necessidade do outro e se fazer presente. 
Perdoar... os afetos, os desafetos e a nós mesmos. 
Ser caridoso. Jesus nos ensinou que a caridade nada mais é do que o amor em ação. 
* * * 
É certo que o amor por si só existe. 
Enquanto Espíritos imortais, todos carregamos sua semente em nosso íntimo. 
Mas para que façamos essa semente germinar, crescer e produzir frutos, é preciso que coloquemos o amor em movimento através das nossas atitudes. 
As ações têm o seu início no pensamento e na vontade de realizá-las. 
Mas a virtude de fazer o bem só se torna ativa e tem valor, quando transformamos a nossa intenção em prática. 
Façamos com que todos os nossos gestos, por mais simples que sejam, estejam envolvidos por esse nobre sentimento, o Amor. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 25.09.2012.

domingo, 15 de agosto de 2021

GESTO NECESSÁRIO

Orson Peter Carrara
Jornal de grande circulação nacional teve oportunidade de oferecer reportagem especial, em um de seus cadernos, enfocando a gratidão.
Relata que um ex-aluno fez expressiva doação à Faculdade de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto, São Paulo. O médico, que endereçou oitenta e cinco mil dólares para a Faculdade, é o primeiro filho de um pedreiro e de uma dona de casa. Reconhecendo que deve sua oportunidade à escola pública e gratuita em que estudou, afirmou estar devolvendo à sociedade o que dela recebeu. Segundo ele, saiu da pobreza e entrou na riqueza, graças aos impostos pagos por todos. A doação é sua forma de devolver o benefício. A doação ajudou a criar um laboratório de virologia, para estudar e combater a dengue. 
O caso não é único, embora raro, em nosso país. 
A Universidade Federal de Minas Gerais recebeu quatro milhões e trezentos mil dólares de um seu ex-aluno, que se tornou banqueiro. Os recursos foram canalizados para o setor de gastroenterologia daquela Universidade. 
A Escola de Agronomia Luiz de Queiroz, de Piracicaba, São Paulo também recebeu uma fazenda de um seu ex-aluno. O imóvel, no valor de dezesseis milhões de dólares, foi deixado em testamento. Independente de terem seus nomes divulgados pela imprensa, o importante é que suas doações beneficiam a muitos. 
Expressam desprendimento de posses em favor de iniciativas coletivas. Um sentimento de gratidão pelas inúmeras bênçãos recebidas, durante a vida.
Demonstram uma preocupação com o bem-estar alheio, desde que as instituições voltadas para o bem coletivo dependem, quase sempre, de doações. 
Tais gestos colocam em evidência o sentido imediato de uma palavra simples, de grande significado: gratidão. 
Sentimento que surge nos corações onde residem a justiça e a bondade.
E, diga-se, também um entendimento excelente de cidadania. 
A quantia doada é questão secundária. 
O importante é o exemplo e o benefício proporcionado.
Assim, qualquer um de nós a pode expressar, seja pelo simples pagamento de uma mensalidade em favor de uma instituição. 
Ou o oferecimento de uma cesta básica para uma família carente. 
Quem sabe uma contribuição anual para uma pesquisa médica. 
Ou o apadrinhamento de um estudante, facilitando-lhe o acesso aos sempre preciosos livros. 
Ou ainda, a doação de horas de trabalho voluntário. 
As lições do Evangelho de Jesus se referem ao óbolo da viúva e a responsabilidade de quem muito recebeu. 
Dessa forma, agraciados com a escola, não nos esqueçamos de contribuir para que outros tenham acesso a ela. 
Abençoados com a saúde, colaboremos com quem depende de medicação específica para viver cada dia. 
Beneficiados pela atividade profissional, que nos garante a vida digna, criemos condições de acesso ao primeiro emprego a quem aguarda oportunidade. 
Enfim, agradeçamos à vida o que ela nos oferece, multiplicando oportunidades a quem segue na retaguarda. Isto se chama gratidão.
* * * 
Ampliemos o contingente dos benfeitores anônimos. 
Participemos das iniciativas salutares, que possibilitam o progresso e o amparo social. 
Exerçamos a nossa cidadania. 
Enfim, preocupemo-nos em devolver à sociedade o que ela nos deu.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Gesto necessário, de autoria de Orson Peter Carrara, publicado na Revista Internacional de Espiritismo, de outubro/2003. 
Em 16.10.2015.

sábado, 14 de agosto de 2021

GESTO INUSITADO

O dia estava nublado. Várias pessoas aguardavam o ônibus na estação tubo, resguardando-se do vento frio, que soprava forte. Os olhares de todos se revezavam entre o relógio de pulso e a rua à esquerda, de onde deveria vir a condução. De repente, a porta central se abriu e os olhares ali se concentraram, não entendendo o porquê, desde que nenhum ônibus estava à vista. Então, viram que o cobrador saiu de seu posto, saltou para a rua e se dirigiu alguns metros adiante, à direita. Um rapaz aguardava na calçada. O cobrador lhe ofereceu o braço e juntos atravessaram a rua. O rapaz era cego. Os passageiros que aguardavam o ônibus se entreolharam, admirados. O gesto fora inusitado, considerando-se ainda que ninguém se apercebera da dificuldade do deficiente visual. Contudo, o cobrador estava atento e, deixando seu posto, foi prestar solidariedade ao seu irmão, deixando-o, tranquilo, do outro lado da rua. Houve cumprimentos de alguns para ele. Houve quem fosse além e lhe desejasse bênçãos celestes. Ele corou e disse: 
-Nada fiz demais. Eu vi que ele estava inseguro para atravessar e resolvi ajudar.
* * * 
O cobrador era um jovem. 
Para aqueles que costumam dizer que o mundo está perdido, que ninguém se importa com ninguém; que a juventude vive alheia ao seu entorno, o gesto inusitado prova o contrário. 
Poder-se-á dizer, quem sabe, que é um em um milhão. 
Pelo contrário, para quem tem olhos de ver, esses exemplos se multiplicam às dezenas. 
O que ocorre é que, normalmente, da mesma forma que os passageiros, temos os olhos postos somente em uma direção, não nos permitindo alargar a visão, buscando outras paisagens. 
O bem está no mundo e se apresenta, diariamente, em gestos anônimos e desinteressados como o da pessoa que vê cair a carteira da bolsa de alguém, a apanha e corre até alcançá-la, a fim de a devolver. 
Ou de quem percebe que o cadeirante está com dificuldades para subir à calçada e se oferece para auxiliar.
Da vizinha que se predispõe a cuidar das crianças, enquanto os pais necessitam atender a uma emergência; da atendente hospitalar que, extrapolando seu horário de trabalho, fica com o paciente até que chegue seu familiar, para que ele não se sinta só ou entre em pânico; da mãe que leva pela mão seu filho a saborear um sorvete e, observando que outra criança o fixa com olhos de desejo, a essa oferece idêntica gostosura; de alguém que encontra um cão pela rua e, percebendo ser bem cuidado, cogita que deva pertencer a quem muito o quer e se esmera em descobrir seu dono. 
Pensa que possa ser de uma pessoa solitária, cuja companhia única lhe seja o animal. 
Ou, quem sabe, de uma criança que lhe chora a ausência, intranquila e medrosa. 
Sim, há muito bem no mundo. 
Há quem divida o próprio coração para amar os filhos da carne alheia. 
E adicione água ao feijão a fim de servir um prato a mais a quem tem fome. 
E subtraia pequenos desejos pessoais, a fim de atender a verdadeiras necessidades de terceiros, tudo numa bendita e especial matemática.
Uma especial matemática cujo resultado é amor, harmonia, bem-querer, um mundo melhor. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 17.02.2012.